sábado, 21 de março de 2020

Análise não-verbal: Dráuzio Varella se desculpando pela polêmica da matéria do "Fantástico". Ele sabia do crime cometido?

Recentemente o Dr. Dráuzio Varella, fez uma matéria para o programa "Fantástico" sobre  as condições de vida das transexuais nas penitenciárias.
Uma das entrevistadas para a matéria, chamada de Suzy, relatou que há 8 anos não recebe qualquer tipo de visita. Esse caso comoveu o Dr. Dráuzio, que prontamente concedeu um abraço na presidiária.
Após a matéria ir ao ar, muitas pessoas se solidarizaram com o caso dessa presidiária em específico. Ela recebeu vários tipos de ajuda da população que assistiu a reportagem, como por exemplo, várias cartas de solidariedade e apoio.
Também após a reportagem ir ao ar, foi descoberto que Suzy foi condenada a mais de 36 anos de cadeia, por estuprar e matar um menino de 9 anos. Com essa revelação, houve uma onda de revolta direcionada à Rede Globo por ter feito a reportagem, dando voz a Suzy e ao Dr. Dráuzio Varella por ter mostrado empatia e por ter abraçado a presidiária.
Dias após a matéria ter ido ao ar, o Dr. Dráuzio gravou um vídeo aonde ele fala do ocorrido, e nega veementemente o conhecimento a cerca do crime cometido pela pela transexual

Quais informações sua linguagem corporal no transmite através desse vídeo? Será que ele realmente desconhecia o motivo pelo qual Suzy foi condenada?

Primeiramente devemos nos atentar que o Doutor D´rauzio Varella está lendo, à sua frente, o que deve falar. Isso torna o discurso muito mais racional. Além disso, existe a probabilidade dele ter ensaiado esse discurso algumas vezes, antes de publicar a versão final.
Todas essas questões PODEM influenciar na linguagem corporal do agente, pois o corpo pode reagir de forma diferente caso seja treinado.

Vamos à análise:

Em 0:03, o Dr. Dráuzio realiza um gesto chamado de "Tongue Jut" que consiste em projetar a língua para fora da boca.
Esse gesto é conhecido pela doutrina de Comunicação Não-Verbal como um sinal de ansiedade.
Não podemos confirmar qual é o fato gerador deste estado emocional, mas podemos confirmar que o Doutor está experimentando ansiedade, nervosismo e tensão; que pode ser pela repercussão da matéria, por estar gravando esse vídeo, etc. Não sabemos ao certo o motivo.

A partir de 0:04, o Dr. Dráuzio diz: "No último domingo foi revelado para o país, inclusive para mim mesmo, o crime cometido por uma das entrevistadas..."
A parte mais significativa, e que causou controvérsias, é em relação a parte que diz que ele não sabia do crime cometido, no momento em que entrevistou a presidiária

No momento em que diz que foi "revelado para o país" (0:06), ele exibe uma expressão de medo devido a elevação das partes internas e externas das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.
Essa expressão de medo acontece mais algumas vezes durante o vídeo.

Ao dizer: "... inclusive para mim mesmo", podemos ver dois sinais muito importantes em sua face. Ele eleva as sobrancelhas ao mesmo tempo que fecha os olhos. Tecnicamente, esse gesto não é natural pois o direcionamento dos movimentos são opostos - enquanto as sobrancelhas se elevam para cima), os olhos se fecham (para baixo). De acordo com alguns autores, movimentos não-naturais apresentam um alto indício de desonestidade, porém aqui é uma exceção.
Um dos princípios básicos da análise da comunicação não-verbal é a análise do contexto. Com base nisso, podemos perceber que esse conjunto gestual tem uma outra interpretação
Elevar as sobrancelhas é um movimento facial chamado de "Eyebrow Flash", e constitui um sinal de conversação, de ênfase, de abertura. Possui um alto coeficiente de honestidade.
Fechar os olhos é um movimento chamado de "Eye Shielding" e indica bloqueio psicológico, afastamento do que presenciou ou recebeu, se "desligar".
Analisando o contexto em que se apresenta o Dr. Dráuzio Varella, ele quer dar ênfase que não sabia dos crimes previamente, e ao mesmo tempo quer se distanciar no evento negativo.
Ao verbalizar essa frase afirmativa, congruentemente, o Dr. Dráuzio também afirma com a cabeça. Forte indicativo de congruência
A congruência do Doutor é confirmada pela fluidez em seu discurso.

Ao final desse trecho, o Doutor novamente projeta sua língua para fora da boca, lubrificando os lábios. Constitui um sinal de ansiedade e tensão.
Esse gesto vai se repetir durante o vídeo. Nesse contexto, todas as vezes o significado será o mesmo.

Em 0:11, o Doutor realiza um gesto ilustrador (ilustra o que está sendo verbalizado) chamado de "Pinçamento", que consiste em unir a ponta do dedo indicador com a ponta do dedo polegar.
É considerado um gesto que transmite exatidão, assertividade, confiança, na medida certa, sem correr o risco de passar agressividade (por isso é tido como um gesto ilustrador híbrido).

Em 0:12 ao se referir à matéria do "Fantástico" que já FOI ao ar, ele gesticula para a sua esquerda.
A PNL, bem como alguns autores como o professor de Desenvolvimento Humano, Daniel Casassanto e o Neurocientista, Kyle Jasmin, defendem que os seres humanos representam o tempo espacialmente.
Segundo eles, a grande maioria das pessoas têm o seu passado representado espacialmente à sua esquerda e o futuro à sua direita. Portanto, se uma pessoa gesticula mais à sua esquerda, ela está se referindo a fatos que já aconteceram; se a gesticulação se dá mais à direita, o fato ainda não aconteceu, está no futuro.
Nesse trecho, podemos ver que ao falar da matéria do Fantástico que já foi ao ar, ele gesticula em sua esquerda, representando seu passado. Há, portanto, congruência entre o verbal e o não-verbal

A partir de 0:20, o Doutor diz: "Escrevi uma nota em que fui sincero ao dizer que não entrei naquela cadeia como juiz. E sim como médico"
Aqui vemos congruência e sincronia entre seus gesto e sua fala, principalmente no que diz respeito a velocidade. Há fluidez.
Ele se utiliza de um recurso muito interessante, que é adaptado da PNL para o universo da Comunicação Não-verbal. As "Posições Perceptuais".
Gesticular utilizando esse recurso melhora muito a transmissão da informação aumentando ainda mais a credibilidade e ajudando os espectadores a entenderem, de uma forma mais eficaz, o que está sendo transmitido. A função das "Posições Perceptuais" na Comunicação Não-Verbal é fazer com que os interlocutores entendam as diferenças entre dois ou mais pontos de vistas, facilitando suas compreensões.

Ao dizer a palavra "juiz" reparem que ele gesticula para a sua direita. A partir desse momento, a figura de um juiz é ancorada psicogeograficamente naquele espaço.








Ao falar "médico" ele gesticula para a sua esquerda, ancorando a figura do médico naquele espaço. Estando uma figura em cada espaço, facilita que os interlocutores percebam que há diferenças entre eles, pois as âncoras espaciais estão separadas em locais opostos. Em resumo, o médico é diferente do Juiz.
(Assistem esse trecho no vídeo para perceberem as posições perceptuais do "médico" e do "juiz")



A partir de 0:28 , o Dr. Dráuzio diz: "Ser médico orienta o meu olhar em todas as situações"
Nesse momento ele realiza um gesto ilustrador de expansão. Congruente com "TODAS as situações".
Juntamente podemos ver uma elevação assimétrica do ombro esquerdo (apesar do direito também se elevar, o esquerdo se eleva mais, causando um desnível). Essa assimetria é chamada de "Shoulder Shrug" e indica falta de insegurança no que está dizendo.
Podemos interpretar esse gesto, nesse contexto como uma desonestidade no sentido de que ele sabe que provavelmente ser médico não vai orientá-lo em todas as situações, pois provavelmente ele não viveu todas elas. Pode ser que haja uma exceção; e ele acredita nessa exceção

Em 0:35, Dráuzio realiza um gesto ilustrador de categoria alfa, chamado de "Cúpula do Poder".
Esse gesto eh um dos mais conhecidos no universo da Comunicação Não-Verbal. Indica assertividade, confiança, segurança.

A partir de 0:45, ele diz: "Peço desculpas para a família do menino que foi involuntariamente envolvida no caso"
Aqui, o Doutor utiliza novamente o gesto ilustrador do "Pinçamento" denotando confiança, assertividade e minucia ao explicar uma informação.
Aqui estamos em um contexto de desculpas. Esse contexto tem, necessariamente um cunho emocional, pois quando nos desculpamos depositamos toda a nossa sinceridade e o nosso coração no pedido.
O "Pinçamento" é um dos gestos ilustradores que têm característica de poder ser manipulado para que possa transmitir aos interlocutores a intenção do seu agente. Isso faz com que o gesto seja racional.
A racionalidade está incongruente com um contexto de desculpas.
Essa racionalidade faz com que haja desonestidade? Não necessariamente. Só podemos afirmar que ele sente que não fez nada de errado a ponto de pedir desculpas. Esse pedido foi arquitetado, combinado
No final desse trecho, novamente vemos a projeção de língua do Dr. Dráuzio. Novamente um indício de ansiedade.

A partir de 1:07, o Doutor diz: "À maneira pela qual a Suzy foi apresentada, deu a entender que ela fazia parte desse grupo majoritário [as presas transexuais, majoritariamente são condenadas por roubo e furto]"
Como dito anteriormente, através da gesticulação podemos observar como os seres humanos representam a sua linha do tempo. Gesticulações para a esquerda do agente, geralmente, estão ligadas a eventos do passado; e gesticulações para a direita, ligadas ao futuro.
Aqui, nesse trecho, o Doutor Dráuzio ao dizer "À maneira pela qual Suzy FOI apresentada..." ele, verbalmente, se refere ao tempo passado, porém gesticula para sua direita - para o seu futuro.
Quando a linguagem verbal indica um tempo e a gesticulação se localiza espacialmente em outro, estamos diante de uma incongruência.
Podemos interpretar essa incongruência como uma descrença do Doutor Dráuzio de que a forma como Suzy foi apresentada daria a entender que ela fazia parte de tal grupo majoritário.

A partir de 1:43, Dr. Dráuzio diz: "Para quem acha que eu errei, desculpa"
Ele gesticula com as palmas das mãos para cima. É um gesto ilustrador que indica abertura, cuidado, oferecimento de ideia/pensamento, empatia - ainda sim, com assertividade.
Pela análise verbal (Statement Analysis), podemos identificar que ele não pede desculpas porque acha que errou, ele se desculpa para quem acha que ele errou.
Aqui podemos confirmar que o Doutor Dráuzio realmente acredita que o que ele fez não foi errado. Talvez por ter seguido esse protocolo de trabalho a vida toda.

A partir de 1:56, o Doutor diz: "Agora. Eu gostaria de dizer claramente, e sem nenhuma chance de que eu volte atrás no futuro - que nunca fui e nem serei candidato a nada..."
Ao dizer que não tem chance de que volte atrás no FUTURO, ele gesticula para a sua direita no exato momento que verbaliza o substantivo "futuro". Congruência. Pois lembrando que a gesticulação para o lado direito representa, para a maioria das pessoas, a localização espacial do futuro.

Em 2:12, Dr. Dráuzio exibe a emoção de desprezo ao falar das pessoas que estão explorando, politicamente, a polêmica
Essa emoção de desprezo é vista pela contração do bucinador em seu lado esquerdo.


SUMÁRIO: O Dr. Dráuzio Varella demonstra ansiedade e nervosismo durante o vídeo, o que pode ser congruente com a situação de sua exposição.
Sua emoção principal durante o vídeo é o medo. Sente também desprezo ao falar da exploração política do caso.
Ele apresenta uma linguagem corporal congruente com desconhecimento a respeito do crime cometido pela transexual Suzy.
O contexto de desculpas deve ser, necessariamente, emocional. Apesar disso, Dráuzio mostra sinais de racionalidade ao se desculpar - o que constitui, tecnicamente, incongruência. Isso pode ocorrer porque o Doutor acredita que não tenha feito nada de errado, pois é praxe profissional ele agir dessa forma com seus entrevistados.
Ele realmente acredita ser um médico e não um juiz. Sua psiquê diferencia as funções de médico e juiz, colocando cada uma dessas profissões em uma "Posição Perceptual" diferente.
Existe congruência entre as conjugações verbais de Dráuzio e sua representação espacial de tempo (passado e futuro).
As poucas incongruências que existem não dizem respeito ao contexto dessa análise.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Análise verbal: Guilherme Napolitano, ex-BBB, disse que gostaria de ficar com Bianca Andrade? Houve ato falho?

Após ter sido eliminado do reality show Big brother Brasil 20, o modelo Guilherme Napolitano foi entrevistado no programa RedeBBB - parada obrigatória para cada eliminado do reality show.
O modelo teve um relacionamento dentro da casa, com uma outra participante, a Gabriela; porém haviam especulações por parte dos espectadores, que o desejo dele sempre foi se relacionar com a Bianca Andrade, também participante desta edição do Big Brother.
Durante a entrevista, Guilherme, supostamente, teria cometido um ato falho ao trocar o nome da Gabi pelo nome da Bianca, ao dizer que sempre quis ficar com a Bianca.
Será que realmente houve ato falho?

Vamos à análise:

Primeiramente, precisamos esclarecer o que é o "Ato Falho".

Esse fenômeno, que também é chamado de "Lapso Freudiano", foi descrito pela primeira vez pelo psiquiatra Sigmund Freud em seu livro "A psicopatologia da vida cotidiana" de 1901.
Esse ato consiste em, por meio da memória, fala, escrita ou ação física, expor, de forma inconsciente, um desejo, que conscientemente o indivíduo estava resistindo para manter em segredo.
Em outras palavras, a intenção era manter uma informação em segredo, mas devido a ansiedade e outros estados emocionais, o inconsciente acaba vazando essas informações, sem que o indivíduo perceba no momento.
Freud, e o fisiologista austríaco Josef Breuer define os "Atos Falhos" como sendo pensamentos inconscientes, mas que podem se tornar conscientes sem que haja uma barreira para isso.

No vídeo, o ex-BBB Guilherme disse: "... Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela... com a Gabi... com a Gabi... Eu falei que eu queria ficar com a Gabi. Eu já decidi"

Vamos separar esse trecho por momentos para que possamos analisar o que está acontecendo no discurso.

O primeiro momento acontece quando Guilherme diz "Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela..."
Ao ouvir esse trecho, tendemos, logo de cara, afirmar que o pronome "ela" se refere a Bianca que já foi citada na frase ("... eu queria ficar com ela" = "... eu queria ficar com a Bianca") - nesse caso, constituiria um "Ato Falho". Porém, de acordo com a PNL, quando nos comunicamos deletamos, omitimos e generalizamos informações, saindo de uma estrutura de pensamento profunda e formando uma estrutura superficial falada. Se levarmos isso em consideração, existe uma probabilidade do pronome "ela" se referir a Gabi. Nesse caso, há uma omissão do indivíduo que sofre a ação, havendo portanto um índice referencial não-especificado.
Em resumo, ao dizer "... queria ficar com ela" pode se referir a Bianca, por ela já ter sido citada na mesma frase anteriormente, mas pode se referir também a Gabi, se o indivíduo estiver não-especificando, de forma inconsciente o referencial.
Tendo dito isso, não é possível, APENAS por essa frase determinar com clareza a quem ele se referia. Pode ser tanto à Bianca quanto à Gabi.

No entanto, existem alguns sinais quem podem confirmar o "Lapso Freudiano".
Ao verbalizar o pronome "ela", podemos perceber que o volume vocal cai consideravelmente, ficando quase inaudível. De acordo com estudos de Paralinguagem, quando esse fenômeno acontece, existe uma intenção do indivíduo de manter tal informação (a que sofreu alteração no volume) em segredo.
Diante disso devemos nos perguntar: "Se o pronome "ela" se referia a Gabi e este sofreu alteração em seu volume, porque Guilherme deseja omitir que gostaria de ficar com Gabi, se eles já se relacionaram em rede nacional?". Nos levando a pensar que existe uma probabilidade do "ela" se referir a Bianca, pois seria mais congruente manter esse desejo de se relacionar com esta, omisso.

Logo depois existe a repetição "com a Gabi... com a Gabi..."
De acordo com estudos de Statement Analysis, a repetição é uma tentativa consciente de reforçar uma determinada informação.
Esse recurso é comum depois de cometermos um erro, no caso em questão seria um "Ato Falho". Quando verbalizamos de forma inconsciente alguma informação que o consciente deseja omitir, após percebermos essa falha, comumente vemos a adoção da repetição para reforçar a ideia de que erramos antes e agora estamos tentando concertar o erro.

No momento seguinte em que fala "Eu falei que eu queria ficar com a Gabi" notamos uma alteração vocal. Sua intensidade vocal muda, passando a ficar mais incisivo e dominante. Também constitui um
reforço, mas dessa vez paralinguístico.

No último momento ele fala: "Eu já decidi"
Aqui percebemos que ele assume que existiam dúvidas sobre com quem ele gostaria de ficar.
Guilherme afirma que houve uma decisão. A decisão pressupõe que exista mais de um elemento, e que exista dúvidas em relação a qual elemento escolher.
Se já decidiu é porque escolheu entre duas ou mais opções. Se escolheu entre duas ou mais opções, existe uma pressuposição de que Bianca foi uma das opções, confirmando então que havia, também, um interesse nela.


SUMÁRIO: Depois de analisar o discurso de Guilherme Napolitano, existem indícios de que o modelo se interessou, simultaneamente ou não, por Bianca Andrade.
Se a frase: "Eu sempre falei para a Bianca que eu queria ficar com ela..." estivesse sido verbalizada sozinha, não poderíamos afirmar que se trataria de um "Ato Falho", porém de acordo com toda a análise do que foi dito, podemos confirmar com uma maior certeza de que realmente houve "Ato Falho" por parte do ex-BBB.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: O apresentador Luiz Bacci revela à mãe que a filha morreu. Ao vivo. Houve encenação?

Recentemente, o apresentador da emissora Record Tv, Luiz Bacci em seu programa diario "Cidade Alerta" revelou, à mãe, que sua filha foi assassinada.
Marcela, de 21 anos, estava desaparecida desde o mês de fevereiro. Estava grávida e tinha brigado com o seu namorado.
Ao vivo, o advogado disse que o suspeito confessou o crime e que acharam o corpo da jovem. A mãe, que também estava ouvindo o advogado, e que até então não sabia do ocorrido recebeu, em primeira mão, que sua filha tinha sido assassinada.
Como resposta à essa notícia, a mãe desmaiou e o apresentador Luiz Bacci se mostrou surpreso com a revelação.
O que realmente o apresentador sentiu? Será que ele realmente não sabia da notícia? O que sua linguagem corporal pode nos dizer em relação a isso?

Vamos à análise:

A partir de 1:18, o apresentador pergunta à mãe: "Eu quero saber se a senhora quer receber todas as notícias agora conosco, ao vivo... se a senhora..." Após a senhora dizer: "Sim", o apresentador continua: "A senhora quer ouvir mesmo?"
Aqui existem elementos que indicam influência do apresentador sobre a senhora.
A influência pode ser notada na entonação usada por Bacci. Reparem que ele não verbalizou essa frase com entonação de pergunta, mas sim de afirmação.
Além disso, podemos notar que o apresentador não ofereceu outra alternativa à senhora. Ele apenas "quis saber" se ela gostaria de receber todas as notícias ali, ao vivo.
Luis Bacci se utiliza de generalização. Ele não especifica, em um primeiro momento, sobre o que é a notícia. Há uma omissão.
Um outro recurso utilizado pelo apresentador é a pressuposição. Ao fazer essa "pergunta" - se a mãe gostaria de receber todas as notícias - ele está pressupondo que existem notícias de sua filha; e como a mãe, tem procurado a filha, há dias, obviamente ela iria dar uma resposta afirmativa ao apresentador.
No final do trecho, ele volta a perguntar se ela quer ouvir mesmo. Aos ouvidos do público pode parecer que é uma forma dele garantir que ela realmente queira ouvir, mas ele é um recurso apenas para aumentar a ansiedade dela em receber a notícia e condicionar ainda mais esse desejo.

Em 2:21, Bacci realiza um sinal muito interessante. Reparem que ele se eleva rapidamente ficando na ponta dos pés, por duas vezes, como se fossem pequenos saltos.
Esse movimento é reconhecido pelo especialista em linguagem corporal, Joe Navarro como "Comportamentos Que Desafiam A Gravidade". De acordo com o autor, esse comportamentos acontecem quando o a gente encontra-se com excitação ou ansioso por algo que ele fala, ouve, ou vê. Como se o agente estivesse "flutuando no ar".


Em 2:23, Bacci diz: "A gente tá apreensivo..."
No momento em que ele fala isso, ele eleva, de forma extramente sutil, seu ombro direito. Essa assimetria é chamada de "Shoulder Shrug" (trecho acima) e indica falta de comprometimento emocional com o que está dizendo e/ou insegurança em suas palavras. Existe uma dissonância entre o que está dizendo e o que está sentindo.
Não está apreensivo. O que pode confirmar que ele já sabia da notícia

Em 2:52, quando o advogado dá a notícia que o corpo da Marcela foi encontrado (portanto, ela foi morta), Bacci NÃO apresenta expressão de surpresa. Deixando claro que ele já sabia da notícia.
Ele responde: "Meu Deus do céu" de uma forma muto rápida.
Quando recebemos uma notícia negativa e inesperada, existe um lapso de tempo entre ouvir essa notícia e processá-la emocionalmente, no contexto, através da verbalização
A resposta rápida do apresentador confirma que ele já sabia da notícia.

Em 2:59, Bacci realiza um gesto de enrolar os lábios para dentro da boca e morder o lábio inferior.
Esse sinal não-verbal indica mutismo, ou seja, um desejo de supressão. É um indicativo de que a psiquê está tentando controlar uma emoção negativa, e o seu crescimento. Pode ser visto também como um sinal de ansiedade

Após esse trecho, enquanto o advogado fala, reparem que Bacci fica acompanhando, pelo monitor que está posicionado à sua frente, a reação da mãe da vítima. A todo momento ele quer ver o que acontecerá com ela depois da notícia.
Aqui vemos um interesse maior em ver como ela vai se portar, do que possivelmente parar a reportagem e oferecer algum acolhimento.

A partir de 3:28, quando a mãe ameaça desmaiar, Bacci projeta seu corpo para frente com a mão sinalizando para "parar".
Aqui há sinceridade do apresentador. Existe sincronia entre o movimento do corpo e o gesto ilustrador pedindo para parar

Em 3:34, a mãe da vítima desmaia.
Existe a ausência da expressão se surpresa. Essa emoção é exibida quando algo acontece e o agente não esperava que acontecesse. O fato de Luiz Bacci não ter exibido a emoção de surpresa, comprova de que ele já sabia da notícia e, por algum motivo já sabia que isso poderia acontecer. Ele não se surpreendeu.
Logo depois, ainda nesse trecho, vemos novamente o gesto de enrolar os lábios para dentro da boca, indicando que está experimentando uma emoção negativa.

Logo em seguida, em 3:35, Bacci leva sua mão direita à sua face.
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, esse gesto indica processamento emocional de um evento. O cérebro lógico sabe o que está acontecendo, porém o cérebro emocional está tentando "captar o que acabou de acontecer". Podemos interpretar, então, que esse gesto é um indicativo de descrença/incredulidade (p. ex."Eu não acredito que isso aconteceu").
O tempo que o cérebro emocional leva para "se ataulizar" dos acontecimentos é muito pequeno. Se esse tempo não for respeitado, estamos diante de um gesto manipulado, falso.
Reparem que o tempo entre o evento e o apresentador ter levado sua mão à face é relativamente grande, isso constitui um forte indícios de que esse processamento emocional seja falso.
Ele está tentando manipular uma surpresa, uma descrença.

Em 3:38, Luiz Bacci inspira profundamente e expira de forma audível.
A inspirada profunda indica ansiedade e tentativa de se aliviar desse estado emocional negativo. Ela acontece durante o momento de pico emocional, que geralmente é no momento em que o evento negativo acontece. Se ele acontece depois, podemos dizer que é manipulado.
Bacci realiza essa inspirada profunda mais de 4 segundos depois que a mãe desmaiou, logo, 4 segundos depois do que seria o pico emocional.

Em 3:45, Luiz Bacci abre um caderninho que ele traz consigo.
Essa ação é considerada um gesto manipulador. De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal, gestos manipuladores são gestos cuja função é nos acalmarmos diante de momentos de ansiedade e tensão. Esse gesto pode acontecer quando acarinhamos nosso próprio corpo, e também quando manipulamos objetos.
No caso, Bacci realiza um gesto manipulador no objeto que está com ele. O significado é o mesmo. Ele está sob uma forte ansiedade, ou tensão e está tentando se tranquilizar, se acalmar.

Em 3:47, Bacci realiza um gesto chamado de "Tongue Jut", que significa projetar a língua entre os lábios.
Esse gesto, segundo Joe Navarro indica ansiedade. De uma forma mais específica ele demonstra um comportamento de auto-incriminação ("Eu fiz besteira", "Eu agi errado")
Esse é o momento em que o apresentador sabe que o que ele fez está errado e que, provavelmente não deveria ter feito.

Em 3:55, Bacci pergunta ao advogado: "Doutor, eu não sabia que... ele confessou o caso".
A notícia principal se refere à morte da adolescente, no entanto, o apresentador Luiz Bacci ao se comunicar com o advogado, cita apenas seu desconhecimento com o fato do assassino ter confessado o crime. Esse fato se torna de menor importância, diante da notícia do assassinato.
Em nenhum momento no vídeo, Bacci fala do desmaio da mãe, bem como, não se refere ao assassinato.
Dar uma menor importância a um fato que deveria estar no topo de uma hierarquia de importância é sinal de quebra de empatia e fuga do que realmente é relevante.

Em 4:01, mais uma vez o apresentador realiza o gesto de projetar a língua para fora ("Tongue Jut"), sinalizando ansiedade, e em uma interpretação mais contextual, indica auto-incriminação ("Eu fiz besteira...")
A auto-incriminação do apresentador pode se referir ao fato de ter dado essa notícia em primeira mão para a mãe


SUMÁRIO: O apresentador Luiz Bacci demonstra, de forma não-verbal, que já sabia da notícia antes dela ser repassada para a mãe. O apresentador também se utiliza de recursos de generalização e pressuposição para começar a transmitir a notícia.
Ao informar do assassinato, o apresentador demonstra um comportamento que indica excitação e ansioso por ter dado tal informação.
Luiz Bacci expressa tensão e nervosismo ao perceber o desmaio da mãe, porém não demonstra surpresa. O sinal de processamento emocional diante do desmaio é falso, pois não se enquadra nas regras para o aparecimento desse sinal.
Existem sinais que demonstram que Luiz Bacci sabe que errou ao dar a notícia, e de alguma forma se sente culpado.
Em resumo de tudo, podemos perceber que existe um conflito interno no apresentador. Ao mesmo tempo que ele sabe que foi um erro e que, de alguma forma se sente culpado por ter sido o porta-voz da notícia, ele demonstra uma certa excitação por ter dado essa notícia em primeira-mão.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Comportamento do ator Shia LaBeouf. Oscar 2020. Impaciência?

Recentemente aconteceu mais uma edição da entrega do Oscar, em Los Angeles. Dentre vários momentos marcantes que permearam esse evento, um deles chamou muito a atenção do público.
Os atores Shia LaBeouf e Zack Gottsagen, que trabalharam junto nos filme "peanut butter falcon", foram escolhidos para apresentar a categoria de melhor filme curta-metragem.
Durante a apresentação dos concorrentes para essa categoria, segundo alguns espectadores, pela internet, o ator Shia LaBeouf teria se mostrado impaciente e desrespeitoso com o ator com Síndrome de Down, Zack Gottsagen. Por tal motivo, Shia foi duramente criticado nas redes sociais.
Será que realmente o ator Shia LaBeouf teve um comportamento negativo em relação ao seu companheiro de palco? O que sua Linguagem Corporal pode nos dizer?

Vamos à análise:

Logo os primeiros segundos do vídeo já chamam atenção. Reparem que o ator Shia LaBeouf aponta para alguém e logo em seguida realiza um gesto, considerado pelo antropólogo Desmond Morris como emblemático (seu significado é reconhecido diretamente por uma ou mais culturas) chamado de "Palm Punch", que consiste em socar com uma mão a palma da outra mão. De acordo com o antropólogo, esse gesto pode indicar um estado de controle de emoção negativa, como a raiva.
Não podemos confirmar para quem ele fez esse gesto e sua intenção em fazê-lo

A partir de 0:17, enquanto o ator Zack Gottsagen começa a dar sua fala, Shia LaBeouf se aproxima para tentar ajudá-lo em seu texto ou para dar a sua fala.
Enquanto Zack está falando com certa dificuldade, Shia realiza uma microexpressão de nojo devido a acentuação da prega naso-labial. Essa ação muscular pode ser facilmente confundida com a ação do zigomático maior, responsável pela emoção de felicidade, porém quando acontece essa acentuação da prega naso-labial, conseguimos ver uma contração maior na área popularmente conhecida como "bigode chinês" que se expande. Quando a ação é no zigomático maior, as extremidades dos lábios é que se estiram para cima (assista o trecho acima em câmera lenta para observar o movimento)
Não podemos confirmar qual é o fato gerador dessa emoção. Segundo Paul Ekman, o nojo pode acontecer não somente diante de algo nojento como vômito, por exemplo. Essa emoção também pode estar ligada a algum comportamento.

Em 0:27, quando o ator Zack termina sua fala, Shia LaBeouf sorri.
Podemos observar que em seu sorriso existem as duas ações musculares presentes na emoção de felicidade: o zigomático maior (estiramento dos lábios para cima) e os orbiculares dos olhos (responsável pela formação dos "pés de galinha"), porém existe uma outra ação muscular que não deve estar presente para caracterizar uma felicidade genuína - a abertura da boca. De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, em uma emoção de felicidade genuína, a ação muscular responsável pela abertura da boca não pode estar presente, sob pena de transformar em um sorriso falso, social.
Reparem que a boca de Shia se separa durante o sorriso. Portanto, sorriso social.

Em 1:01, Shia realiza toque no braço de Zack para avisar o que ele deve fazer.

Em seguida, em 1:03, Shia exibe uma expressão de medo, devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não podemos afirmar com toda a certeza o fato gerador desse medo, mas existe uma alta probabilidade de ser medo de que algo não saia como deve e/ou que Zack seja mais rápido e não erre.

Ainda durante esse trecho, logo após de emitir medo, o ator Shia realiza um gesto de passar a língua nos lábios. Segundo Joe Navarro, esse gesto indica que o agente está experimentando ansiedade. De uma forma mais específica esse gesto pode indicar mensagens como "eu fui pego", por exemplo.
A emissão desse gesto pelo ator pode demonstrar ansiedade para que tudo aconteça como ensaiado ou ele percebeu que foi pego tocando no braço de Zack para mostrar o que devia ser feito.
Juntamente com esse gesto podemos perceber que seus lábios estão sutilmente enrolados para dentro da boca. Esse gesto indica retenção emocional ou racional.

Em 1:04, Shia morde o lábios superior. Indicando tensão e nervosismo. Pode ser visto também como um gesto de auto-contenção. Shia está experimentando algum estímulo negativo e deseja/precisa se conter
Juntamente ele realiza uma postura beta/submissão - a "postura de castração". Essa postura acontece quando o agente coloca suas mãos à frente de suas genitais. Indica desconforto, baixa confiança, defensividade.

Em 1:14, enquanto Zack realiza uma pausa antes de começar a falar, vemos sinais muito interessantes em Shia.
LaBeouf, fecha os olhos, eleva as sobrancelhas e projeta seu corpo para frente. Esse conjunto gestual pode denotar, segundo o especialista Jack Brown, impaciência, comportamento desdenhoso.
Fechar os olhos indica  desejo de não-visualizar o que está à frente, o que está acontecendo; Elevar as sobrancelhas enquanto os olhos estão fechados constitui um movimento não-natural, pois seus direcionamentos são diferentes (as sobrancelhas se direcionam para cima e os olhos, ao se fecharem, se direcionam para baixo). Esse conjugação de movimentos pode indicar desonestidade pela sua falta de naturalidade, porém, contextualmente falando, através de observações, alguns especialistas em linguagem corporal, perceberam que quando estamos impacientes, tendemos também, a fazer esse movimento. A elevação das sobrancelhas funcionam como uma abertura, uma permissão inconsciente, um "estar preparado" para que determinada coisa esperada, possa acontecer; e os olhos fechados e uma não-visualização da demora para que tal coisa aconteça.
A projeção do seu corpo para frente acontece devido a expectativa

Logo em seguida, em 1:15, Shia se afasta e exibe uma expressão de medo, devido ao estiramento horizontal dos lábios.
Não podemos afirmar com completa certeza o motivo pelo qual Shia LaBeouf exibiu essa expressão de medo, só sabemos que ele está sentindo essa emoção

Em 1:16, Shia fecha os olhos, expira o ar de forma audível. Seguida por uma risada conjungado com afastamento corporal
Expirar o ar de forma audível indica que o agente está em um momento de ansiedade; o gesto de fechar os olhos funciona, nesse caso, como um potencializador da ansiedade.
A risada, segundo Allan Pease, pode funcionar como uma "válvula de escape" para a emoção negativa. Segundo ele, sorrimos em um momento de tensão e nervosismo. Nesse caso, há uma intenção de liberar tal carga negativa pelo sorriso. O afastamento indica intenção de não-envolvimento.

Em 1:17, Shia realiza o gesto de morder o lábio inferior. Esse gesto indica desejo de supressão emocional.
Ele não pode falar e/ou agir de determina forma, então ele se suprimi. Uma das formas que o corpo tem de fazer isso, é morder o lábio inferior de forma consciente ou não.

Em 1:18, Shia aumenta ainda mais o distanciamento, inclinando a cabeça e o torso para uma direção oposta.
Aqui, além da intenção de não se envolver com algo que tenha acontecido e desagradado ele, existe também uma quebra de empatia e conexão com o outro ator ou até mesmo com a situação.
Nesse momento podemos confirmar que Shia realmente quer se distanciar desse contexto
Continuamos notando que o ator ainda se encontra na "posição de castração", que indica insegurança, submissão, desconforto emocional.
Esse distanciamento é realizado com os olhos fechados e projetando um sorriso social. Os olhos fechados funcionam como potencializadores do distanciamento e o sorriso, como já falamos, indica nervosismo e tensão

Em 1:22 acontece algo muito intrigante. Enquanto o ator Zack Gottsagen está falando a famosa frase: "The Oscar goes to... (O Oscar vai para...)", o ator Shia La Beouf fecha os olhos e exibe uma expressão de nojo, devido a elevação do lábio superior.
O nojo acontece quando reagimos negativamente diante de algo. Paul Ekman descreve a emoção de nojo como "... um sentimento de aversão..." por alguma coisa repulsiva que nos desperta grande repugnância. Podem não ser só gostos, cheiros ou toque, que promovem essa emoção; as ações também podem indicar o nojo.
Os olhos fechados, nesse sentido, funcionam como um potencializador emocional.
Não podemos confirmar o fato gerador do nojo, mas podemos confirmar que ele está presente.


SUMÁRIO: O ator Shia LaBeouf, durante a entrega da estatueta do Oscar para uma determinada categoria, enquanto estava na presença do ator Zack Gottsagen exibe emoção de medo e nojo em alguns momentos.
Apresenta também, indícios não-verbais que podem indicar impaciência, enquanto Zack demora em iniciar sua fala.
Enquanto Zack demora para falar, vemos, além do nojo, sinais de ansiedade, insegurança, desconforto.
Lembrando que nem sempre é possível identificar o fato gerador emocional, o que podemos confirmar é que o agente está experimentando tais emoções.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Bianca Andrade ("Boca Rosa") pede desculpas ao seu namorado. BBB20. O que ela sentiu?

Recentemente a digital influencer, Bianca Andrade, mais conhecida na internet como "Boca Rosa", uma das participantes do BBB20 gravou um vídeo de dentro da casa do Big Brother aonde pede desculpas ao seu namorado.
Esse pedido de desculpas foi consequência de um fato que aconteceu em uma das festas do reality, aonde Bianca Andrade teria flertado com um dos participantes.
O que sua linguagem corporal nos diz sobre esse pedido de desculpas?

Vamos a análise:

Logo no começo do vídeo em 0:02, Bianca realiza um gesto pacificador de coçar a orelha. Esse gesto acontece quando o a gente está experimentando um momento de ansiedade, tensão.
Ele é realizado para acalmar e tranquilizar diante dessas situações.

Ainda em 0:04 Bianca diz: "Hoje eu queria fazer esse vídeo dedicado a uma pessoa que é muito especial pra mim e que eu devo muitas desculpas..."
Bianca direciona seu olhar para baixo e direita. De acordo com a PNL esse quadrante indica que a empresária está acessando área do cérebro ligada às emoções - a área cinestésica.
Esse quadrante é muito acessado em contexto de vergonha.
Note que, nesse primeiro momento, ela não diz se tratar do namorado dela, e nem diz o seu nome. Aqui temos um sinal verbal de afastamento.
Esse afastamento, nesse contexto, pode acontecer pela tentativa de omitir alguma informação ou pela vergonha. Quando sentimos vergonha por alguma atitude, tendemos a não querer encarar o outro, sendo, portanto um afastamento. Esse afastamento também pode aparecer no âmbito de comunicação verbal, como no caso

Em 0:14 ao falar da festa, Bianca tensiona as extremidades da boca, pressiona os lábios e fecha os olhos.
Esse conjunto gestual indica vergonha e arrependimento pelas atitudes (a pressão e a tensão nas extremidades são responsáveis pelo arrependimento e o olhar fechado, que indica desejo de não visualização, é responsável pela vergonha)

Em 0:18 podemos notar que Bianca Andrade direciona seu olhar para cima e esquerda. De acordo com a PNL o movimento ocular nesse quadrante indica lembrança/acesso à memória. Esse movimento acontece quando ela fala da festa, então provavelmente aqui ela está lembrando de momentos que aconteceram durante essa festa

Em 0:21, Bianca diz: "Fiz um monte de coisa que... não condiz comigo"
Aqui notamos uma pausa desnecessária. Essa pausa é um recurso usado para o cérebro pensar o que vai dizer. É um forte sinal de omissão e/ou incerteza sobre o que vai dizer.
Durante essa pausa, a empresária emite o seguinte conjunto gestual: nega com a cabeça (negação), fecha os olhos (desejo de não visualização), aperta os lábios contraindo as extremidades da boca (arrependimento) e eleva os ombros (desconhecimento).
Aqui Bianca se sente arrependida e com vergonha pelo que fez e não sabe conceituar seu comportamento

A partir de 0:37, Ela diz: "As coisas que eu fiz em relação ao Guilherme e a Mari na festa... são coisas que não tão no meu coração hoje"
No começo ela fecha os olhos e mantêm fechados por mais tempo que uma piscada. Esse gesto é chamado de "Eye Shielding" e indica desejo de não visualização em relação a alguma atitude.
Existe uma pausa desnecessária, que seria um recurso para pensar no que vai dizer em seguida.

Ainda nesse trecho, durante a pausa (0:40), podemos ver grande tensão em sua face.
A parte interna das suas sobrancelhas se elevam formando rugas horizontais no centro, existe pressão nos lábios e nas extremidades da boca e enrugamento do queixo. Esse conjunto gestual é muito interessante.
Além de existirem elementos de pesar e arrependimento (sobrancelhas e extremidades da boca) existe também um elemento racionalizador. De acordo com o especialista Jack Brown, essa expressão facial, devido a sua intensidade, tem a intenção de gerar empatia e conexão com o público. Bianca quer que o público acredite nela. Ainda segundo Jack Brown, essa expressão é vista quando expomos uma de nossas fraquezas, o próprio autor cita o terno "tendão de Aquiles".
Como essa expressão é feita durante sua pausa, não sabemos exatamente o que ela iria falar, mas podemos confirmar de que essa expressão se refere às coisas que ela fez na festa, especificamente com Guilherme e Mari.
Não conseguimos ter certeza o real motivo dessa expressão, mas uma das hipóteses, é que ela PODE se referir a uma possível dicotomia que ela possa ter entre seu lado emocional (desejo de se relacionar com o participante), mas seu lado racional a impede de alguma forma (sabe que tem um namorado firme).

Bianca realiza um gesto mecânico (ou fora de sincronia) o dizer : "... são coisas que não estão no meu coração hoje". 
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, os movimentos e gestos devem ter sincronia com a fala. Eles devem ser realizados durante ou antes da verbalização, mas nunca depois. Os gestos posteriores, referentes ao que se fala, são considerados mecânicos e portanto racionais, logo, podem ter elementos manipulativos.
Trazendo para o caso concreto: Bianca diz de coisas que não estão em seu coração, e só depois de falar isso ela aponta para o coração. O gesto ilustrador de apontar para o coração deveria ter sido feito antes dela verbalizar a palavra "coração" (o pensamento acontece antes da ação); ou durante; mas não depois. Houve uma violação à sincronicidade gestual, logo, pode haver elemento manipulativo.
Além disso, ao ilustrar apontando para o coração, ela o faz com a ponta dos dedos. De acordo com Jack Brown e outros especialistas na comunicação não-verbal, quando nos referimos a nós mesmos e temos a intenção de transmitir um discurso emocional, devemos espalmar as mãos no peito - dando tal intenção emocional. Fazer essa referência apenas com a ponta dos dedos, como Bianca, denota uma intenção racional.

Em 0:46, Bianca diz: "E realmente foi coisas de bebida"
Aqui ela demonstra inconsistência em seu argumento
Em um primeiro momento, mais no começo do vídeo, em 0:16 ela diz que passou dos limites em relação a bebida (ela culpa a bebida);
Um pouco mais a frente em 0:25, ela diz que não quer por culpa na bebida (exclui essa culpabilidade);
Mais a frente em 0:47, ela diz que realmente foi coisas de bebida.
Essa inconsistência demonstra dúvidas e tentativa de convencimento.

Em 0:52, enquanto diz que queria mandar esse vídeo para seu namorado, e antes de pedir desculpas a ele, Bianca realiza um gesto, de forma extremamente sutil, de passar a língua nos lábios chamado de "Tongue Jut". Esse gesto indica ansiedade. Segundo Joe Navarro, é um elemento de auto incriminação. Ou seja, a pessoa sabe que errou e fez besteira; que o que fez não foi bom.

Ainda em 0:52, Bianca segue dizendo: "Amor, me desculpa..."
Ela pede desculpas de olhos fechados. O "Eye Shielding" indica desejo de não visualização. Normalmente, em um pedido de desculpas, o agente tende a olhar nos olhos, porém contextualmente, não podemos deixar de lado que pode ter o elemento de vergonha presente.
Se o ato de se desculpar vier junto com algum elemento de vergonha e arrependimento, o agente pode realizar esse pedido de olhos fechados.


SUMÁRIO: Bianca Andrade exibe sentimentos de vergonha e arrependimento pelo que fez.
Em alguns momentos ela não sabe descrever ou conceituar o que tenha feito.
Ao se referir, especificamente a Guilherme e Mari, ela apresente alguns elementos que indicam um desejo de criar empatia com o público. Essa expressão também pode estar ligada a exposição de uma possível fraqueza (Jack Brown). Algum fato ligado a esses dois indivíduos mexe com ela de alguma forma.
Ela reconhece que teve culpa em relação ao que aconteceu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Análise não-verbal: Jonas chora e defende sua namorada sobre zoofilia. Big Brother Brasil. Choro verdadeiro?

Recentemente a participante do reality show Big Brother Brasil 20, Mari Gonzalez se envolveu em uma polêmica. Em uma conversa com outro participante, a Youtuber afirma que existem pessoas que têm relações sexuais com animais, e que pra essas pessoas é normal.
Esse comentário gerou uma grande polêmica na internet, que a acusou de zoofilia.
Após esse episódio, seu namorado, Jonas Sulzbach gravou um vídeo falando sobre o acontecimento.
No vídeo ele chora. Será que pela sua comunicação não-verbal é possível identificar se o seu choro foi real ou não?

Vamos análise

Em 0:02, Jonas está chorando ao falar que é injustiça o que sua namorada está fazendo. Nesse momento podemos ver a contração do corrugador (região entre a parte interna das sobrancelhas), aumento na pálpebra superior, tensão na pálpebra inferior, tensão nos lábios e estiramento horizontal dos mesmos.
No choro de tristeza, vemos as seguintes ações musculares: contração no corrugador, elevação da parte interna das sobrancelhas, queda dos cantos dos lábios e enrugamento do queixo.
Se compararmos as ações musculares de um choro de tristeza real e do choro de Jonas, podemos ver grandes diferenças, o que indica que, em relação a esse detalhe, seu choro não é real.
É interessante afirmar que a emoção que vemos nesse momento não é de tristeza, mas sim de raiva. A contração do corrugador, tensão nas pálpebras superiores e tensão nos lábios, são ações musculares presentes nessa emoção. E além disso, vemos a elevação das pálpebras superiores, que em alguns casos de raiva intensa essa ação pode estar presente.
Essa mesma configuração facial é vista durante todo o vídeo.

Aos 0:04, Jonas inspira profundamente.
Essa reação acontece quando nossas narinas estão tomadas de secreção e queremos evitar que ela saia.
Aqui podemos notar que suas narinas não possuem essa secreção.
Outro detalhe importante. Quando o nariz está congestionado devido ao choro, o nariz muda sua coloração, ficando avermelhado, resultado do inchaço do nariz. Há também ausência dessa vermelhidão

Em alguns momentos, como por exemplo em 0:07, Jonas olha para cima ao mesmo tempo que chora.
A tristeza é uma emoção negativa. Quando uma pessoa está tomada por essa emoção, todo o corpo reage de forma congruente. Ou seja, Diante dessa emoção o agente tende a ter uma linguagem corporal negativa, os ombros arqueiam para frente, entrando em uma postura de submissão, os músculos perdem uma certa tonicidade, o corpo todo pode se recolher, a cabeça abaixa e os olhos se direcionam também para baixo.
Aqui Jonas adota uma linguagem corporal incongruente com o contexto. Ele olha para cima, por exemplo.
Além disso, na foto acima, vemos que seus lábios estão estirados horizontalmente, e não direcionados para baixo como na emoção de tristeza.

Em 0:26 - 0:27, podemos ver Jonas gesticulando.
Quando estamos chorando de tristeza, nossos movimentos ficam letárgicos devido a perda de certa tonicidade corporal.
Nesse trecho, podemos ver que Jonas ao gesticular mantém seus gestos normais sem a intensidade emocional negativa que deseja transmitir.
Essa incongruência entre o episódio emocional e a gesticulação é observada também em outros momentos do vídeo.

A partir de 0:23 podemos notar que começa a se formar uma contração na parte interna das suas sobrancelhas. Essa ação muscular é congruente com a emoção de tristeza, porém, de acordo com Paul Ekman, uma expressão facial de emoção genuína dura na face no máximo 5 segundos e tem ápice de contração (quando as contrações estão mais intensas) de cerca de 1 segundo.
Aqui podemos ver que Jonas mantém essa contração por cerca de 12 segundos (de 0:24 a 0:36). Devido ao tempo de contração, podemos indicar que essa emoção não está congruente com uma tristeza real.

Em 0:29, podemos ouvir que Jonas bate em sua perna.
Mais uma incongruência. Como foi dito acima, quando estamos tristeza, ficamos com uma redução da tonicidade muscular.
O comportamento de bater em sua perna acaba por ser incongruente com esse contexto.

A partir de 0:48, Jonas diz: "Agora eu to recebendo ameaça todo o dia.."
Nesse momento podemos ver uma elevação unilateral em seu ombro direito. Esse movimento chamado de "Shoulder Shrug" indica insegurança em suas palavras. De uma forma mais profunda podemos identificar com uma dissonância entre o que está falando e o que realmente é. (É importante ver o vídeo para identificar a dinâmica do movimento)

Em 0:54, podemos ver Jonas passando o braço nos olhos com o intuito de enxugar as lágrimas.
Um dos princípios muito poucos falados na comunicação não-verbal se refere à simplicidade. Significa dizer que os gestos e movimentos mais simples transmitem muito mais veracidade. Esse princípio é muito adotado no estudo de liderança. Líderes que gesticulam e se movimentam de forma muito exagerada e complexa são vistos como mais manipuladores, pois tentam distrair os espectadores.
Esse princípio pode ser adaptado a essa situação. O que seria mais simples Jonas fazer? Enxugar as lágrimas com a mão ou se movimentar mais para enxugar com o braço?
Enxugar as lágrimas com as mãos se torna muito mais simples e até inconsciente, ainda mais no momento de tristeza intensa que ele gostaria de transmitir, quando nossa musculatura se torna mais solta e fraca.
Com base nisso, esse trecho forma um grande indício de incongruência.

Em 1:02, Jonas diz: "Não tenho mais vida"
Aqui ocorre uma falta de sincronia entre fala e gesto.
De acordo com a doutrina da Comunicação Não-Verbal o ritmo gestual e o vocal devem estar em sincronia. Ou seja, a intensidade do movimento gestual deve acontecer junto com o aumento natural da intensidade vocal. Se essa intensidade no movimento acontecer depois da intensidade vocal, estamos diante de uma incongruência na sincronia.
Ao falar "vida", com o aumento natural da intensidade vocal ficou na sílaba "VI-da". Nesse momento deve ocorrer também um aumento na intensidade do movimento gestual.
Observando Jonas notamos que ele gesticula na sílaba "vi-DA". Essa incongruência rítmica é um forte indicativo de manipulação.

A partir de 2:26 Jonas cita Deus dizendo que Ele sim pode julgar as pessoas e que Ele vai ver quem está certo e quem está errado...
De acordo com Statement Analysis essa técnica de se referir a uma divindade em seu discurso é usado para gerar empatia e convencimento, pois de acordo com pesquisas de Mark McClish, citar uma divindade gera menos dúvidas e faz com que acreditem mais facilmente no que está dizendo.


SUMÁRIO: Jonas exibe expressão falsa de choro pois as ações musculares envolvidas, os tempos de contração e ápice não estão congruentes com uma expressão genuína. Existe um momento aonde as contrações de tristeza se fazem presente, porém o tempo de contração não está de acordo.
Não existe também reações fisiológicas que vemos quando um agente chora nessa intensidade que ele deseja passar. São elas: lágrimas, coriza e nariz vermelho.
Jonas não indica, também, perda na tonicidade muscular, o que é incongruente em um contexto genuíno de choro.
Existem alguns indícios de desonestidade ao dizer que não tem mais vida e que recebe ameaça todos os dias.
No âmbito verbal existe um desejo de gerar empatia.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Análise de Declaração (Statement Analysis): Discurso do ex-Secretário da Cultura Roberto Alvim. Semelhança com o discurso do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels?

Recentemente o atual ex-Secretário da Cultura brasileiro Roberto Alvim fez um pronunciamento oficial para anunciar o Prêmio Nacional das Artes, projeto no valor total de mais de R$20 milhões de reais.
Esse discurso público causou polêmica após indicarem que o ex-Ministro copiou uma citação do Ministro de Propaganda nazista da Alemanha nazista, Joseph Goebbels.
Após essa e outras indicações que também fazem referência ao nazismo, o Roberto Alvim foi destituído de seu cargo.
A análise irá recair sobre essa citada declaração. Será realmente que o ex-Secretário fez seu pronunciamento objetivando criar uma certa empatia com o Ministro nazista?

Vamos à análise:

"Este presente artigo não tem como objetivo manter ou defender uma posição política. A análise é feita, exclusivamente, com base em ciências comportamentais e tem a única finalidade de instruir."


COMPARAÇÃO DOS DISCURSOS

Roberto Alvim

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo - ou então não será nada"

Joseph Goebbels

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada"

TÉCNICAS USADAS

Palavras-chaves fortes:

Tanto no discurso do Roberto Alvim, quanto no discurso de Goebbels, existe o uso palavras-chaves fortes.
Reparem que tanto um quanto o outro utilizam palavras-chaves emocionais e são usadas como gatilhos positivos que rementem inconscientemente à estados positivos. Esse recurso é um dos mais comumente utilizados em declarações de políticos, artistas, etc. Tem a intensão de persuadir.
Algumas palavras-chaves do discurso de Roberto Alvim, são: "heroica", "capacidade", "envolvimento emocional", "imperativa", "aspirações".
No discurso de Goebbles podemos destacar: "heroica", "ferreamente romântica", "objetiva", etc.

Duplo Vínculo

Podemos observar uma outra técnica interessante - o "Duplo Vínculo". Esta, não está no rol de técnicas de Análise de Declaração desenvolvidas por Mark McClish, porém tomei a liberdade de utilizá-la para análises verbais. Ela foi tirada da PNL, e desenvolvida por Milton Erickson, e consiste em pressupor que pelo menos uma das alternativas irá acontecer. Conjuguei, assim, os ensinamentos de ambos os autores e adaptei para poder também utilizar em um contexto de Análise de Declaração.
O "Duplo Vínculo", pode ser visto quando, no final, ambos falam: "... ou então não será nada". Se observarmos, essa frase é dita logo depois de todo o discurso. Significa que, a arte (tanto a brasileira quanto a alemã)será da forma como eles previamente citaram, ou não será. De qualquer forma, uma das alternativas irá acontecer. Essa técnica, nesse contexto, PODE ser visto, de uma forma mais livre como um fator que os exime da culpa de uma das alternativas não acontecerem. Ou seja, se em relação à arte, não acontecer como os adjetivos e predicados que eles citaram, existe a opção de nada acontecer. Eles estão se eximindo da culpa das coisas não acontecerem como narraram, porque eles também deram a alternativa de nada acontecer.

Backtracking

A terceira técnica usada se refere exclusivamente a Roberto Alvim. Ele usou o chamado "Backtracking". Uma técnica também advinda da PNL. Ela é baseada na "escuta ativa" de Carl RogersA técnica do Backtracking consiste em repetir, reafirmar algumas palavras-chaves utilizadas por outra pessoa, adaptando ao seu contexto e intenção. Isso possibilita criar conexão e empatia entre os oradores.
Levando em consideração que nós temos mais empatia por pessoas que são iguais a nós em valores, crenças, etc. Quando nós copiamos certas palavras, estamos tentando, de alguma forma nos aproximar daquela pessoa, tanto na estratégia de pensamento, quanto em suas capacidades, ou de alguma outra forma.
As palavras copiadas por Roberto Alvim, de Goebbels estão e em vermelho, nos discursos ("a arte", "próxima década será heroica", "será nacional", "igualmente imperativa", "vinculada/vinculada", "ou então nada será").


SUMÁRIO: A intenção de Roberto Alvim era criar empatia, conexão com as ideias de Goebbels, através do "Backtracking"
Além disso, ambos utilizam palavras-chaves fortes, que criam gatilhos positivos em quem ouve. Essa técnica tem um intuito de persuadir através dessa positividade gerada.
Usam "Duplo Vinculo" garantindo que qualquer uma das alternativas citadas vai acontecer. Profundamente pode ser observado como uma forma de se eximir de culpa.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Análise não-verbal: Victor Chaves e o caso de agressão à ex-esposa. Realmente houve agressão?

Em fevereiro de 2017, o músico Victor Chaves foi acusado de agredir sua então esposa grávida, a empresária Poliana Bagatini, que na época estava grávida. Em um vídeo gravado por uma câmera de segurança, o músico empurra a esposa dentro do prédio em Belo Horizonte.
Em novembro de 2019, o músico foi condenado a 18 dias de prisão em regime aberto e ao pagamento de uma multa em dinheiro.
Em janeiro de 2020, veio a tona um vídeo mostrando a agressão, o que fez a polêmica ser retomada pela internet.
Vamos analisar neste artigo uma pequena entrevista que o músico deu, a uma repórter, em um aeroporto, enquanto esperava seu voo. Através dele vamos analisar o que sua linguagem corporal nos diz a respeito do caso em questão. Será que é possível identificarmos, se ele foi culpado, ou não, através da sua comunicação silenciosa?


Vamos à análise:

No primeiro segundo do vídeo, vemos o músico realizando um gesto ilustrador chamado de "Falsa Reza". Esse gesto consiste em unir as duas mãos, como se fosse rezar. 
Esse gesto ilustrador é considerado alfa, ou seja indica dominância, e arrogância se utilizado de forma incongruente.
Aqui estamos em um contexto em que ele está sendo inquirido por ter agredido a esposa. Essa dominância excessiva pode ser considerada uma incongruência comportamental.

Em 0:02, ele muda para um gesto metafórico que representa uma pistola. Esse gesto também faz parte da classe de gestos ilustradores e é considerado hiper-alfa, ou seja é dotado de intensa dominância e agressividade. Deve ser usado em raríssimos casos - que não é o caso desse contexto, pois aqui ele está falando de uma agressão (em casos de agressão não devemos fazer gestos agressivos, pois podem constituir indícios negativos para o agente).
Na face do músico, podemos ver uma micro-expressão de medo, devido a sutil elevação das partes externas e internas das sobrancelhas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.

Em 0:04, a repórter pergunta: "Não houve agressão?"
Em 0:05, Victor Chaves, responde: "Absolutamente. Eu nunca agredi ninguém na minha vida, e muito menos a minha mulher, grávida do João"
A primeira observação a ser feita desse trecho é referente a Análise de Declaração. Ele inicia a resposta falando "absolutamente". De acordo com os ensinamentos de Mark McClish, uma resposta é constituída de uma mensagem direta ("sim" ou "não") e o complemento. Quando essa estrutura não é respeitada estamos diante de um forte indício de incerteza ou manipulação. Adicionado a isso, o advérbio "absolutamente" é uma palavra ambígua, pois pode ser usado tanto para uma afirmação quanto para uma negação. Nesse caso, confirma-se a incerteza; e essa incerteza é incongruente com o contexto, tendo em vista que quando somos inocentes, nossa negação é feita com exatidão, nitidez.
Junto com essa palavra, o músico realiza um gesto de "meia negação" com a cabeça. Esse movimento consiste em um giro abrupto para um dos lados e logo depois retorna a posição neutra. Ele indica fuga. (foto acima - veja no vídeo para observar a dinâmica do movimento)
Ainda na linha da análise do discurso, notamos o uso do generalizador "nunca". Segundo McClish, "nunca" não é uma negação, pois esse advérbio é aberto, vago em relação ao tempo. Quando a pergunta é dirigida à um tempo específico, palavras vagas indicam incongruência, logo, formam um forte indício de desonestidade.

Ainda referente ao trecho acima, quando Victor Chaves diz: "... e muito menos a minha mulher grávida do João", podemos notar uma alteração na sua tonalidade vocal ao dizer "e muito menos", juntamente há uma sutil elevação unilateral do seu ombro esquerdo. De acordo com Joe Navarro, esse movimento indica insegurança no que está sendo falado (trecho acima em câmera lenta). De uma forma mais ampla, existe uma dissonância entre o que o a gente está verbalizando e o que realmente ele está pensando.

Ao final do vídeo vemos o músico realizar uma expressão de desprezo. O desprezo indica superioridade intelectual ou emocional. Pode ser visto como um sinal de arrogância, em alguns casos, quando aquilo a qual estamos nos referindo é desprezível para nós. Devido ao seu significado, a emoção de desprezo, não é esperada ser vista em um agente que está sendo acusado de agressão à esposa.
Podemos também ver a expressão de medo em usa face, devido, principalmente, a elevação das pálpebras superiores.


SUMÁRIO: O músico Victor Chaves apresenta gestos de extrema dominância e até agressividade. Apresenta emoção de medo em alguns momentos do vídeo, sendo atenuada por movimento de fuga ao negar que não tenha agredido.
Exibe a emoção de desprezo ao final, o que é incongruente em um agente que nega ser agressor, pois essa emoção indica uma superioridade moral ou intelectual.
Seu discurso é dotado de incerteza, não havendo, portanto, clareza e nitidez, constituindo assim um fortíssimo indício, também, no campo verbal de desonestidade.