sexta-feira, 22 de maio de 2020

Análise não-verbal: Mãe da youtuber Bel se pronuncia após críticas e acusações na internet. Caso Bel. Análise exclusivamente comportamental.

Bel é uma menina de 13 anos dona do canal do youtube "Bel para Meninas" cujo objetivo, basicamente, é mostrar o seu cotidiano. Recentemente, sua mãe, que também participa do canal, vem sofrendo críticas e acusações, da internet, por supostamente ter um comportamento semelhante a abuso psicológico praticado contra sua filha Bel durante as gravações dos vídeos.
Alguns internautas postaram vídeos aonde Fran, mãe de Bel, estaria supostamente forçando a menina a realizar alguns desafios e atividades.
Após essas acusações, Fran veio a público, por meio de um vídeos se pronunciar sobre tudo que está acontecendo.
O que sua Linguagem Corporal pode nos dizer?

Antes de começarmos a análise em si, é importante frisar que este presente artigo não visa afirmar se realmente houve abuso psicológico e se a mãe da menina sofre transtorno narcisista ou de qualquer outro tipo.
Essas afirmações SOMENTE podem ser feitas por um profissional habilitado nesse tipo de diagnóstico, mediante o procedimento correto.

A Linguagem Corporal, por ser uma ciência comportamental, de forma nenhuma poderá entrar nessa questão. A função da análise não-verbal é demonstrar apenas o comportamento e não fazer uma avaliação a respeito da identidade do analisado.
COMPORTAMENTO e IDENTIDADE, de acordo com a PNL estão em níveis neurológicos diferentes. Confundi-los é errado e anti-ético
.


Tendo dito isso, vamos à análise:

Em 0:18 ao dizer que os fãs já fazem parte de sua família, ela emite uma expressão de nojo, devido a elevação do queixo, queda do canto dos lábios e acentuação naso-labial, juntamente com o olhar direcionado horizontalmente para a direita.
De cordo com a PNL, feito o devido processo de "Calibragem", indica criação de um estímulo auditivo.
A união desses dois sinais indicam discordância em sua fala.

Em 0:20 ao dizer: "Eu considero todos vocês, não como fãs, não como seguidores, mas como uma família gigante espalhada aí por esse mundão"
Aqui temos alguns pontos interessantes.
Durante a verbalização da palavra "considero" vemos uma elevação unilateral no ombro direito ("Shoulder Shrug"). Esse gesto nesse contexto, de acordo com Joe Navarro, indica insegurança em sua fala.
Quando fala "família gigante", ela altera seu tom de voz para um registro mais infantilizado com o prolongamento verbal na palavra "gigaaante". Esses sinais constituem indício de tentativa de manipulação e gerador de empatia.

Ao final do mesmo trecho, podemos ver q ela olha para o marido sentado ao seu lado.
Esse sinal é chamado de "Deliberate Gaze". Segundo Aldert Vrij, esse comportamento ocular tem a intenção de obter um feedback positivo por parte daquele a quem é direcionado, no caso o marido. Em outras palavras, ela está buscando aprovação de suas palavras.

A partir de 0:34, Fran afirma que preparou um texto para esclarecer sobre os acontecimentos.
Discursos escritos são muito importantes e até facilitam uma análise, porém devemos avaliar o uso de um discurso escrito em um determinado contexto.
Nesse vídeo, ela vai falar dos acontecimentos, e provavelmente vai negar que tenha agido de uma forma abusiva com sua filha, ou seja, vai se defender.
Nesse contexto apresentado, podemos avaliar, a forma escrita como, de certa forma, incongruente. O contexto é emocional. Suas palavras devem emergir de forma natural, espontânea, a congruência de suas palavras devem se sustentar por si mesmas, deve ter uma conexão maior com seu lado emocional. Em um discurso escrito, a explicação se torna racional, mais fria, com menos conexão emocional do que é padrão para esse tipo de contexto. A palavras emergindo do emocional que o contexto traz, tendem a ser mais críveis
Esse elemento não é absoluto para afirmarmos que ela esteja mentindo ou falando a verdade. Aqui o que podemos dizer é que ela está, de certa forma, fugindo de um padrão que se espera para esse contexto.

A partir de 0:36, Fran diz: "Eu peço que vocês escutem com carinho e até o final, para que possa ficar tudo esclarecido, tudo... é... direitinho como... como é, né?"
O marido continua: "Como deve ser"
Fran confirma: "É, como deve ser"
Aqui temos sinais muito interessantes. Todos eles no âmbito do Statement Analysis
O primeiro que podemos destacar são as pausas desnecessárias (representadas por "..."). Esse recurso é usado pelo cérebro para ganhar tempo afim de pensar no que será falado a seguir
Podemos citar também o uso do "né?" ao final. De acordo com os ensinamentos e Mark McClish, terminar uma afirmação com uma pergunta indica insegurança ao afirmar. Em outras palavras, o agente não é capaz de afirmar, por isso ele faz uma pergunta para que a responsabilidade da resposta fique a cargo dos interlocutores

E em terceiro lugar, o sinal que eu julgo mais importante e interessante. Reparem que Fran faz uma afirmação no momento em que diz: "como é..." e o marido conserta dizendo "como deve ser" - o que posteriormente é confirmado por ela.
O verbo ser, em todas as suas conjugações imprimem uma assertividade, uma confirmação. Portanto, ao dizer "como é", existe uma confirmação absoluta de determinada coisa. Essa confirmação vindo antes de uma pergunta ("né?") transforma o que era pra ser certeza em dúvida, naturalmente
Na fala do marido ("Como DEVE ser"), devemos nos atentar para a palavra "DEVE". De acordo com a PNL, essa palavra é chamada de "Operador Modal de Necessidade" e estabelecem regras quanto ao que é apropriado e necessário. São limitações.
Aqui está sendo dito que, o que está escrito no texto não é como É, mas sim como DEVE ser. Em outras palavras, estão imprimindo uma ideia de que o que será lido é necessário e apropriado, e não se trata de uma confirmação absoluta e/ou uma verdade

A partir de 1:04, quando a mãe lê que as noticias são mentirosas e falsas, ela realiza novamente o "Deliberate Gaze", mas dessa fez é para a câmera. Assim como já foi dito. Esse comportamento ocular indica que ela está buscando feedback e confirmação para o que está lendo, mesmo que essas respostas venham de interlocutores que estão "do outro lado" da câmera.

Em 1:13, vemos o sutil sorriso.
Podemos classificar esse sorriso como "Duping Delight". Segundo Paul Ekman, esse sorriso indica que o agente acredita que conseguiu convencer com suas palavras e sente prazer pelo seu sucesso.
Ele foi realizado após ela dizer que as notícias foram caluniosas

Em 1:20 ela continua dizendo: "... tal campanha [divulgações negativas a seu respeito] não tem fundamento com fatos verídicos"
Ao final desse trecho, podemos observar que Fran inclina seu corpo para trás. Esse movimento é tido como um "comportamento de distanciamento". Indica desejo de fuga, falta de comprometimento com a situação. [Observe o trecho acima, em loop, para notar o movimento]
Em um contexto aonde ela quer mostrar que as notícias são caluniosas, o afastamento é incongruente, pois quando queremos provar algo ao contrário do que foi divulgado, o corpo tende a ir para frente. Se não tememos a verdade, podemos nos expor.
Outro elemento que podemos observar nesse trecho é a negação de cabeça fora de sincronia com a verbalização, no momento em que ela diz "... NÃO tem fundamento". Reparem que primeiro ela verbaliza e depois ela nega com a cabeça. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, os gestos possuem sincronia com o elemento verbal, ou seja, a verbalização acontece juntamente com o gesto ou movimento - podendo acontecer também antes (primeiro eu realizo o gesto e logo depois eu verbalizo - isso acontece porque as vezes pensamos antes de realizar o movimento ou o gesto).
Esses sinais constituem incongruência.

Em 2:02 ao falar que foram espalhadas notícias falsas, vemos uma expressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas em suas porções interna e externa, elevação da pálpebra superior e estiramento horizontal dos lábios

Em 2:35, ao citar que a imprensa televisiva acabou por noticiar tal campanha negativa, segundo ela, caluniosa, podemos ver em sua face a expressão de raiva, devido a contração do músculo do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas, tensão nas pálpebras inferiores e tensionamento dos lábios.
A raiva está direcionada à imprensa

A partir de 3:15, quem está lendo a continuação desse texto é o marido. Nesse momento ele lê: "São crianças muito felizes [se referindo a Bel e a irmã] e levam uma vida normal"
Ao dizer que "levam uma vida normal", Fran exibe o seguinte conjunto gestual: mãos em reza, elevação dos ombros e expressão de nojo devido a acentuação na prega naso-labial.
A elevação de ombro é chamado de "Turtle Effect" e indica um desejo de se proteger de determinada situação. É uma analogia ao comportamento das tartarugas, que entram em seus cascos diante de uma ameaça
A mãos em reza é chamada de "Falsa Reza". Empiricamente, foi observado que nesse dado contexto, diante desse sinais, esse gesto pode funcionar como um potencializador das emoções negativas sentidas (Jack Brown)

Em 4:00, Fran emite a emoção de desprezo, devido a elevação unilateral do lábio superior, na porção direita.

Em 4:38, ao terminar de ler, o marido de Fran exibe uma expressão muito interessante
Reparem que existe um tensionamento no canto da boca em seu lado direito. De acordo com Jack Brown, essa expressão indica arrependimento ("Regret") e guarda semelhanças com a emoção de desprezo, porém existem diferenças.
Ainda segundo o autor, no desprezo a contração do músculo ocasiona um vetor partindo do canto da boca para cima, enquanto a expressão "Regret" possui um vetor lateral partindo do mesmo ponto.
Reparem, pela foto acima, o vetor é lateral

A partir de 5:33, Fran diz: "Sim, existem pessoas maldosas no mundo".
Nesse momento podemos observar um tensionamento bilateral de seus ombros. Novamente observamos o gesto de "Turtle Effect", indicando intenção de proteção, e até medo.
Aqui ela se refere a "pessoas maldosas" como sendo as pessoas que a estão criticando e acusando de maus tratos à filha Bel.

Em 5:41, após dizer que existem pessoas que querem tirar proveito às custas do sofrimento de uma família, ela exibe rapidamente um sorriso.
Novamente aqui vemos configurado um "Duping Delight". Indicando que o a gente sente que conseguiu convencer do que falou e sente prazer por ter atingido tal objetivo.

EXTRA: Como comportamento padrão, o que se espera de um a gente que sofreu críticas e acusações injustas é afirmar "Eu não fiz [tal coisa]" ou "Eu não tive [tal comportamento].
Durante todo o vídeo, não ouvimos, em nenhum momento, Fran negar que tenha tido o comportamento o qual imputaram a ela, que é de abuso psicológico.


SUMÁRIO: Fran, mãe de Bel, optou por um discurso escrito, ao invés de algo mais natural para o contexto. Um discurso emocional seria mais congruente.
Existem elementos que demonstram que o discurso foi elaborado apenas porque é apropriado e necessário, e não porque o esclarecimento é desejado emocionalmente pelos agentes.
Durante o momento em que o discurso está sendo lido por Fran, podemos notar inseguranças, intenção de fuga, busca por feedback positivo através do "Deliberate Gaze"
Fran exibe emoções medo (ao falar que as notícias são falsas), nojo (ao falar da vida normal que as filhas têm), desprezo (ao falar das pessoas que estão supostamente se aproveitando da situação para obter alguma vantagem) e raiva ao falar da imprensa que tem divulgado notícias negativas a seu respeito.
Possui também comportamentos ligados ao medo, como por exemplo, o tensionamento dos ombros.
Em alguns momentos podemos ver a expressão de "Duping Delight" indicando manipulação.
O marido por sua vez, apresenta indício de arrependimento. Não podemos confirmar ao certo o fato gerador desse sentimento.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Análise não-verbal: Nelson Teich sobre reabertura de serviços considerados essenciais, de acordo com o Presidente. Descobriu ao vivo? Quais as emoções sentidas?

O Ministro da Saúde Nelson Teich, durante uma coletiva no Palácio do Planalto, ficou sabendo, através da imprensa, que o Presidente Jair Bolsonaro havia autorizado a reabertura de academias, barbearia e salões de beleza sob o pretexto de que esses serviços são considerados essenciais para a saúde.
A descoberta aconteceu após um jornalista perguntar a Teich sobre a decisão do Presidente.
O ex-Ministro pareceu desconhecer tal notícia. Será que realmente, Nelson Teich desconhecia a autorização do Presidente? Quais as emoções que ele estava experimentando nesse exato momento?

Vamos à análise:

A partir de 0:04, o Ministro Nelson Teich diz: "O que eu acho hoje é o seguinte. Se você criar um fluxo que impeça que as pessoas se contaminem. E se você criar condições e pré-requisitos para que você não exponha pessoas a risco de contaminação. Você pode trabalhar retorno de alguma coisa"
Nesse trecho, provavelmente, Nelson Teich já tinha sido informado pelo jornalista sobre a decisão de reabertura por parte do Presidente.
Em 0:20, após dizer "risco de contaminação" podemos ver que ele realiza um gesto de colocar a língua para fora ("Tongue Jut"). Nesse contexto, esse gesto indica um interessante comportamento de evasividade (Joe Navarro) e desacordo de ideias (Jack Brown)
Analisando o contexto, Nelson Teich é um Ministro cujo o Presidente está hierarquicamente em um nível superior e possui ideias e crenças diferentes das suas. Nesse aspecto, é comum, quando se há uma divergências de opinião a despeito de determinado assunto, que o indivíduo, hierarquicamente inferior tende, de alguma forma, a usar discurso mais evasivo que não seja uma verbalização expressa de desacordo, mas que também não seja favorável, expressamente, à opinião.

Em 0:22, logo após o trecho acima, podemos ver que Teich realiza uma pressão dos lábios juntamente com enrugamento do queixo.
Essa combinação das ações musculares é comum diante de um estado de frustração. Ele acontece quando há a interrupção de um comportamento motivado. Esse estado emocional está ligado à emoção de raiva.
Essa frustração representa a dissonância de ideias entre Teich e o Presidente Bolsonaro. O Ministro sente que essa ideia do Presidente constitui um obstáculo que o vai impedir de alcançar o objetivo desejado. Existe uma dissonância de ideias
O olhar direcionado para baixo confirmam o sinal de frustração

A partir de 0:29, Teich diz: "Tratar isso como não essenci... como es... como não... como essencial"
Podemos ver que aqui existe um fenômeno paralinguístico parecido com uma gagueira entre "essencial" e "não essencial".
Essa sequência de auto-correções acontece devido a uma dissonância cognitiva entre as opiniões do Presidente e a do próprio Nelson Teich.
Aqui, o Ministro está experimentando uma confusão mental.
Quando expressamos nossa ideia, crença a despeito de determinado assunto, existe uma maior atividade cerebral na parte do córtex pré-frontal; já ao expor a opinião do Presidente, a ativação maior acontece na região da amígdala cerebral, responsável pelo controle emocional. O que acontece, é que existe uma disputa de importância entre falar sobre o que o Presidente acredita ser melhor e a opinião do Próprio Teich a respeito do mesmo assunto. Essa "briga" resultado da dissonância, gera tal fenômeno paralinguístico

Em 0:42, novamente vemos o fenômeno paralinguístico da gagueira acontecendo.
Aqui podemos atribuir a um estado emocional negativo de tensão, nervosismo.
Podemos também atribuir à confusão mental citada anteriormente, pois ainda estamos em um contexto de dissonância entre as opiniões do Ministro e do Presidente

Ainda nesse trecho, observamos que o Ministro exibe uma emoção de desprezo, devido a contração do bucinador, na extremidade direita do canto da boca.

Em 0:44, observamos a exibição da emoção de raiva, devido a sutil contração no corrugador e tensionamento nos lábios

Em 0:46, notamos uma contração do músculo do bucinador consistente com a emoção de desprezo.

Em 0:49, ao observarmos as mãos do Ministro, podemos notar um gesto chamado de "Hand Shrug" (ou mãos em supinação). Ele consiste em girar as mãos para fora (supinação).
Esse gesto é uma variação do Emblema conhecido como "Shoulder Shrug", que é a elevação bilateral dos ombros indicando desconhecimento.

Outra variação seria elevar apenas os polegares. Essa variação é realizada pelo senhor sentado ao lado do Ministro milésimos de segundos antes.

Em 1:16, mais uma vez, a emoção de raiva está presente, ao afirmar da atribuição do Presidente
Existe novamente a contração do corrugador e a pressão nos lábios, desta vez de uma forma mais evidente e intensa

Em 1:36, vemos a projeção da mandíbula para frente. Esse sinal é um indicativo da emoção de raiva.

Em 1:47, ao final do vídeo, podemos observar um tensionamento na mandíbula.
Esse sinal é chamado de "Jaw Clenching" e é altamente consistente com a emoção de raiva.


SUMÁRIO: O Ministro Nelso Teich exibe as emoções de raiva e desprezo ao longo do vídeo. Existe também uma frustração, que está ligada a emoção de raiva.
O Ministro também demonstra sinais de desconhecimento em relação as ações do Presidente Bolsonaro.
Há forte dissonância cognitiva entre as ideias de ambos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Análise não-verbal: Relação entre os atores Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langord. Conexão e proximidade?

Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langford são dois atores famosos, protagonistas do filme "After", que é uma adaptação cinematográfica de um livro best-seller de mesmo nome, escrito pela autora Anna Todd.
Muito se fala da relação dos atores nos bastidores. Alguns fãs dizem que eles não se dão bem, e outros falam que existe uma grande empatia entre eles.
Os empresários de ambos os atores e os produtores não confirmam, mas também não negam que existe uma boa relação entre Hero e Josephine. Inclusive, eles receberam ordens para não vazar esse tipo de informação.
Foram analisados vários vídeos dos atores juntos. Será que através da sua linguagem corporal, é possível confirmar ou negar o bom relacionamento entre eles, fora das câmeras?

Vamos à análise:

*As imagens usadas nesse artigo foram capturadas de trechos de vários vídeos analisados.

Após a análise dos vídeos, ficaram demonstrados quatro elementos fundamentais para conclusão desta. São elas: Proximidade física, "espelhamento" corporal, troca de olhares duradouras, abertura corporal e o sorriso de felicidade.

Proximidade física:

O antropólogo Edward Hall, em meados de 1960, desenvolveu um estudo das relações de proximidade e distância entre pessoas e objetos durante as interações.
Edward Hall concluiu que, em uma interação, quanto maior a distância física que uma pessoa mantém da outra, maior também é a distância emocional e cognitiva que os indivíduos mantêm. Em outras palavras, só permitimos nos aproximar, fisicamente, de nós quem nós temos uma proximidade emocional e/ou intelectual. É como se tivéssemos um espaço pessoal invisível nos cercando, e só deixamos penetrar nesse espaço invisível quem nos permitimos.
O antropólogo delimitou quatro zonas de “Proxêmica”;
Zona pública – Fazem parte dessa zona pessoas que estão acima de 3,5 m de nós. Utilizada para falar em público, conferências, aulas, palestras
Zona Social - É a distância que mantemos de estranhos. Quando não temos um relacionamento de amizade, com as quais não há uma proximidade emocional
Zona Pessoal – Distância usada com pessoas próximas, como amigos.
Zona Intima - Distância ocorre em relacionamentos íntimos, apaixonados, mas também com familiares e amigos íntimos, embora com estes últimos a distância ocorra de forma mais distante. A distância íntima é uma invasão do espaço pessoal, portanto, nem todos a aceitam.


Através das fotos, foi possível observar a grande proximidade física entre Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langford, isto só possível entre pessoas que têm grande carga de afinidades afetivas e cognitivas.
Por ser uma resposta inconsciente, é impossível existir conforto diante da proximidade física entre indivíduos que não detém o mínimo de sentimentos positivos mútuos. No casal, esta proximidade é lugar comum em todos os vídeos analisados.


O "espelhamento" corporal:

Damos o nome de “Espelhamento”, quando existe a incorporação (“imitação”) da linguagem corporal do seu interlocutor, como postura, gestos, expressões faciais, respiração etc.
A função do espelhamento é gerar uma ligação de empatia com a outra pessoa. Esta sincronização permite estabelecer uma relação harmônica entre ambos.
Quando espelhamos a linguagem corporal do interlocutor por algum momento, a tendência é criar uma conexão com o indivíduo, isso acontece porque inconscientemente quando percebemos que o outro está se comportando igual a nós, a confiamos nessa pessoa, pois é adotado o princípio da igualdade. Confiamos em pessoas iguais a nós.
O espelhamento é um processo natural e biológico que somente acontece quando há entrosamento, e uma conexão muito grande entre os interlocutores. Só espelhamos quando estamos à vontade com a pessoa. Quando não há afinidades, é impossível estabelecer essa conexão.




Podemos notar que esse "espelhamento" acontece em vários momentos dos vídeos, representados pelas fotos acima.

Na foto acima observamos um momento muito interessante.
Hero gesticula agradecendo a plateia e logo depois, de forma inconsciente, Josephine realiza exatamente o mesmo gesto.


Trocas de olhares duradouras:

O Antropólogo Desmond Morris e outros estudiosos da área da comunicação não-verbal, são unânimes em afirmar que olhar nos olhos é indício fortíssimo de conexão e sinceridade.
Todos os autores dizem que o olhar nos olhos de alguém profundamente, como na foto, indica que você quer demonstrar para o alvo do olhar que ela faz bem a você. Que merece ser admirada.
A doutrina de Comunicação Não-Verbal, afirma que só é possível haver a troca de olhares, quando os interlocutores estão confortáveis uns com os outros. É difícil existir conexão pessoal nas trocas de olhares entre pessoas que não nutrem relações empáticas entre eles.















Abertura corporal:

Fala-se em abertura corporal quando não existe qualquer espécie de bloqueio não-verbal entre os interlocutores. Podemos dizer que há uma vulnerabilidade do corpo. Por tal motivo, essa abertura corporal só acontece, salvo suas exceções, quando existe um alto grau de confiança entre os indivíduos.
Desmond Morris cita dois exemplos de abertura corporal que podem ser observados nessa análise: exposição do pescoço e exposição da área do pulso. Segundos o autor, essas áreas são vitais ao homem pois nelas passam duas veias de extrema importância, a carótida (localizada na região do pescoço) e a braquial (localizada na região do pulso).
Nós somos "comandados" pelo nosso instinto de preservação. Ou seja, a ordem máxima é a preservação à vida.
Por terem essa característica vital, aliada ao instinto de preservação à essa vida, a exposição dessas áreas não-verbais acontece somente quando estamos diante de uma pessoa - ou pessoas - em quem confiamos. Ao contrário, nosso comportamento instintivo é nos fecharmos com posturas defensivas (braços cruzados, e outras posturas betas).


Josephine Langford, em alguns momentos expões o pescoço. Também podemos ver a exposição da região vital, mais especificamente, no pulso direito. Ambas as exposições são feitas em direção ao jovem ator.

Sorriso de felicidade:

De acordo com Allan Pease, o sorriso é um sinal positivo de bem-estar. Nos contatos interpessoais, o ato de sorrir é indício de que a relação é boa e que está envolta a sensações agradáveis.
As emoções que sentimos são expressas na nossa face, através de expressões faciais. O psicólogo americano e grande estudioso das emoções na face, Paul Ekman, em meados da década de 60, através de estudos descobriu que existem emoções universais e que essas emoções são expressas pela face humana. As emoções são: felicidade, tristeza, medo, raiva nojo, surpresa e desprezo.
Cada uma dessas emoções é expressa na face por meio de unidades de ações musculares, que conjugadas formam determinada emoção. Essa emoção é apresentada na face por meio da contração dos músculos “zigomático maior”, que é responsável pelo estiramento a partir do ângulo da boca para trás e para cima e a contração do músculo “orbicularis oculi”, responsável pelo levantamento das bochechas e pela formação dos populares “pés de galinha”.
Sendo a felicidade uma emoção positiva relacionada ao bem-estar e que provoca boas sensações nas pessoas que a experimentam, é praticamente impossível essa emoção ser expressa na presença de uma pessoa com a qual não temos o mínimo de empatia e sentimentos positivos.



Josephine Langford em diversos momentos realiza sorrisos genuínos direcionados ao ator Hero Fiennes-Tiffin.


SUMÁRIO: Devido aos elementos citados acima (proximidade física, "espelhamento", troca de olhares duradouras, abertura corporal e o sorriso de felicidade), podemos concluir que diante das análises realizadas em vídeos e fotos conclui-se com alto grau de certeza que os atores Josephine Langford e Hero Fiennes-Tiffin nutrem, entre si, empatia, conexão e sentimentos positivos acima da média.
Assim fica praticamente excluída a possibilidade dos atores não terem empatia um para com o outro.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Análise do Discurso [Statement Analysis]: Carta de suicídio deixada pelo ator Flávio Migliaccio. O que está nas entrelinhas?

Recentemente o ator Flávio Migliaccio foi encontrado morto, aos 85 anos, no sítio onde morava em Rio Bonito, no Rio de janeiro. A morte do ator foi confirmada como suicídio, pelo Boletim de Ocorrência.
O ator, antes de suicidar-se deixou uma carta, que foi aberta ao público pelo seu único filho.
Analisaremos o que está escrito nesta carta através da técnica de Statement Analysis (Análise de Declaração), aonde através das palavras faladas e escritas, como no caso, é possível identificar informações ocultas, informações ausentes, dissimulações e outras detecções.


Declaração:

"Me desculpe, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos, como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora... Num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje."

Análise:


"Me desculpe, mas não deu mais..."

I - A palavra "me desculpe" logo no começo, indica sentimento de culpa racionalizado, pois vem antes da conjunção "mas". Ser racionalizado significa que não é sentido como deve.

II - Uso da conjunção "mas".
De acordo com estudos de Statement Analysis, o "mas" tem a função de refutar ou minimizar, por comparação, o que lhe precede. Ou seja, o que é escrito (ou falado) após o "mas" é mais importante para o agente do que o que precede.
Apesar do sentimento de culpa que o ator sente, para ele é mais importante dizer que "não deu mais", do que pedir desculpas.

III - Conjugação verbal no Pretérito Perfeito.
Apesar do ator, obviamente ter escrito essa carta enquanto ainda estava vivo, nesse trecho, ele conjuga o verbo no Pretérito Perfeito ("não DEU mais").
Essa conjugação, nesse contexto, indica a antecipação do desejo de não existir mais, de se considerar não vivendo mais neste mundo, de ser passado. Não existe mais qualquer resquício, por minimo que seja, de continuar vivendo.
Esse é um ponto muito interessante, de ser falado. Algumas cartas de suicídio encontram-se com tempos verbais no Presente do Indicativo, o que mostra que apesar de haver o desejo de ceifar a própria vida, há um resquício mínimo de vontade de continuar vivendo, pois a pessoa ainda se vê neste mundo.


"A velhice neste país é o caos, como tudo aqui"

I - Uso do artigo definido "o"
Na Análise de Declaração os artigos, por serem elementos instintivos, são de extrema valiosidade na declaração.
Aqui, o ator optou por usar o artigo definido "o", ao invés de um indefinido (Ele poderia dizer que a velhice neste país é um caos).
O fato dele ter usado esse tipo de artigo, indica que ele vivenciou a velhice como tendo um tratamento negativo pelo país.
Para ele, a velhice não é um caos qualquer, é O caos.


"A humanidade não deu certo"

I - Uso do Pretérito Perfeito
Novamente vemos que aqui o ator segue não se considerando mais viver nesse mundo. Já houve uma conclusão interna do fracasso da humanidade.
Para pessoas que ainda se consideram fazendo parte dessa humanidade, é adotada a conjugação no gerúndio ("A humanidade não ESTÁ DANDO certo"). Aqui é demonstrado, pelo agente, um reconhecimento que o fato de dar certo é um processo que ainda está acontecendo. Não há ainda uma conclusão.


"Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora..."

I - Uso do pronome pessoal "eu"
De acordo com ensinamentos de Mark McClish os pronomes são considerados, assim como os artigos, elementos de grande valiosidade para o discurso, pois o agente se coloca no contexto descrito. Não há fugas.

II - Tempo verbal conjugado no Pretérito Perfeito.
Até o presente momento, todas as conjugações foram neste tempo verbal, indicando sempre que ele já não se considerava mais vivendo neste mundo, antes mesmo de se matar.

III - Uso da palavra "impressão"
De acordo com Mark McClish, essa palavra é considerada uma assertividade fraca, pois ela não imprime uma certeza.

IV - Uso de reticências ao final do trecho
De acordo com estudos de Statement Analysis, o recurso das reticências indicam que existe mais coisa a ser falada. Representa uma omissão.
A reticências combinada com uma palavra que indica incerteza, demonstra que o ator sabia que durante os 85 anos ele realizou coisas importantes que foram bem positivas para ele.


"E com esse tipo de gente que acabei encontrando"

I - Palavras que representam emoções
Existem expressões que quando são verbalizadas ou escritas, conseguimos identificar a emoção que o agente sente pelas pessoas citadas.
A expressão "tipo de gente" tem em seu significado uma emoção intrínseca de desprezo pela "gente" citada.

II - Uso de linguagem passiva
O uso de verbos auxiliares ("acabei encontrando") é considerado para a Análise de Declaração uma linguagem passiva, pois o agente é quem está sofrendo a ação. Diferente de dizer que "encontrou" (linguagem ativa)
De acordo com os ensinamentos de Statement Analysis, neste contexto, o uso de uma linguagem passiva indica que alguma informação, alguma identidade e/ou uma responsabilidade está sendo omitida.
Por ser uma linguagem passiva, também é possível acrescentar que, por ele ter sofrido a ação, esse encontro foi alheio à sua vontade.
Podemos concluir que o ator não quer citar quem foi, ou quem foram, os responsáveis por ele se sentir em um estado negativo, que culminou em seu suicídio.

III - Alteração na estrutura do tempo verbal
Pela primeira vez, durante a carta, o ator altera o tempo verbal do Pretérito Perfeito para o um verbo auxiliar seguido de gerúndio.
Como dito anteriormente, "Encontrei" não é a mesma coisa que "acabei encontrando", sob o prisma do Statement Analysis.
Essa alteração foge da linha de base verbal do contexto, o que pode confirmar a omissão citada acima.


"Cuidem das crianças de hoje"

I - Período vago com omissões
Esse trecho levanta algumas questões que não foram expressamente respondidas, como: "Cuidar como?", "Cuidar por que?", etc.
É comum em algumas cartas de suicídio, ao final, fazer um pedido para quem vai ler; ou às vezes, algum agradecimento.


SUMÁRIO: A análise da carta suicida escrita pelo ator Flávio Migliaccio demonstra que ele já não se considerava mais fazendo parte deste mundo. Não havia nenhum resquício de possibilidade dele querer viver mais.
Ele cita a velhice e a humanidade como sendo os pontos negativos e principais por ele ter cometido esse ato contra si próprio.
A afirmação de que foram 85 anos jogados fora vem com elemento de dúvida. Isso significa que apesar ele afirmar isso, ele sabe que durante esse tempo ele fez coisas importantes e que ficarão presentes.
Ele afirma, através de uma linguagem passiva, que foi determinado "tipo de gente" contribuiu para esse contexto de suicídio, mas ele omite quem faz parte desse grupo de pessoas e suas responsabilidades.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Análise não-verbal: Gabriela Pugliesi pede desculpas por desrespeito à quarentena. Pedido de desculpas sincero?

Recentemente a influencer digital Gabriela Pugliesi publicou em suas redes sociais vídeos demonstrando que estava participando de uma festa em meio à quarentena do coronavírus.
Esse comportamento foi muito criticado pelos seus seguidores e não seguidores.
Segundos essas pessoas, o fato dela participar de uma festa em um período tão turbulento mundialmente, aonde a ordem principal é todos ficarem em casa de quarentena para evitar que o vírus se espalhe, é um desrespeito ao momento que está sendo vivido.
Após esse vídeo vazar na internet, e após Gabriela Pugliesi perder vários patrocinadores, a mesma gravou em seu Instagram um pedido de desculpas por sua atitude.
Será que esse pedido de desculpas foi sincero? O que sua linguagem corporal pode nos dizer?

Vamos à análise:

Em 0:02, no momento em que Gabriela pede desculpas, ela realiza um gesto com as mãos se entrelaçando. Segundo o antropólogo Desmond Morris, esse gesto indica suplica, proteção. Sendo, portanto, um "gesto ilustrador" de categoria beta (submissão)
O que é interessante de observar nesse trecho, é que, ao mesmo tempo em que ela realiza esse gesto mostrando submissão, sua cabeça está projetada em um ângulo acima de 90 graus. Esse posicionamento, vulgarmente chamado de "nariz empinado", indica um estado emocional de superioridade, arrogância, dominância excessiva.
Podemos dizer que os gestos são incongruentes entre si - enquanto as mãos projetam submissão, a cabeça indica arrogância e dominância.
Segundo Jack Brown, o pedido de desculpas é um contexto que deve ser exclusivamente submisso, pois o agente está em uma posição de vulnerabilidade, em razão do comportamento que levou ao pedido.
Tendo, Gabriela exibido um sinal de dominância, podemos dizer que há incongruência gestual-contextual.

Em 0:04, no momento em que começa a contar o que aconteceu, podemos ver uma elevação consistente, de ambos os ombros e .
Esse movimento é chamado de "Turtle Effect", e demonstra uma intenção do agente em se proteger do acontecimento. Ele é realizado quando o agente experiencia desconforto, medo. Tem esse nome como uma referência ao gesto que a tartaruga faz diante, também, de uma situação de medo e desconforto, no qual ela se esconde no casco.

A partir de 0:04, Gabriela Pugliesi diz: "Ontem eu juntei meia dúzia de amigos aqui em casa, a gente pediu comida, a gente bebeu; eu me passei, postei, falei besteira. Enfim, eu tô extremamente arrependida, tô mal comigo mesma..."
No momento em que ela diz "me passei, postei, falei besteira", sob o prisma da Análise de Declaração (Statement Analysis), houve uma quebra da cronologia temporal dos fatos.
Gabriela Pugliesi ordena os acontecimentos como: 1º. Ela se passou; 2º. Postou e 3º. Falou besteira. Para quem viu o vídeo do fato, o que realmente aconteceu foi que a Influencer, em primeiro lugar, "se passou", depois ela falou besteira e em seguida postou.
A troca da ordem cronológica, por mais simples que seja, segundo Mark McClish, indica um discurso incongruente, que pode indicar desonestidade ou, como no contexto, falta de comprometimento emocional.
Além disso, podemos perceber que a fluidez de seu discurso é consistente com uma declaração racional (não sentida).
Nos discursos racionais, planejados, devido a uma intenção de convencimento e manipulação, geralmente algumas sílabas são um pouco mais prolongadas, em comparação a um discurso mais natural, mais emocional. Essa alteração na estrutura paralinguística pode ser observada da seguinte forma: "Ontem eu juntei meia dúzia de amigos aqui em caaasa, a gente pediu comiiida, a gente bebeeeu; eu me passeeei, posteeei, falei besteeeeira..".

[Discursos emocionais, nesse contexto, sustentam sua credibilidade por si só; os discursos mais racionais, as vezes precisam de alguns elementos de convencimento para alcançar a credibilidade necessária]

Ao final desse trecho, ela faz a conexão entre os períodos verbais com o advérbio "enfim". De acordo com Mark McClish, esse advérbio pode indicar resignação - que é a sujeição ao desejo de outra pessoa.
Diante de todos os elementos vistos nesse trecho, podemos dizer que há um forte indício dessa declaração ser racional. O arrependimento aconteceu porque ela TEM QUE pedir, e não porque DESEJA pedir.

Em 0:19, a Influencer diz: "Eu quero pedir desculpas"
Aqui podemos ver uma microexpressão de medo devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não sabemos exatamente qual foi o fato gerador da emoção de medo, mas uma possibilidade de refere a repercussão negativa que o fato teve.

Em 0:22, após dizer "Não é pra juntar gente em casa", novamente podemos ver uma microexpressão de medo, dessa vez peal elevação das sobrancelhas em sua porção interna e externa, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:38, Gabriela diz: "Eu tenho que ter responsabilidade"
Nesse momento ela realiza um "gesto pacificador" de passar a mão na região lateral do pescoço e na nuca. Juntamente podemos ver também uma expressão de medo pela elevação das partes internas e externas das sobrancelhas, aumento das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.
Como já sabemos, "gestos pacificadores" são aqueles que consistem em realizar auto-toques com a intenção de se acalmar diante de um estado de ansiedade, nervosismo. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a ansiedade é um estado emocional que PODE acontecer quando se está sendo desonesto.
O especialista em linguagem corporal, Jack Brown, através de observações, percebeu que a área da cabeça em que o gesto manipulador acontece pode nos dar indícios se a ansiedade experienciada tem uma alta ou baixa relação com a desonestidade. Segundo ele, quando o gesto manipulador acontece na região lateral do pescoço e nuca indicam, o que ele chama de "Ansiedade-Honesta", ou seja, tem pouca relação com uma desonestidade.

[É importante dizer que Jack Brown usou bases empíricas para chegar a essa conclusão, sendo assim, não podemos usar essa informação como um padrão, como uma verdade absoluta. O contexto deve sempre ser analisado]

Tendo em vista o contexto em que se apresenta, quando Gabriela Pugliesi passa mão na região lateral do pescoço e da nuca, podemos dizer que ela está ansiosa e nervosa por não ter tido um comportamento responsável.
No campo verbal, de acordo com a PNL, "Eu tenho que..." constitui um "Operador Modal de Necessidade". Adaptando esse conceito da PNL para a Análise de Declaração, é possível concluir que Gabriela Pugliesi se sente na obrigação de ser responsável. Ter essa obrigação, não necessariamente expressa uma vontade. As obrigações estabelecem regras quanto o que é necessário e apropriado. Não são flexíveis.
Aqui, a Influencer está afirmando que ela tem responsabilidade porque ela tem essa obrigação, e não necessariamente porque ela é assim.

[Quando o discurso está pautado em um "Operador Modal de Necessidade", quando os deslizes comportamentais acontecem, tendem a existir sinais mais fortes de ansiedade, pois a pessoa tende a se cobrar demais, tendo em vista que ela não é assim, apenas TEM QUE  ser.]

Em 0:43, ainda enquanto se refere às responsabilidades que tem diante das coisas que fala, Gabriela Pugliesi realiza um gesto chamado "Tongue Jut", que consiste em passar a língua nos lábios. Esse gesto indica ansiedade. De acordo com o especialista em linguagem corporal Joe Navarro, esse gesto, de uma forma mais específica é um sinal de auto-incriminação. Como se o corpo dissesse "fiz besteira".

Em 0:45, a Influencer diz: "Eu queria pedir desculpas do fuuundo do meu coração"
Mais uma vez aqui vemos um prolongamento verbal na palavra "fundo". De acordo com Mark McCLish os prolongamentos são desnecessários em discursos. Sua única função é manipular, aumentando a intensidade da credibilidade.
Juntamente ela realiza o gesto de fechar os olhos chamado de "Eye Shielding". De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, esse gesto indica desejo de não-visualização diante de um estímulo negativo. Nesse contexto da análise, ele pode ser interpretado também como um agravador. Ela está tentando aumentar a intensidade de sua fala para tornar mais crível.


SUMÁRIO: A influencer digital Gabriela Pugliesi apresenta, majoritariamente emoções de medo; e ansiedade pelo acontecido..
Ela apresenta comportamento auto-incriminador. Sabe que errou.
O pedido de desculpas é um contexto completamente emocional, porém, a influencer apresenta sinais que constituem racionalidade e superioridade no pedido. Essa incongruência mostra que o pedido de desculpas não está sendo sentido. Em outras palavras, há alta probabilidade do pedido de desculpas não ter sido feito por ter ferido, de alguma forma, à sociedade; mas sim por ter sido profissionalmente prejudicada.
De tudo isso, podemos concluir que ela sabe que errou, mas pede desculpas apenas porque não quer se prejudicar mais do que já se prejudicou.
Foi observado que Pugliesi se cobra em ser responsável. O que, pode ser congruente com sua profissão.

sábado, 25 de abril de 2020

Análise não-verbal: Sérgio Moro faz acusações contra o Presidente Bolsonaro. Há veracidade? Quais as emoções envolvidas?

Recentemente, o atual ex-Ministro da Justiça Sérgio Moro pede demissão, após ter ficado mais de 1 ano no cargo.
Segundo a Imprensa, o ex-Ministro tomou essa decisão após a exoneração do diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, pelo Presidente Jair Bolsonaro. Valeixo tinha sido indicado para o cargo pelo próprio Sérgio Moro.
Sérgio Moro fez um pronunciamento à Imprensa no qual anunciou a saída do Governo e fez algumas acusações contra o Presidente Jair Bolsonaro.
O que a Linguagem Corporal de Sérgio Moro pode nos mostrar?

Vamos á análise:

Em 0:15, Moro diz: "Foi me prometido, na ocasião, carta branca"
Nesse momento Sérgio Moro exibe uma expressão facial de medo, devido a elevação da parte interna e externa das sobrancelhas, contração no corrugador, elevação das pálpebras superiores e um sutil estiramento horizontal dos lábios.
Nem sempre é possível identificar o fato gerador dessa emoção, apenas que a emoção está sendo experienciada.

Em 0:29, enquanto ainda fala da carta branca que recebeu do Presidente para nomear todos os assessores da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal, o ex-Ministro exibe uma expressão de raiva. Nesse caso, a raiva está sendo exibida na face através das contrações do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), tensão nas pálpebras inferiores, pressão dos lábios e tensão na mandíbula.
De acordo com Paul Ekman, um dos gatilhos da emoção de raiva é a injustiça. Ou seja, quando um a gente se sente injustiçado por algum motivo, é comum observarmos a raiva em sua face.

Em 0:34, podemos ouvir uma expirada profunda do ex-Ministro Sérgio Moro.
Essa expirada mais estendida é um indicativo de se aliviar de uma situação estressante. É como se o corpo, através da expirada eliminasse o estresse, ansiedade.
Esse sinal não-verbal acontece no momento em que ele está falando sobre a troca do Diretor-Geral da Polícia Federal

Em 0:47, o ex-Ministro Sérgio Moro exibe uma expressão de raiva, devido a contração no músculo do corrugador, tensionamento nas pálpebras inferiores e pressão nos lábios.

Em 0:51 - 0:52, Sérgio Moro engole em seco ao dizer que a troca do Diretor-Geral da Polícia Federal seria feita somente se houvesse uma insuficiência de desempenho ou um erro grave.
Esse comportamento está ligado ao estresse e tensão. Quando experienciamos esses estados emocionais, devido a liberação de alguns hormônios, a boca tende a fica mais seca que o normal, fazendo-se necessário um esforço maior para engolir afim de lubrificar a região da garganta.
Provavelmente, a tensão e o estresse estão ligados ao fato do Diretor-Geral ter sido demitido sem ter tido esses motivos.

A partir de 1:12, Sérgio Moro diz: "Tem outros bons nomes para assumir o cargo de Diretor-Geral da polícia Federal, né?"
Durante esse trecho ele realiza um gesto chamado de "Tongue Jut" que consiste em projetar a língua para fora da boca.
De acordo com o especialista em linguagem corporal Joe Navarro, esse gesto indica ansiedade com o que está dizendo.
Analisando o contexto, essa ansiedade não é congruente com tal afirmação.
Devemos nos perguntar: "Por que Sérgio Moro está se sentindo ansioso ao fazer uma afirmação, simples de ser feita"
De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal, essa incongruência pode ser sinal de desonestidade.
Sérgio Moro termina esse trecho com o advérbio "né?". De acordo com estudos de Statement Analysis, terminar com uma pergunta indica dúvida, pois transfere a confirmação do que disse para os interlocutores.
Sérgio Moro não acredita que existem outros bons nomes para assumir o cargo

Em 1:27, ao falar que essa troca no cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal seria uma violação à carta branca que foi dada ao ex-Ministro, podemos ver um sutil desvio de cabeça para seu lado esquerdo.
Esse desvio indica distanciamento. O distanciamento não-verbal acontece quando estamos diante de uma informação da qual não gostamos, não acreditamos ou não confiamos.
Esse movimento está diretamente ligado à violação da carta branca dada pelo Presidente.

Em 1:42, ao verbalizar "interferência política", podemos perceber que sua voz fica trêmula.
De acordo com estudos da Paralinguagem, voz trêmula é um forte indicativo de estresse e ansiedade.
Esses estados emocionais causam um tensionamento na região da garganta, fazendo com que haja essa alteração vocal.

A partir de 1:48, Sérgio Moro diz: "E o problema é que nas conversas com o Presidente, e isso ele me disse expressamente, que não é só troca do Diretor-Geral. Haveria também intenção de trocar Superintendentes..."
Durante esse trecho podemos notar um aumento nas piscadas. O aumento das piscadas está ligado a ansiedade.

A partir de 2:06, o ex-Ministro diz: "Ontem.. eu conversei com o Presidente, houve essa insistência do Presidente. Falei ao Presidente que seria uma interferência política. Ele disse que... seria mesmo"
Logo no começo, podemos ver que o ex-Ministro Moro demonstra a emoção de desprezo, devido a contração do músculo do bucinador, de formam ais evidente em seu lado esquerdo.
Durante esse trecho podemo ver um aumento significativo do número de piscadas, indicando ansiedade.

Em 2:16, ainda referente ao trecho anterior, no momento em que ele afirma que o Presidente disse "seria mesmo", ele exibe um conjunto gestual muito interessante.
Podemos ver contração no corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), olhos fechados ("Eye Shielding"), elevação do queixo + queda dos cantos da boca e movimento das mãos em supinação
De acordo com estudos da Comunicação Não-Verbal, o conjunto não-verbal constituído pela contração do corrugador + elevação do queixo + queda dos cantos da boca conjugado com o movimento das mãos em supinação (giro das mãos lateralmente) é um sinal de discordância de pensamentos.
Os olhos fechados funcionam como um potencializador dessa discordância.
Adaptando ao contexto, essa discordância se refere ao fato de Sérgio Moro não concordar com a interferência política.

Em 2:19, ao final desse trecho, podemos ver que o ex-Ministro moro exibe a expressão de raiva devido a pressão nos lábios.

Em 2:22, novamente vemos a expressão de raiva, devido a pressão nos lábios. Dessa vez ela está conjugada com uma expressão de desprezo, devido a contração no bucinador (músculo localizado no canto dos lábios e responsável pela retração dos lábios e estreitamento das comissuras)

Em 2:31, ao dizer que o Presidente queria ter alguém de confiança no cargo para ter acesso às informações e aos relatório de inteligência, o ex-Ministro exibe mais uma vez a expressão de raiva, principalmente, devido a contração do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas) e tensão nas pálpebras inferiores

Em 2:46, diz: "... E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações tem que ser preservadas"
Enquanto verbaliza "papel da Polícia Federal" podemos ver uma elevação do volume da sua voz, juntamente com tensionamento no corrugador e afinamento dos lábios; e uma expressão de desprezo [foto acima].
De acordo com a Paralinguagem, o aumento no volume da voz está ligado ao desejo de chamar atenção e ser mais incisivo no que está a falar.
A raiva e o desprezo demonstram como Sérgio Moro se sente devido a discordância de ideias.

Em 3:00 podemos ver mais uma expressão de desprezo conjugada com a expressão de raiva.
A raiva é observada devido a contração do corrugador, tensionamento dos lábios.
O desprezo é observado pela contração do músculo do bucinador em seu lado esquerdo.

A partir de 3:54, o ex-Ministro diz: "A exoneração que foi publicada... ééé... eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial. Eu não assinei esse decreto..."
Aqui notamos agregadores verbais ("ééé") que indicam que Moro está pensando no que vai falar a seguir.
Ao dizer que ficou sabendo pelo Diário Oficial, podemos ver um leve desalinhamento de sua cabeça para sua esquerda. Esse movimento está ligado à intenção de distanciamento. De acordo com o contexto, ele está se distanciando do fato de ter sabido previamente da exoneração.
No momento em que diz: "Eu não assinei esse decreto" podemos observar um gesto de cabeça chamado por Jack Brown de "Head Wiggle", que consiste em movimentos, de alta frequência, com a de um lado para outro [É necessário assistir ao vídeo, nesse trecho, para entender o movimento feito]. Essa movimentação indica confiança e assertividade no que está falando.
Nesse trecho há congruência e honestidade

Em 4:17, Moro diz: "Sinceramente, fui surpreendido" [ao se referir à exoneração]
De acordo com estudos de Statement Analysis, a utilização do advérbio "sinceramente", nesse contexto, pode ser considerado uma palavra desnecessária. Ou seja, sua presença no discurso não altera o sentido. Segundo Mark McClish, o uso de palavras desnecessárias podem ter a intenção de reforçar um pensamento. Na maioria dos casos, o reforço indica tentativa de convencimento. Quando um discurso é completamente honesto, não há necessidades de reforços; ele por si só se sustenta.
O uso desse advérbio nesse contexto pode indicar que Moro provavelmente já fazia ideia, em algum grau, de que haveria tal exoneração.
Ao dizer que foi surpreendido, ele exibe uma expressão composta. Aqui vemos tristeza (em primeiro plano) juntamente com medo - pelas contrações do corrugador, elevação da parte interna da sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e queda das extremidades da boca.
De acordo com alguns autores, a composição dessas duas emoções indicam um sentimento de choque, irritação [foto acima]

A partir de 4:33, o ex-Ministro diz: "Pra mim esse último ato, também, é uma sinalização de que... o Presidente me quer, realmente, fora do cargo. Não me quer presente aqui dentro do cargo"
Sérgio Moro realiza uma pausa desnecessária ("de que... o Presidente"). De acordo com estudos de Statement Analysis, a pausa desnecessária é um recurso usado pelo agente para ganhar tempo e pensar no que falará em seguida.
Ao confirmar que o presidente o quer fora do cargo, ele realiza um movimento de elevação unilateral com seu ombro esquerdo ("Shoulder Shrug"). Esse gesto é considerado um "emblema parcial", e, segundo alguns autores como Jack Brown, esse gesto pode indicar impotência [como se o corpo tivesse dizendo: "se o Presidente quis isso, o que eu posso fazer?"]
No final, ao dizer: "Não me quer presente aqui dentro do cargo" percebemos que existe uma queda em seu volume vocal. Essa diminuição está ligado a um estado emocional negativo, mais ligado a tristeza, vergonha. Pode ser visto também como um indicativo de submissão.

A partir de 4:48, Sérgio Moro diz: "Eu não tinha como aceitar essa substituição.."
Nesse momento ele emite desprezo, pela contração do músculo do bucinador, na extremidade esquerda do canto da boca.

A partir de 4:53, Moro diz: "Há uma questão envolvida do meu... também da minha biografia como juiz; em respeito à lei, ao Estado de Direito..."
Ao falar da sua biografia como juiz, ele ponta para ele mesmo. De acordo com Jack Brown, o gesto de apontar para si mesmo com a ponta dos dedos é um indicativo de assertividade, confiança, de congruência com as suas convicções.


SUMÁRIO: As emoções predominantes no ex-Ministro Sérgio Moro são raiva e desprezo. Bem como medo.
Um dos gatilhos da emoção de raiva é a injustiça. Diante disso, podemos afirmar que Sérgio Moro se sente injustiçado pela perda de seu cargo e por não receber a "carta branca" inicialmente prometida pelo Presidente Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro apresenta ansiedade e desprezo ao falar da interferência política na Polícia Federal. Ele não concorda com essa interferência.
O ex-Ministro é sincero quando diz que não sabia da exoneração do cargo, apesar de que já tinha ess suspeita É sincero também quando diz que não assinou o decreto.
Existe emoção de tristeza com medo ao falar da exoneração do Diretor Geral da Polícia Federal. Bem como, ele acredita que não haverá ninguém melhor para a substituição no cargo.
O ex-Ministro também experiencia emoções negativas ao falar da sua saída do Ministério.
Há um forte indício de congruência nas denúncias feitas pelo ex-Ministro Sérgio Moro