sábado, 6 de abril de 2019

Análise não-verbal: Menina pede desculpas após praticar ofensas com funcionário do Bob's. Desculpas verdadeiras?

Recentemente duas meninas, identificadas como Júlia Rodrigues e Thaís Araújo, verbalizaram ofensas contra um funcionário da rede de FastFood Bob's.
As meninas elas estavam em uma das franquias do restaurante, um dos funcionários, chamado Pedro estava limpando o chão. Enquanto isso acontecia, elas proferiam palavras ofensivas e agressivas contra tal funcionário.
Após esse episódio as meninas receberam duras críticas dos internautas, as acusando de racismo e injuria racial.
Júlia Rodrigues veio à público e gravou um vídeo se desculpando pelo ocorrido. Será que seu pedido de desculpas foi verdadeiro?

Vamos à análise:

Em 0:04, podemos ver em Júlia a contração do músculo do corrugador, localizado entre as sobrancelhas, responsável pelo abaixamento das mesmas.
Essa contração muscular indica tensão, nervosismo e dificuldade de falar sobre o assunto.
Notamos também uma contração no músculo do bucinador, na extremidade esquerda do lábio, indicando a emoção de desprezo
Um segundo depois, enquanto diz que até então não havia falado nada em relação ao ocorrido, Júlia realiza um leve afastamento de cabeça para trás
Esse gesto indica um desejo de fugir do fato.

Em 0:07 novamente vemos a contração no bucinador. Novamente há desprezo.

Em 0:09, podemos ver a contração do corrugador juntamente com a elevação da parte interna das sobrancelhas e a queda dos cantos dos lábios. Essas ações musculares indicam a emoção de tristeza.

Em 0:13 - 0:14, ao afirmar que as pessoas estão falando coisas que não aconteceram, ela realiza um gesto com a cabeça de forma descoordenada. Notem que o ritmo vocal é diferente do ritmo corporal. Essa disparidade rítmica indica ansiedade e nervosismo com um alto coeficiente de desonestidade.

Em 0:29, ela realiza uma engolida em seco logo depois de dizer "Eu sei que isso não foi certo"
Isso acontece porque, devido a liberação de hormônios ligados ao estresse e tensão a garganta seca e precisa de lubrificação.
Podemos afirmar que nesse momento, Júlia está experimentando ansiedade.
A pergunta que devemos fazer é: Por que Júlia estaria ansiosa e tensa ao dizer que o que fez não foi correto?

Em 0:33 existe uma contração assimétrica no músculo do bucinador, responsável pela retração dos lábios e estreitamento das comissuras. Essas ações musculares indicam a emoção de desprezo.

A partir de 0:34, Júlia diz: "Eu queria pedir desculpas ao menino do vídeo, aos... aos familiares. Inclusive eu já falei com ele; eu já pedi desculpa"
Primeiro vamos analisar esse trecho sob o prisma da Análise do Discurso. Júlia utiliza o verbo "querer" no futuro do pretérito indicando uma incerteza. O correto seria verbalizá-lo no presente do indicativo, tendo em vista que é um desejo atual.
Júlia se refere à vitima como "menino". O uso do substantivo "menino" ao invés do nome da vítima despersonaliza e indica um afastamento.
Há também quebra de raciocínio lógico. Júlia começa dizendo que "queria pedir desculpas", depois ela diz que "já pediu desculpas". Como pode alguém querer pedir desculpas, já tendo pedido anteriormente? 
No âmbito da comunicação não-verbal, ao dizer "Eu queria pedir desculpa ao menino do vídeo", durante a verbalização da palavra "pedir", Júlia ao piscar os olhos os mantêm fechados por uma fração de milésimos além do normal. Consideramos isso um "Eye Shielding" (desejo de não ver o que está dizendo)
No momento em que diz: "aos familiares", ela eleva sutilmente o ombro esquerdo (foto acima), indicando falta de confiança e insegurança em suas palavras.
Todos esses sinais verbais e não-verbais, em conjunto, indicam que não houve esse pedido de desculpas e não existe essa intenção.

No final do trecho, em 0:40, Júlia ao terminar a afirmação pressiona levemente os seus lábios. De acordo com a doutrina de comunicação não-verbal, pressionar os lábios ao terminar qualquer afirmação indica insegurança em suas palavras.
Há um desejo inconsciente de não ter dito o que disse

A partir de 0:41, Júlia diz: "Eee... queria dizer queee... realmente eu errei"
Notamos nesse trecho um distúrbio da fala, estudado na Paralinguagem, que é o prolongamento verbal. Ela prolonga a conjunção "e" e a conjunção "que". Esse tipo de distúrbio indica a intenção de ganhar tempo para que o cérebro pense no que dizer em seguida. Esse recurso é muito comum em um contexto de desonestidade.
Há também a ausência do pronome "eu" quando diz "queria dizer que". Essa falta do pronome nos mostra que ela não quis assumir sua culpa. Júlia, literalmente está se omitindo
De acordo com estudos de Análise do discurso, a palavra "realmente" é chamada de potenciadora, e tem a intenção de adicionar ênfase com o objetivo de persuadir. Podemos notar que o uso dessa palavra se faz completamente desnecessária para que se entenda o contexto. Geralmente quando ocorre essa falta de necessidade, existe uma intenção de convencimento.
Ao final desse trecho, vemos a contração do bucinador, responsável pela emoção de desprezo (foto acima)

Em 0:47, mais uma vez notamos a contração do bucinador, no lado esquerdo do canto da boca. Desprezo

Em 0:54 - 0:55, Júlia diz: "Eu não sou racista... Eu queria dizer que eu não sou racista porque... eu tenho vários amigos negros"
Ao dizer "eu não sou racista", Júlia projeta sua cabeça para frente a aumenta o contato ocular direto. Esses dois gestos indicam uma tentativa de convencimento do que está falando. Logo após existe uma pausa como uma forma de pensar no que falará em seguida. Esse conjunto é comum em declarações racionais
Em seguida, Júlia novamente utiliza o verbo "querer" no tempo verbal incorreto. O certo seria o verbo no Presente no indicativo, e não no Futuro do Pretérito. Aqui a intenção é atual e não deveria ser uma mera possibilidade e incerteza
Antes de dizer que o motivo de não ser racista se dá por ter vários amigos negros, Júlia projeta sua língua para fora, em um gesto chamado de "Tongue Jut". Esse movimento de língua indica, segundo Joe Navarro, uma intenção de escapar ileso do mal causado. Como se o corpo comunicasse: "Eu quero escapar ileso".


SUMÁRIO: O pedido de desculpas é um ato submisso ("Eu me submeto a você, pois eu errei"). No vídeo não vemos em nenhum momento uma linguagem corporal submissa. Pelo contrário; Júlia emite, em vários momentos a emoção de desprezo, que indica superioridade intelectual e/ou física em relação a uma pessoa, a um evento ou a uma forma de pensar.
Os elementos paralinguísticos e da análise de declaração adicionam uma racionalidade ao discurso; o que também é contrário ao contexto de um pedido de desculpas. Além da submissão, o pedido de desculpas deve ser completamente emocional.
Podemos concluir, portanto, que o pedido de desculpas de Júlia é falso. Não existe qualquer intenção nesse aspecto.
A agente não acredita que tenha errado em suas atitudes.
As emoções negativas, como a tristeza, são devidas às criticas que sofreu, e não ao ato realizado.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Análise não-verbal: Bettina Rudolph. Patrimônio acumulado de mais de 1 milhão de reais. Ela está mentindo?

Bettina Rudolph trabalha na empresa Empiricus - especializada em publicação de conteúdo financeiro e ideias de investimento - e se tornou famosa na internet após aparecer nas propagandas do Youtube dizendo que transformou o investimento inicial de R$ 1.520,00 (mil quinhentos e vinte reais) em R$ 1.042.000,00 (um milhão e quarenta e dois mil reais) de patrimônio acumulado, em três anos.
A rapidez com que Bettina conseguiu esse patrimônio têm levantado a dúvida dos internautas se ela realmente fala verdade ao contar sua história de sucesso financeiro. Será que há honestidade?

Vamos à análise

Logo no primeiro segundo do vídeo, Bettina realiza um gesto ilustrador chamado de "Steeple" (cúpula do poder). Esse gesto consiste em unir a ponta dos dedos das duas mãos
Entende-se por gestos ilustradores, aqueles que, como o nome já diz, ilustram o que está sendo verbalizado; complementam a mensagem falada.
O gesto de "Steeple" é amplamente utilizado por líderes ao redor do mundo e sua intenção é transmitir assertividade, confiança, dominância. Esse gesto é categorizado como alfa, devendo, portanto ser realizado por um curto período de tempo, sob pena de transmitir arrogância - o que deixa a intenção negativa.
O "Steeple", por ser um gesto ilustrador, pode ser treinado por seu agente, com o intuito de transmitir não-verbalmente a intenção desejada.
No caso de Bettina, devido a certa rigidez corporal, podemos concluir que ela treinou esse gesto para que pudesse transmitir a intenção de assertividade e confiança em suas palavras. 
Na foto acima, além do "Steeple", podemos observar também uma tensão em seus ombros, o que indica um alto nível de tensão e nervosismo para gravar esse vídeo.
Em sua face podemos observar uma expressão de medo, devido a tensão na testa, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

A partir de 0:01 Bettina diz: "Meu nome é Bettina, eu tenho 22 anos e R$ 1.042.000,00 (um milhão e quarenta e dois mil reais) de patrimônio acumulado..."
Enquanto afirma que tem um patrimônio acumulado de R$ 1.042.000,00 (um milhão e quarenta e dois mil reais), notamos uma elevação em seu ombro direito. Esse gesto é chamado de "Shoulder Shrug" e de acordo com especialistas como Joe Navarro, esse gesto indica insegurança em suas palavras. A elevação assimétrica dos ombros mostra que existe uma dissonância cognitiva entre a verdade e o que está sendo dito pelo agente.
Há desonestidade em seu discurso.
Além da elevação do ombro, notamos também que há uma inclinação corporal para a sua esquerda, indicando instabilidade emocional.

Ainda no trecho acima, em 0:05, ao verbalizar a palavra "acumulado", fazendo referência ao seu patrimônio, ela exibe uma expressão de desprezo devido a contração unilateral do músculo do bucinador em seu lado esquerdo.
A emoção de desprezo está ligada a sensação de superioridade em relação aos demais ou à situação.

A partir de 0:09, ao dizer que precisava chamar a atenção do telespectador, notamos mais um gesto ilustrador com sua mão direita. Dessa vez, ela realiza o chamado de "Pinçamento" - quando a ponta dos dedos polegar e indicador se unem. Esse gesto indica um desejo de esmiuçar, detalhar a mensagem que deseja transmitir.
Esse gesto pode ser treinado.

A partir de 0:11, Bettina diz: "Ninguém acha normal eu ter juntado mais de um milhão de reais assim, tão nova e começando com muito pouco. Mas sabe o que chama a minha atenção? Que o que eu fiz não é nenhum segredo.."
Ao afirmar que ninguém acha normal, ela inclina seu corpo para frente ao mesmo tempo que nega com a cabeça. Nesse momento há congruência entre o verbal e o não-verbal
Ao verbalizar "mais de um milhão de reais assim",, seu corpo se inclina para trás. Como dito anteriormente, esse movimento indica evasividade e uma intenção de afastamento do que está sendo falado. Esse afastamento pode ocorrer por falta de confiança em suas palavras.. Podendo estar relacionado ao modo conseguiu esse acúmulo.
Juntamente ela eleva os dois ombros (foto acima). Essa elevação, de acordo com a doutrina é um gesto chamado de Emblemático. Os emblemas são gestos cujo seu significado é reconhecido mundialmente. A elevação dos ombros é um sinal de incerteza (elevamos os ombros quando queremos dizer "eu não sei")
De acordo com técnicas de Análise do Discurso, a preposição "mas" tem a função de minimizar - e até mesmo excluir - a importância das informações contidas anteriormente a ela. As palavras que seguem após o "mas" tem uma maior importância para o agente. Isso significa que o fato dela ter juntado mais de um milhão de reais, a partir de muito pouco, ainda nova não tem importância nenhuma. A sua real intenção é divulgar o que deve ser feito para alcançar esse objetivo, que segundo ela não tem segredo.
Mais um detalhe importante que podemos observar em relação a Análise do Discurso é a mudança de tempo verbal. Bettina começa usando o presente do indicativo ao dizer "sabe o que CHAMA a minha atenção?" e na frase seguinte ela altera para o pretérito perfeito ("que o que eu FIZ"). De acordo com Mark McClish, essa alteração indica omissão e desonestidade no discurso.
A desonestidade se refere, nesse trecho, ao modus operandi.

Ainda referente ao trecho acima, em 0:14 - 0:15, ao dizer "... começando com muito pouco", Bettina afirma com a cabeça de forma congruente.
No final da frase, podemos ver uma pressão nos lábios, com uma sutil projeção para frente. Essa projeção é chamada na doutrina de "Lip Purse" e indica clandestinidade, desejo de omissão de ideias, planos ou informações.
Geralmente quando esse gesto aparece há disparidade entre o que está sendo falado e o que está sendo pensado.

Em 0:18 - 0:19, Bettina diz: "... o que eu fiz não é nenhum segredo".
Nesse momento ela demonstra as palmas das mãos. Esse gesto clássico indica honestidade ("Pode confiar em mim, não tenho nada a esconder").
Joe Navarro, em seu livro "What Every Body is Saying" diz que esse mesmo gesto indica submissão e é chamado de "Rogatory Position". Ele representa um desejo de convencimento de ideias, opiniões ("Eu estou lhe oferecendo as minhas ideias, querendo que você acredite nelas").
Não podemos validar a veracidade desse gesto nesse contexto, isso porque ele pode ter sido ensaiado e treinado. Não sabemos quantas vezes o vídeo foi gravado até chegar nessa versão final. O que podemos afirmar aqui é que Bettina deseja transmitir transparência e que não tem segredo, mas existe uma probabilidade dela querer convencer o público de algo que não é verdade.
Há indícios de medo em sua face, principalmente pela elevação das pálpebras superiores.

A partir de 0:22, Bettina diz: "Eu comprei ações... na bolsa de valores"
Aqui existe uma intenção de convencimento.
O primeiro indício dessa intenção está na pausa desnecessária após a palavra "ações". A pausa é um recurso usando pelo cérebro para pensar no que vai dizer, mas em alguns casos ela também é usada para criar uma racionalidade maior, um ponto dramático. Note que seu tom de voz aumenta durante a palavra "ações"
O segundo indício está na forma como ela articula. Percebam que ela pontua gestualmente cada sílaba falada. Esse recurso é chamado de "Conversationalization" difundido pelo especialista Tom Mucciolo. A principal função desse recurso é distrair os interlocutores para convencer.
O terceiro indício é o olhar fixo para frente. Esse olhar é chamado por Aldert Vrij como "Deliberate Gaze" e, nesse contexto, funciona como uma forma de tentar gerar credibilidade em sua fala.
No final desse trecho, Bettina fecha os olhos (foto acima). Esse gesto chamado de "Eye Shielding" indica não visualização do que está sendo dito
Podemos concluir que existe algum elemento de desonestidade nesse trecho.

A partir de 0:29, Bettina afirma: "Comecei com dezenove anos e R$ 1.520,00 (mil quinhentos e vinte reais). Três anos depois tenho mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão). Simples assim."
Durante a frase "simples assim" ela eleva os dois ombros. Esse gesto indica incerteza e desconhecimento do que está sendo falado.
Essa simplicidade não existe.

A partir de 0:37, Bettina diz: "A maioria das pessoas vai pular esse anúncio e continuar se chocando com histórias fora da curva..."
Ao dizer "se chocando" ela eleva novamente os dois ombros ao mesmo tempo em que eleva o volume da voz. 
Nesse trecho, a elevação bilateral dos ombros tem outro significado. Contextualizando, a elevação nos mostra falta de comprometimento com suas palavras (Joe Navarro). 
Ao dizer "fora da curva" repare uma  contração assimétrica facial na pálpebra esquerda (foto acima). De acordo com Paul Ekman, assimetria facial é um forte indicativo de desonestidade, pois quando estamos falando a verdade, o corpo se comporta de forma simétrica. A assimetria também pode ser vista como um conflito entre o que é pensado e dito, e esse conflito é o que provoca uma ação muscular e/ou corporal assimétrica.

Em 0:48 - 0:49 Bettina exibe uma expressão de medo, principalmente pelo aumento das pálpebras superiores
Podemos notar também uma contração na parte interna de suas sobrancelhas. Empiricamente foi observado que essa contração sendo realizada em um contexto de pedido, solicitação, constitui um forte indicativo de tentativa de criar empatia, convencimento.
Aqui Bettina está tentando convencer os espectadores a clicarem no botão. O medo pode ter como fato gerador a incerteza do resultado positivo para quem clicar.

Em 0:57 - 0:58, Bettina diz que os resultados que as pessoas terão, ao clicar no botão, serão os mesmo que ela alcançou.
Ao verbalizar "os mesmos" sua voz fica trêmula. Essa alteração na voz, nos indica nervosismo e ansiedade advindos da insegurança. Esse estado de estresse causa contração no músculo da garganta alterando a voz. Contrariamente, a segurança e assertividade deixam a voz mais firme.

Ainda em 0:58 - 0:59, Bettina confirma: "Não tem como ser diferente"
Nesse momento observamos uma elevação unilateral de seu ombro direito. Esse gesto, como já dito anteriormente, nos mostra falta de confiança em suas palavras e uma dissonância cognitiva entre o que ela está pensando e verbalizando. Há desonestidade.
Bettina sabe que existem fatores que podem alterar os resultados.

A partir de 1:00, Bettina diz: "Se você tiver as mesmas ações que eu tenho, vai lucrar proporcionalmente o mesmo que eu..."
Ao dizer a palavra "proporcionalmente" notamos uma elevação bilateral dos ombros e um desalinhamento corporal. Reparem, na dinâmica do vídeo, que ela gesticula para a sua direita mas sua cabeça se inclina para a esquerda. Esse desarranjo nos indica um forte indício de desonestidade, pois esse comportamento corporal não é comum. Ele não acontece em um discurso honesto.
Ao final desse trecho ela realiza uma sutil e rápida negação com a cabeça, incongruente com a afirmação verbal, e em seguida fecha os olhos (foto acima). Esse dois sinais indicam desonestidade.


SUMÁRIO: O vídeo contém elementos fortes de convencimento dos espectadores. Os gestos foram coordenados para passar assertividade, segurança e criar embatia, embora esses elementos não estejam genuinamente presentes.
Existe insegurança ao se referir ao patrimônio acumulado e ao modo como conseguiu o patrimônio atual.
Ela não acredita em suas palavras ao dizer que os interlocutores vão conseguir a mesma tranquilidade financeira, se seguirem o mesmo modus operandi. Bettina também não acredita na facilidade do processo.

sábado, 16 de março de 2019

Análise não-verbal: Assassino de Suzano. Foto

Na manhã de quarta feira, dia 13 de março, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro atacaram a escola estadual Raul Brasil em Suzano - São Paulo.
Guilherme entrou na escola e matou sete alunos, dos quais, cinco eram alunos e duas eram funcionárias. Luiz Henrique entrou logo depois e atacou as pessoas já caídas.
Logo em seguida ao ataque, Guilherme matou seu comparsa e suicidou-se. De acordo com informações da polícia, havia entre eles um pacto, no qual haveria o crime e depois eles se matariam.

Nesse artigo nos analisaremos uma foto de Guilherme Taucci Monteiro. Que informações podemos tirar analisando sua linguagem corporal?

Primeiramente, é fundamental dizer que devemos ter muito cuidado ao analisar fotos.
As análises do comportamento não-verbal são realizadas através de uma observação prévia da linha de base do analisado. A linha de base se refere ao comportamento usual do indivíduo, em circunstâncias comuns. Ou seja, esse termo se baseia em como o agente se comporta em uma situação neutra - ausente qualquer fator de tensão, nervosismo. Qualquer mudança em sua linha de base, sugere que algo importante está acontecendo com o sujeito. É aí que devemos averiguar mais esse ponto gerador da alteração na linha de base.
Antes de analisarmos quaisquer fotos, devemos estudar o sujeito através de outras fotos ou vídeos para que possamos detectar sua linha de base, e a partir daí termos uma maior assertividade na conclusão
Para escrever esse artigo, outras fotos foram observadas, no intuito de delimitar a linha de base de Guilherme.

Sua mão esquerda realiza um gesto chamado "Handgun Illustrator". Esse gesto metaforicamente representa uma arma. De uma forma geral, ele indica um alto índice de agressividade.
Existem dois detalhes importantes nessa foto.
O primeiro é o dedo usado para simular o cano da arma. O dedo do meio potencializa a agressividade do gesto. Em praticamente todas as culturas, o dedo médio é tido como profano, ofensivo.
O segundo detalhe importante é o fato de Guilherme realizar esse gesto apontando para sua própria cabeça - o que pode indicar que o ato agressivo e violento pode, também, ser realizado contra si mesmo.
O gesto configurado com o dedo médio é um preditivo de potencial violência.


Em sua face observamos a contração da parte interna das sobrancelhas, contração no corrugador (músculo responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), e uma forte tensão em suas pálpebras inferiores (formando "bolsas" logo abaixo dos olhos)
Essas ações musculares indicam a emoção de tristeza.
Não é possível afirmar com plena certeza o fato gerador dessa emoção.

Seus lábios encontram-se projetados, de forma muito sutil, para frente. Essa ação é conhecida como "Lip Purse". Segundo especialistas como Jack Brown, o "Lip Purse" é um forte indicador de que o agente se sente superior e que tem um plano ou uma ideia que deseja colocar em prática, acreditando que conseguirá ter sucesso em sua execução. Esse seu planejamento, geralmente é mantido em segredo, total ou parcialmente, até que seja executado.






SUMÁRIO: Guilherme Taucci, nessa foto, está experimentando a emoção de tristeza
Podemos afirmar que há sinais de agressividade, podendo estar ligada às suas ações. De qualquer forma, ele acredita que terá sucesso na execução de seu plano e se sente superior.


*Meus sentimentos à família e amigos das vítimas

terça-feira, 5 de março de 2019

Análise não-verbal: Wade Robson e James Safechuck alegam que sofreram abuso sexual por parte de Michael Jackson. Verdades ou mentiras?

Wade Robson e James Safechuck vieram à público alegando que sofreram abuso sexual por parte de Michael Jackson, à época de crianças. Ambos lançaram, recentemente, um documentário chamado "Leaving Neverland" aonde expõem esse fato.
Em entrevista na emissora americana CBS, Wade e James contam suas experiências com o ícone da música pop. Será que essas experiências sexuais realmente aconteceram?

Vamos à análise:

Em 0:38, em uma primeira visão dos indivíduos, podemos notar que James (de camisa preta) apresenta tensão na face devido a sutil contração no músculo do corrugador (entre as sobrancelhas) e tensão nos lábios. Eles ainda direciona seu olhar para baixo e esquerda, mostrando que está em contato com seu diálogo interno, ou seja, em um momento de introspecção, avaliação, em contato com sua "voz interna".
Wade (de camisa branca), está com menos tensão facial, porém se mostra em uma postura defensiva - pernas cruzadas e mãos sobrepostas. Geralmente essa postura ocorre quando o agente não sabe como se posicionar para passar confiança.

Em 1:42, Wade realiza um gesto chamado "The Double-L", indicando avaliação crítica. Ele apoia sua cabeça no dedo indicador, que tem como ponto de suporte, a têmpora esquerda. Esse gesto, por indicar avaliação, é estritamente racional. 
Em seu discurso, ele se refere ao passeio que fez com Michael Jackson e sua irmã, em "Neverland". Esse tipo de discurso deveria ter uma forte carga emocional, tendo em vista que foi na época em que os supostos abusos aconteceram.
O "Double-L" torna o discurso racional e incongruente com o padrão comportamental esperado para essa situação.
Adicionamos uma elevação unilateral da sobrancelha direita, chamado de "Skeptical Eyebrow", indicando dúvida, ceticismo e descrença no que está falando.

A partir de 2:24, Wade diz: "One of the ways i remember it's starting... (Uma das formas que eu me lembro que aconteceu...)"
Podemos perceber aqui uso do tempo verbal incorreto. Ele está se referindo a um fato no passado, ao mesmo tempo que usa verbos no presente - constituindo uma incongruência verbal. O correto seria: "One of the ways i have remembered..."
Existe também uma elevação de seu ombro direito ("Shoulder Shrug"). Esse gesto, segundo o especialista Joe Navarro indica insegurança e/ou falta de comprometimento com o que está dizendo.
Sua cabeça se encontra projetada para trás conjugada com uma lateralidade. Esse gesto pode indicar distanciamento e desejo de fuga.

A partir de 2:28, Wade diz: "Michael just sort of starting to... touch... my legs and... touch... my crotch... over my pants... (Michael meio que começou a tocar... minhas pernas e tocar... minha virilha... sobre minhas calças)"
O uso da expressão "just sort of... (Meio que...)" indica incerteza. Não existe uma confirmação de que o agente, no caso ,Michael Jackson tocou Wade; existe apenas uma afirmação de que Michael "meio que tocou". O uso desse tipo de expressão nos mostra um interesse de evasividade.
As pausas desnecessárias nesse reafirmam a incerteza. O uso de pausas desnecessárias constituem um recurso para se ganhar tempo e pensar no que dizer.

A partir de 2:35, Wade afirma: "... it progressed to... him performing oral sex... on me. Him showing me how to perform oral sex on him. (... se desenvolveu... nele realizando sexo oral... em mim. Ele me mostrando como realizar sexo oral nele)"
Aqui existem vários sinais de desonestidade. No âmbito da comunicação não verbal, durante o trecho em que diz: "it progressed... (se desenvolveu...)" podemos notar que há um ritmo corporal diferente da fala. Seu corpo realiza sutis movimentos em um ritmo diferente da velocidade de sua fala. Essa incongruência constitui um vazamento corporal de desonestidade.
No que se refere a Análise de Declaração, durante o trecho "him performing... (ele realizando)" a velocidade com que verbaliza essas palavras é alta. Quando aumentamos a velocidade em determinado trecho, significa que queremos passar a mensagem de forma rápida, com o intuito de que possamos nos confundir em relação a versão que estamos contando e a versão original. Não queremos dar mais detalhes.

A partir de 2:43, a repórter pergunta: "Did he scared you? Did you think it was wrong? (Ele o assustou? Você pensou que isso fosse errado?)"
De acordo com as técnicas de Análise do Discurso (Statement Analysis) amplamente divulgadas por Mark McClish, a estrutura de uma resposta forte e congruente se dá pela resposta direta (sim ou não), complemento e uma justificativa.
Diante dessa pergunta, Wade deveria dizer "Sim eu tive medo...", "Sim, eu achava aquele comportamento errado...", ao invés disso, Wade responde com: "the couple of days, prior... (alguns dias, anteriormente...)". Note que não há uma resposta direta (sim ou não). Wade já começa sua resposta com uma possível justificativa. 
A ausência da resposta direta nos indica uma intenção de cautela em relação ao que vai falar. Em um grau mais geral, é sinal de evasividade.

A partir de 2:51, Wade Robson diz que Michael tocava nele: "... he's start to touching me, and just in the sense of like... hands on... my leg, lots of hugs, kissing my forehead, rubbing my head; so, there been these kind of development of physical closeness that was happening already... (... ele começou me tocando, e apenas no sentido de, tipo... mãos... na minha perna, vários abraços, beijando minha testa, acarinhando minha cabeça; então, havia esse tipo de desenvolvimento de proximidade física que já havia acontecendo...)"
Durante esse trecho, Wade se utiliza de gestos ilustradores ao enumerar as ações físicas realizadas por Michael. Gestos ilustradores são aqueles que ilustram a fala, sendo dela um componente para que o interlocutor possa visualizar com mais facilidade as ações que ocorreram. Wade gesticula com um toque na perna ao se referir a ação de Michael de tocar em sua perna; gesticula um abraço ao se referir aos abraços dados por Michael; simula um beijo na testa (foto acima), faz um gesto de carinho na cabeça ao se referir ao ato realizado por Michael. Gestos ilustradores, geralmente, nos indicam veracidade no discurso.
Durante a frase "physical closeness (proximidade física)" podemos notar uma assimetria em sua sobrancelha direita (foto acima). Está sobe, enquanto a outra permanece no mesmo nível. Essa assimetria indica dúvida, descrença no que está falando.
No âmbito da Análise de Declaração, podemos nos atentar pela utilização do tempo verbal errado. Wade diz "start (começar)" no presente, quanto o correto seria o verbo conjugado no passado
Podemos notar também o uso da expressão "just in the sense of like (apenas no sentido de, tipo...)". Essa expressão indica incerteza.
Desse trecho podemos concluir que houveram proximidades físicas por marte de Michael (houveram abraços, beijos na testa, etc...), mas o uso de expressões de incerteza nos mostram que Wade, provavelmente sabia que tais ações não tinham o cunho sexual.
Uma parte importante desse trecho está quando Wade se refere ao toque em sua perna. É o único momento em que há uma pausa maior entre as palavras "mãos" e "pernas". Há uma probabilidade dessa ação  não ter acontecido da forma como Wade está transmitindo.

A partir de 3:08, Wade diz: "As Michael start doing these sexual alleges, he's start talking to me about: God brought us together... we love each other... (À medida que Michael começa essas alegações sexuais, ele começa me falando: Deus nos uniu... nós nos amamos...)"
Novamente podemos notar o tempo verbal errado na palavra "start (começa)". Aqui ela está no presente, quanto deveria ter sido conjugada no passado
Ao dizer "he's start talking to me (ele começa me falando)", sua cabeça se movimenta para trás, em um gesto conhecido como "gesto de distanciamento", querendo se afastar do que diz.
Ao dizer "God brought us together (Deus nos uniu)", ele eleva assimetricamente a sobrancelha direita, indicando dúvida e ceticismo
Durante todo esse trecho, Wade Robson mantem o olhar, de forma exagerada, na repórter. Essa ação é chamada por Aldert Vrij de "Deliberate Gaze". Indica a intenção do agente de se certificar que o interlocutor está acreditando no que está sendo falado. É uma forma de feedback.

A partir de 3:26, James Safechuck começa a falar. "He introduce me to masturbation and said i taught him how to french kiss (Ele me apresente à masturbação e disse que eu ensinei ele como beijar de língua)"
No começo de sua resposta podemos notar que ele olha para baixo e direita. O movimento ocular nessa direção pode nos indicar emoção de vergonha.
Há também assimetria em sua sobrancelha esquerda, indicando dúvida, descrença.

Durante a verbalização de "... and said i taught him... (... e disse que eu ensinei...)", ele fecha os olhos indicando a intenção de não visualização ("Eye Shielding"). James também tem dificuldade de verbalizar essas palavras.
Esses sinais em conjunto podem nos mostrar que existe dúvida em relação ao que está falando, e sente vergonha do que tem que falar.

A partir de 3:33, James continua: "...hum... and them it moves to oral sex (... hum... e aí isso progride para sexo oral)"
Nesse trecho podemos notar o uso do agregador verbal "hum" juntamente com pausas desnecessárias. O agregador verbal é um recurso utilizado pelo agente para ganhar tempo no que vai dizer
Vemos também a utilização do tempo verbal errado da palavra "moves (progride)". O verbo está conjugado no presente, quanto deveria estar no passado.
Durante o agregador podemos notar que James pressiona seus lábios. Esse gesto indica tensão, nervosismo, desejo de não expor suas ideias, sentimentos. Pode estar ligado à desonestidade, sendo uma forma de auto-contenção. Juntamente já o direcionamento do olhar para baixo e esquerda. Esse movimento ocular está ligado ao acesso ao diálogo interno. Um momento de introspecção de auto-avaliação do que dizer, pensar

Ainda no mesmo trecho, durante a primeira pausa, entre o agregador e a continuação da declaração, rapidamente James direciona seu olhar horizontalmente para a direita. De acordo com a PNL esse movimento ocular está ligado a criação auditiva de algum som, alguma fala.

A partir de 3:37, A repórter pergunta: "Do you frighten or thinking this is weird or wrong? (Você se assustou ou pensou que isso fosse estranho ou errado?)"
James responde negativamente. Após, ele direciona o olhar para cima e direita. O movimento nesse quadrante indica acesso a parte do cérebro ligado à criação de imagens, fatos.

A partir de 3:45, James Safechuck diz: "And there is no alarm bells going off in your head... or any thoughts like that... (e não há alarme disparando em sua cabeça... ou quaisquer pensamentos como esse...)"
Nesse momento suas piscadas aumentam significativamente, indicando altos níveis de estresse e tensão. 
Ao dizer "any thoughts (quaisquer pensamentos)", o corpo se inclina para sua esquerda. Esse movimento indica um desejo de fuga e evasividade.

Em 4:05 - 4:06, James se mostra muito desconfortável. Seu corpo se ajeita na cadeira de forma descoordenada e ele projeta um sorriso unilateral indicando nervosismo.
A ação de se ajeitar é chamada por Jack Brown de "False Adjust" e indica um desejo do agente de retomar sua postura de confiança, após perdê-la
Essa tensão acontece quando a repórter pede pra James confirmar a história de que, as ações sexuais praticadas por Michael Jackson o fizeram vê-lo como um amante.
Há uma possível desonestidade nesse trecho.

Em 4:10, há novamente um desconforto grande, por parte de James.

Em 4:20, após finalizar sua explicação dos trechos anteriores, James realiza uma ação chamada de "Deliberate Gaze". Constitui em um olhar prolongado para o interlocutor com a intenção de se certificar de que este acreditou no que foi dito.
Além disso há tensão nas testa pela elevação das sobrancelhas e estiramento horizontal dos lábios, indicando a emoção de medo.

A partir de 4:28, Wade Robson diz: "He didn't... beat me, he didn't... you know... he never said mean things to me... it always all... we love each other (Ele não... me bateu, ele não... você sabe... ele nunca disse coisas maldosas para mim... sempre foi... nós nos amamos)"
Durante todas as negações verbais, Wade também negou com a cabeça. Havendo congruência
Nesse trecho existe uma coisa interessante. No começo, Wade negou que apanhou de Michael com "didn't (não - pretérito perfeito)". Mas ao negar que Michael não disse coisas maldosas para ele, Wade usa a palavra "never (nunca)". De acordo com as técnicas de Análise de Declaração, a palavra "nunca" não é uma negação. Podendo indicar evasividade, omissão
Em outras palavras, existe uma dissociação no mesmo trecho entre o fato dele ter apanhado e o fato dele ter ouvido coisas maldosas
Wade ouviu coisas maldosas de Michael.
Em 4:51, ao notarmos Wade e James, notamos que seus corpos estão em perfeita sincronia (foto acima). Suas cabeças estão inclinadas para o mesmo lado. Podemos confirmar aqui que eles estão espelhados. O espelhamentos é uma técnica da comunicação não verbal que consiste em "imitar" a postura e/ou os movimentos do outro indivíduo com a finalidade de se conectar, criar empatia em um nível subconsciente. A base do espelhamento é a frase "confiamos muito mais em pessoas que são iguais a nós"
Tanto Wade quanto James estão conectados ao que querem passar para o público.

* Em 2005 Wade foi à Justiça testemunhar sobre as alegações de assédio sexual contra Michael Jackson. À época ele testemunhou a favor de Michael, negando qualquer tipo de abuso por parte do cantor pop.

Em 5:10 - 5:11 Wade, após dizer que foi treinado para testemunhar a favor de Michael, emite um sorriso conhecido por "Duping Delight" (Sorriso do Manipulador). Esse sorriso, catalogado pelo psicólogo Paul Ekman, é um misto de desprezo e satisfação, e ocorre quando o agente percebe que é, ou será, bem sucedido em sua manipulação.

A partir de 6:22, a repórter pergunta para James: "Do you think there are others out there? (Você acha que tem outras pessoas abusadas?)"
James responde: "I do think there are other out there. But... but i also don't expect they just come out... now. There were coming out... (Eu acho que existem outras pessoas [na mesma situação]. Mas... mas eu não espero que eles venham à tona... agora. Alguns já vieram ....)"
Ao dizer "... there were coming out... (Alguns já vieram à tona...)" existe uma inclinação da cabeça para trás. Esse gesto é conhecido como Gesto de Distanciamento, indicando falta de confiança em suas palavras. Logo depois, James projeta, sutilmente, sua língua para fora. Esse gesto é chamado de "Tongue Jut" e significa, segundo Joe Navarro, uma auto-incriminação ("Eu cometi um erro"). 
Podemos observar que há medo em sua face, devido a elevação das sobrancelhas em suas porções internas e externas; e aumento nas pálpebras superiores.
Nesse contexto, podemos afirmar que James errou em relação ao que iria falar.

A partir de 6:45, Wade finaliza dizendo: "Michael just happens to be the guy. The abuser... in this child sexual abuse story. (Michael, por acaso é o cara. O abusador... nessa estória de abuso sexual infantil)"
A organização das palavras mostra racionalidade.
O fato de Wade ter, inicialmente, se referido ao Michael como "o cara" e só depois ao "abusador" demonstra que, para ele, Michael não é o abusador.  
Em caso de abuso sexual, a vítima tem uma forte relação emocional negativa com o abusador, por tal motivo, é comum que o adjetive negativamente, em primeiro lugar, pois de acordo com a neurociência, o estímulo emocional forte vem sempre em primeiro lugar. Em outras palavras, uma vítima de abuso vai usar a palavra "abusador" como primeiro adjetivo para se referir ao agente. Ao contrário do que fez Wade, que em um primeiro momento se referiu ao seu suposto abusador como "o cara"
No final desse trecho, podemos notar que Wade inclina sua cabeça para trás, em um movimento de distanciamento. Existe incerteza e falta de confiança em suas palavras.

* E quanto a ausência de emoções?
Podemos notar que tanto Wade Robson quanto o James Safechuck não demonstram quase emoções ligadas à vítimas de abusos sexuais. Geralmente pessoas que sofreram esse tipo de violência demonstram nojo, raiva, tristeza. Aqui, nenhum dos agente demonstraram essas emoções padrões. Alguns estudiosos explicariam essa ausência devido ao tempo entre esse vídeo e a ocorrência do fato. Muito tempo ocorreu, então a emoção ligada ao fato já não está mais instalada. Eu, particularmente acredito que mesmo com todo o tempo que passou, a emoção poderia permanecer, dependendo do trauma ou do resultado que tal ato negativo gerou na psiquê do sujeito. Quanto maior o trauma gerado, mais tempo a emoção negativa permanece. Se Wade e James vieram a público, depois de tantos anos para condenar Michael de abuso sexual, teoricamente esse assunto ainda gera respostas emocionais negativas nos agente. E essas respostas emocionais deveriam ser expressas em emoções negativas, que apareceriam na face


SUMÁRIO: A análise verbal e não-verbal nos fazem concluir que não houve abuso sexual por parte de Michael Jackson, em Wade Robson e nem em James Safechuck. Existem vários tempos verbais errados durante toda a entrevista
O fato de não ter havido abuso sexual, não exclui a possibilidade de ambos terem sido tratados por Michael de uma forma mais emocional, porém sem configurar um ato sexual.
Ambos demonstram falta de confiança em suas palavras.
Wade projeta mais segurança, o que pode indicar que este já é mais treinado nesse seu argumento, porém a análise de sua declaração comprova sua desonestidade.
A ausência de emoções padrões (raiva, nojo, tristeza), na minha opinião, é um fator importante para afirmarmos a desonestidade, tanto de Wade Robson quanto de James Safechuck.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Análise não-verbal: Luísa Sonza comenta sobre o suposto vazamento de sua foto íntima. Hackeada?

A cantora e esposa do Youtuber Winderson Nunes, Luísa Sonza teve uma foto íntima sua, supostamente vazada por um hacker, na rede social Instagram.
Após ter conhecimento do tal vazamento, a cantora veio a público explicar o que aconteceu.
O que será que sua linguagem corporal tem a nos dizer sobre esse fato?

Vamos à análise

A partir de 0:17, a cantora diz: "Aí eu vi que eu postei uma foto pelada no Instagram... alguém postou"
Nesse momento acontece o que Freud chamava de "ato falho" - um erro de memória, escrita, ação física, ou como no caso, de fala, causado pelo inconsciente. Segundo Freud, quando esse lapso acontece, estamos diante de uma manifestação inconsciente que foi reprimida. Em outras palavras, o "ato falho" é um vazamento inconsciente do que o consciente desejaria reprimir.
Aqui, podemos notar que Luísa Sonza assume que postou a foto íntima.
Nesse mesmo trecho, observamos que há expressão de medo, devido ao estiramento horizontal dos lábios. Essa emoção é mascarada por um sorriso falso.
Durante a frase "alguém postou" ela se ajeita na cama. Esse gesto pode ser interpretado como uma forma de sair de um estado beta (submissão) e entrar em um estado alfa (dominante) buscando mais recursos para se tornar mais assertiva em suas afirmações.

Em 0:23 - 0:24, Luísa diz: "... alguém que tenha a minha senha"
Há uma negação de cabeça nesse momento. Quando o não-verbal discorda do verbal, devemos sempre confiar nos indícios não-verbais.
A frase é afirmativa e o gesto é negativo. Há incongruência, e portanto, uma possível desonestidade.

Logo depois, em 0:25, a cantora projeta a língua para fora, em um gesto conhecido como "Tongue Jut". Esse gesto indica ansiedade. Em uma análise gestual mais profunda, segundo Joe Navarro, podemos interpretar esse gesto como uma intenção inconsciente de dizer "Eu fiz besteira", "Eu errei". Em outras palavras, esse gesto pode ser visto como um indicador de auto-incriminação.

Em 0:33, podemos notar uma elevação na parte interna e externa das sobrancelhas, elevação na pálpebra superior e estiramento horizontal no canto dos lábios. Essa configuração é referente a expressão de medo

Ainda em 0:33 novamente há a projeção da língua para fora ("Tongue Jut"), indicando ansiedade, e uma possível auto-incriminação.
Esse gesto é realizando durante o período de declínio (offset) da emoção de medo

A partir de 0:38, Luísa diz: "Essa foto eu mandei pro meu marido, que agente tá longe e eu sinto saudade dele"
Nesse momento ela realiza um gesto pacificador de coçar o olho esquerdo (a imagem está espelhada). Esse sinal tem a intenção de se acalmar diante de um momento de tensão, nervosismo ou até vergonha.
Não é sempre que um gesto pacificador indica desonestidade, mas nesse contexto, mas essa ação específica de coçar o olho tem uma alta correlação com a mentira.
Existe uma alta probabilidade de Luísa não ter tirado a foto com o objetivo primário de mandar para seu marido.

Em 0:46, mais uma vez a cantora realiza o gesto de projeção da língua

A partir de 0:48, a cantora diz: "Bom, pelo menos, eu sou... uma pessoa, que posso pelo menos ajudar com... algumas outras pessoas com isso"
A estrutura verbal é pobre de conteúdo, indicando racionalidade; ausente qualquer intenção emocional
A intenção não é ajudar outras pessoas

A partir de 1:03, a cantora Luísa Sonza diz: "Não sei porque alguém... fez isso, mas quem fez não, não me atingiu acho que tanto quanto queria me atingir"
Podemos ver um estiramento horizontal dos lábios indicando medo.
A expressão de medo é observada quando existe a elevação das sobrancelhas (parte interna e externa), a elevação das pálpebras superiores e o estiramento horizontal dos cantos da boca. Quando apenas o estiramento está presente, como no caso, podemos afirmar que o a gente está experimentando baixos níveis de medo.
Pela ausência de outras ações musculares presentes na emoção de medo, existe uma probabilidade desse medo ser um caso de "medo social", que ocorre quando a pessoa deseja demonstrar/atuar que sente medo, apenas como uma forma de etiqueta social.
O "medo social" também está presente quando a pessoa tem medo da repercussão que o caso terá.
De acordo com estudos de Análise de Declaração, o uso da palavra "acho" indica incerteza.

Em 1:13, mais uma vez podemos ver uma expressão de medo devido a elevação das sobrancelhas em suas porções internas e externa, e elevação das pálpebras superiores

A partir de 1:40, Luísa diz: "Eu jamais postaria uma foto assim. Eu não sou idiota de postar uma foto assim"
De acordo com Análise de Declaração, a palavra "jamais" não indica uma negação. Em outras palavras, não indica que ela não postou a foto. A falta de uma negação no tempo pretérito perfeito ("Eu não postei"), nos conduz a uma probabilidade da cantora ter postado essa foto
Ao dizer "eu não sou idiota de postar uma foto assim", existe uma incongruência entre o verbal e o não-verbal. Luísa nega verbalmente e faz um gesto afirmativo com a cabeça. Incongruência é um forte indício de desonestidade
Essa incongruência é seguida do gesto de projeção da língua, significando ansiedade e uma possível auto-incriminação

Em 1:43, podemos notar uma contração no corrugador (músculo situado entre as sobrancelhas), nos indicando uma emoção de raiva.
Durante grande parte desse momento do vídeo (1:30 a 2:14) Luísa Sonza demonstra raiva ao se referir às pessoas que dizem que foi ela quem divulgou essa foto íntima.

Em 2:00, ao afirmar que alguém pegou sua senha, ela exibe uma emoção de medo pela elevação das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios

A partir de 3:12 ao referir às meninas que já passaram pelo que ela diz estar passando, ela exibe um momento de tristeza. Podemos notar seus olhos mareados, voz embargada pelo tensionamento no músculo da garganta devido a forte carga emocional negativa
A emoção de tristeza vivenciada por ela nesse momento é real.
Apesar da emoção ser genuína, em alguns casos não temos como avaliar o fato gerador da emoção. O que provocou essa tristeza
A tristeza ocorre no momento em q ela fala sobre o que disseram a seu respeito pós essas fotos terem vazado

SUMÁRIO: O ato falho e as constante projeções de língua ("Tongue Jut") emitidos por Luísa Sonza nos indicam que há uma forte probabilidade da cantora ter divulgado a foto, talvez por engano.
Existe medo em vários momentos do vídeo.
A tristeza exibida ao final é genuína.