sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Homem acusado de matar o capoeirista Moa do Katendê. Discussão política?

No dia 7 de outubro, um dia depois das eleições, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, mais conhecido como Moa do Katendê foi esfaqueado treze vezes após se envolver em uma discussão sobre política, em um bar de Salvador.
Segundo a Polícia Militar, a vítima teria discordado da posição política do suspeito, e esse como resposta cometeu o crime.
O suspeito é Paulo Sérgio Ferreira de Santana e será o nosso analisado. O que sua comunicação não-verbal tem a nos dizer?

Vamos à análise:

Em 0:02 a 0:04, Paulo Sérgio que no dia, antes do crime acontecer, ele estava conversando com o dono do bar.
Ele afirma verbal e não-verbalmente. Há congruência, portanto veracidade

A partir de 0:05, o suspeito diz: "Esse senhor aí, que veio a óbito aí, que a gente teve essa confusão, levantou me chamando de viado... e negro. Viadinho negro; viadinho negro..."
Ao dizer as frases: "levantou me chamando de viado..." e "viadinho negro; viadinho negro", podemos notar uma elevação bilateral dos ombros. Esse gesto é considerado um emblema e seu principal significado é "desconhecimento", porém também pode significar insegurança no que está dizendo.
Alguns autores como Mark Knapp defendem que em algumas culturas esse gesto pode indicar transferência de culpa.
Podemos notar que existe uma pausa desnecessária entre as palavras "viado... e negro". Essa pausa quebra a fluidez do discurso e indica que o cérebro precisa de tempo para reformular um pensamento. Nesse contexto, podemos concluir que esses xingamentos não foram proferidos pela vítima.
A repetição da frase "viadinho negro" indica um desejo de convencimento por parte de Paulo; pois a repetição é desnecessária.
Nessa foto podemos notar que um olho está fechado enquanto o outro está aberto (nesse contexto, o gesto é realizado de forma inconsciente). Podemos marcar como assimetria facial.
De acordo com Paul Ekman, assimetria facial é um forte indicativo de desonestidade.

Em 0:14 o suspeito diz: "Eu não disse nada com você; eu não falei nada com você".
Existe um aumento na velocidade com que verbaliza as palavras, fazendo com que ele embole algumas palavras. Há também um aumento do "pitch" vocal deixando sua voz mais aguda.
No começo desse trecho, novamente podemos ver a elevação dos ombros.
As alterações verbais indicam um alto nível de nervosismo e tensão. Isso acontece porque quando estamos sob hormônios ligados ao estresse como cortisol, existe a tensão no músculo da garganta e essa tensão provoca uma mudança no tom de voz. O aumento da velocidade está ligado a uma intenção de passar a mensagem de forma mais imediata.
O fato não aconteceu da forma como o suspeito está narrando.

A partir de 0:19, Paulo diz: "O dono separou também"
Nesse momento podemos notar dois gestos seguidos: o chamado olhar enviesado e a projeção de língua, chamado de "Tongue Jut".


O olhar enviesado indica desconfiança e insegurança no que está dizendo;










A projeção de língua, segundo Joe Navarro indica auto-incriminação e culpa. Como se o corpo estivesse expressando as ideias de "Eu fiz besteira", "Saí ileso", "Eu errei", etc.










A partir de 0:24, Paulo diz: "Todos viram também, e hora nenhuma... Peço, continuo pedindo desculpa a todos os familiares dele. Hora nenhuma foi de intenção. Me entreguei"
Sob a ótica da Análise do Discurso (Statement Analysis) essa frase é completamente racional e desonesta, isso porque, sua estrutura está contaminada pela ausência de lógica, quebra da ordem cronológica e má formulação verbal
Esses elementos podem ser observados quando ele diz:
(1) "... hora nenhuma..." e não continua com a sua linha de raciocínio;
(2) "Hora nenhuma foi de intenção. Me entreguei".  Além da frase de início ("hora nenhuma foi de intenção") ter sido mal formulada, não há lógica no que está falando (Se ele não teve a intenção, por qual motivo ele se entregou?)
Ao verbalizar "Hora nenhuma foi de intenção" podemos notar também que sua voz perde a intensidade ficando com o volume mais baixo. Desejo de omitir e incerteza.

Em 0:33 após o repórter afirmar que foram doze facadas, Paulo diz: "Não, mas aí eu estava me embolando com ele no chão"
Paulo não se defende e não nega as doze facadas; sua justificativa é completamente deflexiva, ou seja, não fala diretamente das doze facadas. Além disso podemos notar uma dificuldade em verbalizar e gagueira no começo de sua fala.
Esse conjunto indica desejo de fugir da situação e ansiedade ao falar desse tema.
Não-verbalmente, existem sutis elevações no ombros demonstrando, nesse contexto, insegurança

Em 0:38, o suspeito diz: "Não, não. Não foi nada por trás" se referindo ao fato das facadas terem sido dadas por trás.
Nesse momento Paulo eleva sutilmente a sobrancelha em um gesto chamado "Skeptical Eyebrow" indicando ceticismo e dúvida no que está falando.
Em, sua face podemos ver uma expressão de medo pela elevação da pálpebra superior responsável pelo aumento da esclera (parte branca dos olhos), acionamento do depressor do lábio inferior e a contração do risórios responsável pelo estiramento horizontal dos lábios.
Apesar do suspeito negar verbalmente, as facadas realmente foram por trás.

Em 0:50 - 0:51 o suspeito afirma: "Eu não disse nada".
Podemos notar um desequilíbrio nos ombros. Eles sobem de forma descoordenada e o ombro direito permanece mais elevado que o esquerdo. Esse gesto indica desonestidade pois há um conflito interno entre a verdade e o que ele está verbalizando no momento (dissonância cognitiva).
Em sua face, novamente, o medo, pela elevação da parte interna e externa das sobrancelhas, contração do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), elevação das pálpebras superiores e contração do risórios estirando os lábios horizontalmente.

Em 0:54, Paulo afirma que o fato não aconteceu por discussão política.
Nesse momento notamos novamente a elevação bilateral dos ombros, indicando incerteza no seu argumento. Incongruência corporal indica desonestidade no discurso.

Em 0:59, Paulo diz: "Eu estava conversando normal com o dono do bar..."
Novamente vemos a elevação bilateral de seus ombros por um tempo maior. Nesse caso, podemos interpretar esse gesto como o chamado "Turtle Effect", que significa um desejo de se proteger, se defender. Tem esse nome porque as tartarugas quando querem se proteger de seus predadores entram em seus cascos. Nesse caso, o agente eleva os ombros para retrair a cabeça.
Adotamos essa postura quando não estamos confortáveis e temos pouca confiança no que estamos dizendo.

Em 1:01 Paulo diz que ele estava no bar conversando sobre futebol. Nesse trecho acontece algo de interessante.
No momento em que ele fala isso, ele realiza movimentos rápidos com a cabeça, de um lado para outro. Esse gesto é chamado por Jack Brown como "Head Wiggle" e indica assertividade e segurança no discurso; Por outro lado existem indicadores de ansiedade, como por exemplo o aumento no tom de voz e movimentos corporais descoordenados.
Podemos concluir que de fato Paulo ia ao bar e conversava sobre futebol, mas naquele momento específico o assunto não foi esse.

A partir de 1:15, Paulo diz: "Eu bebendo exal.... fiquei exaltado fui em casa aí fiz... aconteceu esse fato"
A palavra "exaltada" foi cortada e logo depois ele quebra a fluidez do discurso adicionando uma paula desnecessária após o "fiz"
Esses recursos indicam omissão de informações importantes com o intuito de se proteger. Em outras palavras, Paulo em um primeiro momento, de forma consciente, não deseja expor que estava exaltado, bem como, não deseja expor o que fez.
Apesar desse desejo consciente de omitir, o inconsciente realiza pequenos vazamentos mostrando o que o consciente deseja que permanece em segredo.

Em 1:19 - 1:20 Paulo diz que se entregou [à polícia]. Nesse momento ele eleva os dois ombros, demonstrando insegurança em suas palavras.
Mesmo com o rosto em perfil, podemos reparar que existe um estiramento horizontal na lateral esquerda, indicando medo.
Há incongruência. Paulo não se entregou de fato.

Em 1:27, o suspeito diz: "Não conheci. Não conheci ele"
Nesse momento ele faz o seguinte conjunto gestual quase simultaneamente:

Ele nega com a cabeça de forma congruente ao mesmo tempo em que eleva os dois ombros mostrando desconhecimento.










Inspira mais profundamente realizando uma macroexpressão conhecida como "Sniff". Essa expressão aparece para camuflar uma emoção de nojo devido a contração do corrugador, franzimento do nariz, a elevação do lábios superior, ambos em uma intensidade alta (por isso, macroexpressão).
Juntamente ele emite um gesto de projeção de língua indicando ansiedade e auto-incriminação.

Realiza o chamado de "Lip Purse", que consiste em projetar os lábios para frente. Esse gesto é um sinal valioso de desacordo (Joe Navarro) ou intenção de omitir informação total ou parcialmente (Jack Brown).








Logo em seguida podemos observar que seus lábios são voltado para dentro da boca. Esse gesto, de acordo com Pierre Weil, indica mutismo, ou seja, há um desejo de reprimir uma ideia ou uma emoção.








Novamente podemos ver o "Sniff" - dessa vez, de forma mais sutil -  camuflando a emoção de nojo.












Nesse trecho descrito acima podemos ver que há um coeficiente de sinceridade ao afirmar que não conhecia a vítima. Porém exitem algumas considerações a serem feitas:

(1)"Conhecer" é diferente de "saber". Conhecer alguém indica que existe um certo nível de proximidade, e até intimidade; saber sobre alguma pessoa subentende-se algo mais superficial, há ausência de aproximação (Marcello de Souza). Quando Paulo Sérgio diz que não conhece, ele é sincero; mas não exclui o fato de que ele sabe quem era a vítima.
(2) Existem gestos que indicam ansiedade e omissão. Essa omissão pode estar ligada ao fato dele saber de quem se trata, ou o mais provável, que é a omissão referente ao fato. Existe pontos, detalhes, que o suspeito não deseja falar.


Em 1:37, Paulo diz: "Eu lamento, eu não conhecia ele."
Nesse momento ele inclina a cabeça para a direita deixando o pescoço a mostra e eleva os dois ombros.
Esse conjunto gestual é um emblema e indica desconhecimento.
Paulo, não conhecia a vítima anteriormente ao fato.

Em 1:39, Paulo diz: "Lamento muito. Eu tô sentido, né?"
A ausência de emoção é tão importante quanto a presença dela. Não existem elementos que mostram um arrependimento genuíno.
O uso da expressão "né?", de acordo com estudo de Statement Analysis, indica dúvida
Paulo não afirmou que está "sentido". Ele usa uma pergunta no lugar de uma afirmação.
A ausência da palavra "arrependido" confirma essa desonestidade.

Durante grande parte do vídeo podemos notar que Paulo mantém a contração do músculo frontalis juntamente com o corrugador (na foto acima vemos um exemplo desse momento)
A união desses músculos foram rugas no centro da testa, que são chamadas "rugas do pesar", isso porque os músculos que se contraem e são responsáveis pela sua formação, foram chamados por Charles Darwin de "Músculo do Pesar" ("Grief Muscle").
O especialista Jack Brown diz que quando o agente permanece com esse músculo contraído durante grande parte do tempo enquanto está fazendo seu discurso, há fortíssimo indício de que o agente está atuando e não sendo sincero no que está transmitindo.


SUMÁRIO: Paulo, matou Moa por divergências políticas; e existe indícios de que existe uma outra motivação que o suspeito não deseja expor.
O fato não aconteceu como Paulo está narrando. Sua intenção é de transferir a culpa para a vítima.
Não há arrependimento por parte de Paulo Sérgio.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Manuela D´Ávila. Ato Falho Freudiano. Hipocrisia

No dia 4 de outubro, a candidata à Vice-Presidência na chapa com Haddad, pelo PT, Manuela D'Ávila veio à público em suas redes sociais, e enviou mensagem de motivação e estímulo para as pessoas que a apoiam.

Manuela comete o que chamamos de Ato Falho Freudiano.

O conceito foi desenvolvido por Sigmund Freud, em seu livro "A psicologia da vida cotidiana" de 1901.
Segundo o psicanalista, os atos falhos nada mais são que lapsos verbais, de memória, de leitura, que estão ligados à mente inconsciente.
Freud afirmava que quando esses lapsos acontecem existe um confronto entre a nossa mente consciente e a inconsciente. Em outras palavras, o ato falho acontece quando a mente inconsciente expõe, através de vazamentos, as reais intenções que a mente consciente deseja que sejam mantidas em segredo.

A candidata Manuela D'Ávila, diz: "Vamos para cima, gente; com o nosso amor, com a nossa hipocri... com a nossa..."
O ato falho está ao dizer "... com a nossa hipocri...".
O inconsciente expôs uma informação que o consciente desejava que permanecesse reprimido.
Manuela acredita na hipocrisia de ideias pregadas.

Enquanto comete o Ato Falho, Manuela, fecha seus olhos. Esse gesto é conhecido como "Eye Shielding" (gesto de fechar os olhos) e indica não visualização do que acabou de dizer. Esse é o exato momento aonde percebe que sua real intenção foi emitida.
Juntamente podemos ver um estiramento horizontal do lábios indicando medo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Melissa Gentz fala sobre a agressão que sofreu do ex-namorado. Fake?

Melissa foi agredida violentamente pelo seu até então namorado, Erick Bretz. Depois do ocorrido, ela veio à público através das redes sociais denunciar a agressão e mandar um recado para as mulheres que sofrem esse tipo de violência.
O caso ganhou repercussão nacional após sua divulgação nas mídias televisivas.
Muitas pessoas estão duvidando da veracidade do vídeo postado e da agressão sofrida por Melissa. Será fato ou fake?

*O vídeo foi filmado com a câmera frontal do celular, portanto, a imagem está espelhada.

Vamos à análise:

No começo do vídeo, Melissa diz: "Eu ainda não tava pronta para mostrar minha cara aqui no instagram"
Nesse momento podemos ver o seguinte conjunto gestual: afasta o cabelo, o ombro esquerdo se eleva mais que o direito.
O afastamento do cabelo é realizando no momento que ela fala "mostrar a cara". Há congruência.
A elevação do ombro e seu desnivelamento indica um desequilíbrio emocional.
Ao falar: "instagram" podemos perceber que existe uma alteração no tom vocal, deixando sua voz mais aguda. Essa alteração indica estresse, tensão e nervosismo, devido a liberação de hormônios como o cortisol. Ela exibe também uma expressão de medo pela elevação da pálpebra superior e pelo estiramento horizontal dos lábios (foto acima)
Por fim, Melissa olha para baixo e para esquerda. Esse movimento ocular, em grande parte das pessoas está associando ao diálogo interno; um momento de introspecção da agente.
Alguns autores dizem que esse movimento também pode estar ligado à vergonha
Podemos concluir que ainda é muito difícil para Melissa vir a público e falar sobre o acontecido.

Em 0:18 ao falar das pessoas que tem a apoiado, Melissa direciona seu olhar para cima e direita.
De acordo com estudos da PNL (Programação neuro-linguística), esse movimento ocular está associado à criação de uma imagem, e não a lembrança; porém Melissa é invertida nos movimentos. 
Ao movimentar de seus olhos para cima e direita, Melissa acessa sua memória recordando um fato.

Em 0:24, ainda se referindo às pessoas que tem mostrado apoio, entendimento, Melissa direciona seu olhar no sentido horizontal a direita.
Esse movimento está relacionado em grande parte das pessoas a uma criação auditiva (quando criamos um som, alguma fala, tendemos a direcionar nossos olhares para esse sentido); porém Melissa demonstra que também é invertida nesse movimento. Ao olha para o lado e a direita, ela está recordando todas as palavras de apoio que foram dadas a ela.

Em 0:26 podemos notar uma expressão genuína de tristeza pela contração da parte interna das sobrancelhas e enrugamento do queixo.

Em 0:29, podemos ver novamente uma expressão de tristeza pela contração da parte interna das sobrancelhas, o enrugamento do queixo e a voz. Há uma alteração vocal, e essa alteração vocal é congruente com a experiência de uma emoção negativa, no caso é a tristeza.

A partir de 0:33 ao falar: "Eu queria muito estar em casa agora, mas pelo menos, a minha família está aqui"
Podemos notar que seus olhos se movimentam horizontalmente para a direita e para cima a direita. 
Melissa está recordando eventos e estímulos auditivos.

Em 0:37, ao falar que sua família está com ela, ela demonstra felicidade devido a elevação do canto dos lábios e sutis contrações no canto dos olhos.
Essa felicidade está sendo amortecida pela emoção negativa que está sentindo por tudo que tem acontecido


SUMÁRIO: A notícia não é fake. Melissa, realmente, foi agredida.
A emoção padrão apara um contexto como esse está presente: a tristeza
As pessoas alegaram que o vídeo é fake pelo fato de algumas filmagens o roxo estar no olho direito e em outras no olho esquerdo.
Isso acontece pelo fato do vídeo ter sido gravado no celular. A câmera frontal dos celulares é espelhada. Outras gravações podem ter sido realizada com câmeras que não espelham a imagem; dando a impressão que o roxo muda de lado.

*Agressão contra a mulher é crime. Os agressores devem ser denunciados

domingo, 30 de setembro de 2018

Análise não-verbal: Ex-mulher de Jair Bolsonaro fala sobre suposta ameaça de morte.

Na terça-feira, dia 25 de setembro, o jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem, na qual apresenta uma denúncia da ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, junto ao Itamaraty, alegando que sofreu ameaça de morte do candidato em 2011.
Logo após a divulgação, Ana Cristina, vem a público, por meio de um vídeo, desmentir a reportagem do jornal; e negar que tenha sofrido qualquer tipo de ameaça.

"Este presente artigo não tem como objetivo manter ou defender uma posição política. A análise é feita, exclusivamente, com base em ciências comportamentais e tem a única finalidade de instruir."

Vamos à análise:

No começo do vídeo, em 0:01, Ana Cristina emite uma expressão de medo pela sutil elevação nas pálpebras superiores e separador dos lábios. 
Seus ombros tensos são congruentes com a emoção de medo.

Em 0:03, ao falar: "... ex-esposa do nosso presidenciável Jair Bolsonaro", Ana Cristina fecha os olhos indicando não visualização ("Eye Shielding").
Geralmente, esse gesto está ligado à emoção negativa.

Em 0:05 depois de falar que é ex-esposa do presidenciável Jair Bolsonaro, Ana Cristina exibe uma expressão de desprezo, pela contração no bucinador com uma ênfase maior no lado direito da extremidade do lábios.
Existe uma probabilidade desta emoção estar ligada ao fato dela ter sido casada com Jair Bolsonaro.

Em 0:06, ao falar a palavra "indignada", Ana Cristina realiza um movimento exagerado de verbalização. 
Esse exagero indica um estado emocional alfa do agente realizador. Mostra que Ana Cristina está se sentindo assertiva, confiante.

Em 0:15 ao dizer: "Que o Jair me ameaçou de morte", se referindo a afirmação feita pela Folha de São Paulo na reportagem, Ana Cristina demonstra a expressão de medo novamente. Desta vez pelo levantamento das sobrancelha na parte interior e exterior, contração do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), elevação das pálpebras superiores, estiramento horizontal dos lábios pela ação do músculo Risorius.
Há também um desnível nos ombros indicando ansiedade e incerteza em seu discurso.
Suas mãos estão espalmadas para cima. Esse gesto é chamado por Joe Navarro como "Rogatory Position" e indica que a pessoa deseja que acreditem no que está falando.
Essa posição denota um apelo, e nesse contexto, Ana Cristina está pedindo que acreditem nela quando diz que a Folha de São Paulo publicou que ele a tenha ameaçado.

Um pouco antes desse trecho, a partir de 0:09, Ana Cristina diz que a Folha de São Paulo publicou que o Jair a ameaçou de morte. Na verdade, a publicação da folha se refere ao fato da Ana Cristina ter falado que ele a ameaçou.
Existe, portanto uma diferença entre o conteúdo da publicação e o que Ana Cristina está falando. 
(Uma coisa é dizer que o jornal disse que Bolsonaro a ameaçou; outra coisa é dizer que Ana Cristina disse que foi ameaçada).
Essa diferença pode indicar fuga e evasividade por parte de Ana Cristina.
Ana Cristina nega que Bolsonaro a agrediu, e não, que citou a ameaça à embaixada.

Podemos concluir nesse segmento que não foi a Folha que disse sobre a ameaça, foi ela quem citou tal ameaça, mas Aná Cristina transfere a culpa para o jornal e deseja que acreditem que a notícia de ameaça tenha partido da Folha.

Em 0:17 ao falar: "Nunca", ao se referir a ameaça de morte, ela exibe um conjunto gestual congruente com o contexto: corpo projetado para frente, movimento rápido de cabeça de um lado para outro.
O movimento rápido de cabeça de um lado para outro, é chamado por Jack Brown de "Head Wiggle", indicando um alto nível de assertividade e confiança. O corpo projetado para frente confirma essa segurança no discurso.

Em 0:19, Ana Cristina realiza o gesto de espalmar completamente a mão no peito.
Esse gesto possui um alto coeficiente de sinceridade, pela forma como é realizado. Em contrapartida, se o mesmo gesto fosse realizado apenas com a ponta dos dedos tocando o peito, o significado seria o oposto, haveria uma falta de sinceridade e um discurso completamente racional.

Em 0:21, ao falar que o ex-marido Jair Bolsonaro é muito querido, há congruência.
A cabeça de Ana Cristina afirma no mesmo momento em que verbaliza uma afirmação.

Em 0:25, mais uma vez vemos congruência ao dizer que Jair Bolsonaro não tem essa índole, sua cabeça nega enquanto suas palavras são de negação.

Em 0:32, Ana Cristina diz: "Espero que vocês acreditem"
Podemos notar que existe movimentos exagerados de vocalização conjugado com emoção de raiva pela contração do corrugador e afinamento dos lábios.
Esse conjunto nos mostra que ela tem o desejo de convencer, de que acreditem em suas ideias.

Em 0:46, após dizer que acredita que seu ex-marido ganhe no primeiro turno, e espera que as pessoas acreditem também, Ana exibe um gesto de projetar a língua para fora ("Tongue Jut").
Esse gesto, por si só, é um indicativo de ansiedade. Geralmente mostra uma contradição com o que está sendo falando. Isso porque, essa projeção de língua tem ligação com manifestação de auto-incriminação. Como se o corpo estivesse dizendo: "Fiz besteira", "Consegui sair ileso", "Fui pego", etc.

Em 0:47, ao se direcionar à mídia, Ana Cristina realiza um gesto ilustrador de apontar o dedo. Esse gesto denota uma intensa agressividade à pessoa a quem o está sendo direcionado.
Na grande maioria das vezes deve ser evitado, restando raríssimas exceções.
A agressividade é confirmada pela raiva em sua face, devido a sutil contração do corrugador (abaixamento das sobrancelhas), tensão nas pálpebras inferiores e afinamento dos lábios.

A partir de 0:49, diz: "Não adianta, nada vai fazer com que ele caia..."
Nesse momento, podemos notar congruência entre o verbal e o não-verbal. Sua cabeça nega juntamente com a negação verbal.
Após dizer "caia" podemos notar que ela faz um gesto único de afirmação com a cabeça. Esse gesto está sendo realizado de forma consciente e tem o intuito de confirmar a negação feita anteriormente.


No final do vídeo, Ana Cristina exibe novamente uma expressão de desprezo pela contração bilateral do bucinador.
Esse tipo de contração, dependendo do contexto, pode ser vista como um sinal de "Regret" (arrependimento).
De acordo com o especialista Jack Brown, essa expressão se assemelha muito ao desprezo. A diferença básica entre elas é que, no desprezo, existe um estreitamento das comissuras, devido a contração do bucinador, e um estiramento para cima, feito pelo zigomático maior; na expressão de arrependimento, não existe o estiramento para cima, existindo apenas o estreitamento das comissuras.
O arrependimento pode ter como fato gerador o que Ana Cristina falou em algum momento, no vídeo, ou até mesmo antes.


SUMÁRIO: Ana Cristina Valle, apresenta comportamento congruente. Não houve ameaça direta de morte por parte do ex-marido Jair Bolsonaro - o que não exclui o fato de já terem tido discussões sérias e agressivas.
A agente realiza algumas expressões de medo, que podem estar ligado à publicação, ou ao que ela falou à Folha.
A expressão de "Regret" ao final do vídeo são indícios de que existe uma grande probabilidade de Ana Cristina ter comentado que Jair a ameaçou de morte, mas essa ameaça não aconteceu diretamente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Análise não-verbal: Anitta diz que não apoia Jair Bolsonaro e é a favor do movimento "Ele Não"

Anitta aceitou o desafio da cantora Daniela Mercury, e veio à público se manifestar a favor da hashtag "Ele Não" - movimento contra a candidatura de Jair Bolsonaro.
Isso aconteceu após a cantora já ter falado que não iria se manifestar sobre de quem seria o seu voto à Presidente.
A cantora Anitta realmente apoia a hashtag "ele não"?

Vamos à análise:

No começo do vídeo em 0:01, Anitta, ao cumprimentar os espectadores, exibe uma acentuação na prega naso-labial, elevação do queixo (Mentalis) e uma pressão nos lábios. Essa configuração está presente na emoção de nojo. 
A pressão nos lábios é uma intenção de suprimir essa emoção
Anitta não queria estar ali falando sobre esse tema.

Aos 0:03 - 0:04 ao falar que foi desafiada pela Daniela Mercury a apoiar a hashtag "ele não", novamente podemos ver a pressão nos lábios juntamente com uma configuração de nojo ao citar o desafio

Em 0:05, ao verbalizar a palavra "apoiar", podemos notar que o pitch vocal de Anitta se eleva, deixando sua voz mais aguda. Isso indica uma forte ansiedade. 
Sua cabeça se lateraliza quebrando a harmonia corporal.
Podemos concluir uma possível desonestidade de Anitta quanto a veracidade de seu apoio.

Em 0:13 Anitta diz que não apoia o candidato Jair Bolsonaro.
Nesse momento, podemos reparar dois movimentos de cabeça incongruentes com o contexto.
Em um primeiro momento, Anitta inclina a cabeça para a sua direita, e logo em seguida ela realiza um movimento de cabeça partindo da esquerda para o centro. 
De acordo com o antropólogo, Desmond Morris, quando movimentamos a cabeça do centro para as laterais e depois retornamos ao ponto inicial, estamos negando ("Head Shake"); se realizamos esse gesto partindo do centro para apenas uma das laterais e depois retornamos ao começo, também é sinal de negação; mas se iniciamos o movimento na lateral para o centro, significa uma afirmação.
Ao final desse trecho, Anitta, novamente pressiona os lábios em uma tentativa de suprimir alguma emoção ou o que realmente gostaria de dizer (foto acima).

Em 0:17, Anitta diz: "... em momento nenhum eu desmereci... a hashtag"
Nesse momento, a cantora Anitta novamente nega com um gesto de cabeça partindo da lateral esquerda para o centro. De acordo com Desmond Morris, é um gesto de afirmação.
Podemos notar também que Anitta eleva sua sobrancelha direita de forma sutil, ao falar "em momento nenhum". Esse gesto é chamado de "Skeptical Eyebrow" e indica ceticismo, dúvida, incredulidade no que está vendo, falando ou escutando.
Anitta realiza uma pausa desnecessária entre as palavras "desmereci" e "hashtag" quebrando o fluxo verbal.
Esse cluster (conjunto) indica incongruência e descrença no que está dizendo.

Em 0:20 - 0:21, Anitta diz: "Eu só quis dizer para vocês que... além de se posicionar com hashtag, agente pode fazer durante a nossa vida. São os nossos dias também... as nossas atitudes, que mostram a nossa luta contra o preconceito, contra o racismo, machismo, homofobia; nossa luta pelas minorias"
Durante esse trecho, Anitta eleva o ombro direito em vários momentos. Um desses momentos se dá durante a palavra "além" (foto acima).
Esse gesto chamado de "Shoulder Shrug" de forma unilateral, feito durante tantas vezes e um trecho relativamente pequeno, indica desonestidade no discurso, pois há uma dissonância entre o que ela realmente pensa e o que ela está verbalizando.

Em 0:41 Anitta diz: "Eu apoio sim o uso da hashtag "ele não""
Nesse momento, ao final, novamente vemos Anitta comprimindo seus lábios com o intuito de suprimir uma emoção, uma fala, um desejo, etc.
É comum fazermos esse gesto quanto estamos contrariados de termos que fazer algo.

Em 0:45 após dizer: "... quero desafiar...", podemos notar que Anitta inspira mais profundamente
Indica nervosismo, tensão e recrutando forças para uma ação indesejada.


SUMÁRIO: Anitta não se sente a vontade no vídeo. Existem incongruências.
Não podemos confirmar se ela apoia o candidato Jair Bolsonaro, mas podemos afirmar que o apoio a hashtag "ele não" foi feito de forma racionalizada. Isso significa dizer que não houve vontade, por parte de Anitta, de oferecer apoio a esse movimento contra Bolsonaro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Análise não-verbal: Eduardo Costa fala sobre suspeita de estelionato. Venda de imóvel


O cantor sertanejo Eduardo Costa está sendo acusado de estelionato devido à venda de uma mansão construída em terreno de reserva ambiental em um balneário mineiro.
O cantor vendeu a mansão a um casal por um valor entre R$ 6,5 e R$ 7 milhões de reais. Em troca recebeu um imóvel em Belo Horizonte no valor de R$ 9 milhões de reais. Para compensar a diferença, o cantor deu um automóvel da marca Ferrari, uma lancha e uma moto aquática ao casal.
Ao tentar registrar a mansão, o casal foi informado que o imóvel era alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal e uma ação de reintegração de posse por estar construída parcialmente em uma área de preservação permanente que pertence a FURNAS.
O casal alega que não sabia dos processos envolvendo o imóvel.
O cantor Eduardo Costa prestou depoimento no dia 18 de julho.

Vamos à análise:

Em 0:06, o cantor realiza um gesto chamado de projeção da língua umedecendo os lábios. Esse gesto indica tensão e nervosismo ao falar do tema.
Isso ocorre porque em alguns casos, quando estamos nervosos sobre um assunto do qual estamos falando, o nervosismo resseca os lábios e esse gesto acontece para que possamos umedecê-lo e automaticamente nos acalmarmos. Sendo portanto um gesto pacificador.

Essa projeção da língua ocorre em vários momentos durante o vídeo.
De acordo com o especialista Joe Navarro, esse gesto de passar a língua nos lábios pode ser um indicativo de auto-incriminação. Significando que o agente errou, "fez besteira", deseja escapar ileso.
Nesse mesmo momento, se reparamos nos delegado. Ele está com os lábios pressionados, indicando tensão e nervosismo; e até mesmo apreensão.

Em 0:08, ao falar que a maioria dos imóveis na região têm esse processo cível, podemos notar que ele "coça" a face. Esse gesto é chamado de pacificador, e tem o objetivo de acalmar, tranquilizar. Sempre que esse gesto é realizado podemos dizer que o agente está passando por um momento de nervosismo e tensão.

Em 0:21, momentos antes do cantor dizer que toda pessoa que compra ou vende imóvel na região é ciente desses processos, ele eleva o ombro direito.
Esse gesto chamado de "Shoulder Shrug" é um indicativo de conflito cognitivo entre o que ele sabe que é verdade e o que ele diz. Pode ser interpretado como um sinônimo de incerteza.


Em 0:25, o cantor diz: "quando eu fiz a negociação, é... do meu imóvel, eu já fiz essa negociação, éééé... deixando bem claro pra pessoa que existia esse processo..."
Nesse trecho existem duas considerações relacionadas ao seu discurso: uso de agregadores e pausas desnecessárias. 
Ambos os elementos indicam processamento mental do que vai ser falado. De acordo com Mark McClish, o uso de agregadores verbais (éééé...) indicam um ganho de tempo para o cérebro pensar no que vai falar; para buscar as palavras certas.
A pausa, logo após os agregadores, indicam um alto nível de ansiedade, significando hesitação e reformulação de pensamento. Certamente Eduardo Costa iria dizer algo, mas desistiu.
Após a pausa, ele direcionou seu olhar pra cima e esquerda, conjugado com uma tensão nas pálpebras inferiores, gesto chamado de "Eyes Squint" (foto acima). Indica tentativa de lembrar de algo.
Todos esses gestos nos indicam que o cantor sertanejo quis ganhar tempo para pensar no que ia dizer, após concluir o pensamento do que ia verbalizar, desistiu e mudou suas palavras.
Esse trecho, não necessariamente, nos indica uma desonestidade total em relação ao fato, mas houve omissão.


Em 0:36, Eduardo Costa emite uma expressão de desprezo devido a contração do músculo do bucinador.

A partir de 0:59, o cantor diz: "todos nós estamos sujeitos a passar por situações constrangedoras, e... eu jamais levaria uma pessoa a passar por isso..."
De acordo com a análise do discurso, o fato dele ter falado que "todos estão sujeitos a passar por situações constrangedoras", indica que o cantor reconhece que houve uma situação constrangedora.
O uso de "todos nós" mostra uma tentativa de justificar a situação através de generalização e criar conexão.
O uso de "uma pessoa" ao invés de se referir a outra parte do processo mostra impessoalidade e distanciamento.

A partir de 1:10, ao falar "tô bem tranquilo, em relação a isso", ele eleva o ombro direito de forma contundente.
Novamente há um conflito cognitivo entre a verdade e o que ele diz. O cantor, definitivamente, não está tranquilo.
Juntamente com esse gesto, podemos notar que o cantor fecha o olho esquerdo. Esse é mais um gesto assimétrico. De acordo com o Paul Ekman, a assimetria é um forte indicativo de desonestidade no discurso.

Em 1:23, Eduardo Costa diz: "Não tenho o que esconder"
Logo após ele verbalizar essa frase, podemos notar que ele sinaliza "sim" com a cabeça. Nesse caso há uma incongruência entre o que é verbalizado e o que o corpo expressa.
Novamente há uma elevação do ombro direito indicando incerteza no seu discurso.

Em 1:33, antes do cantor verbalizar: "Tô respondendo normalmente como cidadão de bem que sou", eleva o ombro direito ("Shoulder Shrug").
Podemos concluir que Eduardo Costa não está tranquilo, com o que está acontecendo.

Em 1:46, o jornalista pergunta se ele responde ao processo de crime ambiental. Mais a frente, em 1:48, Eduardo responde com um gesto incongruente.
O cantor faz um movimento de rotação com a cabeça a partir da esquerda até o centro.
De acordo com Desmond Morris, o gesto de negação com a cabeça pode ocorrer quando o movimento se dá do centro até a direita ou a esquerda, voltando a sua posição inicial. A esse gesto chamamos de "Head Twist".
Como dito anteriormente, Eduardo Costa faz o movimento inverso - da esquerda até o centro. Portanto, não significa negação. Pode ser considerado um gesto de inclusão, afirmação

A partir de 1:56, o cantor diz: "Quando eu comprei o meu imóvel eu já tinha consciência, de que existia esse processo".
Durante a palavra "consciência", ele projeta a cabeça para frente e realiza uma ênfase verbal. Esse conjunto indica confirmação.
Logo depois ele realiza um gesto de projetar a língua lateralmente (foto acima), indicando estresse. De acordo com a melhor doutrina de comunicação não-verbal, quando esse gesto acontece, é como se o corpo estivesse dizendo: "Eu fui uma pessoa má", "Eu fui pego", "Eu fiz uma coisa estúpida", "Eu errei", "Eu consegui escapar ileso" (Joe Navarro).
Esse gesto pode ser visto como um sinal de que, subconscientemente, há a admissão de culpa.
Eduardo Costa, de fato, sabia que algumas casas da região tinham esse processo judicial, porém ele se sente culpado por ter causado algum prejuízo. Existe uma probabilidade dele se achar culpado pela demolição parcial do imóvel.

Em 2:13, após um jornalista perguntar o valor do imóvel vendido, o cantor Eduardo Costa realiza um gesto pacificador de coçar o ombro.
Esse gesto nos diz que ele está nervoso e tenso, e necessita se acalmar. O fato dele estar pacificando o ombro esquerdo com o braço direito acrescenta um desejo de se defender, pois o uso do braço para pacificar a outra extremidade do corpo cria uma barreira, indicando defensividade.
Ele não quer falar sobre o valor do imóvel. A defensividade mostra que existe uma necessidade maior de manter esse valor em segredo.

Entre 2:14 e 2:23 podemos notar que a voz do cantor fica mais aguda. Esse aumento do "pitch" vocal indica nervosismo e tensão.
Isso acontece porque quando estamos vivenciando esse estado de nervosismo, o organismo libera cortisol e adrenalina na corrente sanguínea e simultaneamente os músculos da garganta se tencionam e por isso a voz se afina.

Em 3:11, um jornalista pergunta se foi ele (Eduardo Costa) que construiu essa área que está em litígio.
Apesar do cantor ser congruente, respondendo negativamente ao mesmo tempo que nega com a cabeça, no momento em que ele diz "não", há uma sutil elevação no ombro direito, demonstrando incerteza
O cantor ainda complementa que já comprou o imóvel pronto. Nesse momento ele afirma com a cabeça - congruência.
O cantor é congruente ao dizer que ele não construiu o imóvel e que comprou ele pronto, mas a incerteza mostra que ele pode ter feito alguma obra que ocasionou o litígio, ou contribuiu para ele.

Em 4:16, o cantor Eduardo Costa se refere ao fato de o terem acusado de estelionato, dizendo: "Eu não faço isso; eu jamais faria isso. Não faz parte do meu caráter fazer isso..."
Não verbalmente, durante as frases "eu não faço isso" e "eu jamais faria isso" ele assente com a cabeça, porém esse assentimento se dá de forma mais intensa, sendo nesse caso um assentimento de confirmação à sua negativa. Congruência e veracidade.
Em relação ao seu discurso, em nenhum momento ele disse que não fez, que não errou. Ele diz "eu não faço isso". Verbo no presente. Logo depois complementa "eu jamais faria isso". Verbo no pretérito imperfeito.
O uso desses tempos verbais se dá de forma parcialmente incorreta, tendo em vista que em nenhum momento ele usou o tempo verbal correto para esse contexto, que seria o pretérito perfeito ("Eu não fiz isso").
O que o cantor quis dizer nesse trecho é que no momento presente ele não faz; o que não exclui a ideia de que no passado ele não tenha feito, não tenha errado.
No momento em que diz "não faz parte do meu caráter fazer isso", ele é sincero.
Podemos chegar a conclusão de que não faz parte do caráter dele agir dessa forma, mas ele pode ter feito algo errado por um descuido ou por um desejo de omitir tal informação sobre o imóvel.

Em 4:25, o cantor emite uma emoção de desprezo, pela contração do bucinador. Sua postura e sua cabeça ligeiramente erguida indicam orgulho
Nesse contexto pode haver a presença de um "Duping Delight" (sorriso do manipulador). De acordo com Paul Ekman esse sorriso é emitido quando o agente se sente satisfeito após perceber que conseguiu convencer em seu argumento.

A partir de 4:28, Um repórter pergunta: "Resumindo: Você nega o prejuízo para a pessoa e que a pessoa já sabia desse dano ambiental da casa?"
O cantor Eduardo Costa responde: "Nego o prejuízo, a pessoa já sabia, e eu jamais daria prejuízo em qualquer pessoa."
Antes de começar sua resposta, em 4:26, Eduardo Costa realiza um gesto chamado de "Lip Purse" - que consiste em projetar os lábios para frente. De acordo com a doutrina, esse movimento indica desacordo e/ou que o agente está planejando algo e deseja manter essa ideia em segredo. E ele sabe que será bem sucedido nesse desejo.
Sua gesticulação com a cabeça é exagerada para trás. De acordo com o especialista Alexandre Monteiro, esse exagero nos indica um gesto de compensação, pois vem depois de um "Duping Delight" e de um pacificador de passar a língua nos lábios
Ao falar "... em qualquer pessoa" ele realiza um gesto que o especialista Jack Brown chama de "Head Wiggle", que consiste em um movimento rápido de cabeça de um lado para outro. Esse gesto significa confiança, segurança e um estado emocional alfa.
Apesar dele demonstrar confiança nesse momento, os estudos de Statement Analysis de Mark McClish mostram que existe evasividade e distanciamento em seu discurso. Segundo McClish, a palavra "jamais" não é negação por não especificar o tempo, sendo considerada linguagem vaga; o uso do verbo "dar" no futuro do pretérito é considerado, para esse contexto, uma negação sem valor, pois o uso desse tempo verbal evita que o agente use o verbo no pretérito perfeito.
A frase "qualquer pessoa" é uma linguagem de distanciamento, pois ele não fala dos compradores nesse caso específico, ele usa de generalização
Em outras palavras, falar: "eu jamais daria prejuízo..." mesmo sendo uma verdade, não exclui a ideia de que já possa ter dado prejuízo antes; pelos usos da palavra "jamais" e da ausência do pretérito perfeito.

Em 5:18, Eduardo Costa projeta seus lábios para frente. Esse gesto indica que há uma intenção de omitir alguma ideia, plano ou intenção.
Em outras palavras, o agente do gesto tem alguma ideia, plano ou intenção que não deseja divulgar; e acha que terá, ou está tendo, sucesso em sua execução.

Em 5:20, ele realiza mais um gesto pacificador, visando se acalmar de algum momento de tensão, nervosismo ou ansiedade.

Em 5:21 - 5:22, Eduardo Costa responde à pergunta da jornalista sobre o porquê do casal ter entrado na justiça contra ele.
O sertanejo diz: "Olha... eu não sei. Sinceramente eu não sei. Eu juro por Deus que eu não sei..."
Ele projeta sua cabeça lateralmente para trás havendo desalinhamento corporal. Esse sinais indicam nervosismo e desejo de fugir da situação.
De acordo com estudos de Statement Analysis, começar uma resposta com "olha" indica incerteza no que responder ou como responder, funcionando como uma forma do cérebro ganhar tempo na resposta. Nesse contexto, essa palavra é desnecessária, tendo em vista que Eduardo Costa poderia começar sua resposta com "eu não sei".
Ele reafirma o desconhecimento ("Sinceramente eu não sei. Eu juro por Deus que eu não sei") em uma tentativa de convencer. Quando o agente não sabe, ele não tem essa necessidade de reafirmação.
De acordo com Mark McClish, o uso da frase "juro por Deus" pode ser um indicador de desonestidade. McClish diz que quando o agente cita divindade na resposta é uma incerteza e deseja que a certeza seja garantida ao citar tal divindade.
Em resumo, o cantor faz ideia do motivo de terem procurado a justiça para processá-lo.

Em 5:36, após o jornalista perguntar se a pessoa que comprou era próxima, Eduardo costa exibe uma expressão de medo devido a elevação da parte interna e externa das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores, separação dos lábios.
O advogado também exibe uma expressão de medo pela elevação das pálpebras superiores. Juntamente há um sinal de apreensão pela pressão dos lábios.
Logo depois ao começar a resposta, ele gagueja, indicando que não estava preparado para a resposta e não sabe o que vai responder.
Em 5:39 ao falar que eles se tornaram próximos por causa da negociação, o cantor realiza um gesto mecânico de afirmação com a cabeça, aumenta a velocidade da fala e o tom de voz. Esse conjunto gestual indica uma desonestidade em relação a proximidade que tinham.

Em 5:49, ele realiza o gesto de passar a língua nos lábios de forma mais contundente. Indica muito nervosismo, tensão, ansiedade ao tratar do assunto.
Esse gesto foi realizado por diversas vezes durante o vídeo.

Em 6:12 o jornalista pergunta se ele se arrepende de ter comprado essa casa. A partir de 6:15, o cantor responde: "De hipótese nenhuma. De hipótese nenhuma".
Não-verbalmente, ele nega com a cabeça demonstrando congruência, porém a frase "De hipótese nenhuma" não é considerada uma negação valiosa, tendo em vista que não é verbalizada a palavra "não".
Repetição da mesma frase é uma tentativa de reafirmar.
Ele teve ótimos momentos no imóvel, mas em algum momento, pode ter havido algum tipo de arrependimento, e talvez isso, o tenha feito vender.

Em 7:03, ao falar que compraria o imóvel de novo, ele apresenta muita tensão corporal e faz uma expressão denominada de "Not Face".
Essa expressão foi descoberta em 2016 por pesquisadores da Universidade de Ohio. As pesquisas descobriram uma nova expressão facial que é formada pela união das expressões de desprezo, raiva e nojo. O agente ao emitir essa expressão de "not face" tem a contração do corrugador presente na raiva; o enrugamento do queixo presente no nojo; e a contração dos lábios presente no desprezo. Esse expressão significa desaprovação, discordância.


SUMÁRIO: Eduardo Costa demonstra intenso nervosismo e tensão ao longo de todo o vídeo, que pode ser observado pelas várias vezes em que passa a língua nos lábios. O mesmo gesto, é reconhecido por Joe Navarro como um forte indício de auto-incriminação.
O cantor omitiu informações ao casal, a cerca do processo sobre o imóvel. Essa omissão pode ser em relação ao processo em si, ou em relação a alguns itens do mesmo.
O cantor reconhece que errou e que houve constrangimento.
O sertanejo não compraria de novo um imóvel nessa região, apesar da sinceridade ao afirmar que teve momentos bons no local.