quinta-feira, 16 de julho de 2020

Análise não-verbal: Entrevista do advogado Frederick Wassef à "Veja". Caso Queiroz. Escondeu Fabrício Queiroz?

O ex-advogado da Família do Presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, está no "olho do furacão"; isso porque ele é dono da casa em Atibaia aonde ex-assessor e motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz estava escondido.
O nome do advogado entrou em voga juntamente com a dúvida à respeito dos motivos que fizeram o advogado Wassef ter hospedado Fabrício Queiroz, que é investigado por participar de um esquema criminoso chamado de "rachadinha" na Assembléia legislativa do Rio de Janeiro.
Recentemente, Frederick Wassef deu ma entrevista para a revista "Veja" na qual ele responde a essa e a outras perguntas relacionadas com esse fato.
O que será que sua Linguagem Corporal pode nos mostrar durante essa entrevista? Qual será sua participação no caso Queiroz? Será que Jair Bolsonaro sabia de alguma coisa?

Vamos à análise:

Em 0:21, a "Veja" faz a seguinte pergunta: "Como Fabrício Queiroz foi para na propriedade do senhor, em Atibaia?"
A partir de 0:25, Wassef começa sua resposta com: "Nesse primeiro momento, o que eu posso dizer, me reservando por uma questão de sigilo, é simplesmente o seguinte..."
Aqui, Wassef assume que irá omitir alguns pontos. Ele não irá dizer o que realmente aconteceu, mas sim, o que ele PODE dizer.
Enquanto verbaliza "reservando" percebe-se que ele eleva unilateralmente seu ombro esquerdo. 
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a elevação unilateral do ombro é chamada de "Shoulder Shrug" [recorte acima, em câmera lenta] e indica insegurança no que está sendo dito. Existe internamente uma dissonância cognitiva entre o que está sendo verbalizado e o que realmente aconteceu.
Wassef usa o advérbio "simplesmente" para explicar o motivo. De acordo com Mark McClish, esse advérbio diminui a importância do que será falando sendo usado para mitigar.
Tendo em vista que, em sua resposta, Wassef diz que cedeu sua propriedade para Queiroz porque este estava precisando de ajuda e essa cessão foi algo humanitário de sua parte; por que Wassef tornou esse fato como algo de pouca importância?
A resposta é que existe algo mais importante que está sendo emitido. Houve uma intenção ainda maior do que um ato humanitário.

Inclusive, em 0:51, ao dizer que foi uma questão humanitária, Wassef eleva os dois ombros. 
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a elevação bilateral dos ombros indica desconhecimento e/ou falta de comprometimento com o que está falando ("Eu não ligo").
Há incongruência entre o verbal (questão humanitária) e o não-verbal.
Esse gesto reforça que existe algum motivo mais importante. 

A partir de 1:03, Wassef diz: "Ele não é uma pessoa que podia estar em hotel..."
Logo no começo desse trecho, vemos novamente Wassef elevar unilateralmente o ombro direito.
Nesse contexto, estamos diante de um sinal de insegurança em suas palavras.

A partir de 1:28, Wassef diz: "... e eu deixei à disposição"
Nesse momento ele nega com a cabeça seguido da elevação bilateral dos ombros.
A negação de cabeça diante de uma afirmativa configura incongruência entre verbal e não-verbal.
A elevação dos ombros, segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal podem indicar trivialidade ("O que isso importa?"), falta de comprometimento ("Eu não ligo") e desconhecimento ("Eu não sei")

Ao final desse trecho, Wassef realiza o "Tongue Jut" (projetar a língua para fora da boca), indicando ansiedade, desejo de fuga da situação e até manipulação.

A partir de 1:46, Wassef diz: "Ao longo... do andar da carruagem... eu... passo a ter informações, e aí eu não vou poder detalhar muito [conjunto gestual] ééé, e eu tive absoluta certeza e convicção [olhar fixo + pausa dramática] que Fabrício Queiroz [pausa dramática] seria [pausa dramática] assassinado"
Nesse trecho vemos algumas pausas desnecessárias [representadas, no texto acima, pelas reticências]. Essas pausas, de acordo com estudos de Statement Analysis, indicam um recurso para se ganhar tempo para pensar no que será falado.
Após dizer que "passa a ter informações" ele continua dizendo que não poderá detalhar muito. Esse tipo de construção verbal indica manipulação. Ele trás uma afirmação importante e relevante e depois corta a expectativa com a frase "eu não vou poder detalhar muito". Popularmente, é como se ele "tomasse o doce da boca de uma criança".

No momento em que diz que não vai poder detalhar muito, ele realiza um conjunto gestual praticamente ao mesmo tempo: afastamento com o corpo + "Eye Shielding", seguido de "Turtle Effect", seguido de expressão de desprezo + olhar para baixo + "Tongue Jut" pressionando os lábios.

O afastamento do corpo é chamado de "movimento de distanciamento", podendo indicar intenção de fuga do que está sendo falado. O "Eye Shielding" (fechamento dos olhos por mais tempo que uma mera piscada) constitui uma potencialização da intenção de fuga.

"Turtle Effect" ocorre quando Wassef eleva ambos os ombros, tensionando-os. Esse sinal não-verbal indica medo diante de uma situação negativa e prejudicial. Desejo inconsciente de se proteger de determinada situação.

E por fim, ele exibe uma expressão de desprezo (contração do bucinador, principalmente no lado esquerdo do canto dos lábios) e projeta a língua para fora ("Tongue Jut"), enquanto olha para baixo.
"Tongue Jut" indica ansiedade, intenção de fuga, indicando também, nesse contexto, manipulação.

Enquanto diz que ele teve absoluta certeza e convicção de que Queiroz seria assassinado, ele faz o que chamamos de "pausas dramáticas". Essas pausas possuem um tempo menor do que as pausas desnecessárias e são usadas para criar expectativa, para dramatizar uma situação e eliciar falsamente uma emoção empática.
Juntando esses sinais podemos dizer que ele tem a intenção de gerar uma grande expectativa nos interlocutores e justificar uma mentira contada anteriormente (manipulação)

O olhar fixo que acontece em 2:00, após ele dizer a palavra "convicção" é chamado de "Deliberate Gaze". 
Esse tipo de olhar indica feedback. Wassef tem a intenção de observar se o que ele está falando, está sendo crível. Ou seja, se estão acreditando no que está sendo falado.
Levando em consideração os sinais presentes neste trecho, esse olhar pode mostrar também a intenção de manipulação e dramatização.

A partir de 2:05, ele diz: "Isto que eu estou falando aqui é... absolutamente real"
Novamente vemos uma pausa desnecessária, como um processo de ganhar tempo no que vai falar, e nesse caso, dar uma intenção mais dramática ao que está sendo falado.
De acordo com Mark McClish, o advérbio "absolutamente" é uma palavra desnecessária e serve pra potencializar o que está sendo falado. Qualquer tentativa desnecessária de potencialização, é sinal de manipulação.
Ao verbalizar a palavra "real" podemos ver um movimento de verbalização exagerado com a boca [foto acima]. Esse exagero é chamado, por Jack Brown, de EMM ("Exagerated Mouth Movement"). Segundo o autor, por esse movimento exagerado ser desnecessário, ele indica uma tentativa de dominância da situação. O que contribui para a manipulação antes citada.

A partir de 2:10, Wassef diz: "Eu tinha a minha mais absoluta convicção e o temor ["Tongue Jut" + movimento de desconforto com o corpo] que ele, além de todo o assédio, tudo que ele pudesse estar passando, ele fosse ser executado no Rio de Janeiro"
"Tongue Jut" ocorre quando o agente projeta a língua para fora. Esse gesto, segundo Joe Navarro indica ansiedade e, nesse contexto, intenção de fugir da situação.
A fuga, está associada, de acordo com esse contexto, a desonestidade em algum nível.
Conjuntamente, há movimento de desconforto com o corpo, confirmando a ansiedade.
Percebemos igualmente o uso da palavra desnecessária "absoluta". Que, como já foi falado anteriormente indica tentativa de manipulação.

A partir de 2:27, Wassef diz: "Eu também tive a certeza absoluta que quem estaria por detrás deste homicídio, desta execução, iriam colocar isso na conta da família Bolsonaro"
Nesse trecho vemos três sinais não-verbais acontecendo em um curtíssimo intervalo de tempo entre eles.
Ao dizer "certeza", ele realiza novamente o "Exaggerated Mouth Movement" (movimento de verbalização exagerado), indicando tentativa de dominância e manipulação.

Em seguida vemos um sorriso suprimido, devido a elevação bilateral dos cantos da boca. A supressão fica por conta da tensão nos lábios. Esse sorriso suprimido pode ser considerado um "Duping Delight", que consiste em uma satisfação do agente ao perceber que está tendo sucesso em convencer os interlocutores do que está falando (Paul Ekman). Essa emoção é incongruente com o contexto.

Ao final desse trecho, vemos novamente o "Tongue Jut" (projetar a língua para fora), indicando ansiedade e intenção de evasividade e fuga.
Esses três sinais conjugados, nesse contexto, constituem um forte coeficiente de manipulação.

Em 2:45, ainda se referindo ao fato de supostamente quererem culpar a família Bolsonaro pelo assassinato de Queiroz, em um determinado momento, ele novamente projeta sua língua para fora ("Tongue Jut"), significando, mais uma vez, desejo de fuga, evasividade. Nesse caso, manipulação.

Em 2:48, percebemos um movimento de elevação dos dois ombros.
Como já dito anteriormente, esse gesto de elevação bilateral dos ombros indica desconhecimento do que está sendo falado; nesse caso, indicativo de incerteza.
Pela dinâmica do movimento, podemos perceber que essa elevação é feita de forma inconsciente devido, dentre outras coisas, ao timing do movimento. Nesse caso, além da incerteza, podemos adicionar um desconforto grande ao fazer suas afirmações.

No trecho que se inicia em 2:56 e termina em 3:12, Wassef explica que pediu desculpas ao Presidente Bolsonaro por ter omitido que Queiroz estava em sua residência.
Note que durante esse trecho, existe uma quebra da "linha de base" comportamental de Wassef.
Nos momentos anteriores, sua linguagem corporal estava mais dinâmica, mais expressiva, suas movimentações aconteciam de uma forma mais extrovertida. Nesse trecho, vemos que sua linguagem corporal muda intensamente. Seus movimentos estão contidos com ausência de gesticulação, seu volume vocal diminui.
A diminuição do volume vocal conjugada com a ausência de movimentos constituem um alto indicativo de que ele deseja passar essa mensagem de uma forma mais tímida, sem transmitir muita importância a respeito desse acontecimento. De acordo com a doutrina, a ausência de movimentos mostram que o agente deseja controlar sua linguagem corporal para que nenhum sinal incongruente possa ser vazado pelo corpo. Em outras palavras, é uma forma do a gente manter o foco para que seu corpo não denuncie que existe algum ponto de desonestidade em sua fala.

Em 3:10, notamos um movimento muito sutil com seus braços enquanto diz que pediu desculpas ao Presidente Bolsonaro por ter omitido a localização de Queiroz
O autor Alexandre Monteiro chama de "abanar os braços". E demonstra desconforto no que está falando, podendo indicar até fuga. [observe o recorte em câmera lenta acima - observe principalmente o movimento no braço esquerdo]
Existe uma probabilidade de que haja desonestidade nesse momento.


Percebam que após 3:12, Wassef aumenta seu volume vocal, volta a se movimentar, gesticular e realizar movimentos de verbalização (EMM) com mais intensidade como fazia antes.
Como vimos antes, esse padrão não-verbal em Wassef, constitui indício de manipulação.
Isso se dá porque as afirmações que ele desejava manter de forma mais introvertida, mais tímida, já foram passadas
O trecho a partir de 3:12 se inicia com a conjunção "mas". De acordo com ensinamentos de Statement Analysis, essa conjunção tem a intenção de refutar ou minimizar o que é falado antes. Ou seja, Wassef está tentando refutar ou minimizar tudo o que ele falou entre 2:56 e 3:12.
Geralmente, o período antes do "mas" indica desonestidade em algum grau.

A partir de 3:28, Wassef diz: "Os senhores jornalistas sabem o que aconteceu no dia da prisão de Fabrício Queiroz, às 13:00? Alguém pesquisou?... Neste dia foi quando se deu início na Comissão do início do processo de impeachment do Governador do Rio de Janeiro. Não tô acusando ninguém de nada. Só estou dizendo de uma estranha coincidência..."
Assistindo ao vídeo, vocês vão perceber que aqui, Wassef quis afirmar que a Operação para prisão do Queiroz funcionou como uma "cortina de fumaça" para abafar o impeachment do Governador
Nesse trecho, ele usa algumas técnicas de manipulação;
Ele introduz perguntas em um discurso afirmativo, nesse caso essa técnica é usada como um pressuposição de que Wassef sabe dos acontecimentos.
Ao dizer que não tá acusando ninguém e que é uma estranha coincidência, ele mantém a intenção de manipulação, pois na verdade, ele quis dizer exatamente o oposto. Essa intenção é observada pelo uso do "não" no início da frase.
De acordo com a PNL e a Neurociência, o cérebro não reconhece a negação, processando aquilo que é dito posteriormente. Ou seja, ele está acusando.
Ao verbalizar "Governador do Rio de janeiro", podemos notar uma alteração em seu pitch vocal. Seu a voz se torna trêmula durante esse momento. De acordo com a Paralinguagem e Paulo Sérgio de Camargo, voz trêmula indica ansiedade e, de uma forma mais específica, pode demonstrar também incerteza em suas palavras.
Seus movimentos continuam sendo realizados de forma mais extrovertida, expressiva.

A partir de 4:12, Wassef diz: "Eu me garanto, que eu nunca contei ao Presidente Bolsonaro [movimento inesperado com o corpo] que [pausa desnecessária] eu permiti o acesso à minha residência, à minha casa, ao meu escritório, caso ele passasse por aqui para ficasse o tempo que bem entender..."
Do começo, até o "que", podemos notar que sua linguagem corporal volta a ficar sem movimentos de gesticulação, de uma forma mais contida, com o volume vocal diminuído em relação aos outros momentos do vídeo. Como já dissemos anteriormente, essa quebra da linha de base, indica que ele deseja transmitir essa mensagem de uma forma mais contida para evitar vazamentos corporais que possam denunciar uma possível desonestidade.
O uso da frase "eu me garanto", segundo McClish, constitui um elemento verbal desnecessário, uma auto-afirmação sem qualquer importância para o discurso. Segundo o autor, quem se garante não precisa verbalizar isto. A utilização de frases desnecessárias são um forte indício de manipulação.
Ele usa o advérbio "nunca" para negar que tenha contado ao Presidente. De acordo com Mark McClish, o "nunca" não constitui uma negação. Essa palavra indica indeterminação temporal, ou seja, é vago em relação ao tempo. Tendo em vista que o fato de Wassef ter permitido o acesso aconteceu em algum momento na linha do tempo, a inespecificidade temporal desse evento, indica incongruência verbal, logo desonestidade
A pausa desnecessária que acontece nesse trecho indica um processo mental para ganhar tempo afim de pensar o que será dito e/ou como será dito.
No campo não-verbal, após dizer "Presidente Bolsonaro" vemos um movimento inesperado e brusco com o corpo. Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal esse tipo de movimento acontece quando o corpo está experimentando um momento de ansiedade e nervosismo. Equivale a um vazamento corporal, que acontece quando há uma dissonância entre o que é verdade e o que está sendo passado. Essa dissonância causa essa resposta inconsciente do corpo.
Existem fortes indícios de que Bolsonaro sabia da localização de Queiroz

Em 4:38, ao dizer que tem seus motivos, percebemos uma expressão de desprezo na face de Wassef.
Essa expressão acontece devido a contração do bucinador no canto direito da sua boca.


SUMÁRIO: Frederick Wassef demonstra emoções de desprezo e medo.
Ele apresenta inúmeros sinais não-verbais de fuga, que é também uma resposta ao medo.
Além da fuga notamos também vários sinais, tanto verbais, quanto não-verbais, de manipulação.
Seu discurso foi muito bem elaborado para gerar credibilidade em suas palavras, porém existem elementos verbais que constituem fortes sinais de desonestidade.
O alto coeficiente de desonestidade pode ser observado também em vários sinais não-verbais que são emitidos constantemente por Wassef, como por exemplo, elevação unilateral de um dos ombros (insegurança), projeção de língua para fora ("Tongue Jut"), dentre outros.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Análise não-verbal: Sari Côrte Real fala, ao "Fantástico", sobre a morte do menino Miguel. Caso Miguel. Há desonestidade?


Recentemente, Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do nono andar de um prédio no qual a mãe trabalhava, no Recife.
No dia 2 de junho de 2020, Mirtes Renata Santana de Souza, empregada doméstica, mãe do menino Miguel foi para seu trabalho, na casa da esposa do Prefeito, Sari Mariana Costa Gaspar Côrte Real, por não ter com quem deixar seu filho, o levou consigo.
Em algum momento do dia, Mirtes saiu para passear com o cachorro de sua patroa, deixando seu filho Miguel sob os cuidados da mesma, que estava em seu apartamento fazendo a unha com uma manicure.
Tempo depois, Miguel sentiu falta da mãe e decide ir sozinho, de elevador, procurá-la. Segundo câmeras de segurança do prédio, Sari, supostamente, teria apertado o botão do elevador para um andar mais elevado, deixando, posteriormente, a porte se fechar com o pequeno Miguel dentro dele.
A câmera de segurança registrou o menino apertando o botão referente ao segundo andar. Quando o elevador para no andar, as portas se abrem e Miguel permanece nele.
Logo após, ele vai para o nono andar. Ao parar, e as portas se abrirem, o menino decide sair do elevador à procura da mãe. Após escalar uma grade aonde se encontravam os ar condicionados referentes aos apartamentos daquele andar, ele sobe em um parapeito, que não resiste ao seu peso, ocasionando a queda de Miguel de uma altura de 35 metros.

Após esse fato, Sari Côrte Real, responsável por cuidar da criança durante aquele momento, foi indiciada pelo crime a abandono de incapaz.
A esposa do Prefeito veio à público através de uma entrevista concedida ao programa "Fantástico" aonde ele conta sobre o fato.
O que será que sua linguagem corporal nos comunica, nessa entrevista?

Vamos à análise:


Primeiramente, é muito importante nos analisarmos a imagem de Sari. 

Podemos observar nela o chamado "Impression Management" ("Gerenciamento de Impressões Pessoais"), que é um processo consciente ou inconsciente no qual as pessoas tentam influenciar a percepção dos demais sobre si mesmas. Esse gerenciamento se baseia em tentar alterar a percepção dos interlocutores de acordo com os objetivos da pessoa. Ou seja, os indivíduos se apresentam de uma maneira que satisfaçam seus interesses.
Podemos observar em Sari o cabelo desarrumado e longo, a pouquíssima maquiagem, a camisa branca e a calça jeans simples, e ela carrega um terço nas mãos.
Esses elementos, basicamente, têm a intenção de demonstrar aos interlocutores que Sari é uma pessoa simples, indefesa, sem muito luxo e sem dominância.
O uso do terço, particularmente é muito interessante, porque gera uma "Âncora" inconsciente de que ela é uma mulher de fé, de princípios, honesta, e outras qualidades relacionadas, inconscientemente, a uma pessoa devota.
(Esses elementos citados, do "Impression Management" podem ser observados na foto acima)

Em 3:11, a repórter pergunta: "O que aconteceu quando você vai atrás dele e vê que ele tá indo para o elevador?"
Em 3:15, Sari responde: "Ele corre para o elevador, chama o elevador. Em um instante ele chega. Ai, quando abre a porta, eu seguro e digo: Miguel, você não vai descer. Volta para casa, espera sua mãe"
Durante a pergunta da entrevistadora, podemos notar que Saris está esfregando o terço que carrega na mão. 
Esse tipo de gesto é chamado de "manipulador" e acontece quando estamos sob um momento de intensa ansiedade e nervosismo. Esse tipo de gesto consiste em esfregar, manipular um objeto (ou o próprio corpo) com a intenção de "transferir" e aliviar a carga nervosa que está sendo experienciada, e assim, se acalmar.
De acordo com estudos de Statement Analysis, a forma como ela responde a pergunta é chamada de "Scripting" (ou "Staying to Script"). Ocorre quando a fala é ensaiada ao invés de ser baseada em uma memória do que realmente aconteceu. Esse tipo de linguagem é ensaiada várias vezes até ficar o mais convincente possível. Indica necessidade de segurar uma informação e/ou manipulação.
Os elementos que constituem esse tipo de linguagem, e estão presentes na resposta acima são: repetição desnecessária da palavra "elevador"; excesso de pontuação, aumentando desnecessariamente a pausa e interrompendo a fluidez verbal; verbalização de períodos verbais desnecessários (excesso de detalhes), principalmente quando diz: "Em um instante ele chega".

Durante a resposta, bem como ao logo de todo o vídeo, podemos perceber que Sari mantem seu olhar fixo na repórter. 
De acordo com Aldert Vrij, esse tipo de olhar é chamado de "Deliberate Gaze". Que basicamente ocorre quando o agente olha fixamente para o interlocutor por um tempo superior ao normal de uma interação, que segundo Alan Pease é de, em média 70%.
Para Vrij, esse olhar está ligado a desonestidade, pois os mentirosos tendem a olhar mais fixamente para o interlocutor porque eles querem convencer de que estão falando a verdade e precisam checar se o interlocutor está acreditando no que está sendo falado.


Em 3:25, a repórter pergunta para Sari se ela não apertou o botão que levaria o menino Miguel para a cobertura.
Em 3:26, Sari responde: "Não. Eu só botei a mão. Fazendo na forma como se eu fosse acionar."
O dizer que só colocou a mão, ela faz um "gesto ilustrador", demonstrando o comportamento de colocar a mão no botão do elevador. 
Teoricamente, a utilização de "gestos ilustradores", cuja a função é ilustrar, demonstrar visualmente alguma ação e/ou comportamento, é sinal de congruência. Porém, existe um detalhe;
A velocidade com que ela ilustra está incongruente com a velocidade com que ela verbaliza a ação de colocar a mão. Há portanto falta de sincronia entre o verbal e o não-verbal. Essa falta de sincronia é um forte indício de desonestidade e manipulação para manter o ensaiado - A intenção é algo do tipo: "Eu preciso fazer o gesto lentamente para não errar, me contradizer"
[É preciso observar esse trecho, no vídeo, para captar essa dinâmica]


Ao final desse trecho, Sari exibe uma microexpressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas em suas porções internas e externas; contração do corrugador; elevação das pálpebras superiores; estiramento horizontal das lábios.
Todas as ações musculares na face responsáveis pela emoção de medo foram realizadas de forma bem sutil.



Após a pergunta da repórter sobre o porquê dela ter tido esse comportamento de apenas colocar a mão como se fosse acionar o botão do elevador; 
Em 3:31, Sari responde: "Pra ver se eu conseguia. Minha última alternativa para ver se eu convencia ele a sair. Pra ver se... dessa forma ele achasse que se ele fosse ficar lá, ele iria sair"
No começo dessa resposta, existe um tensionamento nos ombros de Sari. Esse tensionamento é chamado de "Turtle Effect", e indica medo diante de alguma ameaça [Foto acima]. Existe, portanto, a intenção de proteção. Tem esse nome porque é uma analogia ao comportamento das tartarugas que quando estão diante de alguma ameaça, elas entram em seus cascos para se proteger. 
Adaptando a PNL ao Statement Analysis, no âmbito verbal temos uma suposição de causa-efeito. Essa suposição é considerada pela PNL uma distorção. Acontece quando o agente supõe que uma determinada ação produz determinado efeito. Nesse caso, existe uma tentativa, de Sari, de induzir a uma determinada crença. Indício de tentativa de convencimento.
Sari associa seu comportamento de apenas colocar a mão no botão do elevador à última alternativa de convencê-lo a sair do elevador.


Ainda referente ao trecho anterior, em 3:37, após dizer: "... se eu convencia ele a sair..." vemos uma microexpressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas em suas porções internas e externas, contração do corrugador, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

A partir de 3:46, enquanto a repórter fala, podemos observar o nervosismo de Sari ao usar de "gesto manipulador" no terço que carrega nas mãos.
Novamente vemos essa tentativa de se acalmar diante de um estímulo de estresse, ansiedade e nervosismo.

A partir de 3:51, Sari responde: "Não, isso não me passou pela cabeça" ao se referir ao risco que o menino Miguel poderia correr estando ali sozinho.
Nesse momento, enquanto ela nega verbalmente, observamos também uma negação não-verbal com a cabeça de Sari.
Apesar de haver algum nível de congruência, devemos observar a velocidade com que o gesto de negação com a cabeça ocorre.
Perceba que o gesto está muito acelerado em relação a velocidade com que ela verbaliza. Ou seja, os ritmos verbais e não-verbais não estão sincronizados.
Nesse caso, é um indício de nervosismo e tensão.

Em 3:54, a repórter pergunta: "O que você achou que poderia acontecer, se ele ficasse sozinho no elevador?"
Em 3:58, após alguns segundos de pausa, Sari responde: "Eu não, não, não, não achei que seria essa tragédia. Eu acreditei... eu acredit(???) que ele voltaria pro andar... que ele voltaria pro quinto andar..."
Aqui vemos "gagueira", uma "inserção de som intrusivo" durante o verbo "acreditar" e correção de período verbal ("voltaria pro andar" ~ "voltaria pro quinto andar")
De acordo com a Paralinguagem, a gagueira e a inserção de som intrusivo (término inaudível da palavra) são considerados distúrbios da fala. Eles acontecem quando existe ansiedade e nervosismo, fazendo com que a forma como se fala não aconteça fluidamente
A correção do período verbal tem uma particularidade interessante. Geralmente ela acontece quando o agente tem que manter um script que foi ensaiado para ser falado e, acontece um rápido desvio desse script. Essa correção ocorre quando o a gente se dá conta de que houve esse desvio e retorna para o que foi ensaiado previamente.

Durante todo o trecho acima, podemos perceber que seu gesto de negação com a cabeça e sua gesticulação estão muito acelerados, em ritmo diferente da fala.
Novamente há muita tensão e nervosismo ao falar sobre o assunto. O coeficiente de desonestidade é alto, pois geralmente todo esse nervosismo ao ser perguntada sobre o acontecimento não é congruente com o padrão comportamental que se espera nesse contexto, de uma pessoa que está sendo completamente honesta.

A partir de 4:51, Sari diz: "O primeiro momento que eu imaginei foi socorrer. O que a gente podia fazer por ele"
No âmbito verbal do Statement Analysis, ela usa o verbo "imaginar" no pretérito perfeito para se referir a um comportamento que supostamente ela teve.
O verbo "imaginar" significa formar uma imagem mental. Ou seja, um algo que ainda está apenas no campo das ideias. Não houve a intenção de ajudar. O correto seria ela dizer: "o que eu FIZ foi socorrer"

No momento em que ela fala "O que a gente podia fazer por ele" existe uma sutil elevação unilateral com o ombro direito [Trecho em slow motion acima]
Esse gesto indica uma dissonância entre a verdade e o que está sendo dito pela Sari. Há portanto uma incongruência entre o verbal e o não-verbal. O autor Joe Navarro afirma, que essa unilateralidade é um forte indicador de falta de comprometimento emocional com o que está sendo dito.
O somatório desses sinais indica que não houve essa preocupação que Sari tenta transmitir.

A partir de 4:56, Sari continua dizendo: "Eu dirigi. Só Deus sabe como eu dirigi. Nunca cheguei tão rápido, na minha vida, em um hospital. Eu fiquei com ela lá até por volta de 4:30, quinze para as cinco, da tarde; que foi quando eu tive que vir para casa, para poder... ééé...minha amiga precisava voltar para casa, pra eu poder ficar com Sofia"
Ao dizer: "Só Deus sabe como eu dirigi", Sari apresenta alguns sinais não-verbais: negação com a cabeça, seguido de "Eye Shielding" (fechar os olhos por mais tempo que uma piscada), olha para cima e direita e ao final engole seco.
A negação constante de cabeça e o "Eye Shielding" indicam que há incongruência entre o verbal e o não-verbal somado ao desejo de não querer ver o que está falando.
Após a o processo correto de calibragem, quando Sari olha para cima e direita ela cria uma cena mental (PNL).
A engolida a seco demonstra tensão e nervosismo.

Ainda referente a esse trecho, ao dizer: "Nunca cheguei tão rápido, na minha vida, em um hospital"
Essa frase, de acordo com Statement Analysis indica uma frase desnecessária para o contexto. As generalizações ("nunca") e palavras que imprimem intensidade ("tão rápido" e "minha vida" - que dá ideia de algo prolongado), demonstram uma tentativa de convencimento emocional. Quer gerar empatia.
Não-verbalmente, temos o seguinte conjunto de sinais: "Eye Shielding" (não-visualização), "Turtle Effect" (tensão nos ombros) e expressão de nojo devido a elevação da prega naso-labial.
Esses sinais em conjunto, nesse contexto, indicam um forte indício de desonestidade, juntamente com uma intenção de se proteger do que está falando.

No momento em que diz: "Eu fiquei com ela lá até por volta de 4:30, quinze para as cinco, da tarde; que foi quando eu tive que vir para casa, para poder... ééé...minha amiga precisava voltar para casa, pra eu poder ficar com Sofia"
Podemos notar quer existe excesso de detalhes em relação ao intervalo de tempo em que ela ficou, juntamente com verbalização de informações desnecessárias, ao dizer que teve que voltar pra casa porque precisava ficar com Sofia e a amiga precisava voltar.
De acordo com Mark McClish, informações desnecessárias ajudam a deixar a história mais crível. Segundo ele, quando a pessoa deseja ser desonesta ou manipular, ela tende a colocar muitas informações necessárias. Existe uma falácia de que, quanto mais informações a história tem, mais crível ela é.
Uma história verdadeira vai direto ao ponto, pois a verdade se sustenta com seus elementos.
Além disso vemos novamente que seus gestos estão em um ritmo diferente da fala. Eles estão mais acelerados em relação à verbalização.
Como dito anteriormente, essa dissonância entre o verbal e o não-verbal indicam desonestidade e/ou tentativa de manipulação, pois não há sincronia.
Os indícios podem ser tanto de desonestidade propriamente dita ou uma intenção de manter a história que foi ensaiada previamente.
Quando tentamos manter uma versão ensaiada, tendemos a tentar manter um controle maior do nosso compo, para que não haja vazamentos não-verbais. Nessa tentativa é que acontecem essas faltas de sincronia.

A partir de 6:33, A repórter diz: "O delegado coloca no relatório que você não olhou no painel para saber o que aconteceu com o elevador; se ele subiu, se ele desceu. Você não se preocupou com o que ia acontecer?"
Sari interrompe a repórter, e responde: "Na mesma hora eu liguei pra Mirtes, mas ao mesmo tempo eu tava tentando acalmar minha filha, que também tava desesperada com a situação. Eu me vi ali naquela situação, com aquele, todo aquele... com toda aquela movimentação. Minha filha, ele... eu me senti ali naquela situação, sem conseguir falar com Mirtes; minha filha. Foi tudo muito rápido. Foi tudo muito rápido"
Os estudos de Paralinguagem afirmam que existe um tempo entre ouvir uma pergunta e responder. Quando esse tempo não é respeitado, temos que averiguar o motivo. Aqui, observamos que Sari não esperar a repórter terminar de fazer a pergunta e já responde. Essa interrupção indica manipulação e reforça a ideia de uma script para a resposta.
De acordo com Statement Analysis, essa declaração não faz sentido, e possui alguns elementos de manipulação e até desonestidade.
A repórter pergunta de algo que ainda não aconteceu, enquanto Sari responde que ela tentava ligar para a mãe do menino e tentava acalmar a filha que tava desesperada com a situação. Se o evento ainda não tinha acontecido, qual o motivo de tentar ligar para a mãe e tentar acalmar a filha?
Vemos também a repetição de elementos verbais como a palavra "situação" (repete 3 vezes em um curto período de tempo); o fato de não conseguir falar com a mãe do menino e o fato de que foi tudo muito rápido, dentre outros elementos.
Como já tido anteriormente. A repetição desnecessária de elementos verbais é um forte indício de que a história foi montada ("Scripting")
Existem também "gagueira" indicando nervosismo e ansiedade.
Nesse trecho, seus gestos continuam em um ritmo diferente do ritmo da fala.

No mesmo trecho, ao final, quando diz: "Foi tudo muito rápido", reparem quem ela nega com a cabeça durante uma afirmação.
Existe, portanto, uma incongruência entre o verbal e o não-verbal.
O verbal afirma, e o não-verbal nega
Juntamente, vemos o "Eye Shielding", que consiste em fechar os olhos por mais tempo que uma piscada. Indica desejo de não visualizar o que está falando.
A incongruência aliada aos outros sinais, constituem um forte indício de desonestidade.

Em 9:00, a repórter pergunta: "Você sente algum tipo de culpa... ou de arrependimento?"
Após quase dois segundos de pausa, Sari responde: "Eu sinto que eu fiz tudo que eu podia. [latência de quase 3 segundos + engolida à seco]. E se eu pudesse voltar no tempo [pausa desnecessária] eu voltava. Se eu soubesse que tudo isso ia acontecer, eu voltava no tempo e ainda tentava fazer mais do que eu fiz naquela hora"
De acordo com a Paralinguagem e Statement Analysis, existe um tempo mínimo entre ouvir a pergunta e começar a respondê-la, de mais ou menos 1 segundo. Nesse momento, Sari tem uma latência de resposta muito superior a isso, o que indica uma pausa desnecessária, constituindo um forte indício de querer ganhar tempo para pensar no que vai responder. A pausa desnecessária é um recurso muito utilizado para quem precisa pensar em que palavras irá usar e/ou ganhar tempo para lembrar o que foi previamente ensaiado.
Além disso podemos ver que ela não responde diretamente a pergunta, com algo do tipo: "Eu não sinto culpa ou arrependimento", ou "eu sinto culpa e arrependimento". A ausência de respostas diretas, segundo Statement Analysis corrobora com um discurso manipulativo e com desonestidades.
Podemos notar também, que nesse trecho, seus gestos estão em ritmo diferente da fala. Falta de sincronia. Indica ansiedade, e nesse contexto, juntamente com os outros sinais observados, indica desonestidade

A partir de 9:38, Sari diz: "Em nenhum momento... eu fiz nada... prevendo o que aconteceu. Em nenhum momento... eu fiz nada... prevendo o que aconteceu"
Aqui notamos a repetição do mesmo período verbal. Como já dito anteriormente, constitui indício de manipulação
Vemos também pausas desnecessárias, o que contribui para essa conclusão
Não-verbalmente, vemos uma inclinação de cabeça para sua direita. De acordo com Desmond Morris, esse gesto indica tentativa de convencimento, por se tratar de um gesto que indica submissão, devido a exposição da área do pescoço.

A partir de 12:24, a repórter pergunta: "o que você achou do resultado do inquérito?... A mudança da tipificação do crime... prum crime mais forte"
Longa pausa de mais ou menos 9 segundos.
Como dito anteriormente, a latência excessiva para responder a pergunta indica processo mental para ganhar tempo. Nesse caso, podemos dizer que Sari também não sabe como responder à essa pergunta.
Durante esse longo período vemos também ela enrolar os lábios para dentro. Esse gesto é conhecido como "Mutismo" e indica desejo de não falar, quer seja por não saber a resposta, quer seja para não se incriminar.

A partir de 12:41, a repórter emenda outra pergunta: "Você não esperava?"
Sari responde "Não... não dessa maneira... não dessa maneira",
A negação acontece juntamente com a inclinação de cabeça para trás.
Esse movimento é chamado de "movimento de distanciamento", indica desejo de se afastar da situação porque ela constitui um estímulo negativo [Observável no trecho em slow motion acima]
Além disso, notamos também uma alteração no "pitch" vocal. O "não" é pronunciado com uma voz mais aguda. Essa alteração vocal indica ansiedade.
Vemos novamente a repetição do período verbal ("não dessa maneira"). E mais uma vez ela realiza pausas desnecessárias.
Ao dizer "não dessa maneira", ela especifica. Significa dizer que ela esperava que isso acontecesse, mas não DESSA MANEIRA. Esse complemento mais específico, indica desonestidade à resposta negativa
Há, novamente, a inclinação de cabeça, com o mesmo intuito de convencimento.


Em 12:52, a repórter pergunta: "Você tem medo de parar na prisão, Sari?"
Sari responde negativamente e exibe uma expressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e um sutil estiramento horizontal dos lábios
O medo, diante dessa resposta negativa, indica que Sari tem medo de ir para a prisão

Em 12:58, Sari diz: "Eu tô aqui firme"
Novamente vemos a expressão de medo em sua face (elevação das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios

A partir de 13:03, Sariz diz: "E se lá na frente, o resultado for esse... eu vou cumprir o que a lei pedir"
Aqui vemos novamente seus gestos em ritmo diferente da fala.
Sari está experienciando um alto nível de ansiedade ao dizer isso.


SUMÁRIO: Durante o vídeo, vemos que a emoção predominante de Sari é o medo.
Além disso, podemos perceber um alto nível de ansiedade ao falar do resultado que o fato pode causar a ela. Existem também elementos de fuga. Desejo de "escapar"
Os elementos verbais indicam uma alta probabilidade dos discurso de Sari ter sido ensaiado.
Vemos também muito sinais de desonestidade e manipulação. Durante todo o vídeo, Sari mantém o olhar fixo na repórter como uma forma de verificar se ela está acreditando em tudo que é dito (feedback).
Em nenhum momento Sari diz que está arrependida e que se sente culpada pelo acontecido.
Olhando a imagem de Sari nessa entrevista, vemos também que houve o processo de "Gerenciamento de Impressões Pessoais" com o intuito de influenciar a percepção dos espectadores; de passar uma imagem mais frágil, mais simples.

domingo, 28 de junho de 2020

Análise não-verbal: Tiago Ramos, ex-namorado da mãe de Neymar falando sobre polêmicas. Veracidade?


Após uma série de polêmicas envolvendo o seu nome, o modelo Tiago Ramos veio à público através de seu Instagram para falar sobre os acontecimentos.
Enquanto ele se relacionava com Nadine, mãe do jogador Neymar, seu nome foi vinculado a uma série de fatos polêmicos, que vão desde omissões em relação a sua sexualidade, relações promíscuas e até agressões contra ex-namorados e ex-namoradas. Mediante a descoberta de tantas informações, o relacionamento entre o modelo e a mãe do jogador Neymar teria chegado ao fim.
Mais um capítulo desse conturbado caso foi escrito quando o modelo feriu o braço após dar um soco em uma vidraça no apartamento em que estava, com a até então namorada, Nadine. Ele teria levado alguns pontos no braço devido ao incidente. Segundo informações, alguns vizinhos relatam terem ouvido gritos vindos da cobertura aonde mora Nadine, sinalizando uma discussão entre o casal. Tiago e Nadine forma até a delegacia depor sobre o caso.
Todos esses acontecimentos fizeram com que a mídia se inclinasse à acreditar que Tiago só estava junto de Nadine para se promover.
Após tudo isso, o jogador Neymar também se viu envolvido neste caso. Um áudio supostamente gravado pelo jogador, em que ele xinga com adjetivos, frases preconceituosas e homofóbicas Tiago Ramos, foi denunciado ao Ministério Público. Acredita-se que Tiago foi o responsável pelas denúncias
No vídeo gravado por Tiago, este nega que tenha feito a denúncia contra Neymar, nega qualquer tipo de agressão, dentre outras coisas. 
O que será que sua Linguagem Corporal tem a nos dizer sobre tudo isso?

Vamos à análise

A partir de 0:02, Tiago diz: "Tô muito triste, muito sati... chateado com essa situação"
Ao dizer que está muito triste e muito sati... chateado, vemos uma contração na parte interna das sobrancelhas que está presente na emoção de tristeza, porém, alguns elementos nos dizem que essa tristeza emitida não é genuína. 
O primeiro deles é a assimetria. Podemos notar que o movimento com a sobrancelha direita não está simétrico em relação ao movimento com a sobrancelha esquerda. Além disso há uma alta intensidade de arranque, ou seja, a contração facial chega ao seu ápice bruscamente, não havendo uma crescente dessa ação muscular. De acordo com Paul Ekman, ambos os elementos são indicativos de uma emoção falsa.
De acordo com estudos de Statement Analysis, nesse trecho podemos observar que houve o chamado "Ato Falho" (também chamado de "Palavra Riscada"), que acontece quando o agente começa a falar uma palavra, de forma inconsciente, e no meio de sua verbalização, ao se dar conta que vai cometer um erro, ele muda para outra palavra mais consciente.
Reparem que Tiago, provavelmente iria dizer a palavra "satisfeito", mas no meio da verbalização, mudou para chateado.
Além desse elemento verbal, podemos notar o chamado "eufemismo", que acontece quando existe a intenção de diminuir, suavizar ou minimizar o peso emocional de determinada palavra. Ele usa a palavra "chateado" para nominalizar toda a situação polêmica e negativa pela qual ele tá passando. O uso desse recurso de minimização não é congruente com um padrão verbal nesse contexto.
Podemos notar que Tiago usa um distanciamento verbal ao se referir a polêmica como "essa situação". Ao invés de especificar a situação na qual ele está envolvido, ele prefere generalizar. Esse distanciamento é incongruente em um contexto de explicação, e afirmação de inocência.

Ao final desse trecho (0:05), ele realiza um gesto chamado de "Tongue Jut", que consiste em passar a língua nos lábios. De uma forma geral, indica ansiedade.
Segundo Jack Brown, esse gesto é um forte indício de auto-incriminação ("Eu fiz algo errado"). O auto Joe Navarro cita esse gesto como feito com a intenção de demonstrar que deseja ser evasivo ("Eu quero escapar ileso")

A partir de 0:05, ele diz: "Então eu venho aqui gravar esse vídeo para esclarecer todas essas notícias mentirosas que vem sendo publicada na imprensa"
Ao falar "TODAS", vemos uma elevação assimétrica de sua sobrancelha direita. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, essa elevação assimétrica é chamada de "Skeptical Eyebrow" e indica dúvida, ceticismo em relação ao que está sendo falado.
A dúvida pode se referir a falta de veracidade das notícias ou ao fato de que ele vai esclarecer todas elas. Essa dúvida pode ser vista como uma alta probabilidade de desonestidade, por ele duvida do que está falando.

Ao final desse trecho (0:11), vemos que existe uma pressão nos lábios, juntamente a isso, uma sutil elevação bilateral dos cantos dos lábios.
A elevação bilateral com a pressão nos lábios, pode ser um indicador de sorriso suprimido. Além disso, existe a hipótese de estarmos diante do chamado "Duping Delight", que segundo Paul Ekman é o sorriso do manipulador. Constitui "Duping Delight" o sorriso de satisfação emitido pelo agente quando ele percebe que está conseguindo manipular, e ser crível no que está falando. Há, portanto, desonestidade.

A partir de 0:13, Tiago Ramos diz: "Bom, eu tentei de todas as maneiras me [pausa desnecessária]... me preservar sobre o assunto..."
Ao verbalizar a palavra "tentei", podemos perceber que existe um afastamento de cabeça para trás. Esse movimento indica a intenção de distanciamento, fuga da situação. Devemos ter em mente que em um contexto de inocência, um movimento de distanciamento mostra incongruência. (o recorte acima procura demonstrar o movimento de afastamento em câmera lenta)
De acordo com Mark McClish, a pausa desnecessária é um recurso utilizado quando a pessoa precisa ganhar tempo na resposta para pensar o que vai ser dito em seguida. Há quebra de fluidez do discurso

Durante a pausa desnecessária, ele realiza novamente o gesto de passa a língua nos lábios ("Tongue Jut"), indicando ansiedade; e em um nível mais específico, demonstra auto-incriminação e fuga

Em 0:21, novamente o gesto de passar a língua nos lábios ("Tongue Jut").
Aqui observamos o mesmo indício de fuga, ansiedade.
Tiago demonstra que sua intenção real era fugir de toda essa situação

A partir de 0:22, Tiago diz: "Eu quero deixar uma coisa bem clara... ééé... em nenhum momento fui a delegacia prestar qualquer tipo de Boletim de Ocorrência contra o Neymar..."
Utilização de agregadores verbais (...ééé...). Esse recurso é parecido com a pausa desnecessária. Indica a intenção de ganhar tempo para pensar no que falará em seguida. Nesse contexto, é incongruente
Durante a utilização dos agregadores, podemos ver que Tiago direciona seu olhar horizontalmente para a esquerda. De acordo com a PNL, esse movimento ocular acessa áreas do cérebro responsáveis pelas lembranças auditivas. O que pode nos indicar que ele está lembrando do que foi falado, talvez na delegacia.
Juntamente vemos em sua face a expressão de medo, pela elevação sutil das pálpebras superiores e o estiramento horizontal dos lábios.
O final desse trecho podemos notar uma alteração em seu fluxo respiratório. O que indica ansiedade e nervosismo.

Em 0:33, enquanto ele ainda continua negando que tenha ido a delegacia prestar B.O contra o Neymar, essa alteração cardio-respiratória fica bem evidente.

Em 0:35, vemos a expressão de desprezo em sua face, devido a contração do bucinador em seu lado direito ao dizer que entende o que o Neymar disse a respeito dele.

Em 0:40 vemos um conjunto de sinais interessantes, realizados praticamente ao mesmo tempo.
Primeiro ele passa a língua nos lábios ("Tongue Jut"), o que indica ansiedade, desejo de fuga.
Logo após podemos perceber, através do ar em sua voz, que existe uma alteração em sua respiração, indicando ansiedade e tensão
Por último vemos novamente uma expressão de medo, novamente representada pela elevação das pálpebras superiores e o estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:43, Tiago diz: "Então, jamais fiz isso [ir a delegacia para denunciar o Neymar]".
De acordo com Mark McClish, os advérbios "jamais" e "nunca" não são considerados negações quando existe referência de tempo. São vagos.
Quando o ponto da questão é direcionado a um evento específico em um tempo específico, "nunca" e "jamais" se tornam sem validade em um discurso.
Tendo em vista que a suporta ida de Tiago à delegacia aconteceu em uma data específica, o "jamais" demonstra uma incongruência. Logo, uma possível desonestidade

A partir de 0:45, Tiago diz: "Eu e a Nadine fomos sim à delegacia...ééé... esclarecer todo o acontecido, e deixar bem claro que não houve qualquer tipo de agressão, tá bom?"
Ao dizer "fomos sim", ele toca seu peito com a mão espalmada. Esse gesto indica auto-referência, ou seja, citar a si mesmo.
Deve-se haver sincronia entre os gestos e a fala. Ou seja, o gesto não-verbal que ilustra o verbal, deve acontecer no exato momento em que ocorre a verbalização, podendo ocorrer também antes, mas nunca depois. Em outras palavras, quando Tiago refere a si mesmo, o gesto de tocar no peito com a mão espalmada deve acontecer durante a verbalização do pronome "eu". Porém, vemos que ele realiza esse gesto de auto-referência no momento em que ele diz "fomos sim", logo, depois de se auto-referir. Dá-se o nome de "gestos mecânicos" quando são realizados fora de sincronia, e sua finalidade é manipular. Aqui, Thiago faz a auto-referência, e depois de forma consciente realiza o gesto para gerar mais credibilidade.

Ainda referente ao trecho, ao dizer: "... não houve qualquer tipo de agressão"
Nesse momento ele nega com a cabeça, porém, podemos observar que o ritmo da fala está diferente do ritmo em que o gesto é realizado.
O ritmo gestual está mais acelerado que o ritmo vocal.
Quando o não-verbal está discordante do verbal, estamos diante de uma incongruência.

A partir de 1:02, Tiago diz: "Espero que após esse vídeo vocês pensem um pouco antes de falar da gente porque isso tá me prejudicando bastante, profissionalmente; prejudicando a minha família; a família da Nadine, e... pô... já tá muito chato. Tá muito, muito, muito chato mesmo"
Ele se refere ao prejuízo profissional, e à família, como algo "muito chato". Eufemizar um prejuízo profissional e familiar pode ser visto como algo incongruente.
Quando de fato, a pessoa obtém um resultado negativo de uma situação, a ponto de prejudicar a família e o trabalho, não é algo comum ela adjetivar esse resultado com uma palavra como "chato". Tira-se a intensidade emocional negativa do acontecimento.
Essa incongruência demonstra que ele não sente tanto o resultado negativo, como deseja transmitir.
Logo após, percebemos que ele repede o advérbio "muito" três vezes ("muito, muito, muito chato")
De acordo com ensinamentos de Statement Analysis, a repetição de palavra de forma desnecessária, indica intensão de manipular e convencer.

A partir de 1:20, Tiago diz: "Eu e a Nadine, a gente não, não tem mais nada. A gente [pausa desnecessária] a gente é amigo. Mantemos nossa amizade, mas com caminhos diferentes [tongue jut], entendeu?."
A pausa desnecessária é um recurso para ganhar tempo e pensar no que vai ser falado. Forte indício de desonestidade.
Ao dizer "mantemos a nossa amizade", ele realiza um sutil gesto de negação com a cabeça. Há incongruência entre o verbal e o não-verbal. Logo, desonestidade.
Novamente ele realiza o gesto de passar a língua nos lábios ("Tongue Jut"), indicando ansiedade, fuga (foto acima)
Ele termina a afirmação com uma pergunta. De acordo com Mark McClish, terminar uma afirmação com uma pergunta indica dúvida, pois transfere a responsabilidade da certeza para os interlocutores.

Em 1:41, novamente vemos o "Tongue Jut" indicando ansiedade, fuga.
Aqui, juntamente com essa projeção da língua, ele fecha os olhos por mais tempo que de uma piscada normal. Esse gesto chamado de "Eye Shielding" indica não visualização do que está sendo falado.
Nesse contexto, o "Eye Shielding" funciona como um potencializador da ansiedade e fuga.


SUMÁRIO: Tiago Ramos exibe a emoção de medo ao falar sobre as polêmicas e tem o comportamento majoritário de ansiedade e desejo de fuga da situação. Há também a emoção de desprezo ao justificar a atitude de Neymar
Existem algumas incongruências e dúvidas durante o vídeo, e alta probabilidade de desonestidade ao negar que tenha feito um B.O contra Neymar, ao afirmar que continua amigo de Nadine e ao dizer que não houve agressão
Há também elementos de convencimento e manipulação, tanto no âmbito não-verbal quanto no verbal.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Análise não-verbal: Homem invade a Globo e faz uma repórter de refém. Linguagem corporal do negociador

Recentemente, um homem invadiu a emissora de televisão "Globo" e, com uma faca, fez uma repórter de refém.
Segundo informações, o invasor tinha como objetivo falar com a, também jornalista, Renata Vasconcellos, como não a achou, fez de refém a repórter Marina Araújo.
Diante do fato, a Polícia Militar foi chamada ao local. O Coronel Heitor Henrique Pereira conduziu toda a negociação, que terminou na liberação da refém e prisão do invasor
Como foi a linguagem corporal utilizada pelo Coronel para ser bem sucedido na negociação?

Por não termos acesso ao vídeo completo da negociação, vamos analisar o trecho encontrado.

Vamos à análise:

No começo do vídeo, o Coronel pede pra o invasor larga a faca e diz que vai se afastar.
Em 0:03, mesmo de costas, podemos ver o Coronel mostrando as palmas de suas mãos e se afastando.
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, mostrar as mãos indicar honestidade, confiança, que não tem nada a esconder.
Segundo o antropólogo Desmond Morris, esse gesto se origina da antiguidade, quando as pessoas, no início da interação, mostravam as mãos para demonstrar que não carregavam armas - a interação poderia continuar sem riscos.
Esse gesto é extremamente congruente com o contexto de negociação, e cria um vínculo de confiança com o assaltante, invasor

Juntamente, vemos o coronel se afastando. Esse movimento de distanciamento aumenta a "Proxêmica" em relação ao indivíduo.
A proxêmica, é o estudo das distâncias em uma interação interpessoal. Quanto maior a distância entre os indivíduos, maior é a liberdade que eles têm de se moverem pelo ambiente caso haja algum tipo de confronto.
Além desse conceito, a distância maior também indica dominância. De acordo com a doutrina focada em liderança, o indivíduo dominante ocupa uma maior área espacial, logo, este mantém um maior distanciamento de quem ele julga submisso.
Essa atitude do Coronel foi extremamente positiva, pois além de reafirmar o que falou que iria fazer, dá ao invasor o status de dominante da relação
De acordo com estudos, as pessoas que agem com comportamentos criminosos, como no caso em análise, desejam ser dominantes na relação; desejam ter a atenção voltada para eles.
Ao fazer isso, o coronel "deu poder a quem quer poder" e ao fazer isso, ele aumentou o nível de confiança do invasor nele.

A partir de 0:10, ao pedir pro Câmera se afastar mais, o Coronel demonstra gestos amplos e acima dos ombros.
Gestos amplos e acima, nesse contexto, indicam a intenção de mostrar para o invasor que suas mãos estão à mostra, e que, portanto, ele não esconde nada; que nenhum movimento minimalista será feito, que possa dar a entender ao invasor que alguma arma ou equipamento será pego e utilizado contra o mesmo.
Em outras palavras, a intenção desse tipo de gesto, nesse contexto, é manter o invasor percebendo que ele não corre riscos.

A partir de 0:12, podemos ver que o Coronel não expõe a palma de sua mão esquerda - que está direcionada para trás.
Esse movimento não é aconselhável pois pode causar desconfiança no invasor.
Provavelmente aqui, o nível de confiança que o Coronel conseguiu já está alto, fazendo com que esse gesto que, deve ser evitado nesse contexto, não tenha tido um efeito negativo.
Aqui, provavelmente, o invasor estava escutando algo positivo para ele.

A partir de 0:25, o Coronel diz: "Rapaz, eu tô dando a minha palavra [que vai levá-lo até a Renata Vasconcellos]. Eu tô dando a minha palavra. Eu sou Comandante do 23. Eu tô dando a minha palavra para você"
Ao falar que é "Comandante do 23" ele usa sua posição de Comandante para criar mais confiança no invasor de que ele vai ter o que procura. De acordo com estudos de persuasão, correlacionar um desejo a uma posição hierarquicamente alta, gera mais confiança de que as coisas vão acontecer de forma positiva para o outro indivíduo.
Podemos observar também a Paralinguagem do General. Ele usa um tom de voz firme, alto e sem tremulações e variações vocais. Tudo isso indica assertividade, certeza. O que contribui para manter ou aumentar o nível de confiança do invasor, nele.

Esse tom de voz firme e positivo para esse contexto, é mantido durante toda a negociação

Em 0:40, ao demonstrar alguma coisa para o invasor, ele posiciona a palma de sua mão na vertical, perpendicular ao chão.
A posição da palma nesse sentido demonstra uma neutralidade. O Comandante não se coloca em uma posição de dominância e nem em uma posição de submissão. Também denota assertividade de forma neutra
Percebam que seu gesto continua amplo, com o mesmo intuito de deixar tudo às vistas do invasor, sem esconder nada.

A partir de 0:46 ele diz: "Meu amigo, eu estou te dando a minha palavra"
No começo desse trecho, ele mostra novamente a palma das mãos para o invasor, indicando confiança e assertividade, e que não tem nada a esconder.
Apesar disso, ele possui sua cabeça elevada em um ângulo maior que 90º. Essa posição de cabeça denota agressividade, arrogância.
Essa posição de cabeça não é muito aconselhada nesse contexto, mas como já dito antes, o nível de confiança que o Comandante já conseguiu do invasor é alta, fazendo com que esse gesto, a princípio negativo para o contexto, não tenha tanto peso.

A partir de 0:53 o Comandante diz: "To desarmado, aqui ó"
Nesse momento ele mostra a palma de suas mãos. Novamente um gesto muito positivo.
Ele significa que não tem nada a esconder e que, literalmente, está desarmado.

Em 0:54, ele continua: "Quer que eu tire o colete também? Eu tiro"
Essa frase foi utilizada para reafirmar a confiança.
O colete, em um PM é um acessório de proteção. Quando ele sugere tirar o colete, ele tem a intenção de demonstrar para o invasor que confia nele - pois ele estaria totalmente despido do que protege sua vida, expondo áreas vitais.
De acordo com Desmond Morris, expor áreas vitais para outra pessoa, passa a ideia inconsciente de que você confia na pessoa a quem está expondo.
Para a Neurociência, quando você demonstra confiar na pessoa, esta, , se sente na obrigação, de forma inconsciente, a confiar nela também. Nesse caso é fundamental que tenha esse laço de confiança pois mostra pro invasor que ele não está sendo subestimado; e como, o desejo do invasor é ser o dominante no contexto, ser subestimado é extremamente negativo.

Em 1:06 o Comandante diz: "A gente vai até ela [Renata Vasconcellos]"
Novamente podemos ver gestos amplos e acima dos ombros.

Em 1:11, o Coronel Heitor diz: "Eu vou sair, não vai chegar ninguém perto. Eu vou ver aonde a Renata está"
Ao dizer que vai sair, ele novamente realiza um gesto extremamente congruente, apontando para a saída atrás dele. Esse gesto é realizado novamente de forma ampla.
Nesse tipo de contexto, até mais do que em outros, é importante que haja completa congruência entre a linguagem verbal e a não-verbal. A incongruência, pode demonstrar, de forma inconsciente, para o invasor que não existe sinceridade, podendo haver uma quebra da confiança, em algum nível.

A partir de 1:16 o Comandante diz: "Eu to saindo"
Nesse momento ele vai se afastando e demonstra a palma das mãos.
Congruência e sinceridade. Mantendo a relação de confiança entre ele e o invasor.

Em 1:24, o Coronel ao pedir pro câmera se afastar, realiza novamente gestos amplos e acima dos ombros.
Como já foi dito, gestos amplos e acima dos ombros reafirma a confiança. O invasor pode perceber que há sinceridade, pois as mãos estão à vista e o gesto está congruente.

Em 1:32, o Comandante Heitor pergunta o nome do invasor.
O nome é a informação mais importante a nosso respeito. É considerada a nossa identidade. É a nossa marca. Perguntar pelo nome demonstra que existe interesse em nós, em saber quem nós somos.
Quando o Comandante pergunta o nome do invasor, sua intenção é chamá-lo pelo nome, e, de acordo com Paulo Sérgio de Camargo, isso cria empatia e dá importância especial a pessoa, no caso ao invasor.
Ao se sentir importante, o invasor mantém a confiança e conexão com o Comandante.

Em 1:35, novamente o Comandante mostra a palma das mãos.
Confiança, sinceridade. Não há nada a esconder.

* Podemos observar uma coisa muito interessante do invasor. Durante todo o vídeo podemos vê-lo usando máscara como uma possível proteção ao Covid-19. Isso indica que ele se preocupa com a própria saúde e integridade.
Geralmente bandidos, invasores, assaltantes, não tem essa preocupação.
Aqui estamos falando de uma "hierarquia de valores". No topo da Hierarquia estão os valores mais importantes para nós.

A preocupação pelo uso de máscara demonstra que ele tem sua saúde como um valor mais importante do que ir a uma emissora, fazer refém para conhecer uma jornalista.
Comumente, isso não acontece em indivíduos que praticam essas atividades criminosas. Geralmente o comportamento criminoso tem um valor mais alto.

Isso pode nos mostrar que esse invasor não tem essa prática criminosa como algo intrínseco à sua identidade, e sim à seu comportamento, de acordo com os "níveis neurológicos" trazidos por Robert Dilts.


SUMÁRIO: O Comandante Heitor Henrique Pereira, ao negociar com o invasor demonstrou sinais não-verbais e se utilizou de técnicas que criam e potencializam a empatia e a conexão.
A todo momento demonstra a palma das mãos indicando sinceridade, confiança e que não tem nada a esconder.
Durante a negociação demonstrou um tom de voz firme, assertivo.
Em alguns momentos, por mais que alguns sinais não sejam tão aconselhados, o nível de confiança que o Comandante criou com o invasor foi tão positivo, que esses sinais não influenciaram.