sábado, 15 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Comportamento do ator Shia LaBeouf. Oscar 2020. Impaciência?

Recentemente aconteceu mais uma edição da entrega do Oscar, em Los Angeles. Dentre vários momentos marcantes que permearam esse evento, um deles chamou muito a atenção do público.
Os atores Shia LaBeouf e Zack Gottsagen, que trabalharam junto nos filme "peanut butter falcon", foram escolhidos para apresentar a categoria de melhor filme curta-metragem.
Durante a apresentação dos concorrentes para essa categoria, segundo alguns espectadores, pela internet, o ator Shia LaBeouf teria se mostrado impaciente e desrespeitoso com o ator com Síndrome de Down, Zack Gottsagen. Por tal motivo, Shia foi duramente criticado nas redes sociais.
Será que realmente o ator Shia LaBeouf teve um comportamento negativo em relação ao seu companheiro de palco? O que sua Linguagem Corporal pode nos dizer?

Vamos à análise:

Logo os primeiros segundos do vídeo já chamam atenção. Reparem que o ator Shia LaBeouf aponta para alguém e logo em seguida realiza um gesto, considerado pelo antropólogo Desmond Morris como emblemático (seu significado é reconhecido diretamente por uma ou mais culturas) chamado de "Palm Punch", que consiste em socar com uma mão a palma da outra mão. De acordo com o antropólogo, esse gesto pode indicar um estado de controle de emoção negativa, como a raiva.
Não podemos confirmar para quem ele fez esse gesto e sua intenção em fazê-lo

A partir de 0:17, enquanto o ator Zack Gottsagen começa a dar sua fala, Shia LaBeouf se aproxima para tentar ajudá-lo em seu texto ou para dar a sua fala.
Enquanto Zack está falando com certa dificuldade, Shia realiza uma microexpressão de nojo devido a acentuação da prega naso-labial. Essa ação muscular pode ser facilmente confundida com a ação do zigomático maior, responsável pela emoção de felicidade, porém quando acontece essa acentuação da prega naso-labial, conseguimos ver uma contração maior na área popularmente conhecida como "bigode chinês" que se expande. Quando a ação é no zigomático maior, as extremidades dos lábios é que se estiram para cima (assista o trecho acima em câmera lenta para observar o movimento)
Não podemos confirmar qual é o fato gerador dessa emoção. Segundo Paul Ekman, o nojo pode acontecer não somente diante de algo nojento como vômito, por exemplo. Essa emoção também pode estar ligada a algum comportamento.

Em 0:27, quando o ator Zack termina sua fala, Shia LaBeouf sorri.
Podemos observar que em seu sorriso existem as duas ações musculares presentes na emoção de felicidade: o zigomático maior (estiramento dos lábios para cima) e os orbiculares dos olhos (responsável pela formação dos "pés de galinha"), porém existe uma outra ação muscular que não deve estar presente para caracterizar uma felicidade genuína - a abertura da boca. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, em uma emoção de felicidade genuína, a ação muscular responsável pela abertura da boca não pode estar presente, sob pena de transformar em um sorriso falso, social.
Reparem que a boca de Shia se separa durante o sorriso. Portanto, sorriso social.

Em 1:01, Shia realiza toque no braço de Zack para avisar o que ele deve fazer.

Em seguida, em 1:03, Shia exibe uma expressão de medo, devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não podemos afirmar com toda a certeza o fato gerador desse medo, mas existe uma alta probabilidade de ser medo de que algo não saia como deve e/ou que Zack seja mais rápido e não erre.

Ainda durante esse trecho, logo após de emitir medo, o ator Shia realiza um gesto de passar a língua nos lábios. Segundo Joe Navarro, esse gesto indica que o agente está experimentando ansiedade. De uma forma mais específica esse gesto pode indicar mensagens como "eu fui pego", por exemplo.
A emissão desse gesto pelo ator pode demonstrar ansiedade para que tudo aconteça como ensaiado ou ele percebeu que foi pego tocando no braço de Zack para mostrar o que devia ser feito.
Juntamente com esse gesto podemos perceber que seus lábios estão sutilmente enrolados para dentro da boca. Esse gesto indica retenção emocional ou racional.

Em 1:04, Shia morde o lábios superior. Indicando tensão e nervosismo. Pode ser visto também como um gesto de auto-contenção. Shia está experimentando algum estímulo negativo e deseja/precisa se conter
Juntamente ele realiza uma postura beta/submissão - a "postura de castração". Essa postura acontece quando o agente coloca suas mãos à frente de suas genitais. Indica desconforto, baixa confiança, defensividade.

Em 1:14, enquanto Zack realiza uma pausa antes de começar a falar, vemos sinais muito interessantes em Shia.
LaBeouf, fecha os olhos, eleva as sobrancelhas e projeta seu corpo para frente. Esse conjunto gestual pode denotar, segundo o especialista Jack Brown, impaciência, comportamento desdenhoso.
Fechar os olhos indica  desejo de não-visualizar o que está à frente, o que está acontecendo; Elevar as sobrancelhas enquanto os olhos estão fechados constitui um movimento não-natural, pois seus direcionamentos são diferentes (as sobrancelhas se direcionam para cima e os olhos, ao se fecharem, se direcionam para baixo). Esse conjugação de movimentos pode indicar desonestidade pela sua falta de naturalidade, porém, contextualmente falando, através de observações, alguns especialistas em linguagem corporal, perceberam que quando estamos impacientes, tendemos também, a fazer esse movimento. A elevação das sobrancelhas funcionam como uma abertura, uma permissão inconsciente, um "estar preparado" para que determinada coisa esperada, possa acontecer; e os olhos fechados e uma não-visualização da demora para que tal coisa aconteça.
A projeção do seu corpo para frente acontece devido a expectativa

Logo em seguida, em 1:15, Shia se afasta e exibe uma expressão de medo, devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não podemos afirmar com completa certeza o motivo pelo qual Shia LaBeouf exibiu essa expressão de medo, só sabemos que ele está sentindo essa emoção

Em 1:16, Shia fecha os olhos, expira o ar de forma audível. Seguida por uma risada conjungado com afastamento corporal
Expirar o ar de forma audível indica que o agente está em um momento de ansiedade; o gesto de fechar os olhos funciona, nesse caso, como um potencializador da ansiedade.
A risada, segundo Allan Pease, pode funcionar como uma "válvula de escape" para a emoção negativa. Segundo ele, sorrimos em um momento de tensão e nervosismo. Nesse caso, há uma intenção de liberar tal carga negativa pelo sorriso. O afastamento indica intenção de não-envolvimento.

Em 1:17, Shia realiza o gesto de morder o lábio inferior. Esse gesto indica desejo de supressão emocional.
Ele não pode falar e/ou agir de determina forma, então ele se suprimi. Uma das formas que o corpo tem de fazer isso, é morder o lábio inferior de forma consciente ou não.

Em 1:18, Shia aumenta ainda mais o distanciamento, inclinando a cabeça e o torso para uma direção oposta.
Aqui, além da intenção de não se envolver com algo que tenha acontecido e desagradado ele, existe também uma quebra de empatia e conexão com o outro ator ou até mesmo com a situação.
Nesse momento podemos confirmar que Shia realmente quer se distanciar desse contexto
Continuamos notando que o ator ainda se encontra na "posição de castração", que indica insegurança, submissão, desconforto emocional.
Esse distanciamento é realizado com os olhos fechados e projetando um sorriso social. Os olhos fechados funcionam como potencializadores do distanciamento e o sorriso, como já falamos, indica nervosismo e tensão

Em 1:22 acontece algo muito intrigante. Enquanto o ator Zack Gottsagen está falando a famosa frase: "The Oscar goes to... (O Oscar vai para...)", o ator Shia La Beouf fecha os olhos e exibe uma expressão de nojo, devido a elevação do lábio superior.
O nojo acontece quando reagimos negativamente diante de algo. Paul Ekman descreve a emoção de nojo como "... um sentimento de aversão..." por alguma coisa repulsiva que nos desperta grande repugnância. Podem não ser só gostos, cheiros ou toque, que promovem essa emoção; as ações também podem indicar o nojo.
Os olhos fechados, nesse sentido, funcionam como um potencializador emocional.
Não podemos confirmar o fato gerador do nojo, mas podemos confirmar que ele está presente.


SUMÁRIO: O ator Shia LaBeouf, durante a entrega da estatueta do Oscar para uma determinada categoria, enquanto estava na presença do ator Zack Gottsagen exibe emoção de medo e nojo em alguns momentos.
Apresenta também, indícios não-verbais que podem indicar impaciência, enquanto Zack demora em iniciar sua fala.
Enquanto Zack demora para falar, vemos, além do nojo, sinais de ansiedade, insegurança, desconforto.
Lembrando que nem sempre é possível identificar o fato gerador emocional, o que podemos confirmar é que o agente está experimentando tais emoções.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Bianca Andrade ("Boca Rosa") pede desculpas ao seu namorado. BBB20. O que ela sentiu?

Recentemente a digital influencer, Bianca Andrade, mais conhecida na internet como "Boca Rosa", uma das participantes do BBB20 gravou um vídeo de dentro da casa do Big Brother aonde pede desculpas ao seu namorado.
Esse pedido de desculpas foi consequência de um fato que aconteceu em uma das festas do reality, aonde Bianca Andrade teria flertado com um dos participantes.
O que sua linguagem corporal nos diz sobre esse pedido de desculpas?

Vamos a análise:

Logo no começo do vídeo em 0:02, Bianca realiza um gesto pacificador de coçar a orelha. Esse gesto acontece quando o a gente está experimentando um momento de ansiedade, tensão.
Ele é realizado para acalmar e tranquilizar diante dessas situações.

Ainda em 0:04 Bianca diz: "Hoje eu queria fazer esse vídeo dedicado a uma pessoa que é muito especial pra mim e que eu devo muitas desculpas..."
Bianca direciona seu olhar para baixo e direita. De acordo com a PNL esse quadrante indica que a empresária está acessando área do cérebro ligada às emoções - a área cinestésica.
Esse quadrante é muito acessado em contexto de vergonha.
Note que, nesse primeiro momento, ela não diz se tratar do namorado dela, e nem diz o seu nome. Aqui temos um sinal verbal de afastamento.
Esse afastamento, nesse contexto, pode acontecer pela tentativa de omitir alguma informação ou pela vergonha. Quando sentimos vergonha por alguma atitude, tendemos a não querer encarar o outro, sendo, portanto um afastamento. Esse afastamento também pode aparecer no âmbito de comunicação verbal, como no caso

Em 0:14 ao falar da festa, Bianca tensiona as extremidades da boca, pressiona os lábios e fecha os olhos.
Esse conjunto gestual indica vergonha e arrependimento pelas atitudes (a pressão e a tensão nas extremidades são responsáveis pelo arrependimento e o olhar fechado, que indica desejo de não visualização, é responsável pela vergonha)

Em 0:18 podemos notar que Bianca Andrade direciona seu olhar para cima e esquerda. De acordo com a PNL o movimento ocular nesse quadrante indica lembrança/acesso à memória. Esse movimento acontece quando ela fala da festa, então provavelmente aqui ela está lembrando de momentos que aconteceram durante essa festa

Em 0:21, Bianca diz: "Fiz um monte de coisa que... não condiz comigo"
Aqui notamos uma pausa desnecessária. Essa pausa é um recurso usado para o cérebro pensar o que vai dizer. É um forte sinal de omissão e/ou incerteza sobre o que vai dizer.
Durante essa pausa, a empresária emite o seguinte conjunto gestual: nega com a cabeça (negação), fecha os olhos (desejo de não visualização), aperta os lábios contraindo as extremidades da boca (arrependimento) e eleva os ombros (desconhecimento).
Aqui Bianca se sente arrependida e com vergonha pelo que fez e não sabe conceituar seu comportamento

A partir de 0:37, Ela diz: "As coisas que eu fiz em relação ao Guilherme e a Mari na festa... são coisas que não tão no meu coração hoje"
No começo ela fecha os olhos e mantêm fechados por mais tempo que uma piscada. Esse gesto é chamado de "Eye Shielding" e indica desejo de não visualização em relação a alguma atitude.
Existe uma pausa desnecessária, que seria um recurso para pensar no que vai dizer em seguida.

Ainda nesse trecho, durante a pausa (0:40), podemos ver grande tensão em sua face.
A parte interna das suas sobrancelhas se elevam formando rugas horizontais no centro, existe pressão nos lábios e nas extremidades da boca e enrugamento do queixo. Esse conjunto gestual é muito interessante.
Além de existirem elementos de pesar e arrependimento (sobrancelhas e extremidades da boca) existe também um elemento racionalizador. De acordo com o especialista Jack Brown, essa expressão facial, devido a sua intensidade, tem a intenção de gerar empatia e conexão com o público. Bianca quer que o público acredite nela. Ainda segundo Jack Brown, essa expressão é vista quando expomos uma de nossas fraquezas, o próprio autor cita o terno "tendão de Aquiles".
Como essa expressão é feita durante sua pausa, não sabemos exatamente o que ela iria falar, mas podemos confirmar de que essa expressão se refere às coisas que ela fez na festa, especificamente com Guilherme e Mari.
Não conseguimos ter certeza o real motivo dessa expressão, mas uma das hipóteses, é que ela PODE se referir a uma possível dicotomia que ela possa ter entre seu lado emocional (desejo de se relacionar com o participante), mas seu lado racional a impede de alguma forma (sabe que tem um namorado firme).

Bianca realiza um gesto mecânico (ou fora de sincronia) o dizer : "... são coisas que não estão no meu coração hoje". 
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, os movimentos e gestos devem ter sincronia com a fala. Eles devem ser realizados durante ou antes da verbalização, mas nunca depois. Os gestos posteriores, referentes ao que se fala, são considerados mecânicos e portanto racionais, logo, podem ter elementos manipulativos.
Trazendo para o caso concreto: Bianca diz de coisas que não estão em seu coração, e só depois de falar isso ela aponta para o coração. O gesto ilustrador de apontar para o coração deveria ter sido feito antes dela verbalizar a palavra "coração" (o pensamento acontece antes da ação); ou durante; mas não depois. Houve uma violação à sincronicidade gestual, logo, pode haver elemento manipulativo.
Além disso, ao ilustrar apontando para o coração, ela o faz com a ponta dos dedos. De acordo com Jack Brown e outros especialistas na comunicação não-verbal, quando nos referimos a nós mesmos e temos a intenção de transmitir um discurso emocional, devemos espalmar as mãos no peito - dando tal intenção emocional. Fazer essa referência apenas com a ponta dos dedos, como Bianca, denota uma intenção racional.

Em 0:46, Bianca diz: "E realmente foi coisas de bebida"
Aqui ela demonstra inconsistência em seu argumento
Em um primeiro momento, mais no começo do vídeo, em 0:16 ela diz que passou dos limites em relação a bebida (ela culpa a bebida);
Um pouco mais a frente em 0:25, ela diz que não quer por culpa na bebida (exclui essa culpabilidade);
Mais a frente em 0:47, ela diz que realmente foi coisas de bebida.
Essa inconsistência demonstra dúvidas e tentativa de convencimento.

Em 0:52, enquanto diz que queria mandar esse vídeo para seu namorado, e antes de pedir desculpas a ele, Bianca realiza um gesto, de forma extremamente sutil, de passar a língua nos lábios chamado de "Tongue Jut". Esse gesto indica ansiedade. Segundo Joe Navarro, é um elemento de auto incriminação. Ou seja, a pessoa sabe que errou e fez besteira; que o que fez não foi bom.

Ainda em 0:52, Bianca segue dizendo: "Amor, me desculpa..."
Ela pede desculpas de olhos fechados. O "Eye Shielding" indica desejo de não visualização. Normalmente, em um pedido de desculpas, o agente tende a olhar nos olhos, porém contextualmente, não podemos deixar de lado que pode ter o elemento de vergonha presente.
Se o ato de se desculpar vier junto com algum elemento de vergonha e arrependimento, o agente pode realizar esse pedido de olhos fechados.


SUMÁRIO: Bianca Andrade exibe sentimentos de vergonha e arrependimento pelo que fez.
Em alguns momentos ela não sabe descrever ou conceituar o que tenha feito.
Ao se referir, especificamente a Guilherme e Mari, ela apresente alguns elementos que indicam um desejo de criar empatia com o público. Essa expressão também pode estar ligada a exposição de uma possível fraqueza (Jack Brown). Algum fato ligado a esses dois indivíduos mexe com ela de alguma forma.
Ela reconhece que teve culpa em relação ao que aconteceu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Jonas chora e defende sua namorada sobre zoofilia. Big Brother Brasil. Choro verdadeiro?

Recentemente a participante do reality show Big Brother Brasil 20, Mari Gonzalez se envolveu em uma polêmica. Em uma conversa com outro participante, a Youtuber afirma que existem pessoas que têm relações sexuais com animais, e que pra essas pessoas é normal.
Esse comentário gerou uma grande polêmica na internet, que a acusou de zoofilia.
Após esse episódio, seu namorado, Jonas Sulzbach gravou um vídeo falando sobre o acontecimento.
No vídeo ele chora. Será que pela sua comunicação não-verbal é possível identificar se o seu choro foi real ou não?

Vamos análise

Em 0:02, Jonas está chorando ao falar que é injustiça o que sua namorada está fazendo. Nesse momento podemos ver a contração do corrugador (região entre a parte interna das sobrancelhas), aumento na pálpebra superior, tensão na pálpebra inferior, tensão nos lábios e estiramento horizontal dos mesmos.
No choro de tristeza, vemos as seguintes ações musculares: contração no corrugador, elevação da parte interna das sobrancelhas, queda dos cantos dos lábios e enrugamento do queixo.
Se compararmos as ações musculares de um choro de tristeza real e do choro de Jonas, podemos ver grandes diferenças, o que indica que, em relação a esse detalhe, seu choro não é real.
É interessante afirmar que a emoção que vemos nesse momento não é de tristeza, mas sim de raiva. A contração do corrugador, tensão nas pálpebras superiores e tensão nos lábios, são ações musculares presentes nessa emoção. E além disso, vemos a elevação das pálpebras superiores, que em alguns casos de raiva intensa essa ação pode estar presente.
Essa mesma configuração facial é vista durante todo o vídeo.

Aos 0:04, Jonas inspira profundamente.
Essa reação acontece quando nossas narinas estão tomadas de secreção e queremos evitar que ela saia.
Aqui podemos notar que suas narinas não possuem essa secreção.
Outro detalhe importante. Quando o nariz está congestionado devido ao choro, o nariz muda sua coloração, ficando avermelhado, resultado do inchaço do nariz. Há também ausência dessa vermelhidão

Em alguns momentos, como por exemplo em 0:07, Jonas olha para cima ao mesmo tempo que chora.
A tristeza é uma emoção negativa. Quando uma pessoa está tomada por essa emoção, todo o corpo reage de forma congruente. Ou seja, Diante dessa emoção o agente tende a ter uma linguagem corporal negativa, os ombros arqueiam para frente, entrando em uma postura de submissão, os músculos perdem uma certa tonicidade, o corpo todo pode se recolher, a cabeça abaixa e os olhos se direcionam também para baixo.
Aqui Jonas adota uma linguagem corporal incongruente com o contexto. Ele olha para cima, por exemplo.
Além disso, na foto acima, vemos que seus lábios estão estirados horizontalmente, e não direcionados para baixo como na emoção de tristeza.

Em 0:26 - 0:27, podemos ver Jonas gesticulando.
Quando estamos chorando de tristeza, nossos movimentos ficam letárgicos devido a perda de certa tonicidade corporal.
Nesse trecho, podemos ver que Jonas ao gesticular mantém seus gestos normais sem a intensidade emocional negativa que deseja transmitir.
Essa incongruência entre o episódio emocional e a gesticulação é observada também em outros momentos do vídeo.

A partir de 0:23 podemos notar que começa a se formar uma contração na parte interna das suas sobrancelhas. Essa ação muscular é congruente com a emoção de tristeza, porém, de acordo com Paul Ekman, uma expressão facial de emoção genuína dura na face no máximo 5 segundos e tem ápice de contração (quando as contrações estão mais intensas) de cerca de 1 segundo.
Aqui podemos ver que Jonas mantém essa contração por cerca de 12 segundos (de 0:24 a 0:36). Devido ao tempo de contração, podemos indicar que essa emoção não está congruente com uma tristeza real.

Em 0:29, podemos ouvir que Jonas bate em sua perna.
Mais uma incongruência. Como foi dito acima, quando estamos tristeza, ficamos com uma redução da tonicidade muscular.
O comportamento de bater em sua perna acaba por ser incongruente com esse contexto.

A partir de 0:48, Jonas diz: "Agora eu to recebendo ameaça todo o dia.."
Nesse momento podemos ver uma elevação unilateral em seu ombro direito. Esse movimento chamado de "Shoulder Shrug" indica insegurança em suas palavras. De uma forma mais profunda podemos identificar com uma dissonância entre o que está falando e o que realmente é. (É importante ver o vídeo para identificar a dinâmica do movimento)

Em 0:54, podemos ver Jonas passando o braço nos olhos com o intuito de enxugar as lágrimas.
Um dos princípios muito poucos falados na comunicação não-verbal se refere à simplicidade. Significa dizer que os gestos e movimentos mais simples transmitem muito mais veracidade. Esse princípio é muito adotado no estudo de liderança. Líderes que gesticulam e se movimentam de forma muito exagerada e complexa são vistos como mais manipuladores, pois tentam distrair os espectadores.
Esse princípio pode ser adaptado a essa situação. O que seria mais simples Jonas fazer? Enxugar as lágrimas com a mão ou se movimentar mais para enxugar com o braço?
Enxugar as lágrimas com as mãos se torna muito mais simples e até inconsciente, ainda mais no momento de tristeza intensa que ele gostaria de transmitir, quando nossa musculatura se torna mais solta e fraca.
Com base nisso, esse trecho forma um grande indício de incongruência.

Em 1:02, Jonas diz: "Não tenho mais vida"
Aqui ocorre uma falta de sincronia entre fala e gesto.
De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal o ritmo gestual e o vocal devem estar em sincronia. Ou seja, a intensidade do movimento gestual deve acontecer junto com o aumento natural da intensidade vocal. Se essa intensidade no movimento acontecer depois da intensidade vocal, estamos diante de uma incongruência na sincronia.
Ao falar "vida", com o aumento natural da intensidade vocal ficou na sílaba "VI-da". Nesse momento deve ocorrer também um aumento na intensidade do movimento gestual.
Observando Jonas notamos que ele gesticula na sílaba "vi-DA". Essa incongruência rítmica é um forte indicativo de manipulação.

A partir de 2:26 Jonas cita Deus dizendo que Ele sim pode julgar as pessoas e que Ele vai ver quem está certo e quem está errado...
De acordo com Statement Analysis essa técnica de se referir a uma divindade em seu discurso é usado para gerar empatia e convencimento, pois de acordo com pesquisas de Mark McClish, citar uma divindade gera menos dúvidas e faz com que acreditem mais facilmente no que está dizendo.


SUMÁRIO: Jonas exibe expressão falsa de choro pois as ações musculares envolvidas, os tempos de contração e ápice não estão congruentes com uma expressão genuína. Existe um momento aonde as contrações de tristeza se fazem presente, porém o tempo de contração não está de acordo.
Não existe também reações fisiológicas que vemos quando um agente chora nessa intensidade que ele deseja passar. São elas: lágrimas, coriza e nariz vermelho.
Jonas não indica, também, perda na tonicidade muscular, o que é incongruente em um contexto genuíno de choro.
Existem alguns indícios de desonestidade ao dizer que não tem mais vida e que recebe ameaça todos os dias.
No âmbito verbal existe um desejo de gerar empatia.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Análise de Declaração (Statement Analysis): Discurso do ex-Secretário da Cultura Roberto Alvim. Semelhança com o discurso do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels?

Recentemente o atual ex-Secretário da Cultura brasileiro Roberto Alvim fez um pronunciamento oficial para anunciar o Prêmio Nacional das Artes, projeto no valor total de mais de R$20 milhões de reais.
Esse discurso público causou polêmica após indicarem que o ex-Ministro copiou uma citação do Ministro de Propaganda nazista da Alemanha nazista, Joseph Goebbels.
Após essa e outras indicações que também fazem referência ao nazismo, o Roberto Alvim foi destituído de seu cargo.
A análise irá recair sobre essa citada declaração. Será realmente que o ex-Secretário fez seu pronunciamento objetivando criar uma certa empatia com o Ministro nazista?

Vamos à análise:

"Este presente artigo não tem como objetivo manter ou defender uma posição política. A análise é feita, exclusivamente, com base em ciências comportamentais e tem a única finalidade de instruir."


COMPARAÇÃO DOS DISCURSOS

Roberto Alvim

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo - ou então não será nada"

Joseph Goebbels

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada"

TÉCNICAS USADAS

Palavras-chaves fortes:

Tanto no discurso do Roberto Alvim, quanto no discurso de Goebbels, existe o uso palavras-chaves fortes.
Reparem que tanto um quanto o outro utilizam palavras-chaves emocionais e são usadas como gatilhos positivos que rementem inconscientemente à estados positivos. Esse recurso é um dos mais comumente utilizados em declarações de políticos, artistas, etc. Tem a intensão de persuadir.
Algumas palavras-chaves do discurso de Roberto Alvim, são: "heroica", "capacidade", "envolvimento emocional", "imperativa", "aspirações".
No discurso de Goebbles podemos destacar: "heroica", "ferreamente romântica", "objetiva", etc.

Duplo Vínculo

Podemos observar uma outra técnica interessante - o "Duplo Vínculo". Esta, não está no rol de técnicas de Análise de Declaração desenvolvidas por Mark McClish, porém tomei a liberdade de utilizá-la para análises verbais. Ela foi tirada da PNL, e desenvolvida por Milton Erickson, e consiste em pressupor que pelo menos uma das alternativas irá acontecer. Conjuguei, assim, os ensinamentos de ambos os autores e adaptei para poder também utilizar em um contexto de Análise de Declaração.
O "Duplo Vínculo", pode ser visto quando, no final, ambos falam: "... ou então não será nada". Se observarmos, essa frase é dita logo depois de todo o discurso. Significa que, a arte (tanto a brasileira quanto a alemã)será da forma como eles previamente citaram, ou não será. De qualquer forma, uma das alternativas irá acontecer. Essa técnica, nesse contexto, PODE ser visto, de uma forma mais livre como um fator que os exime da culpa de uma das alternativas não acontecerem. Ou seja, se em relação à arte, não acontecer como os adjetivos e predicados que eles citaram, existe a opção de nada acontecer. Eles estão se eximindo da culpa das coisas não acontecerem como narraram, porque eles também deram a alternativa de nada acontecer.

Backtracking

A terceira técnica usada se refere exclusivamente a Roberto Alvim. Ele usou o chamado "Backtracking". Uma técnica também advinda da PNL. Ela é baseada na "escuta ativa" de Carl RogersA técnica do Backtracking consiste em repetir, reafirmar algumas palavras-chaves utilizadas por outra pessoa, adaptando ao seu contexto e intenção. Isso possibilita criar conexão e empatia entre os oradores.
Levando em consideração que nós temos mais empatia por pessoas que são iguais a nós em valores, crenças, etc. Quando nós copiamos certas palavras, estamos tentando, de alguma forma nos aproximar daquela pessoa, tanto na estratégia de pensamento, quanto em suas capacidades, ou de alguma outra forma.
As palavras copiadas por Roberto Alvim, de Goebbels estão e em vermelho, nos discursos ("a arte", "próxima década será heroica", "será nacional", "igualmente imperativa", "vinculada/vinculada", "ou então nada será").


SUMÁRIO: A intenção de Roberto Alvim era criar empatia, conexão com as ideias de Goebbels, através do "Backtracking"
Além disso, ambos utilizam palavras-chaves fortes, que criam gatilhos positivos em quem ouve. Essa técnica tem um intuito de persuadir através dessa positividade gerada.
Usam "Duplo Vinculo" garantindo que qualquer uma das alternativas citadas vai acontecer. Profundamente pode ser observado como uma forma de se eximir de culpa.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Análise não-verbal: Victor Chaves e o caso de agressão à ex-esposa. Realmente houve agressão?

Em fevereiro de 2017, o músico Victor Chaves foi acusado de agredir sua então esposa grávida, a empresária Poliana Bagatini, que na época estava grávida. Em um vídeo gravado por uma câmera de segurança, o músico empurra a esposa dentro do prédio em Belo Horizonte.
Em novembro de 2019, o músico foi condenado a 18 dias de prisão em regime aberto e ao pagamento de uma multa em dinheiro.
Em janeiro de 2020, veio a tona um vídeo mostrando a agressão, o que fez a polêmica ser retomada pela internet.
Vamos analisar neste artigo uma pequena entrevista que o músico deu, a uma repórter, em um aeroporto, enquanto esperava seu voo. Através dele vamos analisar o que sua linguagem corporal nos diz a respeito do caso em questão. Será que é possível identificarmos, se ele foi culpado, ou não, através da sua comunicação silenciosa?


Vamos à análise:

No primeiro segundo do vídeo, vemos o músico realizando um gesto ilustrador chamado de "Falsa Reza". Esse gesto consiste em unir as duas mãos, como se fosse rezar. 
Esse gesto ilustrador é considerado alfa, ou seja indica dominância, e arrogância se utilizado de forma incongruente.
Aqui estamos em um contexto em que ele está sendo inquirido por ter agredido a esposa. Essa dominância excessiva pode ser considerada uma incongruência comportamental.

Em 0:02, ele muda para um gesto metafórico que representa uma pistola. Esse gesto também faz parte da classe de gestos ilustradores e é considerado hiper-alfa, ou seja é dotado de intensa dominância e agressividade. Deve ser usado em raríssimos casos - que não é o caso desse contexto, pois aqui ele está falando de uma agressão (em casos de agressão não devemos fazer gestos agressivos, pois podem constituir indícios negativos para o agente).
Na face do músico, podemos ver uma micro-expressão de medo, devido a sutil elevação das partes externas e internas das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:04, a repórter pergunta: "Não houve agressão?"
Em 0:05, Victor Chaves, responde: "Absolutamente. Eu nunca agredi ninguém na minha vida, e muito menos a minha mulher, grávida do João"
A primeira observação a ser feita desse trecho é referente a Análise de Declaração. Ele inicia a resposta falando "absolutamente". De acordo com os ensinamentos de Mark McClish, uma resposta é constituída de uma mensagem direta ("sim" ou "não") e o complemento. Quando essa estrutura não é respeitada estamos diante de um forte indício de incerteza ou manipulação. Adicionado a isso, o advérbio "absolutamente" é uma palavra ambígua, pois pode ser usado tanto para uma afirmação quanto para uma negação. Nesse caso, confirma-se a incerteza; e essa incerteza é incongruente com o contexto, tendo em vista que quando somos inocentes, nossa negação é feita com exatidão, nitidez.
Junto com essa palavra, o músico realiza um gesto de "meia negação" com a cabeça. Esse movimento consiste em um giro abrupto para um dos lados e logo depois retorna a posição neutra. Ele indica fuga. (foto acima - veja no vídeo para observar a dinâmica do movimento)
Ainda na linha da análise do discurso, notamos o uso do generalizador "nunca". Segundo McClish, "nunca" não é uma negação, pois esse advérbio é aberto, vago em relação ao tempo. Quando a pergunta é dirigida à um tempo específico, palavras vagas indicam incongruência, logo, formam um forte indício de desonestidade.

Ainda referente ao trecho acima, quando Victor Chaves diz: "... e muito menos a minha mulher grávida do João", podemos notar uma alteração na sua tonalidade vocal ao dizer "e muito menos", juntamente há uma sutil elevação unilateral do seu ombro esquerdo. De acordo com Joe Navarro, esse movimento indica insegurança no que está sendo falado (trecho acima em câmera lenta). De uma forma mais ampla, existe uma dissonância entre o que o a gente está verbalizando e o que realmente ele está pensando.

Ao final do vídeo vemos o músico realizar uma expressão de desprezo. O desprezo indica superioridade intelectual ou emocional. Pode ser visto como um sinal de arrogância, em alguns casos, quando aquilo a qual estamos nos referindo é desprezível para nós. Devido ao seu significado, a emoção de desprezo, não é esperada ser vista em um agente que está sendo acusado de agressão à esposa.
Podemos também ver a expressão de medo em usa face, devido, principalmente, a elevação das pálpebras superiores.


SUMÁRIO: O músico Victor Chaves apresenta gestos de extrema dominância e até agressividade. Apresenta emoção de medo em alguns momentos do vídeo, sendo atenuada por movimento de fuga ao negar que não tenha agredido.
Exibe a emoção de desprezo ao final, o que é incongruente em um agente que nega ser agressor, pois essa emoção indica uma superioridade moral ou intelectual.
Seu discurso é dotado de incerteza, não havendo, portanto, clareza e nitidez, constituindo assim um fortíssimo indício, também, no campo verbal de desonestidade.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Análise não-verbal: Rodrigo faro homenageia Gugu Liberato. Tristeza real?

Infelizmente, recentemente, o comunicador Augusto "Gugu" Liberato sofreu uma queda, em sua casa nos EUA, que provocou seu falecimento por traumatismo craniano. Esse acontecimento chocou toda a população.
Todos os meios de comunicação fizeram suas homenagens a esse apresentador que marcou uma geração, conquistando uma legião enorme de fãs.
Uma, das dezenas, de homenagens prestadas ao apresentador, foi realizada pelo programa do, também apresentador, Rodrigo Faro, na emissora Record Tv.
Nessa homenagem ele chora a triste perda do apresentador. Será que Rodrigo Faro realmente emite tristeza ao falar da perda de Gugu Liberato?

Vamos à análise:

Em 0:03, apesar do plano, de câmera, aberto, podemos notar que Rodrigo Faro emite uma expressão de desprezo, devido a contração no bucinador em seu lado direito da face.
Na foto acima, facilmente, pode ser percebida essa contração.
A emoção de desprezo denota superioridade moral ou intelectual. Apesar de podermos observar essa emoção na face, não é possível confirmar com plena certeza qual é o fato gerador desse desprezo. A única coisa que podemos confirmar, é que nesse momento exato, o apresentador estava sentindo desprezo.

A partir de 0:05, Rodrigo Faro diz: "Eu queria só deixar um beijo para a Dona Maria do Céu; deixar um beijo para a Rose; um beijo pro Joãozinho; Sofia, Marina; Aparecida, Amândio..."
Esse trecho revela informações verbais e não-verbais muito importantes.
No começo do trecho, quando ele diz que queria deixar um beijo pra mãe do apresentador Gugu, ele realiza um gesto muito adequado com o contexto, que é o gesto com as mãos espalmadas para cima. Esse gesto indica abertura, oferecimento, doação. Porém, junto com esse gesto vemos um movimento corporal incongruente: ele se movimenta para trás - chamamos de "Movimento de Distanciamento". Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, nos afastamento quando não gostamos, não queremos ou não respeitamos o objeto de que estamos falando.
Quando estamos realizando o gesto com as mãos espalmadas para cima, com a intenção de oferecer alguma coisa, o movimento corporal deve ser realizado para frente; ao contrário do que é realizado por Rodrigo Faro.
Ao dizer "... deixar um beijo para a Rose", notamos que o gesto com as mãos espalmadas não está sincronizado no mesmo ritmo da fala, demonstrando artificialidade.

Ao final desse mesmo trecho, novamente vemos uma expressão de desprezo, pela contração no bucinador, em seus lados direito e esquerdo.Junto com essa emoção, vemos uma felicidade pela elevação dos cantos da boca (zigomático maior) e levantador das bochechas (orbicularis oculo)
Reafirmo que não podemos confirmar com plena certeza qual foi o fato gerador que provocou essas emoções em Rodrigo Faro, mas podemos dar certeza de que o apresentador as sentiu.

Em 0:23, o apresentador emite a emoção de nojo, principalmente, devido a elevação do lábio superior

A partir de 0:26, Rodrigo Faro, diz: "... a gente tentou rir, tentou fazer... (?)... o máximo de leveza..."
Nesse trecho, Rodrigo Faro, gesticula de forma descoordenada. Reparamos que seus movimentos estão em um ritmo diferente da sua fala.
Essa disparidade mostra uma incongruência entre o paralinguístico e o não-verbal. Geralmente, segundo a doutrina não-verbal, incongruência é um dos elementos que podem indicar desonestidade.

A partir de 0:32, Rodrigo Faro diz: "Mas o vazio que a gente tá sentindo aqui nesse estúdio é o mesmo vazio que a gente está sentindo no coração"
Novamente vemos que seus gestos estão em um ritmo diferente de sua fala.

A partir de 0:41, o Apresentador diz: "Eu só queria ter a oportunidade de dizer só uma vez só, obrigado"
Aqui acontece algo extremamente interessante. Supostamente, Rodrigo Faro se emociona.
Quando nos emocionamos, os nossos gestos tendem a ficar descoordenados naturalmente, devido a carga de hormônios liberados na corrente sanguínea - sendo, portanto, congruente. Porém, aqui, vemos que seus gestos estão no mesmo ritmo de sua fala, havendo portanto coordenação entre eles.
Isso nos faz concluir que, nos momentos anteriores, aonde Rodrigo Faro não se emocionou, seus gestos estavam descoordenados, mas no momento em que eles deviam estar dessa maneira - quando ele se emociona -, seus gesto se mostram coordenados.

Ainda referente a este último trecho, podemos concluir que a expressão de tristeza emitida pelo apresentador tem características falsas.
* De acordo com Paul Ekman, uma emoção genuína dura cerca de 4 a 5 segundos na face, tendo o seu ápice de contração acontecendo durante, mais ou menos, 1 segundo. No caso do Rodrigo Faro podemos ver que, a suposta, emoção de tristeza (através, apenas da contração do músculo da parte interior das sobrancelhas e corrugador) começa na face, de forma mais sutil, em 0:36; tendo alguns ápices de contração (mais ou menos 0:47 a 0:49; 0:50 a 0:52...), indo até 1:25. Aqui vemos uma emoção de tristeza durando por 39 segundos na face, com alguns ápices de mais de 1 segundo.
* Além disso, podemos dizer que a emoção de tristeza pode ser falsa porque, na tristeza genuína, as ações musculares envolvidas são a parte interior das sobrancelhas, o corrugador e os cantos da boca para baixo. Aqui, em Rodrigo faro, não vemos essa queda dos cantos da boca (a foto acima é um exemplo)
* Outra característica que reforça a tristeza ser falsa, é em relação ao seu "offset" (período em que a emoção vai sumindo da face). De acordo com Paul Ekman, a emoção vai sumindo da face de forma gradativa. No vídeo em questão, ela some da face de Rodrigo Faro de uma forma muito abrupta (1:28)

Em 0:52, podemos notar que Rodrigo Faro força ainda mais o choro. Um segundo depois, em 0:53, a voz de Rodrigo Faro fica mais aguda. De fato, quando estamos diante de um pico de tristeza, a voz tende a fica mais aguda, porém quando há esse pico, todo o corpo reponde de forma congruente. Ou seja, junto com o aumento do "pitch vocal", seus movimentos deveriam ficar mais descoordenados, mais lágrimas tendem a cair, aumento de produção de mucosa nasal, etc
Essas mudanças não acontecem junto com o aumento do "pitch" de Faro. Essa incongruência denota um fortíssimo indício de falsidade.


SUMÁRIO: O apresentador Rodrigo Faro exibe emoção de desprezo, embora não possamos confirmar com plena certeza o que gerou essa emoção. Existe também um momento em que há nojo.
Rodrigo Faro demonstra falta de sincronia rítmica entre os gestos e a fala em alguns momentos; e apresenta tal sincronia em um momentos cruciais aonde essa falta de sincronia seria congruente.
O apresentador exibe uma emoção de tristeza com elementos que fazem com que ela seja falsa. Tais como: ausência de contrações faciais essenciais para essa emoção, desaparecimento abrupto da emoção na face e duração exagerada da emoção na face - e ápices também exagerados. Há também uma incongruência entre o aumento do "pitch vocal" de Rodrigo Faro e as outras respostas fisiológicas da tristezas.

sábado, 16 de novembro de 2019

Análise não-verbal: Luciano Huck negando suposto empréstimo de jatinho à Lula. Ele está sendo sincero?

Ao sair da prisão em Curitiba, o ex-Presidente Lula, viajou em direção a São Paulo em um jatinho da empresa Icon Táxi Aéreo cujo propriedade é do apresentador Luciano Huck.
Esse fato fez com que a internet acusasse o apresentador de ter emprestado o jatinho para o transporte do ex-Presidente.
O apresentador recentemente veio à público negando o empréstimo.
O que sua comunicação não-verbal nos diz?

Vamos à análise:

Em 0:06, o apresentador realiza uma expressão de desprezo, devido a contração do músculo do bucinador em seu lado esquerdo.
Essa emoção denota uma superioridade moral ou intelectual.

A partir de 0:07, Luciano Huck diz: "Eu não dei carona no avião ara o Lula. Eu não emprestei avião nenhum para o Lula, tá?"
Nesse momento ele faz movimentos, de afirmação, amplos com a cabeça.
A doutrina de Comunicação Não-Verbal afirma que quando negamos verbalmente e sinalizamos com a cabeça de forma afirmativa, estamos diante de gestos incongruente, logo, há um forte indício de desonestidade, porém, essa incongruência acontece como um vazamento não-verbal, logo se dá de forma inconsciente e, portanto, menos ampla.
No vídeo, o apresentador realiza o gesto de forma consciente. Nesse caso, sua intenção é de confirmar o que está negando. O especialista de linguagem corporal Jack Brown, chama esse movimento de "Alpha Head Nod Affirmation". Como o nome já diz, é um movimento alfa e indica finalidade no assunto ("Esse assunto tá encerrado").
Esse movimento de cabeça, conjugado com a fluidez verbal de Luciano Huck e congruência em seu discurso, mostram que existe veracidade em sua afirmação.

A partir de 0:13, Luciano Huck diz: "Eu uso o meu avião para trabalhar. Eu viajo dois, três estados por semana, toda a semana para rodar esse Brasil inteiro. Aviação é muito cara; e para tornar essa operação mais eficiente, eu tenho um sócio que é a Icon Táxi Aéreo..."
Ao falar que ele usa o avião para rodar o Brasil inteiro, ele abaixa mais a cabeça, olhando para baixo. Esse direcionamento do olhar combinado com a cabeça baixa é um potencial sinal de vergonha ou culpa (foto acima).
Ao começar o próximo período dizendo "A aviação é muito cara" podemos ver que ele eleva o volume de sua voz. Aqui podemos afirmar que ele está tentando retomar de forma racional o que está dizendo.
Essa racionalidade pode ter sido interrompida pelo sinal de vergonha ou culpa no final do período verbal anterior.

Ainda referente ao trecho anterior, no momento em que pronuncia o adjetivo "eficiente", podemos ver um gesto exagerado de vocalização.
Cada palavra que verbalizamos recruta um conjunto de ações musculares que, em conjunto, são responsáveis pela movimentação que faz com que possamos dizer tal palavra; acontece que, às vezes, os agentes movimentam de forma exagerada esses músculos responsáveis por verbalizar determinada palavra. À essa movimentação exagerada, o especialista Jack Brown chama de "movimento exagerado de verbalização". Segundo ele, quando o agente realiza tal movimento, sua intenção é se mostrar alfa, dominante, em relação ao que está falando.

Ao falar que tem um sócio (0:24 - 0:25), que é a Icon Táxi Aéreo, ele se movimenta mais com o seu corpo, quebrando a linha de base corporal mantida durante todo o vídeo.
Essa alteração pode indicar nervosismo, tensão e ansiedade ao citar esse sócio.
Nesse momento, podemos ver também um aumento no volume vocal, confirmando esse estado de ansiedade.

A partir de 0:29, o presentador diz: "E quando eu não tô voando, o avião fica à disposição deles para fretamento, em bom português, é para alugar o avião para ajudar a pagar as contas todas..."
Nesse momento vemos congruência entre o verbal e o não-verbal. Há também fluidez no discurso.
Há honestidade.

A partir de 0:46, Luciano Huck diz: "Qualquer especulação política em cima disso é maluquice..."
Nesse momento, podemos notar que seu corpo novamente se movimenta, quebrando sua linha de base mantida nos primeiros momentos do vídeo.
Aqui vemos, mais uma vez, um aumento repentino de tensão, nervosismo e ansiedade.

A partir de 0:53, o apresentador diz: "O fato não passou de uma simples questão comercial, vamos dizer assim, tá?"
Ao verbalizar a palavra "simples", vemos uma expressão de desprezo, devido a forte contração no bucinador em seu lado esquerdo (foto acima).
Outro ponto interessante ocorre quando Luciano Huck usa a expressão: "vamos dizer assim". De acordo com estudos de Análise de Declaração, aqui existe um pedido implícito para que os interlocutores interpretem a afirmação dele do jeito que ele deseja. Essa expressão mostra que ele tem interesse em se fazer entender dessa forma, não necessariamente é a forma correta. Um sinônimo dessa expressão, é quando dizemos: "vamos deixar desse jeito"
Aqui, Luciano mostra que ele tem interesse em fazer com que os interlocutores entendam que foi uma simples questão comercial; mas ele não pode afirmar que realmente foi.


SUMÁRIO: O apresentador Luciano Huck demonstra forte indício de veracidade ao dizer que não deu carona e nem emprestou o jatinho para Lula, porém existe um aumento repentino de ansiedade, tensão e nervosismo ao citar a empresa Icon Táxi Aéreo e à questão comercial envolvendo esta e o ex-Presidente Lula.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Análise não-verbal: O Governador Wilson Witzel e o suposto vazamento de informações. Witzel X Bolsonaro. Caso Marielle Franco.

Recentemente, o Governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel e o Presidente Jair Bolsonaro se desentenderam.
Aconteceu que, o Presidente afirmou, em vídeo, que o Governador vazou informações sigilosas sobre o caso Marielle Franco, envolvendo seu nome.
Segundo o Presidente, Wilson Witzel teria divulgado informações, à mídia, de que o porteiro do prédio em que morava Jair Bolsonaro teria liberado a entrada de Élcio de Queiroz, um dos principais suspeitos do assassinato de Marielle Franco. Ainda segundo o Presidente, durante um evento, o Governador teria passado essa informação sigilosa para ele.
O Presidente afirma perseguição por parte do Governador. E o Governador alega mentira por parte do Presidente.
Vamos analisar a comunicação não-verbal do Governador Wilson Witzel. Será que ele realmente vazou informações sigilosas, ou não?

"Este presente artigo não tem como objetivo manter ou defender uma posição política. A análise é feita, exclusivamente, com base em ciências comportamentais e tem a única finalidade de instruir."

Vamos á análise:

Em 0:07, o Governador começa dizendo: "Jamais vazei qualquer tipo de informação... seja como magistrado, seja como Governador"
De acordo com estudos de Análise de Declaração, a palavra "jamais" não indica negação. Segundo Mark McClish, "jamais" se refere a um discurso aberto, vago em relação ao tempo. Denota, portanto, inespecificidade temporal.
Tendo em vista que, o contexto denota um evento específico (declaração específica de vazamento), podemos dizer que o agente teve a intenção de espalhar a resposta em relação ao tempo, procurando fugir do evento específico.

A partir de 0:11, podemos notar um aumento das piscadas de Wilson Witzel. Esse aumento está ligado à ansiedade e nervosismo.

A partir de 0:13, o Governador diz: "Eu...(sss)... lamento que o Presidente... tenha, no momento, talvez, de descontrole emocional. No momento em que, ele está em uma viagem; não está... talvez no seu estado normal, tenha feito acusações contra a minha atividade como Governador..."
No começo desse trecho vemos um distúrbio da fala chamado de "Inferência de Som Incoerente" - acontece quando o agente vocaliza um som sem sentido no meio do discurso. Esse distúrbio é representado pelo "sss". Quando acontece, significa que o agente pode estar querendo tempo para pensar no que dizer, ou omitindo informação. Além desse, vemos outro distúrbio da fala, que é a pausa desnecessária em alguns momentos do trecho.
Esses dois distúrbios da fala, combinados, fortalecem o indício de que o a gente não sabe o que dizer e todo esse discurso é completamente racional.
Ao dizer "no momento", vemos uma elevação unilateral da sobrancelha direita (foto acima). Essa assimetria é chamada de "Skeptical Eyebrow", e indica dúvida, ceticismo.
Esse sinal não-verbal confirma que ele tem dúvidas de que o Presidente citou o Governador em um momento de descontrole emocional.
Vemos aqui, também, uma incongruência verbal e não-verbal: O Governador está fugindo completamente do padrão verbal e não-verbal, para esse contexto. O raciocínio que devemos ter é o seguinte: no caso concreto, Witzel foi acusado pelo Bolsonaro de divulgar informações sigilosas - o que constitui crime. Seu padrão comportamental deveria ser de emoções como raiva, que tem como gatilho a injustiça (De acordo com Paul Ekman, quando nos sentimos injustiçados, como padrão comportamental, exprimimos a emoção de raiva); o que não é apresentado. Além disso, em seu discurso, o Governador deveria usar palavras mais fortes para exprimir a, suposta, injustiça; ao invés disso, ele apenas diz que o Presidente, talvez, estivesse em um momento de descontrole emocional.
Podemos concluir com base em todos esses sinais que existem desonestidades nesse trecho.

A partir de 0:37, o Governador diz: "Não manipulo o Ministério Público, não manipulo a Polícia Civil..."
De acordo com estudos de Análise de Declaração. Um discurso valioso deve ter em sua estrutura, o pronome e o complemento. No contexto, para haver um discurso mais crível, Witzel deveria ter falado "EU não manipulo o Ministério Público, EU não manipulo a Polícia Civil". Segundo McClish, a ausência do pronome, pode indicar fuga, no sentido de, incapacidade de se associar (ou dissociar) a determinado fato.
Além da ausência de pronome, notamos um erro no uso do tempo verbal. No contexto, o Governador está falando de um fato que aconteceu no passado (acusação de manipulação feita em algum momento do passado), nesse caso, Witzel deveria ter usado o verbo conjugado no Pretérito Perfeito ("EU não MANIPULEI").
Esse erro no tempo verbal, nesse contexto, não significa desonestidade. Aqui, de fato, ele está sendo sincero e honesto - no presente, ele não manipula, mas não significa que no passado ele não manipulou. Esse uso indevido do tempo verbal indica fuga.
Em relação a comunicação não-verbal, podemos notar um aumento repentino no número de piscadas. Indicio de ansiedade e estresse.
Em resumo: Wilson Witzel, no tempo presente, não manipula nem o Ministério Público e nem a Polícia Civil, mas não significa que no passado, relacionado ao contexto, ele não tenha precisado realizar essa manipulação e esteja disposto a realizar novamente.

A partir de 0:48, o Governador afirma: "No meu governo, a Polícia Civil tem independência, o Ministério Público tem, e sempre terá, independência"
Ao dizer que o "Ministério Público sempre terá" independência, ele eleva assimetricamente a sobrancelha direita. Novamente vemos um indicativo de dúvida em relação ao que está falando.
Ele não pode afirmar se essa independência sempre acontecerá.

A partir de 1:01, o Governador Wilson Witzel diz: "Sequer tive acesso a documentos que constam dessa investigação"
Ao dizer "acesso" nos vemos um movimento exagerado de verbalização. Reparem na abertura da boca e no esforço para dizer essa palavra.
De acordo com o especialista Jack Brown, movimento exagerado de verbalização indica um estado de dominância. O agente que realiza o movimento acredita que ele é o dominante do ambiente.
O movimento exagerado de verbalização, por ser um movimento não-natural (ou seja, os seres humanos não o realizam de forma orgânica) e por transmitir esse estado alfa, pode indicar uma tentativa de convencimento e/ou o agente sabe que não conseguirão provar nada ao contrário do que ele espera.

A partir de 1:05, o Governador diz: "... e se esse documento vazou, como foi apresentado ontem em uma emissora de televisão, que a Polícia Federal investigue..."
Aqui, o Governador verbaliza uma frase usando uma forma condicional ao referindo a algo que é um fato.
É sabido que o vazamento às informações é um fato - realmente o vazamento aconteceu. Witzel inicia esse trecho dizendo "se esse documento vazou".
De acordo com estudos de Statement Analysis (Análise de Declaração), essa incongruência argumentativa pode indicar uma fuga a despeito do que aconteceu. Trazendo pro contexto, Witzel deseja negar, para si mesmo, que o vazamento realmente aconteceu, e pra isso ele usa o "e se..." para tentar suavizar que esse fato tenha acontecido - tendo em vista que a forma condicional exprime uma dúvida, incerteza; e não, um fato.

Em 1:22, acontece um movimento involuntário e assimétrico na sobrancelha direita do Governador. Reparem que nesse momento, a sobrancelha direita de Witzel se eleva, enquanto a sobrancelha esquerda permanece no mesmo nível.
A doutrina de Comunicação Não-Verbal diz que esse movimento é chamado de "Skeptical Eyebrow" e exprime dúvida e incredulidade em relação ao que está verbalizando.

Em 1:33, Witzel diz: "Desafio quem quer que seja a provar que eu vazei qualquer tipo de documento"
Nesse trecho, o Governador adota uma linguagem dissociativa, indicando fuga.
Aqui ele diz que desafia a provarem que ele vazou qualquer tipo de DOCUMENTO. A polêmica que recai sobre ele é em relação ao vazamento de INFORMAÇÃO e não de DOCUMENTO.
Segundo Mark McClish quando usamos uma palavra diferente daquele conduzida pelo contexto, estamos fugindo de nos referirmos à real questão.

De acordo com a sequência da matéria jornalística, a partir de 1:48 o Governador deveria responder sobre o fato dele ter conversado com o Presidente Jair Bolsonaro, em um evento sobre essas informações sigilosas.
Vemos nos trechos seguintes que o Governador usou um recurso paralinguístico chamado de "Deflexão", que consiste em responder uma pergunta simples de forma prolixa e muitas vezes completamente diferente do que foi perguntado. Aqui, pergunta-se A e responde-se B.
A intenção da "Deflexão" é enrolar os interlocutores afim de evitar responder aquela pergunta; quer seja por não saber o que dizer, quer seja por não querer responder, evitando ser expressamente desonesto.

A partir de 2:04, Witzel diz: "Eu não vazei nenhum tipo de informação..."
Aqui apresenta-se um trecho ao qual devemos prestar muita atenção.
Ao verbalizar a palavra "nenhum" notamos uma sutil elevação em seu ombro esquerdo (o vídeo acima representando, em loop e câmera lenta esse movimento com os ombro esquerdo). De acordo com Joe Navarro, esse movimento unilateral de um dos ombros é chamado de "Shoulder Shrug" e pode indicar falta de comprometimento emocional do agente, ou insegurança. Em ambos os casos o indício de desonestidade sobre o que está falando é muito alto. Existe um conflito entre a verdade, que está pronta no cérebro e a mentira que está sendo verbalizada; essa dissonância acaba por resultar nesse movimento unilateral.

A partir de 2:07 o Governador diz: "Eu... não tenho nenhuma responsabilidade sobre o que está acontecendo na imprensa..."
Nesse trecho podemos perceber um aumento no número de piscadas do Governador Wilson Witzel. Esse aumento repentino é um sinal de ansiedade e nervosismo.
Além disso, podemos ver uma pausa maior entre as verbalizações de "Eu" e "não tenho...". Essa pausa desnecessária indica que o cérebro precisa ganhar tempo para pensar o que vai falar em seguida. Esse elemento paralinguístico tira completamente a naturalidade e fluidez do discurso.

Durante todo o vídeo existem algumas expressões de medo, formadas principalmente pela contração do músculo do risorius, promovendo o estiramento horizontal dos lábios
A foto acima representa apenas um exemplo dessa expressão. No caso dela, podemos ver também uma sutil elevação das pálpebras superiores.


SUMÁRIO: O Governador Wilson Witzel apresenta sinais de ansiedade e nervosismo ao tratar do tema. Além disso, podemos notar expressões de medo em alguns momentos do vídeo.
Sua linguagem verbal denota intenções de fuga, a respeito do fato; e algumas incongruências em relação ao padrão do que se espera
No momento mais crucial, quando ele diz que não vazou nenhum tipo de informação, notamos uma sutil incongruência, podendo indicar desonestidade. Porém não podemos confirmar se esse vazamento se deu de forma direta ou indireta