domingo, 28 de junho de 2020

Análise não-verbal: Tiago Ramos, ex-namorado da mãe de Neymar falando sobre polêmicas. Veracidade?


Após uma série de polêmicas envolvendo o seu nome, o modelo Tiago Ramos veio à público através de seu Instagram para falar sobre os acontecimentos.
Enquanto ele se relacionava com Nadine, mãe do jogador Neymar, seu nome foi vinculado a uma série de fatos polêmicos, que vão desde omissões em relação a sua sexualidade, relações promíscuas e até agressões contra ex-namorados e ex-namoradas. Mediante a descoberta de tantas informações, o relacionamento entre o modelo e a mãe do jogador Neymar teria chegado ao fim.
Mais um capítulo desse conturbado caso foi escrito quando o modelo feriu o braço após dar um soco em uma vidraça no apartamento em que estava, com a até então namorada, Nadine. Ele teria levado alguns pontos no braço devido ao incidente. Segundo informações, alguns vizinhos relatam terem ouvido gritos vindos da cobertura aonde mora Nadine, sinalizando uma discussão entre o casal. Tiago e Nadine forma até a delegacia depor sobre o caso.
Todos esses acontecimentos fizeram com que a mídia se inclinasse à acreditar que Tiago só estava junto de Nadine para se promover.
Após tudo isso, o jogador Neymar também se viu envolvido neste caso. Um áudio supostamente gravado pelo jogador, em que ele xinga com adjetivos, frases preconceituosas e homofóbicas Tiago Ramos, foi denunciado ao Ministério Público. Acredita-se que Tiago foi o responsável pelas denúncias
No vídeo gravado por Tiago, este nega que tenha feito a denúncia contra Neymar, nega qualquer tipo de agressão, dentre outras coisas. 
O que será que sua Linguagem Corporal tem a nos dizer sobre tudo isso?

Vamos à análise

A partir de 0:02, Tiago diz: "Tô muito triste, muito sati... chateado com essa situação"
Ao dizer que está muito triste e muito sati... chateado, vemos uma contração na parte interna das sobrancelhas que está presente na emoção de tristeza, porém, alguns elementos nos dizem que essa tristeza emitida não é genuína
O primeiro deles é a assimetria. Podemos notar que o movimento com a sobrancelha direita não está simétrico em relação ao movimento com a sobrancelha esquerda. Além disso há uma alta intensidade de arranque, ou seja, a contração facial chega ao seu ápice bruscamente, não havendo uma crescente dessa ação muscular. De acordo com Paul Ekman, ambos os elementos são indicativos de uma emoção falsa.
De acordo com estudos de Statement Analysis, nesse trecho podemos observar que houve o chamado "Ato Falho" (também chamado de "Palavra Riscada"), que acontece quando o agente começa a falar uma palavra, de forma inconsciente, e no meio de sua verbalização, ao se dar conta que vai cometer um erro, ele muda para outra palavra mais consciente.
Reparem que Tiago, provavelmente iria dizer a palavra "satisfeito", mas no meio da verbalização, mudou para chateado.
Além desse elemento verbal, podemos notar o chamado "eufemismo", que acontece quando existe a intenção de diminuir, suavizar ou minimizar o peso emocional de determinada palavra. Ele usa a palavra "chateado" para nominalizar toda a situação polêmica e negativa pela qual ele tá passando. O uso desse recurso de minimização não é congruente com um padrão verbal nesse contexto.
Podemos notar que Tiago usa um distanciamento verbal ao se referir a polêmica como "essa situação". Ao invés de especificar a situação na qual ele está envolvido, ele prefere generalizar. Esse distanciamento é incongruente em um contexto de explicação, e afirmação de inocência.

Ao final desse trecho (0:05), ele realiza um gesto chamado de "Tongue Jut", que consiste em passar a língua nos lábios. De uma forma geral, indica ansiedade.
Segundo Jack Brown, esse gesto é um forte indício de auto-incriminação ("Eu fiz algo errado"). O auto Joe Navarro cita esse gesto como feito com a intenção de demonstrar que deseja ser evasivo ("Eu quero escapar ileso")

A partir de 0:05, ele diz: "Então eu venho aqui gravar esse vídeo para esclarecer todas essas notícias mentirosas que vem sendo publicada na imprensa"
Ao falar "TODAS", vemos uma elevação assimétrica de sua sobrancelha direita. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, essa elevação assimétrica é chamada de "Skeptical Eyebrow" e indica dúvida, ceticismo em relação ao que está sendo falado.
A dúvida pode se referir a falta de veracidade das notícias ou ao fato de que ele vai esclarecer todas elas. Essa dúvida pode ser vista como uma alta probabilidade de desonestidade, por ele duvida do que está falando.

Ao final desse trecho (0:11), vemos que existe uma pressão nos lábios, juntamente a isso, uma sutil elevação bilateral dos cantos dos lábios.
A elevação bilateral com a pressão nos lábios, pode ser um indicador de sorriso suprimido. Além disso, existe a hipótese de estarmos diante do chamado "Duping Delight", que segundo Paul Ekman é o sorriso do manipulador. Constitui "Duping Delight" o sorriso de satisfação emitido pelo agente quando ele percebe que está conseguindo manipular, e ser crível no que está falando. Há, portanto, desonestidade.

A partir de 0:13, Tiago Ramos diz: "Bom, eu tentei de todas as maneiras me [pausa desnecessária]... me preservar sobre o assunto..."
Ao verbalizar a palavra "tentei", podemos perceber que existe um afastamento de cabeça para trás. Esse movimento indica a intenção de distanciamento, fuga da situação. Devemos ter em mente que em um contexto de inocência, um movimento de distanciamento mostra incongruência. (o recorte acima procura demonstrar o movimento de afastamento em câmera lenta)
De acordo com Mark McClish, a pausa desnecessária é um recurso utilizado quando a pessoa precisa ganhar tempo na resposta para pensar o que vai ser dito em seguida. Há quebra de fluidez do discurso

Durante a pausa desnecessária, ele realiza novamente o gesto de passa a língua nos lábios ("Tongue Jut"), indicando ansiedade; e em um nível mais específico, demonstra auto-incriminação e fuga

Em 0:21, novamente o gesto de passar a língua nos lábios ("Tongue Jut").
Aqui observamos o mesmo indício de fuga, ansiedade.
Tiago demonstra que sua intenção real era fugir de toda essa situação

A partir de 0:22, Tiago diz: "Eu quero deixar uma coisa bem clara... ééé... em nenhum momento fui a delegacia prestar qualquer tipo de Boletim de Ocorrência contra o Neymar..."
Utilização de agregadores verbais (...ééé...). Esse recurso é parecido com a pausa desnecessária. Indica a intenção de ganhar tempo para pensar no que falará em seguida. Nesse contexto, é incongruente
Durante a utilização dos agregadores, podemos ver que Tiago direciona seu olhar horizontalmente para a esquerda. De acordo com a PNL, esse movimento ocular acessa áreas do cérebro responsáveis pelas lembranças auditivas. O que pode nos indicar que ele está lembrando do que foi falado, talvez na delegacia.
Juntamente vemos em sua face a expressão de medo, pela elevação sutil das pálpebras superiores e o estiramento horizontal dos lábios.
O final desse trecho podemos notar uma alteração em seu fluxo respiratório. O que indica ansiedade e nervosismo.

Em 0:33, enquanto ele ainda continua negando que tenha ido a delegacia prestar B.O contra o Neymar, essa alteração cardio-respiratória fica bem evidente.

Em 0:35, vemos a expressão de desprezo em sua face, devido a contração do bucinador em seu lado direito ao dizer que entende o que o Neymar disse a respeito dele.

Em 0:40 vemos um conjunto de sinais interessantes, realizados praticamente ao mesmo tempo.
Primeiro ele passa a língua nos lábios ("Tongue Jut"), o que indica ansiedade, desejo de fuga.
Logo após podemos perceber, através do ar em sua voz, que existe uma alteração em sua respiração, indicando ansiedade e tensão
Por último vemos novamente uma expressão de medo, novamente representada pela elevação das pálpebras superiores e o estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:43, Tiago diz: "Então, jamais fiz isso [ir a delegacia para denunciar o Neymar]".
De acordo com Mark McClish, os advérbios "jamais" e "nunca" não são considerados negações quando existe referência de tempo. São vagos.
Quando o ponto da questão é direcionado a um evento específico em um tempo específico, "nunca" e "jamais" se tornam sem validade em um discurso.
Tendo em vista que a suporta ida de Tiago à delegacia aconteceu em uma data específica, o "jamais" demonstra uma incongruência. Logo, uma possível desonestidade

A partir de 0:45, Tiago diz: "Eu e a Nadine fomos sim à delegacia...ééé... esclarecer todo o acontecido, e deixar bem claro que não houve qualquer tipo de agressão, tá bom?"
Ao dizer "fomos sim", ele toca seu peito com a mão espalmada. Esse gesto indica auto-referência, ou seja, citar a si mesmo.
Deve-se haver sincronia entre os gestos e a fala. Ou seja, o gesto não-verbal que ilustra o verbal, deve acontecer no exato momento em que ocorre a verbalização, podendo ocorrer também antes, mas nunca depois. Em outras palavras, quando Tiago refere a si mesmo, o gesto de tocar no peito com a mão espalmada deve acontecer durante a verbalização do pronome "eu". Porém, vemos que ele realiza esse gesto de auto-referência no momento em que ele diz "fomos sim", logo, depois de se auto-referir. Dá-se o nome de "gestos mecânicos" quando são realizados fora de sincronia, e sua finalidade é manipular. Aqui, Thiago faz a auto-referência, e depois de forma consciente realiza o gesto para gerar mais credibilidade.

Ainda referente ao trecho, ao dizer: "... não houve qualquer tipo de agressão"
Nesse momento ele nega com a cabeça, porém, podemos observar que o ritmo da fala está diferente do ritmo em que o gesto é realizado.
O ritmo gestual está mais acelerado que o ritmo vocal.
Quando o não-verbal está discordante do verbal, estamos diante de uma incongruência.

A partir de 1:02, Tiago diz: "Espero que após esse vídeo vocês pensem um pouco antes de falar da gente porque isso tá me prejudicando bastante, profissionalmente; prejudicando a minha família; a família da Nadine, e... pô... já tá muito chato. Tá muito, muito, muito chato mesmo"
Ele se refere ao prejuízo profissional, e à família, como algo "muito chato". Eufemizar um prejuízo profissional e familiar pode ser visto como algo incongruente.
Quando de fato, a pessoa obtém um resultado negativo de uma situação, a ponto de prejudicar a família e o trabalho, não é algo comum ela adjetivar esse resultado com uma palavra como "chato". Tira-se a intensidade emocional negativa do acontecimento.
Essa incongruência demonstra que ele não sente tanto o resultado negativo, como deseja transmitir.
Logo após, percebemos que ele repede o advérbio "muito" três vezes ("muito, muito, muito chato")
De acordo com ensinamentos de Statement Analysis, a repetição de palavra de forma desnecessária, indica intensão de manipular e convencer.

A partir de 1:20, Tiago diz: "Eu e a Nadine, a gente não, não tem mais nada. A gente [pausa desnecessária] a gente é amigo. Mantemos nossa amizade, mas com caminhos diferentes [tongue jut], entendeu?."
A pausa desnecessária é um recurso para ganhar tempo e pensar no que vai ser falado. Forte indício de desonestidade.
Ao dizer "mantemos a nossa amizade", ele realiza um sutil gesto de negação com a cabeça. Há incongruência entre o verbal e o não-verbal. Logo, desonestidade.
Novamente ele realiza o gesto de passar a língua nos lábios ("Tongue Jut"), indicando ansiedade, fuga (foto acima)
Ele termina a afirmação com uma pergunta. De acordo com Mark McClish, terminar uma afirmação com uma pergunta indica dúvida, pois transfere a responsabilidade da certeza para os interlocutores.

Em 1:41, novamente vemos o "Tongue Jut" indicando ansiedade, fuga.
Aqui, juntamente com essa projeção da língua, ele fecha os olhos por mais tempo que de uma piscada normal. Esse gesto chamado de "Eye Shielding" indica não visualização do que está sendo falado.
Nesse contexto, o "Eye Shielding" funciona como um potencializador da ansiedade e fuga.


SUMÁRIO: Tiago Ramos exibe a emoção de medo ao falar sobre as polêmicas e tem o comportamento majoritário de ansiedade e desejo de fuga da situação. Há também a emoção de desprezo ao justificar a atitude de Neymar
Existem algumas incongruências e dúvidas durante o vídeo, e alta probabilidade de desonestidade ao negar que tenha feito um B.O contra Neymar, ao afirmar que continua amigo de Nadine e ao dizer que não houve agressão
Há também elementos de convencimento e manipulação, tanto no âmbito não-verbal quanto no verbal.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Análise não-verbal: Homem invade a Globo e faz uma repórter de refém. Linguagem corporal do negociador

Recentemente, um homem invadiu a emissora de televisão "Globo" e, com uma faca, fez uma repórter de refém.
Segundo informações, o invasor tinha como objetivo falar com a, também jornalista, Renata Vasconcellos, como não a achou, fez de refém a repórter Marina Araújo.
Diante do fato, a Polícia Militar foi chamada ao local. O Coronel Heitor Henrique Pereira conduziu toda a negociação, que terminou na liberação da refém e prisão do invasor
Como foi a linguagem corporal utilizada pelo Coronel para ser bem sucedido na negociação?

Por não termos acesso ao vídeo completo da negociação, vamos analisar o trecho encontrado.

Vamos à análise:

No começo do vídeo, o Coronel pede pra o invasor larga a faca e diz que vai se afastar.
Em 0:03, mesmo de costas, podemos ver o Coronel mostrando as palmas de suas mãos e se afastando.
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, mostrar as mãos indicar honestidade, confiança, que não tem nada a esconder.
Segundo o antropólogo Desmond Morris, esse gesto se origina da antiguidade, quando as pessoas, no início da interação, mostravam as mãos para demonstrar que não carregavam armas - a interação poderia continuar sem riscos.
Esse gesto é extremamente congruente com o contexto de negociação, e cria um vínculo de confiança com o assaltante, invasor

Juntamente, vemos o coronel se afastando. Esse movimento de distanciamento aumenta a "Proxêmica" em relação ao indivíduo.
A proxêmica, é o estudo das distâncias em uma interação interpessoal. Quanto maior a distância entre os indivíduos, maior é a liberdade que eles têm de se moverem pelo ambiente caso haja algum tipo de confronto.
Além desse conceito, a distância maior também indica dominância. De acordo com a doutrina focada em liderança, o indivíduo dominante ocupa uma maior área espacial, logo, este mantém um maior distanciamento de quem ele julga submisso.
Essa atitude do Coronel foi extremamente positiva, pois além de reafirmar o que falou que iria fazer, dá ao invasor o status de dominante da relação
De acordo com estudos, as pessoas que agem com comportamentos criminosos, como no caso em análise, desejam ser dominantes na relação; desejam ter a atenção voltada para eles.
Ao fazer isso, o coronel "deu poder a quem quer poder" e ao fazer isso, ele aumentou o nível de confiança do invasor nele.

A partir de 0:10, ao pedir pro Câmera se afastar mais, o Coronel demonstra gestos amplos e acima dos ombros.
Gestos amplos e acima, nesse contexto, indicam a intenção de mostrar para o invasor que suas mãos estão à mostra, e que, portanto, ele não esconde nada; que nenhum movimento minimalista será feito, que possa dar a entender ao invasor que alguma arma ou equipamento será pego e utilizado contra o mesmo.
Em outras palavras, a intenção desse tipo de gesto, nesse contexto, é manter o invasor percebendo que ele não corre riscos.

A partir de 0:12, podemos ver que o Coronel não expõe a palma de sua mão esquerda - que está direcionada para trás.
Esse movimento não é aconselhável pois pode causar desconfiança no invasor.
Provavelmente aqui, o nível de confiança que o Coronel conseguiu já está alto, fazendo com que esse gesto que, deve ser evitado nesse contexto, não tenha tido um efeito negativo.
Aqui, provavelmente, o invasor estava escutando algo positivo para ele.

A partir de 0:25, o Coronel diz: "Rapaz, eu tô dando a minha palavra [que vai levá-lo até a Renata Vasconcellos]. Eu tô dando a minha palavra. Eu sou Comandante do 23. Eu tô dando a minha palavra para você"
Ao falar que é "Comandante do 23" ele usa sua posição de Comandante para criar mais confiança no invasor de que ele vai ter o que procura. De acordo com estudos de persuasão, correlacionar um desejo a uma posição hierarquicamente alta, gera mais confiança de que as coisas vão acontecer de forma positiva para o outro indivíduo.
Podemos observar também a Paralinguagem do General. Ele usa um tom de voz firme, alto e sem tremulações e variações vocais. Tudo isso indica assertividade, certeza. O que contribui para manter ou aumentar o nível de confiança do invasor, nele.

Esse tom de voz firme e positivo para esse contexto, é mantido durante toda a negociação

Em 0:40, ao demonstrar alguma coisa para o invasor, ele posiciona a palma de sua mão na vertical, perpendicular ao chão.
A posição da palma nesse sentido demonstra uma neutralidade. O Comandante não se coloca em uma posição de dominância e nem em uma posição de submissão. Também denota assertividade de forma neutra
Percebam que seu gesto continua amplo, com o mesmo intuito de deixar tudo às vistas do invasor, sem esconder nada.

A partir de 0:46 ele diz: "Meu amigo, eu estou te dando a minha palavra"
No começo desse trecho, ele mostra novamente a palma das mãos para o invasor, indicando confiança e assertividade, e que não tem nada a esconder.
Apesar disso, ele possui sua cabeça elevada em um ângulo maior que 90º. Essa posição de cabeça denota agressividade, arrogância.
Essa posição de cabeça não é muito aconselhada nesse contexto, mas como já dito antes, o nível de confiança que o Comandante já conseguiu do invasor é alta, fazendo com que esse gesto, a princípio negativo para o contexto, não tenha tanto peso.

A partir de 0:53 o Comandante diz: "To desarmado, aqui ó"
Nesse momento ele mostra a palma de suas mãos. Novamente um gesto muito positivo.
Ele significa que não tem nada a esconder e que, literalmente, está desarmado.

Em 0:54, ele continua: "Quer que eu tire o colete também? Eu tiro"
Essa frase foi utilizada para reafirmar a confiança.
O colete, em um PM é um acessório de proteção. Quando ele sugere tirar o colete, ele tem a intenção de demonstrar para o invasor que confia nele - pois ele estaria totalmente despido do que protege sua vida, expondo áreas vitais.
De acordo com Desmond Morris, expor áreas vitais para outra pessoa, passa a ideia inconsciente de que você confia na pessoa a quem está expondo.
Para a Neurociência, quando você demonstra confiar na pessoa, esta, , se sente na obrigação, de forma inconsciente, a confiar nela também. Nesse caso é fundamental que tenha esse laço de confiança pois mostra pro invasor que ele não está sendo subestimado; e como, o desejo do invasor é ser o dominante no contexto, ser subestimado é extremamente negativo.

Em 1:06 o Comandante diz: "A gente vai até ela [Renata Vasconcellos]"
Novamente podemos ver gestos amplos e acima dos ombros.

Em 1:11, o Coronel Heitor diz: "Eu vou sair, não vai chegar ninguém perto. Eu vou ver aonde a Renata está"
Ao dizer que vai sair, ele novamente realiza um gesto extremamente congruente, apontando para a saída atrás dele. Esse gesto é realizado novamente de forma ampla.
Nesse tipo de contexto, até mais do que em outros, é importante que haja completa congruência entre a linguagem verbal e a não-verbal. A incongruência, pode demonstrar, de forma inconsciente, para o invasor que não existe sinceridade, podendo haver uma quebra da confiança, em algum nível.

A partir de 1:16 o Comandante diz: "Eu to saindo"
Nesse momento ele vai se afastando e demonstra a palma das mãos.
Congruência e sinceridade. Mantendo a relação de confiança entre ele e o invasor.

Em 1:24, o Coronel ao pedir pro câmera se afastar, realiza novamente gestos amplos e acima dos ombros.
Como já foi dito, gestos amplos e acima dos ombros reafirma a confiança. O invasor pode perceber que há sinceridade, pois as mãos estão à vista e o gesto está congruente.

Em 1:32, o Comandante Heitor pergunta o nome do invasor.
O nome é a informação mais importante a nosso respeito. É considerada a nossa identidade. É a nossa marca. Perguntar pelo nome demonstra que existe interesse em nós, em saber quem nós somos.
Quando o Comandante pergunta o nome do invasor, sua intenção é chamá-lo pelo nome, e, de acordo com Paulo Sérgio de Camargo, isso cria empatia e dá importância especial a pessoa, no caso ao invasor.
Ao se sentir importante, o invasor mantém a confiança e conexão com o Comandante.

Em 1:35, novamente o Comandante mostra a palma das mãos.
Confiança, sinceridade. Não há nada a esconder.

* Podemos observar uma coisa muito interessante do invasor. Durante todo o vídeo podemos vê-lo usando máscara como uma possível proteção ao Covid-19. Isso indica que ele se preocupa com a própria saúde e integridade.
Geralmente bandidos, invasores, assaltantes, não tem essa preocupação.
Aqui estamos falando de uma "hierarquia de valores". No topo da Hierarquia estão os valores mais importantes para nós.

A preocupação pelo uso de máscara demonstra que ele tem sua saúde como um valor mais importante do que ir a uma emissora, fazer refém para conhecer uma jornalista.
Comumente, isso não acontece em indivíduos que praticam essas atividades criminosas. Geralmente o comportamento criminoso tem um valor mais alto.

Isso pode nos mostrar que esse invasor não tem essa prática criminosa como algo intrínseco à sua identidade, e sim à seu comportamento, de acordo com os "níveis neurológicos" trazidos por Robert Dilts.


SUMÁRIO: O Comandante Heitor Henrique Pereira, ao negociar com o invasor demonstrou sinais não-verbais e se utilizou de técnicas que criam e potencializam a empatia e a conexão.
A todo momento demonstra a palma das mãos indicando sinceridade, confiança e que não tem nada a esconder.
Durante a negociação demonstrou um tom de voz firme, assertivo.
Em alguns momentos, por mais que alguns sinais não sejam tão aconselhados, o nível de confiança que o Comandante criou com o invasor foi tão positivo, que esses sinais não influenciaram.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Análise não-verbal: Mãe da youtuber Bel se pronuncia após críticas e acusações na internet. Caso Bel. Análise exclusivamente comportamental.

Bel é uma menina de 13 anos dona do canal do youtube "Bel para Meninas" cujo objetivo, basicamente, é mostrar o seu cotidiano. Recentemente, sua mãe, que também participa do canal, vem sofrendo críticas e acusações, da internet, por supostamente ter um comportamento semelhante a abuso psicológico praticado contra sua filha Bel durante as gravações dos vídeos.
Alguns internautas postaram vídeos aonde Fran, mãe de Bel, estaria supostamente forçando a menina a realizar alguns desafios e atividades.
Após essas acusações, Fran veio a público, por meio de um vídeos se pronunciar sobre tudo que está acontecendo.
O que sua Linguagem Corporal pode nos dizer?

Antes de começarmos a análise em si, é importante frisar que este presente artigo não visa afirmar se realmente houve abuso psicológico e se a mãe da menina sofre transtorno narcisista ou de qualquer outro tipo.
Essas afirmações SOMENTE podem ser feitas por um profissional habilitado nesse tipo de diagnóstico, mediante o procedimento correto.

A Linguagem Corporal, por ser uma ciência comportamental, de forma nenhuma poderá entrar nessa questão. A função da análise não-verbal é demonstrar apenas o comportamento e não fazer uma avaliação a respeito da identidade do analisado.
COMPORTAMENTO e IDENTIDADE, de acordo com a PNL estão em níveis neurológicos diferentes. Confundi-los é errado e anti-ético
.


Tendo dito isso, vamos à análise:

Em 0:18 ao dizer que os fãs já fazem parte de sua família, ela emite uma expressão de nojo, devido a elevação do queixo, queda do canto dos lábios e acentuação naso-labial, juntamente com o olhar direcionado horizontalmente para a direita.
De cordo com a PNL, feito o devido processo de "Calibragem", indica criação de um estímulo auditivo.
A união desses dois sinais indicam discordância em sua fala.

Em 0:20 ao dizer: "Eu considero todos vocês, não como fãs, não como seguidores, mas como uma família gigante espalhada aí por esse mundão"
Aqui temos alguns pontos interessantes.
Durante a verbalização da palavra "considero" vemos uma elevação unilateral no ombro direito ("Shoulder Shrug"). Esse gesto nesse contexto, de acordo com Joe Navarro, indica insegurança em sua fala.
Quando fala "família gigante", ela altera seu tom de voz para um registro mais infantilizado com o prolongamento verbal na palavra "gigaaante". Esses sinais constituem indício de tentativa de manipulação e gerador de empatia.

Ao final do mesmo trecho, podemos ver q ela olha para o marido sentado ao seu lado.
Esse sinal é chamado de "Deliberate Gaze". Segundo Aldert Vrij, esse comportamento ocular tem a intenção de obter um feedback positivo por parte daquele a quem é direcionado, no caso o marido. Em outras palavras, ela está buscando aprovação de suas palavras.

A partir de 0:34, Fran afirma que preparou um texto para esclarecer sobre os acontecimentos.
Discursos escritos são muito importantes e até facilitam uma análise, porém devemos avaliar o uso de um discurso escrito em um determinado contexto.
Nesse vídeo, ela vai falar dos acontecimentos, e provavelmente vai negar que tenha agido de uma forma abusiva com sua filha, ou seja, vai se defender.
Nesse contexto apresentado, podemos avaliar, a forma escrita como, de certa forma, incongruente. O contexto é emocional. Suas palavras devem emergir de forma natural, espontânea, a congruência de suas palavras devem se sustentar por si mesmas, deve ter uma conexão maior com seu lado emocional. Em um discurso escrito, a explicação se torna racional, mais fria, com menos conexão emocional do que é padrão para esse tipo de contexto. A palavras emergindo do emocional que o contexto traz, tendem a ser mais críveis
Esse elemento não é absoluto para afirmarmos que ela esteja mentindo ou falando a verdade. Aqui o que podemos dizer é que ela está, de certa forma, fugindo de um padrão que se espera para esse contexto.

A partir de 0:36, Fran diz: "Eu peço que vocês escutem com carinho e até o final, para que possa ficar tudo esclarecido, tudo... é... direitinho como... como é, né?"
O marido continua: "Como deve ser"
Fran confirma: "É, como deve ser"
Aqui temos sinais muito interessantes. Todos eles no âmbito do Statement Analysis
O primeiro que podemos destacar são as pausas desnecessárias (representadas por "..."). Esse recurso é usado pelo cérebro para ganhar tempo afim de pensar no que será falado a seguir
Podemos citar também o uso do "né?" ao final. De acordo com os ensinamentos e Mark McClish, terminar uma afirmação com uma pergunta indica insegurança ao afirmar. Em outras palavras, o agente não é capaz de afirmar, por isso ele faz uma pergunta para que a responsabilidade da resposta fique a cargo dos interlocutores

E em terceiro lugar, o sinal que eu julgo mais importante e interessante. Reparem que Fran faz uma afirmação no momento em que diz: "como é..." e o marido conserta dizendo "como deve ser" - o que posteriormente é confirmado por ela.
O verbo ser, em todas as suas conjugações imprimem uma assertividade, uma confirmação. Portanto, ao dizer "como é", existe uma confirmação absoluta de determinada coisa. Essa confirmação vindo antes de uma pergunta ("né?") transforma o que era pra ser certeza em dúvida, naturalmente
Na fala do marido ("Como DEVE ser"), devemos nos atentar para a palavra "DEVE". De acordo com a PNL, essa palavra é chamada de "Operador Modal de Necessidade" e estabelecem regras quanto ao que é apropriado e necessário. São limitações.
Aqui está sendo dito que, o que está escrito no texto não é como É, mas sim como DEVE ser. Em outras palavras, estão imprimindo uma ideia de que o que será lido é necessário e apropriado, e não se trata de uma confirmação absoluta e/ou uma verdade

A partir de 1:04, quando a mãe lê que as noticias são mentirosas e falsas, ela realiza novamente o "Deliberate Gaze", mas dessa fez é para a câmera. Assim como já foi dito. Esse comportamento ocular indica que ela está buscando feedback e confirmação para o que está lendo, mesmo que essas respostas venham de interlocutores que estão "do outro lado" da câmera.

Em 1:13, vemos o sutil sorriso.
Podemos classificar esse sorriso como "Duping Delight". Segundo Paul Ekman, esse sorriso indica que o agente acredita que conseguiu convencer com suas palavras e sente prazer pelo seu sucesso.
Ele foi realizado após ela dizer que as notícias foram caluniosas

Em 1:20 ela continua dizendo: "... tal campanha [divulgações negativas a seu respeito] não tem fundamento com fatos verídicos"
Ao final desse trecho, podemos observar que Fran inclina seu corpo para trás. Esse movimento é tido como um "comportamento de distanciamento". Indica desejo de fuga, falta de comprometimento com a situação. [Observe o trecho acima, em loop, para notar o movimento]
Em um contexto aonde ela quer mostrar que as notícias são caluniosas, o afastamento é incongruente, pois quando queremos provar algo ao contrário do que foi divulgado, o corpo tende a ir para frente. Se não tememos a verdade, podemos nos expor.
Outro elemento que podemos observar nesse trecho é a negação de cabeça fora de sincronia com a verbalização, no momento em que ela diz "... NÃO tem fundamento". Reparem que primeiro ela verbaliza e depois ela nega com a cabeça. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, os gestos possuem sincronia com o elemento verbal, ou seja, a verbalização acontece juntamente com o gesto ou movimento - podendo acontecer também antes (primeiro eu realizo o gesto e logo depois eu verbalizo - isso acontece porque as vezes pensamos antes de realizar o movimento ou o gesto).
Esses sinais constituem incongruência.

Em 2:02 ao falar que foram espalhadas notícias falsas, vemos uma expressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas em suas porções interna e externa, elevação da pálpebra superior e estiramento horizontal dos lábios

Em 2:35, ao citar que a imprensa televisiva acabou por noticiar tal campanha negativa, segundo ela, caluniosa, podemos ver em sua face a expressão de raiva, devido a contração do músculo do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas, tensão nas pálpebras inferiores e tensionamento dos lábios.
A raiva está direcionada à imprensa

A partir de 3:15, quem está lendo a continuação desse texto é o marido. Nesse momento ele lê: "São crianças muito felizes [se referindo a Bel e a irmã] e levam uma vida normal"
Ao dizer que "levam uma vida normal", Fran exibe o seguinte conjunto gestual: mãos em reza, elevação dos ombros e expressão de nojo devido a acentuação na prega naso-labial.
A elevação de ombro é chamado de "Turtle Effect" e indica um desejo de se proteger de determinada situação. É uma analogia ao comportamento das tartarugas, que entram em seus cascos diante de uma ameaça
A mãos em reza é chamada de "Falsa Reza". Empiricamente, foi observado que nesse dado contexto, diante desse sinais, esse gesto pode funcionar como um potencializador das emoções negativas sentidas (Jack Brown)

Em 4:00, Fran emite a emoção de desprezo, devido a elevação unilateral do lábio superior, na porção direita.

Em 4:38, ao terminar de ler, o marido de Fran exibe uma expressão muito interessante
Reparem que existe um tensionamento no canto da boca em seu lado direito. De acordo com Jack Brown, essa expressão indica arrependimento ("Regret") e guarda semelhanças com a emoção de desprezo, porém existem diferenças.
Ainda segundo o autor, no desprezo a contração do músculo ocasiona um vetor partindo do canto da boca para cima, enquanto a expressão "Regret" possui um vetor lateral partindo do mesmo ponto.
Reparem, pela foto acima, o vetor é lateral

A partir de 5:33, Fran diz: "Sim, existem pessoas maldosas no mundo".
Nesse momento podemos observar um tensionamento bilateral de seus ombros. Novamente observamos o gesto de "Turtle Effect", indicando intenção de proteção, e até medo.
Aqui ela se refere a "pessoas maldosas" como sendo as pessoas que a estão criticando e acusando de maus tratos à filha Bel.

Em 5:41, após dizer que existem pessoas que querem tirar proveito às custas do sofrimento de uma família, ela exibe rapidamente um sorriso.
Novamente aqui vemos configurado um "Duping Delight". Indicando que o a gente sente que conseguiu convencer do que falou e sente prazer por ter atingido tal objetivo.

EXTRA: Como comportamento padrão, o que se espera de um a gente que sofreu críticas e acusações injustas é afirmar "Eu não fiz [tal coisa]" ou "Eu não tive [tal comportamento].
Durante todo o vídeo, não ouvimos, em nenhum momento, Fran negar que tenha tido o comportamento o qual imputaram a ela, que é de abuso psicológico.


SUMÁRIO: Fran, mãe de Bel, optou por um discurso escrito, ao invés de algo mais natural para o contexto. Um discurso emocional seria mais congruente.
Existem elementos que demonstram que o discurso foi elaborado apenas porque é apropriado e necessário, e não porque o esclarecimento é desejado emocionalmente pelos agentes.
Durante o momento em que o discurso está sendo lido por Fran, podemos notar inseguranças, intenção de fuga, busca por feedback positivo através do "Deliberate Gaze"
Fran exibe emoções medo (ao falar que as notícias são falsas), nojo (ao falar da vida normal que as filhas têm), desprezo (ao falar das pessoas que estão supostamente se aproveitando da situação para obter alguma vantagem) e raiva ao falar da imprensa que tem divulgado notícias negativas a seu respeito.
Possui também comportamentos ligados ao medo, como por exemplo, o tensionamento dos ombros.
Em alguns momentos podemos ver a expressão de "Duping Delight" indicando manipulação.
O marido por sua vez, apresenta indício de arrependimento. Não podemos confirmar ao certo o fato gerador desse sentimento.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Análise não-verbal: Nelson Teich sobre reabertura de serviços considerados essenciais, de acordo com o Presidente. Descobriu ao vivo? Quais as emoções sentidas?

O Ministro da Saúde Nelson Teich, durante uma coletiva no Palácio do Planalto, ficou sabendo, através da imprensa, que o Presidente Jair Bolsonaro havia autorizado a reabertura de academias, barbearia e salões de beleza sob o pretexto de que esses serviços são considerados essenciais para a saúde.
A descoberta aconteceu após um jornalista perguntar a Teich sobre a decisão do Presidente.
O ex-Ministro pareceu desconhecer tal notícia. Será que realmente, Nelson Teich desconhecia a autorização do Presidente? Quais as emoções que ele estava experimentando nesse exato momento?

Vamos à análise:

A partir de 0:04, o Ministro Nelson Teich diz: "O que eu acho hoje é o seguinte. Se você criar um fluxo que impeça que as pessoas se contaminem. E se você criar condições e pré-requisitos para que você não exponha pessoas a risco de contaminação. Você pode trabalhar retorno de alguma coisa"
Nesse trecho, provavelmente, Nelson Teich já tinha sido informado pelo jornalista sobre a decisão de reabertura por parte do Presidente.
Em 0:20, após dizer "risco de contaminação" podemos ver que ele realiza um gesto de colocar a língua para fora ("Tongue Jut"). Nesse contexto, esse gesto indica um interessante comportamento de evasividade (Joe Navarro) e desacordo de ideias (Jack Brown)
Analisando o contexto, Nelson Teich é um Ministro cujo o Presidente está hierarquicamente em um nível superior e possui ideias e crenças diferentes das suas. Nesse aspecto, é comum, quando se há uma divergências de opinião a despeito de determinado assunto, que o indivíduo, hierarquicamente inferior tende, de alguma forma, a usar discurso mais evasivo que não seja uma verbalização expressa de desacordo, mas que também não seja favorável, expressamente, à opinião.

Em 0:22, logo após o trecho acima, podemos ver que Teich realiza uma pressão dos lábios juntamente com enrugamento do queixo.
Essa combinação das ações musculares é comum diante de um estado de frustração. Ele acontece quando há a interrupção de um comportamento motivado. Esse estado emocional está ligado à emoção de raiva.
Essa frustração representa a dissonância de ideias entre Teich e o Presidente Bolsonaro. O Ministro sente que essa ideia do Presidente constitui um obstáculo que o vai impedir de alcançar o objetivo desejado. Existe uma dissonância de ideias
O olhar direcionado para baixo confirmam o sinal de frustração

A partir de 0:29, Teich diz: "Tratar isso como não essenci... como es... como não... como essencial"
Podemos ver que aqui existe um fenômeno paralinguístico parecido com uma gagueira entre "essencial" e "não essencial".
Essa sequência de auto-correções acontece devido a uma dissonância cognitiva entre as opiniões do Presidente e a do próprio Nelson Teich.
Aqui, o Ministro está experimentando uma confusão mental.
Quando expressamos nossa ideia, crença a despeito de determinado assunto, existe uma maior atividade cerebral na parte do córtex pré-frontal; já ao expor a opinião do Presidente, a ativação maior acontece na região da amígdala cerebral, responsável pelo controle emocional. O que acontece, é que existe uma disputa de importância entre falar sobre o que o Presidente acredita ser melhor e a opinião do Próprio Teich a respeito do mesmo assunto. Essa "briga" resultado da dissonância, gera tal fenômeno paralinguístico

Em 0:42, novamente vemos o fenômeno paralinguístico da gagueira acontecendo.
Aqui podemos atribuir a um estado emocional negativo de tensão, nervosismo.
Podemos também atribuir à confusão mental citada anteriormente, pois ainda estamos em um contexto de dissonância entre as opiniões do Ministro e do Presidente

Ainda nesse trecho, observamos que o Ministro exibe uma emoção de desprezo, devido a contração do bucinador, na extremidade direita do canto da boca.

Em 0:44, observamos a exibição da emoção de raiva, devido a sutil contração no corrugador e tensionamento nos lábios

Em 0:46, notamos uma contração do músculo do bucinador consistente com a emoção de desprezo.

Em 0:49, ao observarmos as mãos do Ministro, podemos notar um gesto chamado de "Hand Shrug" (ou mãos em supinação). Ele consiste em girar as mãos para fora (supinação).
Esse gesto é uma variação do Emblema conhecido como "Shoulder Shrug", que é a elevação bilateral dos ombros indicando desconhecimento.

Outra variação seria elevar apenas os polegares. Essa variação é realizada pelo senhor sentado ao lado do Ministro milésimos de segundos antes.

Em 1:16, mais uma vez, a emoção de raiva está presente, ao afirmar da atribuição do Presidente
Existe novamente a contração do corrugador e a pressão nos lábios, desta vez de uma forma mais evidente e intensa

Em 1:36, vemos a projeção da mandíbula para frente. Esse sinal é um indicativo da emoção de raiva.

Em 1:47, ao final do vídeo, podemos observar um tensionamento na mandíbula.
Esse sinal é chamado de "Jaw Clenching" e é altamente consistente com a emoção de raiva.


SUMÁRIO: O Ministro Nelso Teich exibe as emoções de raiva e desprezo ao longo do vídeo. Existe também uma frustração, que está ligada a emoção de raiva.
O Ministro também demonstra sinais de desconhecimento em relação as ações do Presidente Bolsonaro.
Há forte dissonância cognitiva entre as ideias de ambos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Análise não-verbal: Relação entre os atores Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langord. Conexão e proximidade?

Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langford são dois atores famosos, protagonistas do filme "After", que é uma adaptação cinematográfica de um livro best-seller de mesmo nome, escrito pela autora Anna Todd.
Muito se fala da relação dos atores nos bastidores. Alguns fãs dizem que eles não se dão bem, e outros falam que existe uma grande empatia entre eles.
Os empresários de ambos os atores e os produtores não confirmam, mas também não negam que existe uma boa relação entre Hero e Josephine. Inclusive, eles receberam ordens para não vazar esse tipo de informação.
Foram analisados vários vídeos dos atores juntos. Será que através da sua linguagem corporal, é possível confirmar ou negar o bom relacionamento entre eles, fora das câmeras?

Vamos à análise:

*As imagens usadas nesse artigo foram capturadas de trechos de vários vídeos analisados.

Após a análise dos vídeos, ficaram demonstrados quatro elementos fundamentais para conclusão desta. São elas: Proximidade física, "espelhamento" corporal, troca de olhares duradouras, abertura corporal e o sorriso de felicidade.

Proximidade física:

O antropólogo Edward Hall, em meados de 1960, desenvolveu um estudo das relações de proximidade e distância entre pessoas e objetos durante as interações.
Edward Hall concluiu que, em uma interação, quanto maior a distância física que uma pessoa mantém da outra, maior também é a distância emocional e cognitiva que os indivíduos mantêm. Em outras palavras, só permitimos nos aproximar, fisicamente, de nós quem nós temos uma proximidade emocional e/ou intelectual. É como se tivéssemos um espaço pessoal invisível nos cercando, e só deixamos penetrar nesse espaço invisível quem nos permitimos.
O antropólogo delimitou quatro zonas de “Proxêmica”;
Zona pública – Fazem parte dessa zona pessoas que estão acima de 3,5 m de nós. Utilizada para falar em público, conferências, aulas, palestras
Zona Social - É a distância que mantemos de estranhos. Quando não temos um relacionamento de amizade, com as quais não há uma proximidade emocional
Zona Pessoal – Distância usada com pessoas próximas, como amigos.
Zona Intima - Distância ocorre em relacionamentos íntimos, apaixonados, mas também com familiares e amigos íntimos, embora com estes últimos a distância ocorra de forma mais distante. A distância íntima é uma invasão do espaço pessoal, portanto, nem todos a aceitam.


Através das fotos, foi possível observar a grande proximidade física entre Hero Fiennes-Tiffin e Josephine Langford, isto só possível entre pessoas que têm grande carga de afinidades afetivas e cognitivas.
Por ser uma resposta inconsciente, é impossível existir conforto diante da proximidade física entre indivíduos que não detém o mínimo de sentimentos positivos mútuos. No casal, esta proximidade é lugar comum em todos os vídeos analisados.


O "espelhamento" corporal:

Damos o nome de “Espelhamento”, quando existe a incorporação (“imitação”) da linguagem corporal do seu interlocutor, como postura, gestos, expressões faciais, respiração etc.
A função do espelhamento é gerar uma ligação de empatia com a outra pessoa. Esta sincronização permite estabelecer uma relação harmônica entre ambos.
Quando espelhamos a linguagem corporal do interlocutor por algum momento, a tendência é criar uma conexão com o indivíduo, isso acontece porque inconscientemente quando percebemos que o outro está se comportando igual a nós, a confiamos nessa pessoa, pois é adotado o princípio da igualdade. Confiamos em pessoas iguais a nós.
O espelhamento é um processo natural e biológico que somente acontece quando há entrosamento, e uma conexão muito grande entre os interlocutores. Só espelhamos quando estamos à vontade com a pessoa. Quando não há afinidades, é impossível estabelecer essa conexão.




Podemos notar que esse "espelhamento" acontece em vários momentos dos vídeos, representados pelas fotos acima.

Na foto acima observamos um momento muito interessante.
Hero gesticula agradecendo a plateia e logo depois, de forma inconsciente, Josephine realiza exatamente o mesmo gesto.


Trocas de olhares duradouras:

O Antropólogo Desmond Morris e outros estudiosos da área da comunicação não-verbal, são unânimes em afirmar que olhar nos olhos é indício fortíssimo de conexão e sinceridade.
Todos os autores dizem que o olhar nos olhos de alguém profundamente, como na foto, indica que você quer demonstrar para o alvo do olhar que ela faz bem a você. Que merece ser admirada.
A doutrina de Comunicação Não-Verbal, afirma que só é possível haver a troca de olhares, quando os interlocutores estão confortáveis uns com os outros. É difícil existir conexão pessoal nas trocas de olhares entre pessoas que não nutrem relações empáticas entre eles.















Abertura corporal:

Fala-se em abertura corporal quando não existe qualquer espécie de bloqueio não-verbal entre os interlocutores. Podemos dizer que há uma vulnerabilidade do corpo. Por tal motivo, essa abertura corporal só acontece, salvo suas exceções, quando existe um alto grau de confiança entre os indivíduos.
Desmond Morris cita dois exemplos de abertura corporal que podem ser observados nessa análise: exposição do pescoço e exposição da área do pulso. Segundos o autor, essas áreas são vitais ao homem pois nelas passam duas veias de extrema importância, a carótida (localizada na região do pescoço) e a braquial (localizada na região do pulso).
Nós somos "comandados" pelo nosso instinto de preservação. Ou seja, a ordem máxima é a preservação à vida.
Por terem essa característica vital, aliada ao instinto de preservação à essa vida, a exposição dessas áreas não-verbais acontece somente quando estamos diante de uma pessoa - ou pessoas - em quem confiamos. Ao contrário, nosso comportamento instintivo é nos fecharmos com posturas defensivas (braços cruzados, e outras posturas betas).


Josephine Langford, em alguns momentos expões o pescoço. Também podemos ver a exposição da região vital, mais especificamente, no pulso direito. Ambas as exposições são feitas em direção ao jovem ator.

Sorriso de felicidade:

De acordo com Allan Pease, o sorriso é um sinal positivo de bem-estar. Nos contatos interpessoais, o ato de sorrir é indício de que a relação é boa e que está envolta a sensações agradáveis.
As emoções que sentimos são expressas na nossa face, através de expressões faciais. O psicólogo americano e grande estudioso das emoções na face, Paul Ekman, em meados da década de 60, através de estudos descobriu que existem emoções universais e que essas emoções são expressas pela face humana. As emoções são: felicidade, tristeza, medo, raiva nojo, surpresa e desprezo.
Cada uma dessas emoções é expressa na face por meio de unidades de ações musculares, que conjugadas formam determinada emoção. Essa emoção é apresentada na face por meio da contração dos músculos “zigomático maior”, que é responsável pelo estiramento a partir do ângulo da boca para trás e para cima e a contração do músculo “orbicularis oculi”, responsável pelo levantamento das bochechas e pela formação dos populares “pés de galinha”.
Sendo a felicidade uma emoção positiva relacionada ao bem-estar e que provoca boas sensações nas pessoas que a experimentam, é praticamente impossível essa emoção ser expressa na presença de uma pessoa com a qual não temos o mínimo de empatia e sentimentos positivos.



Josephine Langford em diversos momentos realiza sorrisos genuínos direcionados ao ator Hero Fiennes-Tiffin.


SUMÁRIO: Devido aos elementos citados acima (proximidade física, "espelhamento", troca de olhares duradouras, abertura corporal e o sorriso de felicidade), podemos concluir que diante das análises realizadas em vídeos e fotos conclui-se com alto grau de certeza que os atores Josephine Langford e Hero Fiennes-Tiffin nutrem, entre si, empatia, conexão e sentimentos positivos acima da média.
Assim fica praticamente excluída a possibilidade dos atores não terem empatia um para com o outro.