terça-feira, 28 de abril de 2020

Análise não-verbal: Gabriela Pugliesi pede desculpas por desrespeito à quarentena. Pedido de desculpas sincero?

Recentemente a influencer digital Gabriela Pugliesi publicou em suas redes sociais vídeos demonstrando que estava participando de uma festa em meio à quarentena do coronavírus.
Esse comportamento foi muito criticado pelos seus seguidores e não seguidores.
Segundos essas pessoas, o fato dela participar de uma festa em um período tão turbulento mundialmente, aonde a ordem principal é todos ficarem em casa de quarentena para evitar que o vírus se espalhe, é um desrespeito ao momento que está sendo vivido.
Após esse vídeo vazar na internet, e após Gabriela Pugliesi perder vários patrocinadores, a mesma gravou em seu Instagram um pedido de desculpas por sua atitude.
Será que esse pedido de desculpas foi sincero? O que sua linguagem corporal pode nos dizer?

Vamos à análise:

Em 0:02, no momento em que Gabriela pede desculpas, ela realiza um gesto com as mãos se entrelaçando. Segundo o antropólogo Desmond Morris, esse gesto indica suplica, proteção. Sendo, portanto, um "gesto ilustrador" de categoria beta (submissão)
O que é interessante de observar nesse trecho, é que, ao mesmo tempo em que ela realiza esse gesto mostrando submissão, sua cabeça está projetada em um ângulo acima de 90 graus. Esse posicionamento, vulgarmente chamado de "nariz empinado", indica um estado emocional de superioridade, arrogância, dominância excessiva.
Podemos dizer que os gestos são incongruentes entre si - enquanto as mãos projetam submissão, a cabeça indica arrogância e dominância.
Segundo Jack Brown, o pedido de desculpas é um contexto que deve ser exclusivamente submisso, pois o agente está em uma posição de vulnerabilidade, em razão do comportamento que levou ao pedido.
Tendo, Gabriela exibido um sinal de dominância, podemos dizer que há incongruência gestual-contextual.

Em 0:04, no momento em que começa a contar o que aconteceu, podemos ver uma elevação consistente, de ambos os ombros e .
Esse movimento é chamado de "Turtle Effect", e demonstra uma intenção do agente em se proteger do acontecimento. Ele é realizado quando o agente experiencia desconforto, medo. Tem esse nome como uma referência ao gesto que a tartaruga faz diante, também, de uma situação de medo e desconforto, no qual ela se esconde no casco.

A partir de 0:04, Gabriela Pugliesi diz: "Ontem eu juntei meia dúzia de amigos aqui em casa, a gente pediu comida, a gente bebeu; eu me passei, postei, falei besteira. Enfim, eu tô extremamente arrependida, tô mal comigo mesma..."
No momento em que ela diz "me passei, postei, falei besteira", sob o prisma da Análise de Declaração (Statement Analysis), houve uma quebra da cronologia temporal dos fatos.
Gabriela Pugliesi ordena os acontecimentos como: 1º. Ela se passou; 2º. Postou e 3º. Falou besteira. Para quem viu o vídeo do fato, o que realmente aconteceu foi que a Influencer, em primeiro lugar, "se passou", depois ela falou besteira e em seguida postou.
A troca da ordem cronológica, por mais simples que seja, segundo Mark McClish, indica um discurso incongruente, que pode indicar desonestidade ou, como no contexto, falta de comprometimento emocional.
Além disso, podemos perceber que a fluidez de seu discurso é consistente com uma declaração racional (não sentida).
Nos discursos racionais, planejados, devido a uma intenção de convencimento e manipulação, geralmente algumas sílabas são um pouco mais prolongadas, em comparação a um discurso mais natural, mais emocional. Essa alteração na estrutura paralinguística pode ser observada da seguinte forma: "Ontem eu juntei meia dúzia de amigos aqui em caaasa, a gente pediu comiiida, a gente bebeeeu; eu me passeeei, posteeei, falei besteeeeira..".

[Discursos emocionais, nesse contexto, sustentam sua credibilidade por si só; os discursos mais racionais, as vezes precisam de alguns elementos de convencimento para alcançar a credibilidade necessária]

Ao final desse trecho, ela faz a conexão entre os períodos verbais com o advérbio "enfim". De acordo com Mark McClish, esse advérbio pode indicar resignação - que é a sujeição ao desejo de outra pessoa.
Diante de todos os elementos vistos nesse trecho, podemos dizer que há um forte indício dessa declaração ser racional. O arrependimento aconteceu porque ela TEM QUE pedir, e não porque DESEJA pedir.

Em 0:19, a Influencer diz: "Eu quero pedir desculpas"
Aqui podemos ver uma microexpressão de medo devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não sabemos exatamente qual foi o fato gerador da emoção de medo, mas uma possibilidade de refere a repercussão negativa que o fato teve.

Em 0:22, após dizer "Não é pra juntar gente em casa", novamente podemos ver uma microexpressão de medo, dessa vez peal elevação das sobrancelhas em sua porção interna e externa, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:38, Gabriela diz: "Eu tenho que ter responsabilidade"
Nesse momento ela realiza um "gesto pacificador" de passar a mão na região lateral do pescoço e na nuca. Juntamente podemos ver também uma expressão de medo pela elevação das partes internas e externas das sobrancelhas, aumento das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.
Como já sabemos, "gestos pacificadores" são aqueles que consistem em realizar auto-toques com a intenção de se acalmar diante de um estado de ansiedade, nervosismo. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a ansiedade é um estado emocional que PODE acontecer quando se está sendo desonesto.
O especialista em linguagem corporal, Jack Brown, através de observações, percebeu que a área da cabeça em que o gesto manipulador acontece pode nos dar indícios se a ansiedade experienciada tem uma alta ou baixa relação com a desonestidade. Segundo ele, quando o gesto manipulador acontece na região lateral do pescoço e nuca indicam, o que ele chama de "Ansiedade-Honesta", ou seja, tem pouca relação com uma desonestidade.

[É importante dizer que Jack Brown usou bases empíricas para chegar a essa conclusão, sendo assim, não podemos usar essa informação como um padrão, como uma verdade absoluta. O contexto deve sempre ser analisado]

Tendo em vista o contexto em que se apresenta, quando Gabriela Pugliesi passa mão na região lateral do pescoço e da nuca, podemos dizer que ela está ansiosa e nervosa por não ter tido um comportamento responsável.
No campo verbal, de acordo com a PNL, "Eu tenho que..." constitui um "Operador Modal de Necessidade". Adaptando esse conceito da PNL para a Análise de Declaração, é possível concluir que Gabriela Pugliesi se sente na obrigação de ser responsável. Ter essa obrigação, não necessariamente expressa uma vontade. As obrigações estabelecem regras quanto o que é necessário e apropriado. Não são flexíveis.
Aqui, a Influencer está afirmando que ela tem responsabilidade porque ela tem essa obrigação, e não necessariamente porque ela é assim.

[Quando o discurso está pautado em um "Operador Modal de Necessidade", quando os deslizes comportamentais acontecem, tendem a existir sinais mais fortes de ansiedade, pois a pessoa tende a se cobrar demais, tendo em vista que ela não é assim, apenas TEM QUE  ser.]

Em 0:43, ainda enquanto se refere às responsabilidades que tem diante das coisas que fala, Gabriela Pugliesi realiza um gesto chamado "Tongue Jut", que consiste em passar a língua nos lábios. Esse gesto indica ansiedade. De acordo com o especialista em linguagem corporal Joe Navarro, esse gesto, de uma forma mais específica é um sinal de auto-incriminação. Como se o corpo dissesse "fiz besteira".

Em 0:45, a Influencer diz: "Eu queria pedir desculpas do fuuundo do meu coração"
Mais uma vez aqui vemos um prolongamento verbal na palavra "fundo". De acordo com Mark McCLish os prolongamentos são desnecessários em discursos. Sua única função é manipular, aumentando a intensidade da credibilidade.
Juntamente ela realiza o gesto de fechar os olhos chamado de "Eye Shielding". De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, esse gesto indica desejo de não-visualização diante de um estímulo negativo. Nesse contexto da análise, ele pode ser interpretado também como um agravador. Ela está tentando aumentar a intensidade de sua fala para tornar mais crível.


SUMÁRIO: A influencer digital Gabriela Pugliesi apresenta, majoritariamente emoções de medo; e ansiedade pelo acontecido..
Ela apresenta comportamento auto-incriminador. Sabe que errou.
O pedido de desculpas é um contexto completamente emocional, porém, a influencer apresenta sinais que constituem racionalidade e superioridade no pedido. Essa incongruência mostra que o pedido de desculpas não está sendo sentido. Em outras palavras, há alta probabilidade do pedido de desculpas não ter sido feito por ter ferido, de alguma forma, à sociedade; mas sim por ter sido profissionalmente prejudicada.
De tudo isso, podemos concluir que ela sabe que errou, mas pede desculpas apenas porque não quer se prejudicar mais do que já se prejudicou.
Foi observado que Pugliesi se cobra em ser responsável. O que, pode ser congruente com sua profissão.

sábado, 25 de abril de 2020

Análise não-verbal: Sérgio Moro faz acusações contra o Presidente Bolsonaro. Há veracidade? Quais as emoções envolvidas?

Recentemente, o atual ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro pede demissão, após ter ficado mais de 1 ano no cargo.
Segundo a Imprensa, o ex-Ministro tomou essa decisão após a exoneração do diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, pelo Presidente Jair Bolsonaro. Valeixo tinha sido indicado para o cargo pelo próprio Sérgio Moro.
Sérgio Moro fez um pronunciamento à Imprensa no qual anunciou a saída do Governo e fez algumas acusações contra o Presidente Jair Bolsonaro.
O que a Linguagem Corporal de Sérgio Moro pode nos mostrar?

Vamos á análise:

Em 0:15, Moro diz: "Foi me prometido, na ocasião, carta branca"
Nesse momento Sérgio Moro exibe uma expressão facial de medo, devido a elevação da parte interna e externa das sobrancelhas, contração no corrugador, elevação das pálpebras superiores e um sutil estiramento horizontal dos lábios.
Nem sempre é possível identificar o fato gerador dessa emoção, apenas que a emoção está sendo experienciada.

Em 0:29, enquanto ainda fala da carta branca que recebeu do Presidente para nomear todos os assessores da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal, o ex-Ministro exibe uma expressão de raiva. Nesse caso, a raiva está sendo exibida na face através das contrações do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), tensão nas pálpebras inferiores, pressão dos lábios e tensão na mandíbula.
De acordo com Paul Ekman, um dos gatilhos da emoção de raiva é a injustiça. Ou seja, quando um a gente se sente injustiçado por algum motivo, é comum observarmos a raiva em sua face.

Em 0:34, podemos ouvir uma expirada profunda do ex-Ministro Sérgio Moro.
Essa expirada mais estendida é um indicativo de se aliviar de uma situação estressante. É como se o corpo, através da expirada eliminasse o estresse, ansiedade.
Esse sinal não-verbal acontece no momento em que ele está falando sobre a troca do Diretor-Geral da Polícia Federal

Em 0:47, o ex-Ministro Sérgio Moro exibe uma expressão de raiva, devido a contração no músculo do corrugador, tensionamento nas pálpebras inferiores e pressão nos lábios.

Em 0:51 - 0:52, Sérgio Moro engole em seco ao dizer que a troca do Diretor-Geral da Polícia Federal seria feita somente se houvesse uma insuficiência de desempenho ou um erro grave.
Esse comportamento está ligado ao estresse e tensão. Quando experienciamos esses estados emocionais, devido a liberação de alguns hormônios, a boca tende a fica mais seca que o normal, fazendo-se necessário um esforço maior para engolir afim de lubrificar a região da garganta.
Provavelmente, a tensão e o estresse estão ligados ao fato do Diretor-Geral ter sido demitido sem ter tido esses motivos.

A partir de 1:12, Sérgio Moro diz: "Tem outros bons nomes para assumir o cargo de Diretor-Geral da polícia Federal, né?"
Durante esse trecho ele realiza um gesto chamado de "Tongue Jut" que consiste em projetar a língua para fora da boca.
De acordo com o especialista em linguagem corporal Joe Navarro, esse gesto indica ansiedade com o que está dizendo.
Analisando o contexto, essa ansiedade não é congruente com tal afirmação.
Devemos nos perguntar: "Por que Sérgio Moro está se sentindo ansioso ao fazer uma afirmação, simples de ser feita"
De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal, essa incongruência pode ser sinal de desonestidade.
Sérgio Moro termina esse trecho com o advérbio "né?". De acordo com estudos de Statement Analysis, terminar com uma pergunta indica dúvida, pois transfere a confirmação do que disse para os interlocutores.
Sérgio Moro não acredita que existem outros bons nomes para assumir o cargo

Em 1:27, ao falar que essa troca no cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal seria uma violação à carta branca que foi dada ao ex-Ministro, podemos ver um sutil desvio de cabeça para seu lado esquerdo.
Esse desvio indica distanciamento. O distanciamento não-verbal acontece quando estamos diante de uma informação da qual não gostamos, não acreditamos ou não confiamos.
Esse movimento está diretamente ligado à violação da carta branca dada pelo Presidente.

Em 1:42, ao verbalizar "interferência política", podemos perceber que sua voz fica trêmula.
De acordo com estudos da Paralinguagem, voz trêmula é um forte indicativo de estresse e ansiedade.
Esses estados emocionais causam um tensionamento na região da garganta, fazendo com que haja essa alteração vocal.

A partir de 1:48, Sérgio Moro diz: "E o problema é que nas conversas com o Presidente, e isso ele me disse expressamente, que não é só troca do Diretor-Geral. Haveria também intenção de trocar Superintendentes..."
Durante esse trecho podemos notar um aumento nas piscadas. O aumento das piscadas está ligado a ansiedade.

A partir de 2:06, o ex-Ministro diz: "Ontem.. eu conversei com o Presidente, houve essa insistência do Presidente. Falei ao Presidente que seria uma interferência política. Ele disse que... seria mesmo"
Logo no começo, podemos ver que o ex-Ministro Moro demonstra a emoção de desprezo, devido a contração do músculo do bucinador, de formam ais evidente em seu lado esquerdo.
Durante esse trecho podemo ver um aumento significativo do número de piscadas, indicando ansiedade.

Em 2:16, ainda referente ao trecho anterior, no momento em que ele afirma que o Presidente disse "seria mesmo", ele exibe um conjunto gestual muito interessante.
Podemos ver contração no corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), olhos fechados ("Eye Shielding"), elevação do queixo + queda dos cantos da boca e movimento das mãos em supinação
De acordo com estudos da Comunicação Não-Verbal, o conjunto não-verbal constituído pela contração do corrugador + elevação do queixo + queda dos cantos da boca conjugado com o movimento das mãos em supinação (giro das mãos lateralmente) é um sinal de discordância de pensamentos.
Os olhos fechados funcionam como um potencializador dessa discordância.
Adaptando ao contexto, essa discordância se refere ao fato de Sérgio Moro não concordar com a interferência política.

Em 2:19, ao final desse trecho, podemos ver que o ex-Ministro moro exibe a expressão de raiva devido a pressão nos lábios.

Em 2:22, novamente vemos a expressão de raiva, devido a pressão nos lábios. Dessa vez ela está conjugada com uma expressão de desprezo, devido a contração no bucinador (músculo localizado no canto dos lábios e responsável pela retração dos lábios e estreitamento das comissuras)

Em 2:31, ao dizer que o Presidente queria ter alguém de confiança no cargo para ter acesso às informações e aos relatório de inteligência, o ex-Ministro exibe mais uma vez a expressão de raiva, principalmente, devido a contração do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas) e tensão nas pálpebras inferiores

Em 2:46, diz: "... E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações tem que ser preservadas"
Enquanto verbaliza "papel da Polícia Federal" podemos ver uma elevação do volume da sua voz, juntamente com tensionamento no corrugador e afinamento dos lábios; e uma expressão de desprezo [foto acima].
De acordo com a Paralinguagem, o aumento no volume da voz está ligado ao desejo de chamar atenção e ser mais incisivo no que está a falar.
A raiva e o desprezo demonstram como Sérgio Moro se sente devido a discordância de ideias.

Em 3:00 podemos ver mais uma expressão de desprezo conjugada com a expressão de raiva.
A raiva é observada devido a contração do corrugador, tensionamento dos lábios.
O desprezo é observado pela contração do músculo do bucinador em seu lado esquerdo.

A partir de 3:54, o ex-Ministro diz: "A exoneração que foi publicada... ééé... eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial. Eu não assinei esse decreto..."
Aqui notamos agregadores verbais ("ééé") que indicam que Moro está pensando no que vai falar a seguir.
Ao dizer que ficou sabendo pelo Diário Oficial, podemos ver um leve desalinhamento de sua cabeça para sua esquerda. Esse movimento está ligado à intenção de distanciamento. De acordo com o contexto, ele está se distanciando do fato de ter sabido previamente da exoneração.
No momento em que diz: "Eu não assinei esse decreto" podemos observar um gesto de cabeça chamado por Jack Brown de "Head Wiggle", que consiste em movimentos, de alta frequência, com a de um lado para outro [É necessário assistir ao vídeo, nesse trecho, para entender o movimento feito]. Essa movimentação indica confiança e assertividade no que está falando.
Nesse trecho há congruência e honestidade

Em 4:17, Moro diz: "Sinceramente, fui surpreendido" [ao se referir à exoneração]
De acordo com estudos de Statement Analysis, a utilização do advérbio "sinceramente", nesse contexto, pode ser considerado uma palavra desnecessária. Ou seja, sua presença no discurso não altera o sentido. Segundo Mark McClish, o uso de palavras desnecessárias podem ter a intenção de reforçar um pensamento. Na maioria dos casos, o reforço indica tentativa de convencimento. Quando um discurso é completamente honesto, não há necessidades de reforços; ele por si só se sustenta.
O uso desse advérbio nesse contexto pode indicar que Moro provavelmente já fazia ideia, em algum grau, de que haveria tal exoneração.
Ao dizer que foi surpreendido, ele exibe uma expressão composta. Aqui vemos tristeza (em primeiro plano) juntamente com medo - pelas contrações do corrugador, elevação da parte interna da sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e queda das extremidades da boca.
De acordo com alguns autores, a composição dessas duas emoções indicam um sentimento de choque, irritação [foto acima]

A partir de 4:33, o ex-Ministro diz: "Pra mim esse último ato, também, é uma sinalização de que... o Presidente me quer, realmente, fora do cargo. Não me quer presente aqui dentro do cargo"
Sérgio Moro realiza uma pausa desnecessária ("de que... o Presidente"). De acordo com estudos de Statement Analysis, a pausa desnecessária é um recurso usado pelo agente para ganhar tempo e pensar no que falará em seguida.
Ao confirmar que o presidente o quer fora do cargo, ele realiza um movimento de elevação unilateral com seu ombro esquerdo ("Shoulder Shrug"). Esse gesto é considerado um "emblema parcial", e, segundo alguns autores como Jack Brown, esse gesto pode indicar impotência [como se o corpo tivesse dizendo: "se o Presidente quis isso, o que eu posso fazer?"]
No final, ao dizer: "Não me quer presente aqui dentro do cargo" percebemos que existe uma queda em seu volume vocal. Essa diminuição está ligado a um estado emocional negativo, mais ligado a tristeza, vergonha. Pode ser visto também como um indicativo de submissão.

A partir de 4:48, Sérgio Moro diz: "Eu não tinha como aceitar essa substituição.."
Nesse momento ele emite desprezo, pela contração do músculo do bucinador, na extremidade esquerda do canto da boca.

A partir de 4:53, Moro diz: "Há uma questão envolvida do meu... também da minha biografia como juiz; em respeito à lei, ao Estado de Direito..."
Ao falar da sua biografia como juiz, ele ponta para ele mesmo. De acordo com Jack Brown, o gesto de apontar para si mesmo com a ponta dos dedos é um indicativo de assertividade, confiança, de congruência com as suas convicções.


SUMÁRIO: As emoções predominantes no ex-Ministro Sérgio Moro são raiva e desprezo. Bem como medo.
Um dos gatilhos da emoção de raiva é a injustiça. Diante disso, podemos afirmar que Sérgio Moro se sente injustiçado pela perda de seu cargo e por não receber a "carta branca" inicialmente prometida pelo Presidente Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro apresenta ansiedade e desprezo ao falar da interferência política na Polícia Federal. Ele não concorda com essa interferência.
O ex-Ministro é sincero quando diz que não sabia da exoneração do cargo, apesar de que já tinha ess suspeita É sincero também quando diz que não assinou o decreto.
Existe emoção de tristeza com medo ao falar da exoneração do Diretor Geral da Polícia Federal. Bem como, ele acredita que não haverá ninguém melhor para a substituição no cargo.
O ex-Ministro também experiencia emoções negativas ao falar da sua saída do Ministério.
Há um forte indício de congruência nas denúncias feitas pelo ex-Ministro Sérgio Moro

sábado, 4 de abril de 2020

Análise não-verbal: O ex-BBB, Felipe Prior, está sendo acusado de estupro. Houve estupro?

Recentemente, um dos participantes mais polêmicos e famosos do Big Brother Brasil teve seu nome envolvido em uma grande polêmica.
Após sair da casa mais vigiada do Brasil, uma notícia está sendo amplamente divulgada nas mídias. O ex-participante Felipe Prior está sendo acusado por estupro e tentativa de estupro. Das três vítimas, duas são correspondentes ao estupro consumado e uma à tentativa.
Segundo documentos, os crimes aconteceram em anos diferentes, porém todos foram durante as comemorações dos jogos universitários da faculdade de arquitetura da USP.
Após esse assunto vir à tona na mídia, o arquiteto Felipe Prior decidiu se pronunciar acerca do acontecido.
O que será que sua Linguagem Corporal nos diz? Há provável culpa ou inocência?

Vamos á análise:

Nos primeiros segundos do vídeo, enquanto ele diz seu nome, vemos elevação nas sobrancelhas provocando rugas horizontais na testa, contração no corrugador; juntamente com as pálpebras superiores mais abaixadas que o normal e um fechamento unilateral do olho direito.
De acordo com estudos de Jack Brown, através de observações, essas ações faciais indicam arrogância, pretensão.
Essa configuração facial é vista em outros momentos desse vídeo. E também foi observado durante o reality

Em 0:10, Prior fala: "Eu tô muito chateado, mesmo. Muito chateado" 
Nesse momento, ele realiza um "gesto manipulador", puxando a pele da região da mandíbula.
Esse gesto é realizado em momentos em que o agente experimentando mais tensão e nervosismo. Nesse caso há uma tentativa de se acalmar diante desses momentos.
Durante sua participação no BBB, ele também realizou bastante esse mesmo gesto, e todas às vezes foi em momento de tensão.
Além disse, devemos nos atentar também para seu discurso. De acordo com Mark McClish, uma das emoções naturais em um contexto de injustiça é a raiva. Essa emoção é transferida para o seu discurso. O adjetivo "chateado" não é congruente com esse contexto de injustiça. A palavra é muito "leve" para um contexto tão "pesado".

A partir de 0:16, Prior diz: "Nunca cometi nenhuma violência sexual contra ninguém"
Nesse trecho observamos os seguintes gestos.
Ao falar "violência sexual", Prior eleva os dois ombros, e ao final desse trecho, existe uma elevação assimétrica do ombro esquerdo.
De acordo com estudos de Comunicação Não-Verbal, a assimetria é um dos componentes que PODEM indicar uma possível desonestidade.
Salvo algumas exceções, quando estamos verbalizando um discurso, nosso corpo se comporta de forma simétrica, pois existe um equilíbrio entre o que está sendo falado e o que está sendo demonstrado não-verbalmente - nossos dois hemisférios cerebrais estão em harmonia.
De acordo com Joe Navarro, a elevação unilateral de um dos ombros, é um forte indício de insegurança no que está falando.
A elevação bilateral dos ombros é um "Gesto Emblemático" e indica desconhecimento, dúvida.
Juntando a elevação bilateral e, ao final, a elevação unilateral, uma das interpretações possíveis para esse contexto é que, Prior tem dúvidas se cometeu os crimes, e não tem segurança suficiente para dizer que é completamente inocente.
(No trecho do vídeo acima, em câmera lenta, podemos ver esses movimentos dos ombros acontecendo - A primeira elevação é bilateral e a segunda é apenas com o ombro esquerdo).


Nesse mesmo trecho, vemos a expressão de desprezo pela ação do músculo do corrugador em seu lado direito

A partir de 0:21, Prior diz: "Sou inocente. Sou INOCENTE"
Aqui podemos notar alguns detalhes interessantes:
O primeiro é a ausência do pronome "Eu". De acordo com Mark McClish, essa ausência denota distanciamento verbal. Ainda segundo o autor, em um contexto em que existe o desejo de comprovar a sua inocência, o afastamento verbal não é congruente. Pois o agente injustiçado faz questão de dizer que ELE é inocente.
Ainda de acordo com Statement Analysis, a repetição de palavra é uma tentativa de confirmação. Uma das formas da nossa mente absorver um conteúdo (ou fazer uma mudança) é através da repetição. Quanto mais se repete, mais é fixado.
Existe uma teoria da comunicação não-verbal que diz que a verdade se sustenta por si só, não precisa de repetição
Adotando essa teoria, a repetição, pode ser vista como uma forma de manipulação, para que, apesar de qualquer dúvida, se consiga convencer.
Ao final desse trecho ele faz uma afirmação com a cabeça. De acordo com Jack Brown, esse gesto com essa amplitude, sendo feito ao final de uma afirmação indica finalidade.

Ainda referente ao trecho anterior, apesar das assimetrias faciais, de certa forma, naturais é possível ver uma expressão de medo, devido a elevação da parte interna e externa das sobrancelhas, contração no corrugador e elevação sutil nas pálpebras superiores.

A partir de 0:26, diz: "O que me deixa mais chateado..."
Nesse momento ele fecha os olhos e os mantém fechados por mais tempo que o normal de uma piscada.
Esse gesto é chamado de "Eye Shielding" e indica desejo de não visualização. Acontece quando queremos evitar algum estímulo que nos incomoda, ou que gera algum outro estímulo negativo.
Aqui há congruência.

Em 0:31, Prior fecha os olhos, segura a parte superior do nariz - na região entre os olhos.
De acordo com a doutrina não-verbal, esse conjunto gestual indica processamento emocional. Significa dizer que racionalmente ele sabe o que está acontecendo, mas o lado emocional ainda precisa de tempo para entender.
Geralmente esse gesto acontece quando o a gente está experimentando vergonha.

Em 0:53, ao final do vídeo, ele exibe a expressão de desprezo, devido a contração do lado esquerdo do canto da boca.


SUMÁRIO: Felipe Prior, tem uma linguagem corporal de pretensão e até arrogância
Ao falar do suposto crime, ele demonstra desconhecimento e insegurança. Significa dizer que ele NÃO SABE que suas atitudes podem constituir crime. Apesar desse comportamento ser comum para ele, o mesmo considera que suas atitudes PODEM configurar crime para as vítimas e para a sociedade. Também ao falar do ocorrido, apresenta a emoção de medo.
Existem sinais de vergonha e tensão com o ocorrido.
Verbalmente, Prior nominaliza sua emoção como "chateação". Essa nominalização é considerada incongruente com um contexto de injustiça, por ser um adjetivo que suaviza a emoção congruente com o contexto.
Ao final do vídeo, podemos ver a emoção de desprezo.

terça-feira, 24 de março de 2020

Análise não-verbal: Ciro Gomes falando sobre sua preocupação com o Corona Vírus. Seu choro foi real?

Recentemente o político Ciro Gomes participou de uma live, no qual ele falava de alguns assuntos, respondia algumas perguntas.
Em um determinado momento dessa live, Ciro Gomes, supostamente, se emociona ao comentar que a epidemia do corona vírus está atingindo pessoas que se localizam nas áreas mais humildes do país.
Será que Ciro Gomes realmente se emocionou? Que informações sua linguagem corporal pode nos transmitir?

Vamos à análise:

A partir de 0:06, Ciro Gomes diz: "Agora esse vírus vai começar a subir o morro"
Nesse momento ele exibe uma expressão de felicidade, devido a elevação dos cantos da boca e levantamento das bochechas
Constitui incongruência a emissão de felicidade ao falar de um assunto tão negativo.

A partir de 0:11, podemos ver um aumento na frequência das piscadas de Ciro Gomes.
Percebam que ele começa a piscar muito mais do que a sua linha de base.
De acordo Bella DePaulo, o aumento das piscadas está ligado a ansiedade e nervosismo, devido a liberação de hormônios ligados a esses estados.

A partir de 0:13, Ciro Gomes começa, supostamente, a se sentir triste e a chorar.
Antes de observarmos os sinais que indicam se esse choro é real ou não, é importante esclarecer como uma emoção acontece na face, bem como sua duração.
Diante de um gatilho, o corpo começa a reagir a ele de forma gradativa. Uma emoção (e suas reações fisiológicas) entram em uma crescente (sua intensidade vai aumentando gradativamente). Em determinado momento, ela alcança o ápice; seguida de uma decrescente (a emoção e suas reações fisiológicas, vão decaindo, sumindo). Uma emoção genuína vai sempre respeitar essa estrutura.
Quando uma emoção (e suas reações fisiológicas) começa bruscamente já em uma intensidade alta, dizemos que a intensidade de arranque é alta, fazendo com que aquela emoção, bem como sua reação fisiológica sejam consideradas falsas.
Em relação a sua duração, Paul Ekman, considera uma emoção verdadeira aquela que dura, no máximo 5 segundos, com um ápice de 1 segundo.
Nesse trecho destacado, percebemos que o choro de Ciro Gomes começa bruscamente, ou seja, sua intensidade de arranque é muito alta, não respeitando a crescente da formação emocional.

Imagem cedida por Diego Silva do ILC (Instituto de Linguagem Corporal)
As ações musculares da face envolvidas na tristeza são: contração do corrugador (músculo situado entre as sobrancelhas), elevação da parte interna das sobrancelhas, queda dos cantos da boca e elevação do queixo (foto acima). sendo a elevação da parte interna das sobrancelhas a ação mais confiável para a legitimidade da emoção de tristeza.
Durante seu período de choro, não observamos essa prototipagem na face de Ciro Gomes.

Além dessas ausências, existem mais dois sinais que podem confirmar que a tristeza, e o consequente choro de Ciro, é falso:

O primeiro deles é a presença da elevação da parte externa das sobrancelhas - ação muscular ausente durante a tristeza e o choro (por exemplo, em 0:19 - foto acima)
O segundo é o aumento das piscadas. Durante o choro intenso, que Ciro Gomes está tentando passar, os movimentos ficam mais lentos, sem energia. O aumento das piscadas é incongruente com tal reação fisiológica do choro (por exemplo em, 0:23)

Em 0:20 podemos notar que sua gesticulação também está acelerada. Seguindo o mesmo raciocínio citado acima, durante o período de choro/tristeza profunda genuína, os gestos devem ficar mais letárgicos, lentos.

Em 0:45 - 0:46, Ciro diz: "Perdão pela emoção"
Nesse momento ele eleva somente a sobrancelha direita. Esse movimento assimétrico é chamado de "Skeptical Eyebrow" e indica dúvida, ceticismo, descrença no que está falando.
Eles está sendo desonesto em relação ao desejo de pedir perdão ou sabe que sua emoção não foi real.
Os olhos fechados conjugados com esse movimento assimétrico da sobrancelha constituem um desejo de não querer ver o que está falando, por saber que constitui dúvida

Em 0:56, após dizer: "Põe a mão na cabeça meu irmão, põe a mão na cabeça minha irmã", Ciro Gomes realiza um gesto pouco falado na Linguagem Corporal chamado por Jack Brown de "Jaw Confessional", que consiste em movimentar a mandíbula para um dos lados.
Ainda segundo o autor, quando um agente realiza esse movimento, algum nível de constrangimento está presente. Logo depois desse gesto, geralmente, o agente verbaliza uma confissão ou um pedido de desculpas, porém caso as próximas palavras não estejam enquadradas em um desses contextos (confissão ou pedido de desculpas), existe um constrangimento de algo que o agente deseja manter segredo, para assim enganar os espectadores
Os olhos fechados potencializam o sentimento de constrangimento e/ou o desejo de manter em segredo alguma informação
Analisando o contexto, o constrangimento pode estar ligado a algo que ele tenha falado, ou ao comportamento que teve durante essa live, de chorar.


SUMÁRIO: Ciro Gomes não apresenta ações musculares ligadas à emoção de tristeza genuína. O consequente choro também é manipulado. O gesto assimétrico exibido no momento em que ele pede perdão por chorar pode confirmar a falsidade da emoção.
Curiosamente, Ciro Gomes demonstra felicidade ao falar que o corona vírus vai "subir o morro", ou seja, vai atingir pessoas de comunidades mais humildes.
O político apresenta sinais de ansiedade e nervosismo antes do suposto choro.
No final do vídeo, após ele ter tentado demonstrar tristeza e ter feito com que acreditassem que seu choro era verdadeiro, ele exibe sinais de constrangimento por seu comportamento. Ciro deseja manter o fato gerador desse constrangimento em segredo, se utilizando dele para enganar.

sábado, 21 de março de 2020

Análise não-verbal: Dráuzio Varella se desculpando pela polêmica da matéria do "Fantástico". Ele sabia do crime cometido?

Recentemente o Dr. Dráuzio Varella, fez uma matéria para o programa "Fantástico" sobre  as condições de vida das transexuais nas penitenciárias.
Uma das entrevistadas para a matéria, chamada de Suzy, relatou que há 8 anos não recebe qualquer tipo de visita. Esse caso comoveu o Dr. Dráuzio, que prontamente concedeu um abraço na presidiária.
Após a matéria ir ao ar, muitas pessoas se solidarizaram com o caso dessa presidiária em específico. Ela recebeu vários tipos de ajuda da população que assistiu a reportagem, como por exemplo, várias cartas de solidariedade e apoio.
Também após a reportagem ir ao ar, foi descoberto que Suzy foi condenada a mais de 36 anos de cadeia, por estuprar e matar um menino de 9 anos. Com essa revelação, houve uma onda de revolta direcionada à Rede Globo por ter feito a reportagem, dando voz a Suzy e ao Dr. Dráuzio Varella por ter mostrado empatia e por ter abraçado a presidiária.
Dias após a matéria ter ido ao ar, o Dr. Dráuzio gravou um vídeo aonde ele fala do ocorrido, e nega veementemente o conhecimento a cerca do crime cometido pela pela transexual

Quais informações sua linguagem corporal no transmite através desse vídeo? Será que ele realmente desconhecia o motivo pelo qual Suzy foi condenada?

Primeiramente devemos nos atentar que o Doutor D´rauzio Varella está lendo, à sua frente, o que deve falar. Isso torna o discurso muito mais racional. Além disso, existe a probabilidade dele ter ensaiado esse discurso algumas vezes, antes de publicar a versão final.
Todas essas questões PODEM influenciar na linguagem corporal do agente, pois o corpo pode reagir de forma diferente caso seja treinado.

Vamos à análise:

Em 0:03, o Dr. Dráuzio realiza um gesto chamado de "Tongue Jut" que consiste em projetar a língua para fora da boca.
Esse gesto é conhecido pela doutrina de Comunicação Não-Verbal como um sinal de ansiedade.
Não podemos confirmar qual é o fato gerador deste estado emocional, mas podemos confirmar que o Doutor está experimentando ansiedade, nervosismo e tensão; que pode ser pela repercussão da matéria, por estar gravando esse vídeo, etc. Não sabemos ao certo o motivo.

A partir de 0:04, o Dr. Dráuzio diz: "No último domingo foi revelado para o país, inclusive para mim mesmo, o crime cometido por uma das entrevistadas..."
A parte mais significativa, e que causou controvérsias, é em relação a parte que diz que ele não sabia do crime cometido, no momento em que entrevistou a presidiária

No momento em que diz que foi "revelado para o país" (0:06), ele exibe uma expressão de medo devido a elevação das partes internas e externas das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.
Essa expressão de medo acontece mais algumas vezes durante o vídeo.

Ao dizer: "... inclusive para mim mesmo", podemos ver dois sinais muito importantes em sua face. Ele eleva as sobrancelhas ao mesmo tempo que fecha os olhos. Tecnicamente, esse gesto não é natural pois o direcionamento dos movimentos são opostos - enquanto as sobrancelhas se elevam para cima), os olhos se fecham (para baixo). De acordo com alguns autores, movimentos não-naturais apresentam um alto indício de desonestidade, porém aqui é uma exceção.
Um dos princípios básicos da análise da comunicação não-verbal é a análise do contexto. Com base nisso, podemos perceber que esse conjunto gestual tem uma outra interpretação
Elevar as sobrancelhas é um movimento facial chamado de "Eyebrow Flash", e constitui um sinal de conversação, de ênfase, de abertura. Possui um alto coeficiente de honestidade.
Fechar os olhos é um movimento chamado de "Eye Shielding" e indica bloqueio psicológico, afastamento do que presenciou ou recebeu, se "desligar".
Analisando o contexto em que se apresenta o Dr. Dráuzio Varella, ele quer dar ênfase que não sabia dos crimes previamente, e ao mesmo tempo quer se distanciar no evento negativo.
Ao verbalizar essa frase afirmativa, congruentemente, o Dr. Dráuzio também afirma com a cabeça. Forte indicativo de congruência
A congruência do Doutor é confirmada pela fluidez em seu discurso.

Ao final desse trecho, o Doutor novamente projeta sua língua para fora da boca, lubrificando os lábios. Constitui um sinal de ansiedade e tensão.
Esse gesto vai se repetir durante o vídeo. Nesse contexto, todas as vezes o significado será o mesmo.

Em 0:11, o Doutor realiza um gesto ilustrador (ilustra o que está sendo verbalizado) chamado de "Pinçamento", que consiste em unir a ponta do dedo indicador com a ponta do dedo polegar.
É considerado um gesto que transmite exatidão, assertividade, confiança, na medida certa, sem correr o risco de passar agressividade (por isso é tido como um gesto ilustrador híbrido).

Em 0:12 ao se referir à matéria do "Fantástico" que já FOI ao ar, ele gesticula para a sua esquerda.
A PNL, bem como alguns autores como o professor de Desenvolvimento Humano, Daniel Casassanto e o Neurocientista, Kyle Jasmin, defendem que os seres humanos representam o tempo espacialmente.
Segundo eles, a grande maioria das pessoas têm o seu passado representado espacialmente à sua esquerda e o futuro à sua direita. Portanto, se uma pessoa gesticula mais à sua esquerda, ela está se referindo a fatos que já aconteceram; se a gesticulação se dá mais à direita, o fato ainda não aconteceu, está no futuro.
Nesse trecho, podemos ver que ao falar da matéria do Fantástico que já foi ao ar, ele gesticula em sua esquerda, representando seu passado. Há, portanto, congruência entre o verbal e o não-verbal

A partir de 0:20, o Doutor diz: "Escrevi uma nota em que fui sincero ao dizer que não entrei naquela cadeia como juiz. E sim como médico"
Aqui vemos congruência e sincronia entre seus gesto e sua fala, principalmente no que diz respeito a velocidade. Há fluidez.
Ele se utiliza de um recurso muito interessante, que é adaptado da PNL para o universo da Comunicação Não-verbal. As "Posições Perceptuais".
Gesticular utilizando esse recurso melhora muito a transmissão da informação aumentando ainda mais a credibilidade e ajudando os espectadores a entenderem, de uma forma mais eficaz, o que está sendo transmitido. A função das "Posições Perceptuais" na Comunicação Não-Verbal é fazer com que os interlocutores entendam as diferenças entre dois ou mais pontos de vistas, facilitando suas compreensões.

Ao dizer a palavra "juiz" reparem que ele gesticula para a sua direita. A partir desse momento, a figura de um juiz é ancorada psicogeograficamente naquele espaço.








Ao falar "médico" ele gesticula para a sua esquerda, ancorando a figura do médico naquele espaço. Estando uma figura em cada espaço, facilita que os interlocutores percebam que há diferenças entre eles, pois as âncoras espaciais estão separadas em locais opostos. Em resumo, o médico é diferente do Juiz.
(Assistem esse trecho no vídeo para perceberem as posições perceptuais do "médico" e do "juiz")



A partir de 0:28 , o Dr. Dráuzio diz: "Ser médico orienta o meu olhar em todas as situações"
Nesse momento ele realiza um gesto ilustrador de expansão. Congruente com "TODAS as situações".
Juntamente podemos ver uma elevação assimétrica do ombro esquerdo (apesar do direito também se elevar, o esquerdo se eleva mais, causando um desnível). Essa assimetria é chamada de "Shoulder Shrug" e indica falta de insegurança no que está dizendo.
Podemos interpretar esse gesto, nesse contexto como uma desonestidade no sentido de que ele sabe que provavelmente ser médico não vai orientá-lo em todas as situações, pois provavelmente ele não viveu todas elas. Pode ser que haja uma exceção; e ele acredita nessa exceção

Em 0:35, Dráuzio realiza um gesto ilustrador de categoria alfa, chamado de "Cúpula do Poder".
Esse gesto eh um dos mais conhecidos no universo da Comunicação Não-Verbal. Indica assertividade, confiança, segurança.

A partir de 0:45, ele diz: "Peço desculpas para a família do menino que foi involuntariamente envolvida no caso"
Aqui, o Doutor utiliza novamente o gesto ilustrador do "Pinçamento" denotando confiança, assertividade e minucia ao explicar uma informação.
Aqui estamos em um contexto de desculpas. Esse contexto tem, necessariamente um cunho emocional, pois quando nos desculpamos depositamos toda a nossa sinceridade e o nosso coração no pedido.
O "Pinçamento" é um dos gestos ilustradores que têm característica de poder ser manipulado para que possa transmitir aos interlocutores a intenção do seu agente. Isso faz com que o gesto seja racional.
A racionalidade está incongruente com um contexto de desculpas.
Essa racionalidade faz com que haja desonestidade? Não necessariamente. Só podemos afirmar que ele sente que não fez nada de errado a ponto de pedir desculpas. Esse pedido foi arquitetado, combinado
No final desse trecho, novamente vemos a projeção de língua do Dr. Dráuzio. Novamente um indício de ansiedade.

A partir de 1:07, o Doutor diz: "À maneira pela qual a Suzy foi apresentada, deu a entender que ela fazia parte desse grupo majoritário [as presas transexuais, majoritariamente são condenadas por roubo e furto]"
Como dito anteriormente, através da gesticulação podemos observar como os seres humanos representam a sua linha do tempo. Gesticulações para a esquerda do agente, geralmente, estão ligadas a eventos do passado; e gesticulações para a direita, ligadas ao futuro.
Aqui, nesse trecho, o Doutor Dráuzio ao dizer "À maneira pela qual Suzy FOI apresentada..." ele, verbalmente, se refere ao tempo passado, porém gesticula para sua direita - para o seu futuro.
Quando a linguagem verbal indica um tempo e a gesticulação se localiza espacialmente em outro, estamos diante de uma incongruência.
Podemos interpretar essa incongruência como uma descrença do Doutor Dráuzio de que a forma como Suzy foi apresentada daria a entender que ela fazia parte de tal grupo majoritário.

A partir de 1:43, Dr. Dráuzio diz: "Para quem acha que eu errei, desculpa"
Ele gesticula com as palmas das mãos para cima. É um gesto ilustrador que indica abertura, cuidado, oferecimento de ideia/pensamento, empatia - ainda sim, com assertividade.
Pela análise verbal (Statement Analysis), podemos identificar que ele não pede desculpas porque acha que errou, ele se desculpa para quem acha que ele errou.
Aqui podemos confirmar que o Doutor Dráuzio realmente acredita que o que ele fez não foi errado. Talvez por ter seguido esse protocolo de trabalho a vida toda.

A partir de 1:56, o Doutor diz: "Agora. Eu gostaria de dizer claramente, e sem nenhuma chance de que eu volte atrás no futuro - que nunca fui e nem serei candidato a nada..."
Ao dizer que não tem chance de que volte atrás no FUTURO, ele gesticula para a sua direita no exato momento que verbaliza o substantivo "futuro". Congruência. Pois lembrando que a gesticulação para o lado direito representa, para a maioria das pessoas, a localização espacial do futuro.

Em 2:12, Dr. Dráuzio exibe a emoção de desprezo ao falar das pessoas que estão explorando, politicamente, a polêmica
Essa emoção de desprezo é vista pela contração do bucinador em seu lado esquerdo.


SUMÁRIO: O Dr. Dráuzio Varella demonstra ansiedade e nervosismo durante o vídeo, o que pode ser congruente com a situação de sua exposição.
Sua emoção principal durante o vídeo é o medo. Sente também desprezo ao falar da exploração política do caso.
Ele apresenta uma linguagem corporal congruente com desconhecimento a respeito do crime cometido pela transexual Suzy.
O contexto de desculpas deve ser, necessariamente, emocional. Apesar disso, Dráuzio mostra sinais de racionalidade ao se desculpar - o que constitui, tecnicamente, incongruência. Isso pode ocorrer porque o Doutor acredita que não tenha feito nada de errado, pois é praxe profissional ele agir dessa forma com seus entrevistados.
Ele realmente acredita ser um médico e não um juiz. Sua psiquê diferencia as funções de médico e juiz, colocando cada uma dessas profissões em uma "Posição Perceptual" diferente.
Existe congruência entre as conjugações verbais de Dráuzio e sua representação espacial de tempo (passado e futuro).
As poucas incongruências que existem não dizem respeito ao contexto dessa análise.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Análise verbal: Guilherme Napolitano, ex-BBB, disse que gostaria de ficar com Bianca Andrade? Houve ato falho?

Após ter sido eliminado do reality show Big brother Brasil 20, o modelo Guilherme Napolitano foi entrevistado no programa RedeBBB - parada obrigatória para cada eliminado do reality show.
O modelo teve um relacionamento dentro da casa, com uma outra participante, a Gabriela; porém haviam especulações por parte dos espectadores, que o desejo dele sempre foi se relacionar com a Bianca Andrade, também participante desta edição do Big Brother.
Durante a entrevista, Guilherme, supostamente, teria cometido um ato falho ao trocar o nome da Gabi pelo nome da Bianca, ao dizer que sempre quis ficar com a Bianca.
Será que realmente houve ato falho?

Vamos à análise:

Primeiramente, precisamos esclarecer o que é o "Ato Falho".

Esse fenômeno, que também é chamado de "Lapso Freudiano", foi descrito pela primeira vez pelo psiquiatra Sigmund Freud em seu livro "A psicopatologia da vida cotidiana" de 1901.
Esse ato consiste em, por meio da memória, fala, escrita ou ação física, expor, de forma inconsciente, um desejo, que conscientemente o indivíduo estava resistindo para manter em segredo.
Em outras palavras, a intenção era manter uma informação em segredo, mas devido a ansiedade e outros estados emocionais, o inconsciente acaba vazando essas informações, sem que o indivíduo perceba no momento.
Freud, e o fisiologista austríaco Josef Breuer define os "Atos Falhos" como sendo pensamentos inconscientes, mas que podem se tornar conscientes sem que haja uma barreira para isso.

No vídeo, o ex-BBB Guilherme disse: "... Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela... com a Gabi... com a Gabi... Eu falei que eu queria ficar com a Gabi. Eu já decidi"

Vamos separar esse trecho por momentos para que possamos analisar o que está acontecendo no discurso.

O primeiro momento acontece quando Guilherme diz "Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela..."
Ao ouvir esse trecho, tendemos, logo de cara, afirmar que o pronome "ela" se refere a Bianca que já foi citada na frase ("... eu queria ficar com ela" = "... eu queria ficar com a Bianca") - nesse caso, constituiria um "Ato Falho". Porém, de acordo com a PNL, quando nos comunicamos deletamos, omitimos e generalizamos informações, saindo de uma estrutura de pensamento profunda e formando uma estrutura superficial falada. Se levarmos isso em consideração, existe uma probabilidade do pronome "ela" se referir a Gabi. Nesse caso, há uma omissão do indivíduo que sofre a ação, havendo portanto um índice referencial não-especificado.
Em resumo, ao dizer "... queria ficar com ela" pode se referir a Bianca, por ela já ter sido citada na mesma frase anteriormente, mas pode se referir também a Gabi, se o indivíduo estiver não-especificando, de forma inconsciente o referencial.
Tendo dito isso, não é possível, APENAS por essa frase determinar com clareza a quem ele se referia. Pode ser tanto à Bianca quanto à Gabi.

No entanto, existem alguns sinais quem podem confirmar o "Lapso Freudiano".
Ao verbalizar o pronome "ela", podemos perceber que o volume vocal cai consideravelmente, ficando quase inaudível. De acordo com estudos de Paralinguagem, quando esse fenômeno acontece, existe uma intenção do indivíduo de manter tal informação (a que sofreu alteração no volume) em segredo.
Diante disso devemos nos perguntar: "Se o pronome "ela" se referia a Gabi e este sofreu alteração em seu volume, porque Guilherme deseja omitir que gostaria de ficar com Gabi, se eles já se relacionaram em rede nacional?". Nos levando a pensar que existe uma probabilidade do "ela" se referir a Bianca, pois seria mais congruente manter esse desejo de se relacionar com esta, omisso.

Logo depois existe a repetição "com a Gabi... com a Gabi..."
De acordo com estudos de Statement Analysis, a repetição é uma tentativa consciente de reforçar uma determinada informação.
Esse recurso é comum depois de cometermos um erro, no caso em questão seria um "Ato Falho". Quando verbalizamos de forma inconsciente alguma informação que o consciente deseja omitir, após percebermos essa falha, comumente vemos a adoção da repetição para reforçar a ideia de que erramos antes e agora estamos tentando concertar o erro.

No momento seguinte em que fala "Eu falei que eu queria ficar com a Gabi" notamos uma alteração vocal. Sua intensidade vocal muda, passando a ficar mais incisivo e dominante. Também constitui um
reforço, mas dessa vez paralinguístico.

No último momento ele fala: "Eu já decidi"
Aqui percebemos que ele assume que existiam dúvidas sobre com quem ele gostaria de ficar.
Guilherme afirma que houve uma decisão. A decisão pressupõe que exista mais de um elemento, e que exista dúvidas em relação a qual elemento escolher.
Se já decidiu é porque escolheu entre duas ou mais opções. Se escolheu entre duas ou mais opções, existe uma pressuposição de que Bianca foi uma das opções, confirmando então que havia, também, um interesse nela.


SUMÁRIO: Depois de analisar o discurso de Guilherme Napolitano, existem indícios de que o modelo se interessou, simultaneamente ou não, por Bianca Andrade.
Se a frase: "Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela..." estivesse sido verbalizada sozinha, não poderíamos afirmar que se trataria de um "Ato Falho", porém de acordo com toda a análise do que foi dito, podemos confirmar com uma maior certeza de que realmente houve "Ato Falho" por parte do ex-BBB.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: O apresentador Luiz Bacci revela à mãe que a filha morreu. Ao vivo. Houve encenação?

Recentemente, o apresentador da emissora Record Tv, Luiz Bacci em seu programa diario "Cidade Alerta" revelou, à mãe, que sua filha foi assassinada.
Marcela, de 21 anos, estava desaparecida desde o mês de fevereiro. Estava grávida e tinha brigado com o seu namorado.
Ao vivo, o advogado disse que o suspeito confessou o crime e que acharam o corpo da jovem. A mãe, que também estava ouvindo o advogado, e que até então não sabia do ocorrido recebeu, em primeira mão, que sua filha tinha sido assassinada.
Como resposta à essa notícia, a mãe desmaiou e o apresentador Luiz Bacci se mostrou surpreso com a revelação.
O que realmente o apresentador sentiu? Será que ele realmente não sabia da notícia? O que sua linguagem corporal pode nos dizer em relação a isso?

Vamos à análise:

A partir de 1:18, o apresentador pergunta à mãe: "Eu quero saber se a senhora quer receber todas as notícias agora conosco, ao vivo... se a senhora..." Após a senhora dizer: "Sim", o apresentador continua: "A senhora quer ouvir mesmo?"
Aqui existem elementos que indicam influência do apresentador sobre a senhora.
A influência pode ser notada na entonação usada por Bacci. Reparem que ele não verbalizou essa frase com entonação de pergunta, mas sim de afirmação.
Além disso, podemos notar que o apresentador não ofereceu outra alternativa à senhora. Ele apenas "quis saber" se ela gostaria de receber todas as notícias ali, ao vivo.
Luis Bacci se utiliza de generalização. Ele não especifica, em um primeiro momento, sobre o que é a notícia. Há uma omissão.
Um outro recurso utilizado pelo apresentador é a pressuposição. Ao fazer essa "pergunta" - se a mãe gostaria de receber todas as notícias - ele está pressupondo que existem notícias de sua filha; e como a mãe, tem procurado a filha, há dias, obviamente ela iria dar uma resposta afirmativa ao apresentador.
No final do trecho, ele volta a perguntar se ela quer ouvir mesmo. Aos ouvidos do público pode parecer que é uma forma dele garantir que ela realmente queira ouvir, mas ele é um recurso apenas para aumentar a ansiedade dela em receber a notícia e condicionar ainda mais esse desejo.

Em 2:21, Bacci realiza um sinal muito interessante. Reparem que ele se eleva rapidamente ficando na ponta dos pés, por duas vezes, como se fossem pequenos saltos.
Esse movimento é reconhecido pelo especialista em linguagem corporal, Joe Navarro como "Comportamentos Que Desafiam A Gravidade". De acordo com o autor, esse comportamentos acontecem quando o a gente encontra-se com excitação ou ansioso por algo que ele fala, ouve, ou vê. Como se o agente estivesse "flutuando no ar".


Em 2:23, Bacci diz: "A gente tá apreensivo..."
No momento em que ele fala isso, ele eleva, de forma extramente sutil, seu ombro direito. Essa assimetria é chamada de "Shoulder Shrug" (trecho acima) e indica falta de comprometimento emocional com o que está dizendo e/ou insegurança em suas palavras. Existe uma dissonância entre o que está dizendo e o que está sentindo.
Não está apreensivo. O que pode confirmar que ele já sabia da notícia

Em 2:52, quando o advogado dá a notícia que o corpo da Marcela foi encontrado (portanto, ela foi morta), Bacci NÃO apresenta expressão de surpresa. Deixando claro que ele já sabia da notícia.
Ele responde: "Meu Deus do céu" de uma forma muto rápida.
Quando recebemos uma notícia negativa e inesperada, existe um lapso de tempo entre ouvir essa notícia e processá-la emocionalmente, no contexto, através da verbalização
A resposta rápida do apresentador confirma que ele já sabia da notícia.

Em 2:59, Bacci realiza um gesto de enrolar os lábios para dentro da boca e morder o lábio inferior.
Esse sinal não-verbal indica mutismo, ou seja, um desejo de supressão. É um indicativo de que a psiquê está tentando controlar uma emoção negativa, e o seu crescimento. Pode ser visto também como um sinal de ansiedade

Após esse trecho, enquanto o advogado fala, reparem que Bacci fica acompanhando, pelo monitor que está posicionado à sua frente, a reação da mãe da vítima. A todo momento ele quer ver o que acontecerá com ela depois da notícia.
Aqui vemos um interesse maior em ver como ela vai se portar, do que possivelmente parar a reportagem e oferecer algum acolhimento.

A partir de 3:28, quando a mãe ameaça desmaiar, Bacci projeta seu corpo para frente com a mão sinalizando para "parar".
Aqui há sinceridade do apresentador. Existe sincronia entre o movimento do corpo e o gesto ilustrador pedindo para parar

Em 3:34, a mãe da vítima desmaia.
Existe a ausência da expressão se surpresa. Essa emoção é exibida quando algo acontece e o agente não esperava que acontecesse. O fato de Luiz Bacci não ter exibido a emoção de surpresa, comprova de que ele já sabia da notícia e, por algum motivo já sabia que isso poderia acontecer. Ele não se surpreendeu.
Logo depois, ainda nesse trecho, vemos novamente o gesto de enrolar os lábios para dentro da boca, indicando que está experimentando uma emoção negativa.

Logo em seguida, em 3:35, Bacci leva sua mão direita à sua face.
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, esse gesto indica processamento emocional de um evento. O cérebro lógico sabe o que está acontecendo, porém o cérebro emocional está tentando "captar o que acabou de acontecer". Podemos interpretar, então, que esse gesto é um indicativo de descrença/incredulidade (p. ex."Eu não acredito que isso aconteceu").
O tempo que o cérebro emocional leva para "se ataulizar" dos acontecimentos é muito pequeno. Se esse tempo não for respeitado, estamos diante de um gesto manipulado, falso.
Reparem que o tempo entre o evento e o apresentador ter levado sua mão à face é relativamente grande, isso constitui um forte indícios de que esse processamento emocional seja falso.
Ele está tentando manipular uma surpresa, uma descrença.

Em 3:38, Luiz Bacci inspira profundamente e expira de forma audível.
A inspirada profunda indica ansiedade e tentativa de se aliviar desse estado emocional negativo. Ela acontece durante o momento de pico emocional, que geralmente é no momento em que o evento negativo acontece. Se ele acontece depois, podemos dizer que é manipulado.
Bacci realiza essa inspirada profunda mais de 4 segundos depois que a mãe desmaiou, logo, 4 segundos depois do que seria o pico emocional.

Em 3:45, Luiz Bacci abre um caderninho que ele traz consigo.
Essa ação é considerada um gesto manipulador. De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal, gestos manipuladores são gestos cuja função é nos acalmarmos diante de momentos de ansiedade e tensão. Esse gesto pode acontecer quando acarinhamos nosso próprio corpo, e também quando manipulamos objetos.
No caso, Bacci realiza um gesto manipulador no objeto que está com ele. O significado é o mesmo. Ele está sob uma forte ansiedade, ou tensão e está tentando se tranquilizar, se acalmar.

Em 3:47, Bacci realiza um gesto chamado de "Tongue Jut", que significa projetar a língua entre os lábios.
Esse gesto, segundo Joe Navarro indica ansiedade. De uma forma mais específica ele demonstra um comportamento de auto-incriminação ("Eu fiz besteira", "Eu agi errado")
Esse é o momento em que o apresentador sabe que o que ele fez está errado e que, provavelmente não deveria ter feito.

Em 3:55, Bacci pergunta ao advogado: "Doutor, eu não sabia que... ele confessou o caso".
A notícia principal se refere à morte da adolescente, no entanto, o apresentador Luiz Bacci ao se comunicar com o advogado, cita apenas seu desconhecimento com o fato do assassino ter confessado o crime. Esse fato se torna de menor importância, diante da notícia do assassinato.
Em nenhum momento no vídeo, Bacci fala do desmaio da mãe, bem como, não se refere ao assassinato.
Dar uma menor importância a um fato que deveria estar no topo de uma hierarquia de importância é sinal de quebra de empatia e fuga do que realmente é relevante.

Em 4:01, mais uma vez o apresentador realiza o gesto de projetar a língua para fora ("Tongue Jut"), sinalizando ansiedade, e em uma interpretação mais contextual, indica auto-incriminação ("Eu fiz besteira...")
A auto-incriminação do apresentador pode se referir ao fato de ter dado essa notícia em primeira mão para a mãe


SUMÁRIO: O apresentador Luiz Bacci demonstra, de forma não-verbal, que já sabia da notícia antes dela ser repassada para a mãe. O apresentador também se utiliza de recursos de generalização e pressuposição para começar a transmitir a notícia.
Ao informar do assassinato, o apresentador demonstra um comportamento que indica excitação e ansioso por ter dado tal informação.
Luiz Bacci expressa tensão e nervosismo ao perceber o desmaio da mãe, porém não demonstra surpresa. O sinal de processamento emocional diante do desmaio é falso, pois não se enquadra nas regras para o aparecimento desse sinal.
Existem sinais que demonstram que Luiz Bacci sabe que errou ao dar a notícia, e de alguma forma se sente culpado.
Em resumo de tudo, podemos perceber que existe um conflito interno no apresentador. Ao mesmo tempo que ele sabe que foi um erro e que, de alguma forma se sente culpado por ter sido o porta-voz da notícia, ele demonstra uma certa excitação por ter dado essa notícia em primeira-mão.