quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Análise não-verbal: Silvio Santos e Cláudia Leitte no TELETON. Assediada?

Nos dias 10 e 11 de novembro foi ao ar a edição 2018 da maratona televisiva TELETON, com o objetivo de arrecadar uma determinada quantia em dinheiro, pré-estabelecida, para ajudar a associação sem fins lucrativos AACD, que se destina a auxiliar crianças e adolescentes com deficiência de qualquer espécie.
No dia 11, um pouco antes do encerramento da maratona, Silvio Santos chamou a cantora Cláudia Leitte ao palco. Durante a sua participação aconteceu um episódio que gerou muita polêmica.
A cantora veio à público e disse que se sentiu desconfortável e assediada pelo apresentador. Será que esse assédio realmente aconteceu?

Vamos à análise:

Logo no começo do vídeo, a cantora estende seu braços com o intuito de abraçar o comunicador.
Pela Proxêmica (distancia entre os interlocutores em uma relação inter pessoal) que a cantora está se sentindo à vontade próxima ao apresentador Silvio Santos
Edward Hall, na década de 50 - 60, dividiu o espaço e pessoal e inter-pessoal em zonas. Zona pública, zona social, zona pessoal e zona íntima. Quanto mais próximos os interlocutores estão, mais confortáveis entre eles, eles se sentem, e maior é sua relação.
Podemos dizer aqui, que Cláudia Leitte e Silvio Santos estão entre a zona social e a pessoal.
Há conforto nessa interação.

A partir de 0:03, Silvio Santos diz: "Esse negócio de ficar... de eu ficar dando abraço, me excita e eu não gosto de ficar excitado"
No final desse trecho, Silvio Santos se afasta, e Cláudia Leitte também.
Podemos ver que a Proxêmica aumentou.
O fato de Silvio Santos ter se afastado, mostra uma intenção de distanciamento, que é incongruente com um desejo de assediar.

Em 0:30, enquanto Silvio Santos fala e vai se aproximando, Cláudia Leitte assume uma postura defensiva cruzando o braço esquerdo na frente do corpo e apoiando o braço direito enquanto segura o microfone.
As posturas defensivas são realizadas quando estamos diante se algo que nos causa desconforto e queremos nos proteger; ou quando queremos nos defender de algo que não gostamos.

Em 0:41, enquanto Silvio Santos continua falando, podemos notar que a Cláudia Leitte demonstra nojo, em um primeiro momento, e logo depois junto ao novo, ela emite o medo
O nojo pode ser visto pela elevação da prega naso-labial e elevação do queixo com uma sutil elevação no lábio superior
O medo já pode ser observado pela elevação nas pálpebras superiores, aumentando a porção branca dos olhos.
Essa combinação pode ser vista, nesse contexto como uma apreensão do que Silvio Santos iria continuar dizendo.
De acordo com Paul Ekman quando uma emoção aparece na face e perdura por aproximadamente mais que 2 segundos, podemos dizer que essa expressão é deliberada; bem como, se as intensidades das ações musculares que constituem a expressão da emoção tem uma intensidade alta, ela também é considerada deliberada e a intenção do agente, nesse momento, é gerar empatia, fazendo com que o outro veja a emoção que está sentindo.
Aqui, podemos ver que a expressão realizada pela cantora dura um tempo considerável e sua intensidade é bastante alta, o que podemos classificar como uma dramatização - embora, ela de fato, possa ter sentido essas emoções, e nesse contexto, realmente sentiu.
Juntamente, ela se inclina para trás, o que é congruente com as emoções expressadas. Essa inclinação é um desejo de afastamento.
Há também uma tensão nos ombros.
Há uma discordância de Cláudia Leitte em relação ao que o apresentador Silvio Santos falou, mas não sente a emoção negativa, na intensidade que está querendo transmitir.

Em 0:44, temos um momento muito interessante.
Cláudia Leitte vai desfazendo a expressão apreensiva, e essa vai dando lugar a um sorriso sutil e suprimido.
Esse sorriso é considerado verdadeiro, pois ocorre o estiramento para cima dos cantos da boca, e uma elevação muito sutil nas bochechas.
Esse sorriso é incongruente com uma sensação de ter sido assediada, mas pode ser congruente com um desconforto social.

Em 0:49, Cláudia Leitte ajeita sua saia. Esse gesto é conhecido como adaptador.
Os gestos adaptadores ocorrem quando estamos vivenciando momentos de ansiedade e nervosismo, e precisamos nos acalmar.
O fato de ajeitar a saia é uma forma dela se acalmar e se tranquilizar.

Em 1:07, podemos ver que ela volta a ficar em uma distância mais próxima de Silvio.
Quando sofremos algum tipo de assédio ou algum outro tipo de violência, tendemos a nos distanciarmos do agente realizador da ofensa, e/ou adotamos uma postura defensiva (cruzar os braços, as pernas, ...)
Aqui, Cláudia Leitte adota um padrão comportamental oposto ao que se espera.

Em 1:36, Cláudia Leitte realiza uma postura chamada "Akimbo" que consiste em colocar a(s) mão(s) em sua cintura. Temos que nos atentar para um detalhe importante: a posição das mãos.
Existem basicamente duas configurações para essa postura. Com o polegar para cima e com o polegar para baixo.
A postura com o polegar para baixo se tornou conhecida como a "Postura da Mulher Maravilha" e indica dominância, confiança, assertividade. Estado emocional alfa
A postura com o polegar para cima, como a de Cláudia Leitte demonstra, segundo Jack Brown, um elevado nível de conforto, suporte, confiança, estado emocional amigável.
Ainda de acordo com Jack Brown esse tipo de configuração do "Akimbo" é realizado em momentos de curiosidade por parte do agente realizador.
Essa postura é incongruente com uma sensação de assédio.

Em 1:52, após Silvio dizer que prefere que ela troque de roupa de novo, para poder cantar, ela exibe um conjunto gestual muito interessante.
Seu maxilar se movimenta para o lado e suas bochechas são sugadas parada dentro. Esse cluster (conjunto) indica um grau de ansiedade e constrangimento e uma tentativa de se acalmar
De acordo com Jack Brown, em alguns contexto, como é o caso desse, podemos interpretar esses dois gestos com uma expressão de: "Você me pegou", "Você venceu".
Pelo tempo em que ela se mantém nessa expressão, podemos assumir que ela também é deliberada.

Em 2:12, enquanto Silvio Santos elogia Cláudia Leite, ela demonstra um sorriso verdadeiro devido ao estiramento dos cantos da boca para cima e a elevação das bochechas.


SUMÁRIO: Cláudia Leitte sentiu-se ansiosa, nervosa e tensa com o comentário do apresentador.  Além disso, podemos notar apreensão, constrangimento e desacordo com a situação.
Cláudia Leitte não está congruente com um comportamento de quem sofreu assédio, mas podemos afirmar de que sofreu um incômodo muito grande.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Análise não-verbal: Caso Daniel Corrêa - Parte II. Depoimento de Allana Brittes, filha do homem acusado de matar o jogador Daniel Corrêa.

Allana Brittes, filha de Edison Brittes - o homem responsável por matar o jogador de futebol Daniel Corrêa, fala pela primeira vez depois do crime de homicídio contra o esportista.
A presente análise será feita com base no depoimento de Allana. Para ver a análise não-verbal do autor do crime e pai de Allana, Edison Brittes, basta clicar AQUI.

Vamos á análise:


Logo no começo do vídeo, Allana diz: "Aí estávamos na área de festa..."
Nesse momento ela realiza um gesto pacificador de coçar próximo ao lábio superior. 
O gesto pacificador indica que a agente está sentindo ansiedade, tensão e nervosismos e precisa pacificar.
Quando estamos em um momento de nervosismo, a circulação aumenta e acontecem micro-coceiras na camada mais superficial da pele, daí a a necessidade de coçar.

Podemos concluir que esse tema para Allana gera muita ansiedade. Existe a probabilidade dela também estar sendo desonesta, pois esses tipos de gestos, dependendo do contexto, podem ter uma correlação com a desonestidade. Nesse contexto, essa desonestidade pode estar ligada ao fato de Allana não ter estado na área de festa nesse momento, ou ligada aos fatos que serão narrados, como um todo.


Em 0:10, Allana diz que escutou algumas gritarias segundos depois de ter ido dormir com uma amiga. 
Nesse momento, podemos ver uma elevação unilateral da sobrancelha esquerda. De acordo com a doutrina de comunicação não-verbal, essa assimetria na sobrancelha, é chamada de "Skeptical Eyebrow" e indica ceticismo, dúvida, em relação ao que está sendo falado, visto ou escutado.
Allana não acredita no que está falando.


Em 0:13, Allana diz que desceu de seu quarto e abriu a porta (da onde estava vindo a gritaria).
Nesse momento ela faz um giro lateral com sua cabeça para a direita. 

Podemos considerar que esse gesto foi realizado para ilustrar a ação de abrir a porta. Sendo, portanto, um gesto ilustrador. Nesse caso, temos que avaliar, dentre outras coisas, o tempo em que o gesto foi realizado, sua velocidade e a relação de ritmo entre a fala e o gesto.
O gesto foi realizado poucos milésimos de segundos antes dela verbalizar "abriu a porta", o que pode indicar que o discurso foi armado por isso gesticulação ocorreu antes ou que ela pensou em gesticular antes de verbalizar.

Quanto a sua velocidade, existe uma pequena diferença entre a velocidade em que Allana verbaliza e a velocidade com que gesticula. Isso pode indicar nervosismo e ansiedade.
Allana usa a palavra "abrir" ao invés de "arrombar", divergindo da versão do contada pelo pai - que diz que teve que arrombar a porta para entrar no quarto.
Essa cena dela abrindo a porta, não aconteceu como ela está narrando.


A partir de 0:15, Allana diz: "Ele tava em cima da minha mãe... Tentando estuprar ela"
Ao falar "tentando", ela eleva as sobrancelhas ao mesmo tempo em que fecha os olhos. Temos aqui movimentos inversos - enquanto as sobrancelhas se elevam (movimento para cima), os olhos se fecham (movimento das pálpebras para baixo). Movimentos opostos podem indicar desonestidade por serem incomuns.
Nesse mesmo momento, a voz de Allana se altera diminuindo o pitch vocal. Essa diminuição pode estar ligado ao desejo de fuga e omissão.

No final do trecho, Allana realiza um gesto chamado de "Tongue Jut", que consiste em projetar a língua para fora. Esse gesto, segundo Joe Navarro indica ansiedade, auto-incriminação, fuga da situação. Simboliza uma mensagem não-verbal semelhante a: "Eu fiz besteira", "Saí ileso", "Estou em meio a um dilema".


Em 0:23, Allana realiza um gesto de fechar os olhos por mais tempo que o normal. Esse gesto chamado de "Eye Shielding" indica não visualização de algum evento negativo

A partir de 0:25, Allana diz: "Todo mundo começou a... a querer fazer alguma coisa contra ele, porque minha mãe gritava; e ele não falava nada"
"... fazer alguma coisa..." é uma frase vaga, indicando omissão ("Alguma coisa o que?").
No momento em que verbaliza "gritava", sua voz fica trêmula. Essa mudança na voz acontece porque hormônios ligados a ansiedade são liberados no organismo e tensionam as cordas vocais, alterando a voz.
No final do trecho, Allana engole a seco. Esse gesto é conhecido pela doutrina de comunicação não-verbal como um sinal de ansiedade e nervosismo pelo mesmo motivo citado acima. Além do cortisol e adrenalina tensionarem as cordas vocais, pode ocorrer também o seu ressecamento, havendo a necessidade de lubrificação.
Nesse trecho Allana se mostra extremamente ansiosa e tensa. Nesse contexto, pode demonstrar desonestidade.

Em 0:35, o repórter pergunta: "Você teve algum relacionamento com esse rapaz?"
Allana responde: "Nunca, nunca, nunca, nunca"
De acordo com Mark McClish, a repetição de palavras indica um desejo de convencer de que está falando a verdade. Pois a repetição é um ato de confirmação e de certificação.
Ainda de acordo com McClish, a palavra "nunca" não significa uma negação, pois ela evita que uma negação valiosa ("não") seja dita; e além disso, essa palavra não especifica tempo, indeterminando-o. Quando uma negação é valiosa e real, o agente fala "não"
Podemos nos atentar também para o tempo de resposta de Allana. Existe um lapso de tempo normal entre escutar a pergunta e iniciar a resposta. Quando esse tempo é reduzido e a resposta acontece quase antes de terminar a pergunta, podemos dizer que a resposta já estava pronta para ser verbalizada.
Allana certamente já teve um envolvimento ou relacionamento com a vítima.

Em 0:43, Allana utiliza novamente a repetição da palavra "nunca" como um desejo de convencimento.

A partir de 0:46, o repórter pergunta: "Ele foi convidado para a festa, na sua casa?"
Logo após, Allana responde: "Na minha casa não. Ninguém chamou ele."
Ela começa sua resposta com "na minha casa, não", dando ênfase de que o convite não foi estendido à sua casa, mas houve um convite para outro lugar.
Allana é congruente nesse momento. Ela nega com a cabeça ao mesmo tempo que nega verbalmente. Há indícios de honestidade.
Ao falar que "ninguém chamou ele", podemos notar que Allana troca o verbo ("convidar" por "chamar") e ela emite uma emoção de desprezo devido a contração do bucinador, em seu lado esquerdo do canto da boca. (foto acima). De acordo com o especialista Alexandre Monteiro, esse desprezo pode ser visto também como um sinal de manipulação.
Ao final do trecho ela olha para baixo pode demonstrar vergonha, e nesse contexto, incerteza.
Essa sequência gestual indica que Allana, de fato, não convidou Daniel para ir à sua casa, mas houve convite para um outro momento. E há incerteza de Allana quanto ao fato de ninguém tê-lo chamado; Há indícios de que alguém o chamou.

A partir de 0:50, o repórter pergunta: "Como que ele chegou lá?"
Antes de começar a responder Allana olha para baixo e realiza um gesto de projetar a língua para fora da boca chamado de "Tongue Jut". Indica um alto nível de ansiedade. Segundo Joe Navarro, podemos pensar que esse gesto representa os pensamentos de: "Eu fui (vou ser) uma pessoa má", "Eu fiz (vou fazer) uma coisa estúpida", "Eu fui pega", "Consegui escapar ilesa".
Allana não tem certeza do que vai falar.

Durante a resposta da Allana, podemos nos atentar para um gesto que acontece com uma certa frequência. Durante esse trecho, podemos notar que a sobrancelhas direita de Allana se eleva de forma assimétrica por três vezes.
Esse gesto chamado de "Skeptical Eyebrow" indica dúvida em relação ao que está contando.
Ela não foi testemunha ocular dessa cena, e não acredita que realmente aconteceu dessa forma.

A partir de 1:17, o Reporter pergunta: "E ele estava sóbrio?"
Allana responde negativamente, e simultaneamente, realiza um gesto negativo com a cabeça. E continua: "Ele tava bem alterado", respondendo afirmativamente com a cabeça
Nesse trecho há congruência entre o verbal e o não-verbal. Veracidade.

A partir de 1:26, o repórter pergunta: "Qual que é a imagem que fica daquela noite com a tua mãe, no quarto?"
Allana responde, em 1:31: "O pior dia da minha vida, né? Eu acho que ninguém quer ver isso"
De acordo com estudos de Statement Analysis, terminar uma afirmativa com uma pergunta ("né?") indica incerteza, pois passa a ideia de que o agente não sabe o que sente e está transferindo a responsabilidade da certeza, para os interlocutores.
Logo em seguida, Allana diz: "Eu acho...". "Achar" é uma palavra clássica que indica incerteza.
Não-verbalmente, podemos nos atentar pela ausência de emoção congruente com o contexto. Allana não esboça nenhuma emoção negativa relacionada com o que aconteceu com a sua mãe.
Há desonestidade no que Allana está transmitindo. Aquele não foi o pior dia da sua vida e ela não viu nada que pudesse transformá-lo no pior dia.


SUMÁRIO: Allana, contou quase a mesma versão de seu pai. E podemos afirmar que ela está nervosa em tratar desse tema.
Ela apresenta algumas incongruências ao dizer que ouviu gritarias, entrou no quarto e viu Daniel em cima de sua mãe, tentando estuprá-la. Segundo sua comunicação não-verbal, nada disso aconteceu.
Ela é congruente ao dizer que Daniel não foi convidado para continuar a comemorar seu aniversário, em sua casa. Nesse momento ela apresenta omissões e se sente culpada por ele não ter sido chamado para continuar a comemoração na sua casa.
Ao contar como a vítima chegou até sua casa, ela conta o que contaram a ela, mas ela não tem certeza se realmente foi daquela forma que aconteceu.
Allana é desonesta quando fala que aquele foi o pior dia da sua vida. Ela sabe que não houve a tentativa de estupro.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Análise não-verbal: Edison Brittes, acusado de assassinar o jogador de futebol Daniel Corrêa. Há honestidade em sua versão?


O jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas foi encontrado morto em Curitiba, após ter supostamente estuprado Cristina Brittes em sua própria casa, durante uma festa. O autor do assassinato foi o empresário Edison Brittes.
Segundo depoimento que consta nos autos, o jogador estava comemorando o aniversário de 18 anos da filha de Edison, com um grupo de amigos, em uma boate de Curitiba. Essa comemoração se estendeu até a casa da aniversariante.
Já na casa, Daniel Corrêa, através de mensagens trocadas com amigos, demonstrou interesse em dormir com a mãe da aniversariante. Além das mensagens, foram enviadas fotos da vítima deitado na cama com Cristina Brittes, enquanto ela estava dormindo. Minutos depois, Daniel Corrêa foi assassinado.
O principal suspeito, Edison Brittes confessou o crime e contou a sua versão do que aconteceu. Será que ele mostra verdade ou desonestidade em seu depoimento?

A análise começa em 1:46. Vamos à ela:

Edison Brittes começa dizendo: "E de repente... uns quarenta minutos que eles tinham chego... eu escuto gritos: Socorro! Socorro! Socorro!..."
O uso do artigo "uns", demonstra incerteza, nesse caso, quanto ao tempo de chegada.
De acordo com estudos de Statement Analysis, o uso do tempo verbal incorreto demonstra inconsistências no que realmente aconteceu e afastamento da cena. Edison conjuga o verbo "escutar" no presente, e não no pretérito perfeito como deveria ser. Isso mostra um desejo de se distanciar da cena, aliviando o seu papel no contexto. Há desonestidade no discurso.
Ainda no âmbito da Análise do Discurso, podemos salientar a repetição da palavra "socorro". mostrando que há uma intenção de dramatizar e convencer do que está falando.
Enquanto verbaliza "Socorro! Socorro! Socorro!" novamente vemos uma elevação nos ombros, dessa vez de forma mais bilateral, demonstrando incerteza.
Ainda nesse segmento podemos ver a elevação da pálpebra superior fazendo com que a esclera fique mais visível, porém existe uma alteração na intensidade dessa elevação. Durante a verbalização do primeiro socorro, a intensidade da ação muscular responsável por essa elevação é bem marcada e pronunciada; já durante a segunda e a terceira verbalização da palavra "socorro", a intensidade passa a ser mais severa. Essa distinção de intensidade no mesmo segmento e em um timing curto, pode indicar manipulação e desejo de criar empatia.
Ao final do trecho podemos ver um sinal de negação com a cabeça.

Em 1:57, Edison continua: "Quando eu cheguei no meu quarto, fui forçar a porta... a porta fechada"
Ao falar que chegou no quarto, existe a elevação unilateral do ombro direito, demonstrando incerteza.
Nesse trecho existe uma inversão na ordem cronológica dos fatos. Primeiro deve-se ter o conhecimento de que a porta estava fechada, para depois forçá-la; então, Edison deveria dizer, primeiramente que a porta estava fechada, para depois verbalizar que a forçou. Essa troca de ordem cronológica, segundo Mark McClish denota incongruência e desonestidade; pois, segundo o mesmo, contamos uma verdade naturalmente na ordem cronológica, e como a mentira é mais trabalhosa de ser contada, como resultado, essa ordem pode ficar comprometida.

Ao falar que forçou a porta, ele realiza um gesto ilustrador de forçar a porta, complementando sua fala; porém temos que nos atentar para a forma como ele ilustra a cena. Quando o gesto ilustrador é feito de forma mais ampla, exagerada e o ritmo da voz não acompanha essa amplitude, podemos dizer que há uma incongruência não-verbal, confirmando o desejo de convencer.

A partir de 2:07, Edison diz: "... eu peguei e dei uma ombrada na porta... e arrebentei a porta..."
Podemos observar que ao falar que deu uma "ombrada na porta" ele realiza novamente um gesto ilustrador de "dar uma ombrada na porta", porém existem alguns pontos a se considerar.
Antes dele iniciar o trecho, existe uma pausa de movimentos e quando ele realiza o gesto ilustrador, sua intensidade de gesticulação se torna muito alta, de repente. Esse salto na intensidade torna a gesticulação mecânico, demonstrando novamente um desejo de convencimento.

Após terminar verbalizando "... e arrebentei a porta..." ele realiza um gesto desnecessário e fora do ritmo da fala; seguido por uma negação com a cabeça. Estamos diante de uma incongruência.
Esse elementos demonstram uma falta de coordenação entre o verbal e o não-verbal, confirmando a desonestidade.

A partir de 2:16, Edison diz: "... Daniel tá em cima dela... tentando estuprar a minha mulher"
Antes de começar a verbalização, Edison engole a seco demonstrando muito nervosismo, tensão e ansiedade
Novamente podemos perceber a utilização errada do tempo verbal. Ele teria que utilizar o pretérito perfeito ("...estava em cima dela...), e não o presente, como foi usado. O uso errôneo do tempo verbal demonstra que esse fato não aconteceu
Enquanto diz "em cima dela" ele eleva unilateralmente o ombro direito, demonstrando dissonância e incerteza no que está dizendo. (foto acima)
O uso da palavra "tentando" pode ser usado para confirmar a incerteza (Mark McClish).
Ao final desse trecho, podemos notar que Edison nega com a cabeça como uma forma de excluir toda a confirmação verbalizada, em relação ao estupro.

Em 2:24, Edison realiza uma elevação unilateral do lábio superior, demonstrando nojo. Essa expressão acontece no momento em que ele diz que viu o Daniel e sua mulher na cama.
Há congruência. Essa foi a emoção que Edison sentiu ao ver os dois juntos na cama.

Em 2:29 ao dizer: "Eu fiquei desesperado", ele nega com a cabeça demonstrando incongruência.
Não, necessariamente foi desespero que ele sentiu.

Em 2:44 a repórter pergunta: "Foi você que matou ele?"
Edison responde "sim" ao mesmo tempo que afirma com a cabeça de forma intensa. Há congruência.
Juntamente ele emite uma emoção de raiva pela contração no corrugador (abaixando as sobrancelhas), contração nas pálpebras inferiores e pressão nos lábios.
Podemos observar também uma contração no bucinador, responsável pela retração dos lábios e estiramento das comissuras. Aqui há também uma emoção de desprezo.


SUMÁRIO: Edison realmente matou Daniel, porém ele não está sendo honesto em sua versão.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Bolsonaro e o gesto polêmico representando chifres. O real significado.

Durante um vídeo feito para a internet, Jair Bolsonaro, sua esposa e a tradutora de libras criaram polêmica ao aparecerem realizando um gesto com as mãos que remete a chifres (dedos polegar, indicador e mínimo esticados, e os dedos médio e anular dobrados).
Logo surgiram as mais diversas especulações sobre o significado desses gestos.

Este presente artigo, visa explicar o real significado. Vamos à análise:

De acordo com Mark Knapp, esse gesto se classifica como um gesto "Emblema". Os "Emblemas" são gesto independentes da fala que têm uma tradução verbal direta, dicionarizada, representando geralmente uma ou duas palavras, ou uma frase. Ou seja, há um perfeito entendimento entre os membros de determinado grupo social quanto a sua "tradução", não havendo a necessidade de ter um complemento verbal - daí sua classificação.

O gesto de chifre vertical utilizado, por exemplo por Bush tem vários significados dependendo da região.
Em portugal, na Espanha, na Itália, em algum lugares da América Central e do Sul, tem o significado de "corno" (Desmond Morris).

Na Universidade do Texas, esse mesmo gesto é utilizado para demonstrar uma identificação com as  equipes esportivas, chamadas de "Longhorns", que representam a Universidade.

Em algumas culturas do mediterrâneo, esse mesmo gesto é realizado com a intenção de afastar a má sorte e os eventos negativos. Na índia, ele é usado para prevenir adoecimentos e os demônios.

Na cultura do heavy metal, esse gesto foi popularizado pelo músico Ronnie James Dio, baseado em sua avó, que realizava o gesto afim de afastar o mau-olhado.

Na foto em que Jair Bolsonaro, sua esposa e a tradutora realizam um gesto parecido aos citados acima. A diferença se encontra na posição do polegar que está esticado lateralmente; por isso, seu significado muda completamente.
O gesto sendo configurado dessa forma, de acordo com o alfabeto dos surdo-mudos significa "eu te amo".

domingo, 28 de outubro de 2018

Análise verbal e não-verbal: Haddad e a bíblia. Furto ou jogada no lixo?

Durante um ato político em Fortaleza, o candidato à Presidência Fernando Haddad, recebeu de um admirador e estudante da Unilab, uma bíblia, como forma de agradecê-lo por ter criado a universidade da Redenção.
Um dia depois, um deputado do PSL veio à público dizer que a bíblia dada de presente foi achada no chão, próximo aonde aconteceu o ato político..
O candidato Fernando Haddad fez um vídeo dizendo que a bíblia tinha sido furtada e por isso estava no lixo. Será que ele está sendo honesto?

"Este presente artigo não tem como objetivo manter ou defender uma posição política. A análise é feita, exclusivamente, com base em ciências comportamentais e tem a única finalidade de instruir."

Vamos à análise:

O candidato Haddad começa o vídeo dizendo: "Eu estava em Fortaleza, se eu não me engano, onde eu recebi... um presente. Esse presente era uma bíblia... de um... de um aluno da UNILAB...".
O uso dessa expressão "se eu não me engano" geralmente indica uma incerteza genuína, mas nesse contexto, a incerteza é deliberada e também indica evasividade, desejo de fugir da situação; isso porque foi em Fortaleza o fato gerador de algo que causou uma repercussão negativa, por isso o desejo inconsciente de fugir. Certamente Haddad sabe que estava em Fortaleza.
Não-verbalmente, ele contrai o corrugador abaixando as sobrancelhas, tensiona as pálpebras superiores e gira a cabeça para a direita (foto acima). Esse conjunto gestual mostra um esquecimento falso com uma intensão de ser evasivo, como vazamento.
Nesse mesmo trecho, podemos notar várias pausas desnecessárias quebrando a fluidez do discurso. Isso nos indica que o discurso de Haddad é completamente armado e ensaiado e mostrando muita cautela para que não fale algo fora do script.
O candidato Haddad usa um tom de voz sem alteração complementando a conclusão acima.

A partir de 0:15, o candidato diz: "Nós im-imaginávamos que... essa bíblia tivesse sido... extraviada, assim... alguém que tava no palco pegou a bíblia... porque a bíblia desapareceu... do palco... no momento em que a Ana Estela, minha esposa, estava... discursando. Nesse momento que ela tava discursando... a bíblia sumiu."
O trecho começa com uma gagueira do candidato ao dizer "imaginávamos", indicando ansiedade. Juntamente podemos ver a elevação bilateral dos ombros (foto acima), indicando, segundo Joe Navarro, falta de confiança e incerteza.
Em um primeiro momento, o candidato diz que a bíblia foi extraviada; em seguida afirma que alguém que estava no palco a pegou; Mais a frente, Haddad diz que a bíblia desapareceu e no final do trecho ele diz que a bíblia sumiu.
Haddad usa quatro verbos para explicar o que aconteceu com a bíblia. Levando em consideração que a intenção do candidato é dizer que ela foi roubada (ou furtada) por alguém, essas escolhas diferentes de palavras para explicar um mesmo fato nos indicam incerteza em relação ao crime de roubo ou furto.
Em um determinado momento do trecho, Fernando Haddad diz que alguém que estava no palco pegou a bíblia. A doutrina de Statement Analysis conclui que essa frase tem assertividade fraca pois não é possível concluir que alguém a pegou somente pelo fato dela ter desaparecido.
Novamente, o candidato Haddad usa pausas desnecessárias para ganhar tempo e lembrar do que se prontificou a falar. Discurso armado.
Há também repetição de elementos, como podemos ver quando o candidato fala: "... Ana Estela, minha esposa, estava DISCURSANDO. Nesse momento em que ela estava DISCURSANDO". A repetição de elementos é desnecessária em um discurso tornando-o mais artificial. É um forte indicativo de desejo de cautela; evitando sair do script. Um discurso correto e verdadeiro seria: "Ana Estela, minha esposa, estava discursando e nesse momento...".

A partir de 0:37, o candidato diz: "... e foi para na mão de um pastor... me acusando de ter jogado a bíblia no lixo..."
Novamente há pausas desnecessárias representando uma intenção de falar o que foi combinado, de não errar o script.
No final desse trecho, além do longo tempo de pausa entre a verbalizalização de "lixo" e a palavra subsequente, Haddad realiza o chamado "Deliberate Gaze" esse tipo de olhar, amplamente estudado por Aldert Vrij consiste em um olhar mais prolongado direcionado à pessoa com quem se fala; sua intenção é de buscar aprovação e se certificar de que a pessoa acreditou no que acabou de dizer.
Enquanto verbaliza a palavra "lixo", Fernando Haddad exibe uma expressão de desprezo combinada com satisfação, conhecida como "Duping Delight" (foto acima). Esse tipo de expressão é emitida, segundo Paul Ekman quando o agente percebe que sua mentira foi creditada pelos interlocutores e obteve sucesso em sua manipulação.

A partir de 0:52, Fernando Haddad atribui a autoria da acusação de ter jogado à bíblia no lixo, a um deputado do PSL, e complementa que o mesmo é do partido político do Bolsonaro. Ao falar isso, o candidato Fernando Haddad cria uma associação emocional entre Bolsonaro, seu partido, e a acusação, no intuito de relacionar a ação negativa ao fato de ter ligação com Bolsonaro.

Em 1:04, Fernando Haddad é congruente ao falar que a bíblia encontrada no lixo é a mesma que lhe foi dada de presente.
Haddad afirma com a cabeça ao mesmo tempo que afirma verbalmente.
Há honestidade.

A partir de 1:09, Haddad diz: "Ela foi furt... nós imaginamos que alguém tinha... tinha pegado a bíblia".
Inicialmente, o candidato mostra um desejo de expressar que a bíblia foi furtada, mas no meio do processo cognitivo, ele modifica o discurso para "tinha pegado".
Esse trecho mostra uma incerteza de que a bíblia foi realmente furtada.
Podemos notar também que nesse trecho, já no final, seu corpo se movimenta de forma descoordenada, demonstrando ansiedade, tensão e nervosismo.

Em 1:19 ao afirmar que achava que alguém que estava no palco tinha pego a bíblica, Haddad demonstra um conjunto não-verbal que demonstra incerteza: elevação dos ombros, movimentos rápidos de negação com a cabeça e uma configuração de U invertido com os lábios.

A partir de 1:20, Haddad diz: "Ligamos para várias pessoas para saber o paradeiro dela, e não encontramos o paradeiro dela..."
Fernando Haddad usa um recurso de repetição ao falar "paradeiro dela". Sua intenção é gerar convencimento e, de uma forma secundária, deseja verbalizar exatamente aquilo que foi treinado, ensaiado a falar.

A partir de 1:27, diz: "Hoje, surge um vídeo dessa bíblia... na mão... de um... Deputado do Bolsonaro, dizendo que a encontrou no lixo... quando na verdade al... hoje nos sabemos que ela foi furtada em virtude do vídeo..."
Novamente há o uso de pausas desnecessárias indicando um discurso armado e uma cautela em sua verbalização
Haddad repete o mesmo argumento que já tinha usado em momentos antes. A diferença é que ele usa outras palavras para descrever. Ele troca a palavra "tinha pegado" por "furtada".
Esses elementos indicam que além de um discurso ensaiado há desonestidade e incerteza.


A partir de 1:51, diz: "E nesse mesmo dia, foi furtado um celular... no mesmo palco... foi furtado um celular do Zé Chrispiniano... que é, todo mundo sabe, assessor de imprensa do Instituto Lula. O celular não apareceu; a bíblia não apareceu. Ele teve que comprar um celular, inclusive, lá no Ceará. Tem nota fiscal e tudo do celular que ele teve que comprar...ééé... saindo de Fortaleza, se eu não me engano em Juazeiro do Norte, ele comprou o celular, porque foi roubado..."
Estamos diante de um recurso verbal chamado de "Deflexão". Segundo o especialista internacional Dr. David Craig, trata-se de uma maneira do agente desviar a atenção de algum assunto com o intuito de evitar ser questionado sobre tal.
Junto com esse recurso, Fernando Haddad usa uma linguagem associativa. Ele associa um fato desonesto (perda da bíblia) a um fato que aconteceu realmente (a compra de um celular novo). Associar um fato mentiroso a um verdadeiro gera uma maior credibilidade ao fato desonesto.
Há também um excesso de detalhes aonde diz exatamente aonde o celular foi comprado. Excesso de detalhes, segundo estudos de Statement Analysis, é um grande indicativo de desonestidade, com uma intenção de convencer através dos detalhes narrados.
Ao dizer: "O celular não apareceu", ele realiza um movimento descoordenado com a cabeça com sinais de afirmação seguido por um de negação. Podemos afirmar que essa frase gera ansiedade e nervosismo ao candidato, e confirma a desonestidade.
Ao verbalizar "a bíblia não apareceu" ele afirma com a cabeça; havendo portanto, incongruência entre o verbal e o não-verbal. Ele sabe que a bíblia reapareceu.
Quando diz que tem nota fiscal, Haddad tem seus movimentos corporais descoordenados, indicando intenso nervosismo nessa afirmação.
No final Haddad modifica o verbo. No começo do trecho, ele diz que o celular foi furtado e no final ele diz que o celular foi roubado. Essa mudança demonstra incerteza.

Em 3:06, Haddad realiza um gesto com os lábios chamado de "Lip Purse". Esse movimento consiste em projetar a frente os lábios, e indica um desejo de omitir um planejamento/intenção. Em outras palavras, Fernando Haddad planejou um discurso, uma ideia, uma intenção, e está colocando em prática e acredita que terá sucesso com o resultado.
Junto, Haddad emite o chamado "Duping Delight", que segundo Ekman, é um sorriso de desprezo e satisfação de ver que a manipulação realizada obteve sucesso diante dos interlocutores.
O discurso termina com uma pergunta, confirmando sua incerteza.


SUMÁRIO: Fernando Haddad demonstra um discurso completamente ensaiado e racional. Em vários momentos ele se perde, e usa da repetição para convencer. O discurso não segue uma lógica e nem uma cronologia, em vários momentos
Há desonestidade quanto a bíblia ter sido furtada. Haddad não acredita nisso; O furto do celular também não aconteceu
Houve a intenção de criar uma associação entre o ato criminoso e esse ato ter sido praticado por um político ligado a Jair Bolsonaro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Análise não-verbal: João Doria fala sobre vazamento de vídeo íntimo. Fato ou Fake news?

Recentemente um vídeo íntimo divulgado na internet, supostamente, mostrava o candidato à Governador de São Paulo João Doria em uma orgia com cinco mulheres, causando uma imensa repercussão.
O candidato veio à público juntamente com sua esposa, afirmando que se tratava de um vídeo fake.
Será que João Doria realmente estava envolvido no escândalo ou se trata de uma montagem?

Vamos à análise:

A esposa do candidato já começa o vídeo com a cabeça baixa e contraindo o bucinador (músculo da extremidade da boca responsável pelo estreitamento das comissuras). Podemos afirmar que ela está exibindo vergonha diante do acontecimento.

Em 0:01, quando Doria fala: "Pessoal, estou aqui ao lado da Bia", podemos perceber que a mesma fecha os olhos ("Eye Shielding") desejando não visualizar o fato, evento.
Podemos concluir que sua esposa não gostaria de estar ali passando por isso.

A partir de 0:08, João Doria diz: "Hoje, eu vi um vídeo vergonhoso nas redes sociais. Produzido por alguém que só quer o meu mal"
Nesse trecho, o discurso do candidato é realizado de forma fluida, congruente com as pausas sendo realizadas nos momentos corretos.
Podemos observar que no instante em que diz: "Produzido por alguém que só quer o meu mal", sua cabeça se movimenta rapidamente de um lado para outro. De acordo com o especialista Jack Brown, esse gesto é chamado de "Head Wiggle" e projeta confiança, assertividade, certeza. Junto com esse movimento, em um determinado momento, Doria, adiciona um movimento para trás com a cabeça, adicionando um significado de incredulidade e aversão ao que é falado.
O candidato Doria acredita que quem divulgou esse vídeo realmente queria prejudicá-lo, sentindo repugnância em relação ao fato e/ou a divulgação.

Em 0:16, Doria diz: "Fake news"
Ao mesmo tempo realiza um gesto de elevar as sobrancelhas chamado de "Eyebrow Flash". Esse gesto tem um alto coeficiente de sinceridade e transmite a ideia de assertividade e confiança.

Em 0:26, o candidato diz: "Lamento muito que a campanha de São paulo tenha chegado a esse nível..."
Doria, nesse momento, exibe uma expressão de desprezo pela contração do bucinador na extremidade direita do lábio e há indícios também de raiva pela contração do corrugador (músculo responsável pelo abaixamento das sobrancelhas).

Durante a verbalização do "... tenha chegado a esse nível" (0:28), Doria olha para sua esposa pedindo aprovação, concordância, companheirismo juntamente com a elevação das sobrancelhas ("Eyebrow Flash") exibindo um alto coeficiente de sinceridade; e ela corresponde.
Tendo em vista que Doria foi o primeiro a realizar esse gesto. Ele tomou a iniciativa de lamentar a sua esposa do que sofreram e indiretamente pede desculpas; sua esposa corresponde com sua linguagem não-verbal, retribuindo o olhar e demonstrando que o apoia e acredita nele.

Um segundo após, em 0:29, A esposa do candidato fecha os olhos demonstrando um desejo de não visualização dos prejuízos causados pela divulgação do vídeo. Logo em seguida Doria realiza o mesmo gesto.
Isso mostra que tanto um quanto o outro lamentam e sentem com o que aconteceu. E desejam apagar da mente esse fato e superar tudo isso.

Em 0:30 ao falar da família, a esposa inclina a cabeça para baixo, pressiona os lábios e fecha os olhos. Esse conjunto gestual indica vergonha e sentimentos negativos em relação ao prejuízo causado.
Ela sente muito com a repercussão de tudo o que aconteceu e com sua extensão para a família.

A partir de 0:58, o candidato João Doria diz: "Jair Bolsonaro também tem sofrido ataques de todos os tipos"
Nesse momento sua esposa fecha os olhos e apresenta uma configuração facial de nojo pela elevação do lábios superior e acentuação da prega naso-labial, seguido por um estiramento horizontal dos lábios presente na expressão de medo.
A esposa de Doria discorda da comparação feita pelo marido.

A partir de 1:01, Doria diz: "Nós resistiremos. Resistiremos por São Paulo, por defender São Paulo e por defender o Brasil, e ao defender São Paulo e o Brasil, defendemos a nossa família."
Ao final desse trecho, em 1:09, ao dizer sobre a defesa da família, a esposa de Doria o abraça pelos ombros demonstrando uma proximidade entre eles, passando a mensagem não-verbal: "Estamos juntos"
Tanto Doria quando a esposa exibem uma expressão de tristeza pela contração do corrugador e elevação da parte interna das sobrancelhas e diminuição do ângulo da boca.
Bia exibe também um "Eye Shielding" mostrando um desejo de não-visualização.


SUMÁRIO: Durante todo o vídeo o discurso do candidato João Doria é completamente congruente, fluido e seguro, não havendo indícios de desonestidade. Há a presença de emoções que fazem parte do padrão comportamental para esse contexto: raiva e tristeza.
Sua esposa se mostra com vergonha e triste com toda a exposição negativa que teve, inclusive sua família.
Podemos concluir que o vídeo íntimo divulgado na internet é Fake.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Lua Blanco e Thaís Araújo. Problema técnico em programa da Rede Globo?

"Popstar" é um programa ao vivo da Rede Globo aonde, semanalmente, se apresentam artistas (a maioria não tem contato com a música) cantando músicas de sua preferência. Esses famosos são avaliados por um time de dez jurados, cuja a função é avaliar as apresentações e dar notas de acordo com seus critérios particulares.
Além das notas dadas pelos jurados, o público de casa e uma platéia interativa também dão notas às apresentações.
No programa do dia 14/10 aconteceu algo inesperado. Após se apresentar, a artista Lua Blanco estava ouvindo as notas dadas por usa apresentação quando de repente, a nota do "público de casa" estava zerada.
A apresentadora Thaís Araújo repassou o que aconteceu, dizendo que foi um "erro técnico".
Será que pela comunicação não-verbal é possível identificarmos se houve mesmo um erro técnico?

Vamos à análise:

Em 0:19, ao notar que a nota do público estava zerada, a apresentadora Thaís Araújo apresenta uma contração no corrugador, formando rugas verticais entre as sobrancelhas.
O evolucionista Charles Darwin denominou esse músculo de "músculo da dificuldade". Darwin reparou que qualquer dificuldade física ou mental faz com que esse músculo se contraia, devido ao abaixamento das sobrancelhas. De acordo com Paul Ekman, além da dificuldade, essa contração pode acontecer também em momentos de perplexidade, confusão, concentração e determinação.
Nesse momento, podemos concluir que Thaís Araújo estava confusa com o que estava acontecendo. Podemos interpretar esse contexto também como uma descrença. A mente emocional ainda estava processando o que acabara de ver.
Lua Blanco por usa vez exibe uma sutil elevação da pálpebra superior fazendo com que a esclera fique mais visível. Exibe a expressão de medo.

Ainda em 0:19, Thaís Araújo verbaliza: "Zero?!"
Podemos notar uma elevação unilateral da extremidade esquerda da boca (bucinador). Expressão de desprezo.

A partir de 0:26, Thaís diz: "Não. Tá. Estamos consertando. Tá"
Essa quebra de logica no discurso pode se dar pelo fato dela estar com um ponto eletrônico, que a coloca em contato direto com a direção do programa. Nesse momento, podem estar falando com ela, e ela respondendo no ar
No momento em que ela fala "estamos consertando" podemos observar um aumento na frequência das piscadas, gestos de cabeça descoordenados. Esse conjunto de gestos indica ansiedade e nervosismo com o que está acontecendo.

A partir de 0:28, Thaís diz: "Tivemos um problema técnico".
Esse momento acontece uma coisa bem interessante. Podemos notar que Thaís afasta a cabeça de forma bem sutil. 
O afastamento de cabeça e/ou do corpo são chamados de "Fenômenos de distanciamento". Nos indica que a agente não acredita, não gosta ou não concorda com o que está vendo ou ouvindo..
Essa frase, provavelmente, foi passada à Thaís Araújo através do ponto eletrônico. O fato de terem falado "problema técnico" ao invés de "erro técnico" provoca um distanciamento da produção do programa. Isso significa dizer que o erro não ocorreu por culpa da produção em si, mas de algum mecanismo responsável pela transferência dos dados para a produção; nesse caso, site ou aplicativo.

Em 0:43 após pedir o intervalo, Thaís Araújo diz: "Público de casa!"
Podemos notar que Thaís exibe uma expressão de medo social devido a elevação das sobrancelhas em suas porções interna e externa, a elevação das pálpebras superiores, tensão nas pálpebras inferiores, depressão do lábio inferior, estiramento horizontal dos lábios.
Essa expressão acontece quando estamos em um cenário desconfortável em que temos que explicar uma situação constrangedora.
Além do medo, podemos notar que Thaís eleva o ombro esquerdo unilateralmente, demonstrando insegurança, falta de comprometimento.
Ao mesmo tempo inclina a cabeça para a esquerda, indicando submissão, questionamento.
De acordo com a análise do discurso, essa frase é completamente desnecessária. Thaís Araújo já tinha explicado aos espectadores que houve um problema técnico.
Podemos interpretar esse conjunto gestual como um questionamento da apresentadora para o público em relação a nota, porém a elevação unilateral do ombro nos dá indícios de que ela sabe que o público não foi o responsável pelo placar zerado.
A concorrente Lua Blanco exibe um sorriso falso.


SUMÁRIO: Não podemos confirmar com toda a certeza o que foi falado através do ponto eletrônico da apresentadora, mas podemos afirmar que Thaís Araújo demonstra muito nervosismo e tensão - algo completamente normal para o contexto.
A apresentadora acredita que realmente houve um problema técnico e que o público, muito provavelmente não conseguiu votar

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Análise não-verbal: Chris Brann x Marcelle Guimarães. Sequestro do filho. Caso internacional

Marcelle Guimarães foi fazer mestrado nos EUA e lá conheceu o médico Christopher Brann. Em 2005 começaram a namorar, e vieram a se casar em 2008. Um ano após o casamento, Marcelle e Chris tiveram um filho, Nico.
Marcelle, em 2012, pediu o divórcio alegando "diferenças irreconciliáveis".
O ex-casal compartilhava igualmente a guarda do filho, até que Marcelle pediu autorização do ex-marido para que ela e Nico pudessem vir ao Brasil para o casamento do irmão. Marcelle assinou um documento se comprometendo a levar o filho de volta aos EUA na data determinada. Esse retorno nunca aconteceu.
Chris luta desde então para reaver o filho.
Os pais de Marcelle são acusados de estarem envolvidos no sequestro do pequeno Nico, ajudando a filha a estruturar todos os detalhes para que ela e o filho pudessem permanecer no Brasil
A defesa de Chris alega desrespeito a Convenção de Haia, assinado em 1980 entre vários países, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Vamos à análise:

Em 0:39 - 0:40, podemos notar que Chris Bran ao falar do filho que está afastado, demonstra sinais de tristeza genuína devido a contração a contração e elevação da parte interna das sobrancelhas, queda dos cantos da boca, olhos marejados e voz embargada.

A partir de 0:49, Marcelle diz: "Cheguei... à... minha decisão de não voltar mais... para proteger, para salvar... a vida de meu filho, salvar a minha vida".
Ao falar que ela chegou à decisão de não voltar mais, ela inclina a cabeça lateralmente. Esse gesto chamado de "Head Tilt" indica submissão; havendo portanto, incongruência com o fato de ter tomado uma decisão. Podemos observar também a contração do bucinador no lado esquerdo da face, indicando desprezo.
Ao verbalizar a palavra "salvar", existe um aumento brusco no volume da voz. Esse aumento indica uma intenção de dar mais importância a essa palavra no intuito de convencer, criar empatia.
Existem pausas desnecessárias. A pausa é um recurso do cérebro para ganhar tempo na estruturação da frase, confirmando o desejo de convencer.
Durante a frase "... a vida de meu filho, salvar a minha vida", Marcelle olha para baixo e direita. Esse direcionamento do olhar é comum quando o agente deseja fugir da situação, tem vergonha, constrangimento. Na palavra "salvar" podemos notar que sua voz sai trêmula, indicando tensão e nervosismo.
A decisão de se mudar dos EUA teve como motivo distanciar Marcelle dos momentos negativos vividos. Existe uma intenção de se auto-convencer que o filho também precisa se afastar do pai.

A partir de 1:38 vemos veracidade e congruência em seu discurso, ao falar como conheceu o ex-marido.
Esse momento serve para determinarmos a "linha de base" (como a pessoa se comporta em um estado de neutralidade, tranquilidade) de Marcelle.
Podemos notar que em seu estado normal, seu discurso é mais fluido, seus movimentos e gesticulação se dão de forma mais coordenada.

Em 1:55, ao falar do filho, Chris emite um sorriso verdadeiro de felicidade. Podemos ver a contração do zigomático maior em uma intensidade media-alta e a contração dos orbiculares dos olhos (responsável pela formação dos "pés de galinha") em uma intensidade sutil.

Em 2:20, enquanto fala que já tinham havido vários episódios de raiva, Marcelle direciona seu olhar para direita, em sentido horizontal. De acordo com a PNL, esse movimento ocular pode estar ligado à criação de algum estímulo auditivo ou buscando as palavras certas para dizer.
Poemos reparar também na postura de Marcelle. Ela se encontra completamente na defensiva, desconfortável.
Apesar dos movimentos e gestos congruentes com o contexto, é importante observar que Marcelle não segue um padrão comportamental.
Padrão comportamental é o que se espera que o indivíduo sinta, como se espera que ele se comporte em determinado contexto.
Nesse caso, Marcelle sofreu episódios de raiva de seu ex-marido. O padrão comportamental para esse contexto seria Marcelle sentir raiva, nojo, tristeza, medo por tudo que ela viveu. Essas emoções não estão presentes
Podemos concluir que durante o casamento, houveram sim momentos de raiva, mas esses momentos parecem não afetá-la.

Em 2:26, ao falar que Chris pegava seu braço e contorcia, Marcelle é congruente.
Ela realiza um gesto ilustrador, mostrando como seu ex-marido fazia.

Em 2:28, ao falar: "A gravidez teve um episódio muito forte. Um dia ele se chateou muito comigo e me empurrou da escada..."
Podemos notar que Marcelle eleva o ombro direito, fecha os olhos, massageia as mãos e ao final inclina a cabeça para baixo.
Elevar o ombro direito ("Shoulder Shrug"), de acordo com Joe Navarro é um indicador de falta de comprometimento ou insegurança.
Fechar os olhos ("Eye Shielding") indica o desejo de não visualizar o que está falando. 
Massagear as mãos é um gesto pacificador, e sua função é acalmar diante de um momento de ansiedade, nervosismo e tensão.
A inclinação de cabeça para frente/baixo nos diz que há uma intenção de Marcelle de criar uma conexão com a repórter. Em alguns contextos, pode denotar um desejo de convencimento.
Podemos concluir que todos esses gestos em conjunto, indicam que esse evento, em específico, não aconteceu, ou aconteceu de forma diferente de como ela está narrando.
Em outras palavras, ela é desonesta em relação ao fato, total ou parcialmente.


Ao falar que o ex-marido a empurrou da escada (em 2:33 - 2:34), Marcelle eleva os dois ombros. Em nossa cultura esse gesto pode também estar ligado à uma intenção de se livrar da culpa (David Leucas).

Em 2:36, a repórter pergunta se ela estava grávida, e Marcelle resposta afirmativamente e, depois, em 2:37, ela responde: "porque eu já tava com barrigão, e foi escada abaixo mesmo, com toda a força"
Nesse momento podemos ver que Marcelle inclina a cabeça lateralmente e faz um gesto ilustrador congruente de que estava grávida.
Explicar que já estava com barrigão é uma explicação desnecessária para esse contexto. Há uma intenção de convencer e potencializar o acontecimento, tornando-o mais grave.
A inclinação de cabeça é chamado de "Head Tilt" e indica submissão, desejo de convencer.
Dizer "foi escada abaixo mesmo com toda a força" é um argumento desnecessário devido ao excesso de detalhe. Dizer que foi empurrada da escada já é suficiente para contar a violência que sofreu.
De acordo com estudos de Statement Analysis, o excesso indica uma forte intenção de convencimento, de criar empatia, dramatizar o evento.

Em 2:42, a repórter pergunta: "Você foi pro hospital?"
Logo depois, Marcelle responde: "Eu não fui pro hospital... nesse dia. Eu até pedi pra ir pro hospital. Só que eu acho que ele ficou com medo de me levar pro hospital".
Ao falar que não foi pro hospital, Marcelle realiza um gesto de fechar os olhos chamado de "Eye Shielding" indicando desejo de não visualizar o que está a frente ou o que está sentindo ou lembrando. Normalmente indica uma emoção negativa.
Depois de verbalizar "Eu até pedi para ir pro hospital...", Marcelle emite uma micro-expressão de tristeza pela elevação da parte interna das sobrancelhas e contração do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas), ambos em intensidade muito sutil; há também a diminuição do ângulo da boca (em intensidade sutil) e a elevação do queixo em uma intensidade mais alta (foto acima).
Ao falar que acha que ele ficou com medo de levá-la ao hospital, podemos notar que ambos os ombros se elevam indicando incerteza. Há também a transferência de culpa.
No âmbito da análise do discurso, podemos reparar na repetição da palavra "hospital". Essa repetição indica que essa palavra é de extrema importância e sensibilidade para o discurso de Marcelle. Funciona como uma espécie de reafirmação de que o hospital era importante. Os estudos de Mark McClish mostram que a repetição de palavras confirmam uma intenção de persuasão.

Em 2:53, Chris diz: "Não é verdade. Isso é totalmente uma mentira."
Podemos notar que existe um aumento na frequência das piscadas, indicando um alto nível de ansiedade ao responder essa pergunta.
Ao falar as palavras "verdade" e "mentira" ele realiza um "Eye Shielding" (gesto de fechar os olhos). Esse gesto realizado em um contexto de defesa e durante palavras importantes para a confiabilidade de seu discurso, indicam desonestidade.
Ao final de seu discurso, ele realiza um gesto de sobreposição do lábio inferior no lábio superior, juntamente com uma pressão nos lábios e os olhos fechados. Esse conjunto indica culpa, vergonha.
Chris se sente culpado.

Logo após, a repórter pergunta: "Você nunca a agrediu quando ela estava grávida?"
Em 2:58 - 2:59, Chris responde: "Com certeza que não"
Sua resposta é feita com os olhos fechados seguido de uma aumento na frequência das piscadas. Indicam nervosismo e ansiedade. Nesse contexto de defesa, podemos concluir que há desonestidade em seu discurso.
Ao verbalizar a palavra "não" sua voz sai trêmula, sendo um indicativo de incerteza devido a liberação de hormônios ligados ao estresse que contrai o músculo da garganta.

Em 3:00 a repórter diz para Chris que: "Ela (Marcelle) disse que o relacionamento de vocês sempre foi muito difícil e com episódios de violência"
Logo após, Chris diz: "Eu concordo que a gente tinha uma relação muito difícil, mas de violência?!... assim que... como as pessoas pensam... não foi assim"
Durante todo esse trecho, podemos notar uma forte inquietação corporal, com momento de "Eye Shielding" por parte de Chris, indicando um alto índice de nervosismo.
Ao final ele se perde no discurso também devido ao nervosismo.
Podemos concluir que existe desonestidade nesse trecho. O relacionamento deles era violento.

A partir de 3:40, Chris é verdadeiro em seu discurso. Existe congruência entre o verbal e o não-verbal.
O fato que Chris está narrando realmente aconteceu.

Em 4:02, Chris diz que deu um tapa nela. Há congruência novamente.
Chris faz um gesto ilustrador de dar um tapa.

Em 4:13, Chris diz que nunca tinha dado um tapa em Marcelle.
Nesse momento, ele eleva os dois ombros. De acordo com Charles Darwin, o gesto dele elevar os ombros pode indicar desconhecimento ou impotência perante uma situação.
De acordo com a melhor doutrina, a elevação dos ombros transmite as seguintes mensagens não-verbais: "Eu não sei", "Eu não me importo", "O que importa?", "Que diferença faz?", "Que escolha eu tive?", "O que eu poderia fazer?"
O fato dele não ter batido em Marcelle antes desse episódio, não significa que ele não deu um tapa nela posteriormente.

Em 4:16 ao dizer que ele não sabia o que fazer, podemos notar que ele eleva novamente os ombros, mas nesse caso, a elevação dos ombros tem a intenção de proteger diante de algum estímulo que causa ou causou medo. Essa elevação de ombros é chamada de "Turtle Effect".
A elevação das sobrancelhas na porção interior e exterior, a elevação nas pálpebras superiores e o "Turtle Effect" nos indicam que Chris está experienciando a emoção de medo.

Em 4:24, Marcelle diz que Chris a ameaçou dizendo: "Olha, eu vou conseguir, eu vou levar...ééé... o seu filho de você. Você nunca mais vai ver o Nico."
Uso de palavra desnecessária ("olha") e uso de agregador verbal (ééé...), ambos funcionam como um recurso pro cérebro ganhar tempo para criar uma fala.
Não há logica nessa frase, tendo em vista que Marcelle morava no EUA. Chris não poderia levar o filho para lugar algum.
Não-verbalmente, podemos notar que Marcelle está em uma postura defensiva, de proteção.

Em 4:29, Marcelle diz: "Se ele americano, de lá, daquela cidade... eu brasileira... Eu tinha muito medo. Eu nem sabia como as coisas funcionavam legalmente."
Durante a palavra "medo" ela eleva os dois ombros de forma mais contundente, indicando uma incerteza
Enquanto Marcelle fala "... eu nem sabia como as coisas funcionavam legalmente", ela demonstra uma inquietação corporal, indicando alto nível de nervosismo. 
Marcelle diz que tinha medo, mas não explica o motivo para ela ter medo. Ao falar das leis americanas ela fica nervosa.
Existe uma intenção de se proteger, mas ela usa o desconhecimento das leis americanas como um recurso para justificar sua decisão. Marcelle não acredita no que está falando.

Em 4:53, a repórter pegunta: "Em que momento você decidiu se divorciar?"
Marcelle responde: "Ele me ameaçou com armas. Três armas. Ele tava com as armas expostas e ficou me mostrando, me ameaçando"
Ao falar que Chris a ameaçou com armas, logo no começo da resposta, podemos notar que o corpo de Marcelle faz um movimento brusco para frente. Esse movimento indica tentativa de ser crível em sua resposta. O fato do movimento ser brusco indica nervosismo.
Ao falar que eram três armas e elas estavam expostas, há congruência. Ele mostra o número três com os dedos e ilustra como e onde as armas estavam expostas (foto acima).
Ao falar que ele ficou mostrando e ameaçando, existe uma diferença entre o ritmo gestual e o ritmo da fala, mostrando inconsistência no argumento.
Podemos concluir que ele realmente mostrou armas para Marcelle, mas não a ameaçou de forma expressa.

Em 5:04, a repórter pergunta à Chris: "Em algum momento você chegou a mostrar armas de fogo a ela com a intenção de ameaça-la?"
Enquanto faz a pergunta, podemos ver Chris direcionando seu olhar horizontalmente para esquerda. Esse movimento ocular, de acordo com a PNL indica uma lembrança auditiva. Provavelmente ele está lembrando de quando falou com Marcelle das armas.

Ainda durante a pergunta, no final dela, Chris exibe um sorriso de desprezo devido a contração do zigomático maior, do bucinador com uma maior intensidade no lado direito e dos orbiculares dos olhos. Chris eleva a cabeça confirmando como um sinal de orgulho/arrogância.
Chris confirma não-verbalmente que houve esse episódio em que mostrou armas para Marcelle.

Em 5:13, Chris responde: "Com certeza que não"
Ele nega com a cabeça, porém responde com os olhos fechados, indicando não-visualização.
Houve uma ameaça velada.

A partir de 5:15, Marcelle diz que Chris a segurou e bateu nela na frente do filho.
Enquanto verbaliza que ele a segurou, Marcelle realiza um gesto com a palma da mão para baixo. Esse gesto indica dominância, poder. 
Existe uma intenção maior de Marcelle em mostrar as agressões sofridas por ela, do que mostrar como as agressões aconteceram.
Podemos perceber essa intenção porque ao invés dela ilustrar o que está falando, com um gesto de segurar, ela realiza um gesto que demonstrar dominância e assertividade em seu discurso. 

Em 5:52, Marcelle diz: "Depois de ter tido o pedido de divórcio, ele... se conteve mais..."
Ao dizer que "ele se conteve mais", Marcelle realiza um gesto ilustrador de contenção. Há congruência; portanto, veracidade.

Em 5:58, a Repórter pergunta se ele parou de agredi-la.
Marcelle responde: "Foi. E eu também não me aproximava".
Novamente vemos congruência. Marcelle faz um gesto ilustrador de evitar, com as mãos e se afasta com o corpo, indicando distanciamento.

Em 6:41, a repórter pergunta: "Você já tinha premeditado. Não, eu não vou voltar?"
Marcelle responde negativamente com a cabeça e mantém os olhos fechados durante toda a resposta, por mais tempo que o necessário.
Indica desonestidade. Marcelle já tinha pensado em não voltar mais com seu filho.

Em 6:54 - 6:55, Marcelle diz: "E eu tinha muito medo do Nico com ele. Muito medo... porque ele tem compulsão sexual. Ele via coisas na frente do Nico..."
Durante todo esse trecho, podemos notar que o corpo se movimenta em ritmo diferente da fala, demonstrando uma inquietude corporal, sinalizando uma provável tentativa de convencimento. Quando o agente quer convencer, seus gestos são realizados de forma mais ampla e mais mecânica.
Ao dizer que tinha medo, Marcelle exibe uma expressão falseada de medo. A expressão é falseada porque a potência de arranque da expressão é muito alta.
Ao falar que Chris via coisas na frente do filho, Marcelle exibe uma expressão de desprezo devido a contração do bucinador no lado esquerdo da face (foto acima).

A partir de 7:16, o dizer que "todos chegaram na mesma conclusão", Chris realiza movimentos rápidos com a cabeça de um lado para outro. Esse movimento é chamado por Jack Brown como "Head Wiggle" e indica confiança, assertividade, dominância.
No entanto, ele não nega que tinha compulsão sexual.

Em 10:14, Marcelle diz que os argumentos de que seus pais ajudaram no sequestro de seu próprio
filho são falsos.
No momento em que ela diz isso, ela eleva os dois ombros indicando um desejo de se proteger do que está falando. Nesse contexto a elevação de ombros denota o medo de ser pega contando uma mentira.

Em 10:15 - 10:16, a repórter pergunta: "Eles (pais) não te ajudaram a planejar uma fuga?"
Marcelle diz que não e exibe uma expressão de surpresa fazendo transição para o medo.
Podemos concluir que Marcelle ficou surpresa pela pergunta. O medo é uma das emoções ligadas à desonestidade. Nesse caso é o medo de ser pega mentindo.
Marcelle continua sua resposta: "... de jeito nenhum."
Nesse momento podemos notar que seus gestos estão descoordenados indicando nervosismo e ansiedade com a resposta.

Em 10:20, Marcelle diz: "E nem eu planejei uma fuga"
Existe, nesse momento, a elevação dos dois ombros de forma mais ampla. Mais uma vez, indica desonestidade no discurso.
Marcelle continua: "Eu decidi quando cheguei aqui, de ficar"
Nesse momento, a cabeça se movimenta para sua esquerda e ela gesticula em sentido oposto. Esse desalinhamento corporal indica desonestidade pois existe uma quebra da harmonia nas direções dos movimentos.

Em 10:55 Marcelle diz: "Tô sentindo...ééé... uma tristeza profunda dessa vingança, que tá sendo... uma vingança de mim... que tá refletindo neles..."
Durante o agregador vocal "ééé", Marcelle eleva os dois ombros demonstrando, nesse caso, incerteza com o que está dizendo ou sentindo.
Ao falar "tá sendo..." ela realiza um gesto artificial sem contexto e sem motivo, da direita para a esquerda. (foto acima). Gestos que não são naturais são considerados gesto mecânicos e estão ligados à desonestidade pois tem a única função de distrair o interlocutor e ganhar tempo para pensar no que irá dizer em seguida.
No momento em que fala: "vingança de mim", ela realiza um gesto de supinação com as mãos que é o giro para fora com as mãos, indicando incerteza em suas palavras. Esse gesto tema mesma função da elevação bilateral com os ombros.
Além de todos esses sinais não-verbais, não vemos sequer um resquício de tristeza em sua face. A ausência de emoção é tão importante quanto a presença dela.

Em 11:52, a repórter pergunta como o filho lida com toda essa situação.
Marcelle diz que é bem difícil para ele. Nesse momento exibe uma expressão de tristeza genuína pela contração no corrugador e no músculo responsável pela elevação da parte interna das sobrancelhas, ambos de forma bem sutil.
Podemos notar que sua voz falha. Essa falha se dá como reação da emoção de tristeza que tensiona o músculo da garganta. Esse fenômeno é chamado socialmente de "nó na garganta".
Ela sente tristeza ao falar do filho.


SUMÁRIO: Há congruências e incongruências tanto de Marcelle Guimarães como de Chris Brann.
De fato, houveram episódios de violência de Chris em relação a Marcelle, como torções no braço, empurrão, dentre outros.
O episódio, narrado por Marcelle, em que ela foi empurrada da escada ainda grávida contém indícios de desonestidade por parte de ambos. Marcelle pode ter sido desonesta em relação a como aconteceu esse fato em específico, ou à intensidade em que aconteceu; e a desonestidade de Chris pode estar ligada ao acontecimento em si, ou a algum outro episódio de violência. Em outras palavras, o empurrão da escada pode nunca ter acontecido ou acontecido de uma forma diferente da narrada por Marcelle; ambos os cenários são congruentes com os sinais de desonestidade mostrados por ela. Quanto a Chris, os sinais de desonestidade mostrados por ele, ao negar o empurrão da escada podem estar relacionados com um episódio de violência que houve próximo a uma escada (mas não da forma como foi narrado por Marcelle), ou estar relacionado a algum outro episódio de violência, que não foi comentado nesse vídeo.
O que podemos notar é que Marcelle usa esses episódios para acusar Chris e justificar o fato de trazer seu filho para o Brasil de forma definitiva. Bem como, usa esses episódios em que Chris errou e projeta a ideia de que ele não é um bom pai. Em outras palavras, há indícios de que Marcelle projeta seus sentimentos negativos com Chris na relação entre Chris e seu filho
Marcelle já tinha planejado vir, em definitivo, para o brasil com seu filho e seus pais a ajudaram de alguma forma.
Tanto Marcelle quanto Chris amam o filho.