segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Análise da denúncia dos estudantes: armação

Autor da análise: Especialista em linguagem não verbal Damis Almeida Nemitz.
Análise atualizada e revisada em 25/10/2016 às 16:06 por Thaís Guimarães.


Assista o vídeo da denúncia:



   Com relação à linguagem corporal, o vídeo já é iniciado com um gesto de fuga. Reparem que o menino à direita passa a língua entre os lábios indicando desejo de fuga. Esse gesto também pode estar relacionado a mensagem não verbal de "fiz besteira" como uma forma de se auto incriminar por algo.
A menina, por sua vez, demonstra tensão nos lábios e olha pra baixo como uma forma de analisar o que vai falar

0:03 - O menino demonstra satisfação nos lábios ao falar da ocupação. Note que há um leve sorriso em seus lábios

0:17 - Ele passa a vez para sua amiga ao lado, e imediatamente abaixa a cabeça enquanto ela fala. Esse gesto de abaixar a cabeça é muito comum em pessoas que não tem certeza do que estão falando (ou o que será dito). O fato gerador desse gesto é um "medo" de confrontar a câmera. Uma espécie de vergonha, pois sabe que o que está sendo falado não corresponde a realidade

0:19 - Ele coça o nariz e se mantem no padrão de olhar para baixo

0:23 - Quando a menina fala que queria gravar entrevista ela fala a verdade. Reparem em seus olhos. Eles se direcionam para a lateral direita. De acordo com a PNL a movimentação ocular para essa direção significa que ela está lembrando de algum som, alguma fala.

0:25 - Quando diz "muita gente não concordou", sua cabeça se direciona para o lado oposto (para trás). Esse gesto está muito ligado a incerteza/fuga da situação. Pois existe uma alteração no padrão comportamental.
Enquanto ela fala, o menino ao lado se mantem na defensiva. Braços cruzados

0:30 - Quando a menina diz que as gravações ocorreram sem autorização, ela demonstra muita incerteza, pois fecha os olhos nesse exato momento. Ela não tem certeza da ausência de autorização.

0:33 a 0:35 - Gesto de negação com a cabeça é feito de forma descoordenada e em ritmo diferente da fala. Um dos sinais clássico de mentira.

0:43 - Quando ela fala do advogado, ela é sincera. Seus olhos se direcionam para cima e esquerda. Nesse momento ela está vendo essa imagem mentalmente.
Suas mãos realizam um gesto de "oração" confirmando a certeza de suas palavras.

0:55 - Seus olhos se direcionam para cima e esquerda. Está acessando a memória. Algo do que ela está falando realmente aconteceu. Perguntas realmente foram feitas, porém devemos nos atentar para um detalhe importante: em 0:56 suas sobrancelhas estão assimétricas. Indício certo de dúvida. Isso nos leva a crer que a pergunta feita pode não ter sido exatamente essa. Existe uma dúvida em relação ao que realmente aconteceu.

0:58 - Novamente há um desnível corporal. Um ombro sobe e o outro permanece imóvel. A intenção do gesto é a mesma. Dúvida em relação a pergunta.

1:01 - Gesticulação em ritmo diferente da fala.

1:08 a 1:12 - "Elas sofreram assédio....... sexual". Quando uma afirmação é verdadeira as palavras fluem normalmente. Nesse caso, podemos notar que ela se atrapalha no que está afirmando. As pausas se tornam muito compridas e a gesticulação fica descoordenada.

De 1:12 a 1:21, ao falar que os alunos sofreram assédios e agressões, seus gestos continuam sendo feitos em ritmos diferentes da fala. Podemos notar uma certa ansiedade e nervosismo anormais para quem está falando a verdade. Toda essa ansiedade é comum em discursos armados.

1:23 - "A gente pediu milhões e milhões de vezes para eles saírem pacificamente". Nesse momento há verdades em sua afirmação. Os gestos estão de acordo com a fala e muito congruentes. Realmente houve esse pedido para saírem.

1:29 - "A gente fez uma corrente para eles não passarem". Verdade. Reparem que com o braço ela faz um gesto de "corrente", "bloqueio". Há congruência entre o verbal e o não verbal.

1:37 - Expressão de nojo, aversão.

1:39 - Quando ela fala que eles não agendaram a visita, ela sobe apenas um ombro. Incerteza. Não quer dizer que essa mentira esteja relacionado ao fato deles não terem agendado. Significa dizer que não se importavam com essa visita. o fato de saberem ou não, não importa para eles, nesse caso.

1:42 - "Quando uma aluna aceitou falar com eles...". Nesse momento a cabeça nega. A aluna não aceitou. Logo depois quando ela completa "... do portão para fora", seu gesto com a mão é congruente. Ela faz um gesto "para fora". Alguém foi falar com ele fora da escola, mas não como ela diz.

1:47 - Gesto de dissociação. O corpo aponta para uma direção e o gesto é feito em outra.

1:50 - "A gente pediu para eles saírem e eles não saíram". Gestos congruente com a cabeça. Verdade !

2:02 - O menino faz um gesto com a boca chamado "dumping delight". É uma mistura de satisfação com desprezo.
Esse gesto é realizado quando é visto que estão acreditando na mentira contada.

2:06 - Quando a menina afirma que eles quiseram conversar pacificamente, mas o repórter não quis, ela realiza um gesto ascendente com o ombro esquerdo. Não tem certeza do que está falando. Desejo de ocultar informações do ocorrido.

Conclusão: Os alunos não foram espontâneos na maior parte do discurso. 










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