terça-feira, 1 de setembro de 2020

Análise não-verbal: Caso Flordelis. Entrevista após acusação de ser mandante do assassinato de seu marido. Sinais importantes

Recentemente, a investigação concluiu que a Deputada e Pastora Flordelis foi a mandante do assassinato que vitimizou seu próprio marido, o também pastor, Anderson do Carmo, em 2019.
Apesar de ter sido denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil, Flordelis não poderá ser presa agora, por possuir foro privilegiado devido ao seu cargo de Deputada.
Após a denúncia, Flordelis concedeu uma entrevista para o jornalista Roberto Cabrini, aonde fala sobre tal acusação.
Quando o caso ganhou publicidade, na ocasião, fizemos a análise de uma entrevista dada pela Deputada, falando sobre o ocorrido (leia AQUI).
Será que sua linguagem corporal mudou após a acusação? Quais os principais sinais emitidos por ela?

Vamos à análise:

A partir de 1:49, o repórter pergunta: "Sinceramente, a senhora mandou assassinar o seu marido?
Em 1:51, ela responde: "Eu não matei. Eu não fiz isso, que estão me acusando. Eu não fiz"
Ao responder, no primeiro momento, "Eu não matei", Flordelis realiza aqui o que chamamos de "Deflexão". Esse fenômeno consiste em uma maneira de desviar a atenção de alguém para outra coisa com o intuito de ser questionado ou responder exatamente à pergunta que foi realizada. Podemos perceber a "Deflexão" quando a resposta é diferente do que foi perguntado ("pergunta-se A, e responde-se B").
Percebam que o repórter pergunta se ela MANDOU assassinar; enquanto a Deputada nega que MATOU. Ela respondeu algo diferente do que foi perguntado.
Segundo o Dr. David Craig e outras doutrinas a cerca desse tema, a "Deflexão" é um forte indicativo de desonestidade, pois há desejo de fuga da situação.
Ainda nesse momento percebemos uma variação em seu padrão vocal. Sua voz fica mais aguda e trêmula. Ambos são sinais de nervosismo e ansiedade.

Logo em seguida ela repete a afirmação com uma pequena mudança. Ela diz que não fez ISSO. Substituir uma palavra tão importante para o contexto por um pronome demonstrativo ("isso") é chamada, pelo estudo de Statement Analysis, de "linguagem de distanciamento" e indica fuga, desejo de evasividade. Quando o agente faz essa substituição, ele deixa de dizer que não teve tal comportamento, logo não se inocenta.
Por conclusão, quando uma pessoa é inocente, seu comportamento padrão é dizer que é inocente, com todas as letras necessárias. Qualquer comportamento verbal diferente disso, constitui, portanto, desonestidade por quebra de padrão comportamental.

Ainda referente a esse trecho, após dizer: "... que estão me acusando", notamos uma microexpressão de medo, devido a elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.
Há também o tensionamento nos dois ombros ("Turtle Effect"), indicando medo, tensão.

A partir de 1:57, Roberto Cabrini pergunta: "Como a senhora responde a essa acusação da polícia?"
A partir de 2:00, a Deputada responde: "Não é real. Não é verdade. É uma injustiça"
Após dizer a palavra "real", percebemos uma sutil elevação com seu ombro esquerdo ("Shoulder Shrug"). De acordo com Joe Navarro, a elevação unilateral de um dos ombros indica insegurança no que está falando. [O recorte acima, em câmera lenta, mostra a sutil elevação do ombro esquerdo].

Ainda referente ao mesmo trecho, ao dizer a palavra "injustiça" vemos um sutil tensionamento de ambos os ombros. Esse gesto é chamado de "Turtle Effect", e indica nervosismo e medo. Ele tem esse nome ("Efeito Tartaruga") fazendo referência ao movimento que as tartarugas tem, de entrar em seu casco, diante de uma situação de perigo. [No recorte acima, em câmera lenta, podemos ver esse movimento de seus ombros]

Em 2:09, vemos que a Deputa muda sua postura. Ela cruza os braços.
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a mudança brusca e injustificável de postura, para uma postura de braços cruzados indica defensividade. Desejo de se proteger. É um gesto beta (submissão).
Logo em seguida, dois segundos depois, ela desfaz a postura.

Em 2:18, a Deputada diz: "Eu achava que tinha sido roubo"
No começo dessa afirmação, podemos perceber que Flordelis olha para cima e direita. De acordo com estudos da PNL, o direcionamento do olhar nesse quadrante (após ter passado por um processo de "calibragem"), indica que ela está acessando a área do cérebro responsável pela criação de imagens.
Aqui ela pode estar criando a imagem do roubo, ou criando o que vai falar em seguida - sendo nesse último caso, a utilização do sistema representacional visual para responder. [Na foto acima, é possível ver esse direcionamento do olhar]

A partir de 2:23, Flordelis diz: "Cabrini, eu estava sedada"
Nesse momento vemos uma negação com a cabeça.
Quando temos uma negação não-verbal juntamente com uma afirmação verbal, estamos diante de uma incongruência entre esses canais de comunicação. Pelo fato da comunicação não-verbal representar mais de 50% de toda a nossa comunicação, devemos dar uma atenção maior à expressão do corpo.

A partir de 2:24, o repórter pergunta: "Eram lágrimas de crocodilo? Eram lágrimas falsas?"
Flordelis responde: "... Olha, eu com certeza, na morte do meu marido eu devo ter chorado muitos. Muita coisa fugiu da minha mente por causa da sedação."
De acordo com estudos de Statement Analysis, começar uma resposta com palavras como "olha" indica uma resposta indireta (não disse nem que sim, e nem que não). Segundo Mark McClish, esse tipo de resposta indireta indica um alto coeficiente de desonestidade, demonstrando incerteza em suas palavras, já que essa estrutura evita que seja dada uma resposta direta ("Sim, eu chorei" ou "Não, eu não chorei").
Ainda, na avaliação de seu discurso, ela usa um verbo indicando incerteza ("DEVO"). Esse verbo não confirma que ela realmente chorou, mas apenas que DEVE ter chorado.
Além disso, observamos também uma alta latência no tempo de resposta. De acordo com estudos de Paralinguagem e Statement Analysis, geralmente o tempo entre ouvir a pergunta e respondê-la, é de menos de um segundo. Ela demora um pouco mais que isso.
Devido aos sinais verbais apresentados, existe uma altíssima probabilidade de desonestidade.

A partir de 2:36, Cabrini pergunta: "A senhora estava sendo falsa naquela entrevista?"
Flordelis responde: "Não"
Ao negar verbalmente, vemos que sua voz fica mais aguda. De acordo com estudos de Paralinguagem, a mudança brusca no "pitch" vocal para um registro mais agudo, indica nervosismo e ansiedade, devido ao tensionamento na região da garganta.
Vemos também, nesse momento, uma microexpressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas e a elevação das pálpebras superiores. Juntamente é possível observar um afastamento de sua cabeça para trás. Esse "movimento de distanciamento" é congruente com a emoção de medo somado a intenção de fugir da situação. [foto acima]

Além disso, é possível observar uma sutil elevação do seu ombro esquerdo ("Shoulder Shrug").
Como dito anteriormente, esse movimento unilateral dos ombros, pode indicar insegurança em suas palavras.
Nesse mesmo momento, em sua face, vemos também uma expressão de medo, devido a elevação das sobrancelhas e elevação das pálpebras superiores.
[No recorde acima em câmera lenta, é possível observar esses sinais].

A partir de 2:43, Cabrini pergunta: "Por que a senhora não tentou socorrê-lo no próprio local?"
A Deputada responde: "Eu não vi. Já tinham... Quando eu desci, ele já tav... ele... ele já tin... meu filho já tinha informado que já tinham saído com o carro para levá-lo para o hospital"
Percebemos nesse trecho alguns distúrbios vocais. Ela gagueja e não termina algumas palavras. De acordo com estudos da Paralinguagem, esses distúrbios indicam nervosismo e omissões - ao não completar as palavras e mudar o raciocínio. Constituem fortes indícios de desonestidade.
Juntamente, vemos um "gesto pacificador" de coçar a face. "Gestos pacificadores" são aqueles em que o agente coça, esfrega e/ou toca no próprio corpo. Eles indicam que Flordelis está experienciando episódios de ansiedade e nervosismo - tendo em vista, que os "gestos pacificadores" são utilizados para se acalmar diante de um estímulo negativo. Eles estão muito relacionados a desonestidade, dependendo do contexto no qual são inseridos. Tendo em vista que, nesse trecho, temos sinais paralinguísticos também ligados a desonestidade, o "gesto pacificador" confirma essa desonestidade.
Vemos ainda que nesse momento ela fecha os olhos - gesto conhecido como "Eye Shielding". De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, fechar os olhos em um momento crucial como esse, indica intenção de não visualização. No caso, desejo de não visualizar a mentira que está sendo contada.
Há também um forte tensionamento nos ombros. Mais uma vez, estamos diante do chamado "Turtle Effect", indicando desejo de fuga; medo.

Em 3:00, Flordelis exibe uma microexpressão de medo, principalmente pela elevação das pálpebras superiores e tensionamento nas pálpebras inferiores

A partir de 3:08, Cabrini faz uma afirmação, seguida de uma pergunta: "Em um recado enviado aos seus filhos, a senhora diz: ''Fazer o quê? Separar não posso porque ia escandalizar o nome de Deus". Porque a senhora disse isso?"
Em sua resposta (3:16), ao dizer: "Não existe. Isso não existe", Flordelis realiza uma expressão chamada por Jack Brown de R2E2 ("Racionalization-Rapport-Empathy-Expression") - em uma tradução livre, podemos chamar de "Expressão Racionalizadora". Segundo o autor, a configuração facial dessa expressão é semelhante à configuração facial do nojo, porém sua função é tentar convencer e gerar empatia ou conexão, apesar de não estar se sentindo desta forma. É, portanto, uma expressão manipulativa. [Foto acima]

Em 3:20, a Deputada continua em sua resposta, dizendo: "Se eu tivesse que me separar, eu separaria"
Nesse momento ela eleva, sutilmente, os dois ombros. De acordo com Charles Darwin e Paul Ekman, esse gesto indica desconhecimento, incerteza.
Ela não está certa de suas palavras.

A partir de 3:22, o repórter Roberto Cabrini questiona a Deputada sobre uma mensagem enviada a um de seus filhos, aonde diz: "André, pelo amor de Deus, vamos dar um fim nisso, me ajuda. Cara, to pedindo. Tô te implorando. Até quando vamos ter que suportar esse traste, em nosso meio". Logo em seguida, o repórter pergunta: "Por que a senhora disse isso?"
A partir de 3:35, a Deputada responde com: "Eu jamais chamaria meu marido de traste"
Aqui, podemos notar algo muito interessante em relação à sua resposta.
Se repararmos na mensagem enviada ao filho André, o conteúdo mais importante desta, está no fato dela querer "dar um fim nisso", que claramente se refere a dar um fim no marido, ou dar um fim no que tinham planejado. Porém em sua resposta, a Deputada rebate o fato dela se referir ao marido como "traste". De acordo com estudos de Statement Analysis, a mudança de foco em relação ao ponto mais importante do texto constitui uma forma de "Deflexão". Por haver a intenção de não responder tal ponto crucial, pode ser considerado fuga e omissão por parte da Deputada. Ela foca em uma parte menos importante da declaração, para se evadir de responder sobre algo mais crucial.

A partir de 3:38, Flordelis diz: "Essa mensagem não foi escrita por mim"
Ao final, vemos novamente uma expressão de desprezo, devido a contração do bucinador, na extremidade esquerda do canto da boca.

Em 3:52, o repórter pergunta: "A senhora não omitiu nada?"
Flordeliz responde que "não"
Juntamente à essa resposta, vemos mais uma vez o chamado "Eye Shielding", que consiste em fechar os olhos por um tempo superior ao de uma piscada.
Esse gesto significa que não quer visualizar o que está sendo falado. Logo, um forte indício de desonestidade, pois sua intenção é não ver a mentira que está contando

A partir de 3:55, a Deputada afirma: "Eu preciso saber quem matou o meu marido"
Logo em seguida, Cabrini pergunta: "A senhora não sabe?"
Flordelis responde: "Não. Se eu soubesse eu falaria aqui agora".
Durante o "não", vemos novamente o "Eye Shielding" (desejo de não visualização do que está falando)
Enquanto verbaliza o complemento da resposta ("Se eu soubesse eu falaria aqui agora"), vemos novamente o "Eye Shielding", dessa vez sendo acompanhado da expressão R2E2, cujo intuito é manipular e empatia e conexão. Resumindo, desejo de convencimento. [Foto acima]

Ao final desse trecho, vemos novamente a expressão de desprezo, devido a contração do bucinador no lado esquerdo da face, juntamente com o "Eye Shielding"
O especialista em linguagem corporal Jack Brown afirma que a expressão R2E2, além de ter a mesma configuração facial do nojo, pode ter também a mesma configuração facial do desprezo. Por tal motivo, podemos dizer que ao emitir esse desprezo, sua intenção também é manipular.
Aqui, o gesto de fechar os olhos funciona como um potencializador do desprezo - que, nesse contexto, pode ser visto como uma expressão R2E2.

Em 4:07, o repórter pergunta: "A senhora não está escondendo nada?"
Logo em seguida, Flordelis responde: "Não"
Mais uma vez vemos o mesmo padrão gestual: "Eye Shielding" + expressão de desprezo
Tentativa de manipulação e convencimento. Novamente, o gesto de fechar os olhos indica um potencializador.
Podemos reparar também que sua voz fica mais aguda. Como dito anteriormente, essa alteração do padrão vocal indica nervosismo e ansiedade. Nesse contexto, reforça a afirmação de que ela está sendo desonesta.

A partir de 7:07, Cabrini entre no assunto do dinheiro que entrava na igreja de Flordelis e de Anderson
Em 7:25, Flordelis afirma que uma grande quantia em dinheiro, que deveria ter entrado na conta da igreja, não entrou
Em 7:29, Cabrini pergunta: "Aonde esse dinheiro ficou?"
Logo em seguida, a Deputada responde: "Eu também quero saber"
Nesse momento ela espalma as mãos para cima, eleva as sobrancelhas e existe o direcionamento dos cantos dos lábios para baixo [Foto acima]. A conjugação desses elementos fazem parte de uma das configurações possíveis do gesto de desconhecimento.
A resposta da Deputada juntamente com o gesto de desconhecimento indicam congruência. Logo, ela está sendo honesta. Ela não sabe aonde o dinheiro ficou.

A partir de 7:35, Cabrini pergunta: "A razão do assassinato de Anderson do Carmo reside nesse dinheiro, nessa divisão?"
Logo em seguida, Flordelis responde: "Não sei. Não sei"
Na segunda vez que ela afirma não saber, podemos perceber uma palpebração, ou seja, enquanto está de olhos fechados, suas pálpebras fazem movimentos rápidos, como se fossem espasmos. Chamamos essa palpebração de "Eyelid Flutter" [É possível observar esse sinal não-verbal, no recorte em câmera lenta, acima].
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, esse sinal constitui um indício de nervosismo e dissonância cognitiva/emocional. Ou seja, existe uma "luta" interna entre o que é verdade e o que está sendo dito.
Podemos dizer que o assassinato de Anderson do Carmo não está relacionado, principalmente, com nenhum motivo financeiro.

A partir de 8:12, o repórter Cabrini pergunta: "É justo que eles estejam presos e a senhora não?"
A partir de 8:17, a Deputada responde: "Olha... eu não, eu não tenho que tá presa. Eu não matei o meu marido e nem mandei matar. Por que me prender?"
Aqui vemos novamente uma demora em responder a pergunta. Cabrini termina de fazer sua pergunta aos 8:15, e Flordelis começa sua resposta mais de dois segundos depois.
Como dito anteriormente, o tempo entre terminar de ouvir a pergunta e respondê-la, geralmente leva no máximo um segundo. Essa latência maior praticada pela Deputada indica um processo para se ganhar tempo para pensar no que será respondido.
Além disso podemos observar um aumento brusco no volume de sua voz. De acordo com estudos de Paralinguagem, o volume vocal deve ser aumentado de forma gradativa, em um discurso. O aumento brusco constitui a quebra de padrão verbal. Constitui-se indício de tentativa de convencimento.

A partir de 8:25, o repórter pergunta: "Será que a senhora disse algo que possa ser interpretado como uma ordem de assassinar Anderson?"
Logo em seguida, a Deputada responde: "De jeito nenhum. Todo mundo dentro de casa e fora de casa sabiam o valor que meu marido tinha para mim"
Observamos aqui, que houve a quebra da estrutura de uma resposta direta. De acordo com Mark McClish, uma resposta direta é constituída de uma afirmação ("sim") ou uma negação ("não") seguida de um complemento. Não vemos essa estrutura na resposta da Deputada, que começa sua resposta com "De jeito nenhum". Essa composição verbal não é considerada uma negação, logo não existe resposta direta. Ausência de resposta direta indica omissão e desonestidade.
Para complementar sua resposta ela usa o recurso de inserir terceiros para aumentar sua credibilidade. Ao dizer que "todo mundo dentro de casa e fora de casa sabiam do valor que meu marido tinha pra mim", ela pretende ser crível colocando outras pessoas no contexto. De acordo com pesquisas de Statement Analysis, quando inserimos terceiros, nos tornamos mais confiáveis porque se outras pessoas podem confirmar minha história, a tendência é que os interlocutores confiem no que está sendo dito, através de uma espécie de "comportamento de manada". Há manipulação.


SUMÁRIO: A Deputada Flordelis experiencia, majoritariamente, as emoções de desprezo e medo; bem como ansiedade e nervosismo.
Podemos ver vários indícios de manipulação, tanto no campo verbal, quanto no não-verbal.
É observável também comportamentos verbais e não-verbais de fuga e evasividade.
Durante o vídeo apresentado, é possível notar vários sinais que, aliados ao contexto, indicam desonestidade em relação a inocência da Deputada. Dentre outros, um dos sinais mais vistos, ao longo do vídeo, é o chamado "Eye Shielding", aonde o seu desejo é de não visualizar o que está falando.
Em momentos importantes, a Deputada demonstra sinais de insegurança.
Há também vários indícios verbais de omissão.
O único momento de honestidade ocorre quando Flordelis diz desconhecer o destino do dinheiro que deveria estar investido na igreja.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Análise não-verbal: Padre Robson de Oliveira suspeito de desviar dinheiro dos fiéis e outros crimes. Inocente?

O Padre Robson de Oliveira, é investigado pela chamada, Operação Verdilhões, por suposta apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e sonegação fiscal.
De acordo com as investigações, o Padre usava laranjas e empresas de fachada para esconder supostos desvios de doações dos fiéis para a construção de uma Basílica em Goiânia. Os valores podem superar R$120 milhões de reais.
O Padre Robson divulgou um vídeo se defendendo dos crimes que são atribuídos à ele.
O que será que sua Linguagem Corporal pode nos dizer em relação a essa sua defesa?

Vamos à análise:

Ele começa o vídeo com um gesto ilustrador com as palmas de suas mãos voltadas para cima.
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, as palmas das mãos para cima indicam que a intenção do Padre é oferecer suas ideias, seu ponto de vista.
Segundo Joe Navarro, esse gesto é denominado de "Rogatory". Ele indica um comportamento universal de humildade, conformidade, ou cooperação, é usado por pessoas que desejam serem aceitas ou acreditadas. As mãos nessa posição são usadas em cerimônias religiosas para demonstrar humildade e piedade.
Ainda segundo o autor, esse gesto não deve ser usado em um contexto de afirmar inocência. Nesse tipo de caso, o ideal são as palmas das mãos para baixo, que demonstram mais dominância, uma comunicação mais assertiva e não tão democrática.
Tendo em vista que trata-se de um líder religioso, as mãos espalmadas para cima podem ser sua "linha de base" não-verbal, apesar de não ser congruente com esse tipo de contexto.
Ele mantém esse gesto ao longo do vídeo.

Em 0:03 vemos um desalinhamento corporal juntamente com o deslocamento sutil do peso corporal para o lado esquerdo.
Percebam que o Padre gesticula para frente, porém sua cabeça está voltada para sua esquerda e seu olhar para frente. À isso chamamos de "desalinhamento corporal". Ele constitui um forte indício de desejo de fuga.
De forma conjugada podemos ver que o peso corporal do padre está concentrado mais na sua perna esquerda. Esse deslocamento de peso corporal indica uma instabilidade emocional.
Esse conjunto indica que esse tema gera nele emoções negativas. Geralmente quando o agente sabe que é inocente e possui comprovações dessa inocência, não costumamos ver essa instabilidade emocional.
[No trecho em câmera lenta acima, podemos observar esse conjunto não-verbal]

A partir de 0:16, o Padre diz: "E devido a situação a qual eu fui colocado, eu entendi... que o melhor caminho seria eu me afastar temporariamente da reitoria do Santuário Basílica de Trindade, e também da presidência da AFIPE"
Quando diz "devido a situação", existe novamente um desalinhamento corporal para a sua esquerda. Segundo a doutrina, quando nos comunicamos com segurança, nosso corpo tende a ficar alinhado. O desalinhamento, portanto, indica um ponto de incongruência e desejo de fugir do que disse, por representar uma quebra do padrão comportamental.

Ainda, durante esse trecho, ele mantém em grande parte do tempo, um discurso fluído e direto; porém, ele faz uma pausa desnecessária entre "eu entendi" e o restante do discurso (quebra da "linha de base" verbal).
Essa pausa desnecessária indica que o cérebro precisou ganhar tempo para formular o que seria dito ou que ele disse algo desonesto e o cérebro necessita dessa pausa para se recuperar.
Juntamente com essa pausa, vemos uma leve pressão em seus lábios. Essa pressão é chamada de "Mutismo" e indica, nesse contexto, que algo desonesto, que não deveria ter sido dito, foi falado. Essa pressão com a boca representa um desejo inconsciente de querer manter a desonestidade para si, não expressando-a.
Aqui, provavelmente não foi o Padre que entendeu que ele deveria se afastar, mas o afastaram.

A partir de 0:28, o Padre diz: "Eu sempre estive e estou a disposição do Ministério Público"
Durante a verbalização "Eu sempre estive", vemos um desalinhamento corporal para a sua esquerda (olha e gesticula para frente enquanto sua cabeça se rotaciona para a esquerda - direções diferentes).
Vemos também, mais uma vez, a estabilidade emocional provocada pelo leve deslocamento do peso corporal para a esquerda.

A partir de 0:33, o Padre diz: "Por isso esse meu pedido de afastamento, vai me permitir colaborar com as apurações, da melhor forma, e com total transparência..."
Enquanto ele fala "me permitir colaborar", notamos novamente o desalinhamento corporal; desta vez de uma forma mais intensa. Sua gesticulação e o seu corpo se direcionam para a esquerda, enquanto seu olhar e sua cabeça se mantêm de frente.
Por fugir da "linha de base", existe aqui forte indício de incongruência/desonestidade.
Esse desalinhamento é observável também quando ele diz "da melhor forma".

Ainda referente ao trecho anterior, ao dizer: "... com total transparência", vemos um conjunto não-verbal interessante:
Ele nega com a cabeça, fecha os olhos por mais tempo que o de uma piscada ("Eye Shielding"), eleva sutilmente o ombro esquerdo e possui uma gesticulação descoordenada (a gesticulação está em ritmo diferente do ritmo vocal. O ritmo do gesto está mais acelerado).
A negação constitui incongruência entre o verbal e o não-verbal (enquanto o o meio de comunicação verbal faz uma afirmação, o corpo nega). Pelo fato de mais de 50% da comunicação ser não-verbal, devemos confiar mais nesses sinais.
A ação de fechar os olhos por um tempo maior do que o de uma piscada, chamamos de "Eye Shielding", e nesse contexto, conjugado com a negação, indica uma potencialização da negação. Ele potencialmente não quer ver a desonestidade que está falando.
A elevação sutil e unilateral do ombro (no caso o esquerdo), é chamado de "Shoulder Shrug" e indica insegurança no que está falando.
A gesticulação estando em ritmo diferente da fala, demonstra mais uma incongruência entre elementos não-verbais da comunicação; tendo em vista que a gesticulação se refere a linguagem corporal e o ritmo vocal se refere a Paralinguagem (estudo que foca nos elementos não-verbais que acompanham a comunicação verbal - tom de voz, intensidade, velocidade, etc.) a disparidade entre esses elementos constitui incongruência, logo, possível desonestidade.
[É possível observar esses sinais no trecho retirado, em câmera lenta, acima]

A partir de 0:44 - 0:45, ele diz: "... toda doação que fazemos ao Pai Eterno, terços rezados, o dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregados na evangelização, foi toda. Repito: toda; empregada na Associação - na AFIPE - em favor da evangelização"
Ao dizer que "toda doação" foi empregada, o Padre, nega com a cabeça. Novamente vemos uma incongruência entre o verbal e o não-verbal; logo há desonestidade.
Mais à frente, ao dizer: "foi toda. Repito: toda" ele realiza um gesto ilustrador chamado de "Pinçamento" [foto acima]. Esse gesto consiste em unir a ponta dos dedos indicadores e polegares. Ele indica um desejo de esmiuçar a ideia, ser exato no que está falando.
O fato dele repetir "toda" também é bem interessante. De acordo com estudos de Statement Analysis, a repetição pode ser um indício de tentativa de manipulação. Segundo esse estudo, a verdade, não carece de repetição; ela por si só já tem a força suficiente para ser crível para os interlocutores.

A partir de 1:16, ele diz: "Meu coração está sereno... e confiante de que tudo será esclarecido o mais breve possível"
Ao dizer que o coração está sereno, vemos uma sutil elevação em seu ombro esquerdo. Esse movimento é chamado de "Shoulder Shrug" e, segundo o autor Joe Navarro, ele indica insegurança no que está falando [É possível ver esse movimento no pequeno trecho, em câmera lenta].
Existe uma pausa desnecessária entre as palavras "sereno" e "e confiante". Essa pausa desnecessária indica que o cérebro precisa ganhar tempo para pensar no que será falado em seguida, ou precisa se recuperar de uma desonestidade que foi verbalizada.

Ao dizer "confiante", vemos q ele realiza um afastamento com a sua cabeça, para trás e direita.
Esse movimento indica intenção de fugir da situação devido a insegurança que sente [no trecho, em câmera lenta acima, é possível observar esse afastamento com a cabeça]

Ainda se referindo ao trecho anterior, quando ele diz "tudo será esclarecido o mais breve possível" vemos uma negação de cabeça.
Aqui, novamente, há incongruência entre a afirmativa verbal e a negação corporal. Grande possibilidade de desonestidade.

A partir de 1:24, o Padre diz: "Sabemos que a vida é feita, não somente de alegrias, mas também de provações. o meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início, como você bem sabe, já testemunhei várias vezes a você, isso. Sempre carreguei muitas cruzes"
O Padre Robson se utiliza de um discurso de vitimização. De acordo com ensinamento de Statement Analysis, esse tipo de discurso é utilizado para gerar empatia e comoção dos interlocutores. De acordo com estudos, declarações de sofrimento tendem a gerar, nos interlocutores, uma forte conexão e tornam a estória contada mais crível.

A partir de 1:53, o Padre diz: "Por isso eu nunca desisti"
Nesse momento ele realiza uma dinâmica de movimentos em direções opostas. Enquanto suas sobrancelhas se elevam (movimento para cima), seus olhos se fecham (movimento para baixo). De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, os movimentos e sinais corporais devem ser realizados de uma forma fluida, acompanhando um mesmo sentido e direção, pois é algo inconsciente. para o autor, Jack Brown, essa movimentação divergente, por não ser natural e incomum representa um alto coeficiente de desonestidade, já que foge do padrão da comunicação corporal.
O autor reconhece, que existem casos em que essa divergência não indica desonestidade em si, mas são observadas na expressão de emoções que podem ser tidas como negativas, em alguns contextos. Por exemplo, essa divergência pode ser observada em emoções como desprezo, aonde existe uma superioridade moral.
Nesse caso em específico, somado a essa dinâmica de movimento opostos, vemos um desalinhamento corporal para a sua esquerda, o que reforça uma possível desonestidade.

A partir de 2:10, o Padre Robson de Oliveira pede que os fiéis permaneçam unidos em oração.
Durante esse pedido ele realiza um gesto ilustrador de dar as mãos a si mesmo [foto acima].
Esse gesto indica desejo de cooperação e ajuda. Há congruência entre o verbal e o não-verbal

Em 2:19, ao falar do pedido para que tudo seja resolvido, novamente, vemos suas mãos voltadas para cima - "Rogatory". Nesse contexto, devido aos sinais apresentados durante o vídeo, indica o desejo do Padre em ser acreditado; desejo que suas ideias sejam aceitas. Devemos nos lembrar dos ensinamentos de Joe Navarro, que diz que, nesse contexto de tentativa de demonstrar inocência, o ideal é posicionar as palmas das mãos para baixo, apresentando maior dominância e assertividade.
Podemos observar também que ele fecha os olhos por mais tempo que o de uma piscada normal. Esse movimento é chamado de "Eye Shielding" ele pode indicar desejo de não visualização do que está acontecendo e/ou sendo dito. Nesse caso, juntamente com a posição das mãos, ele pode demonstrar também um potencializador do desejo de ser acreditado.

* Durante todo o vídeo, o Padre não utiliza uma linguagem direta (p.ex: "Eu não pratiquei tal crime").
Esse tipo de linguagem seria congruente com o contexto apresentado. Tendo em vista que quando somos acusados injustamente de algo, nossa providência é, em primeiro lugar, nos defendermos e negarmos o feito.
A ausência desse padrão comportamental por parte do Padre Robson Oliveira indica incongruência. O que constitui um alto indício de culpabilidade


SUMÁRIO: Durante vários momentos, vemos o Padre realizar vários desalinhamentos corporais, indicando desejo de fuga - o que é incongruente com o contexto, pois quando vamos nos defender, queremos nos mostrar e expressar nossa inocência, e não fugir.
Notamos instabilidades emocionais devido a troca de peso corporal.
Existem inseguranças em relação ao caso concreto. Devemos nos perguntar: "Se o Padre se diz inocente, de onde vem sua insegurança ao falar do caso?
Há sinais não-verbais incongruentes, logo, com alto coeficiente de desonestidade, ao falar que toda a doação é empregada em favor da evangelização.
A também possível desonestidade ao afirmar que irá colaborar com transparência e que está confiante.
Há incongruência também, ao falar que ele entendeu que deveria se afastar de sua Associação e da reitoria. Provavelmente alguém o afastou.
Em nenhum momento ele utiliza linguagem direta (p.ex: "Eu não cometi tal crime"), o que seria congruente com um padrão comportamental em um contexto de inocência. Ao invés disso, ele se utiliza de um discurso com intenção de se vitimizar, afim de gerar empatia dos interlocutores.

domingo, 26 de julho de 2020

[Análise de Declaração]: O retorno de Gabriela Pugliesi. Qual a sua verdadeira intenção?. Técnica "Breakdown"

Após uma grande polêmica envolvendo a Digital Influencer Gabriela Pugliesi, na qual ela aparece desrespeitando o isolamento social em tempos de pandemia, a influencer veio à público pedir desculpas pelo seu comportamento [veja a análise clicando AQUI], que custou a ela, perda de trabalhos, patrocínios e milhares de críticas .
Recentemente, após ter sumido das redes sociais, e da vida pública, Gabriela retorna por meio de um vídeo no qual ela fala novamente da polêmica e explica mudanças internas no que tange a ter se tornado uma pessoa melhor, mais evoluída.
Apesar de, eventualmente, também falarmos de sua linguagem corporal, nesse vídeo vamos focar mais na análise de sua declaração.
Será que realmente houve esse desenvolvimento pessoal, ou será apenas uma jogada de marketing?


Informações iniciais

Para essa análise vamos usar um método chamado de "Breakdown" - além de, posteriormente, fazer algumas outras considerações.
O "Breakdown", é uma técnica de identificação de intenções, de desonestidades e/ou evasividade em declarações escritas.
Segundo Mark McClish, um dos grandes nomes do Statement Analysis e utilizador dessa técnica, toda declaração é constituída de segmentos
Normalmente, um indivíduo ao expressar sua declaração começará contando o que aconteceu antes do incidente acontecer. A partir daí, ele narra, com detalhes o que aconteceu. Por último, ele verbaliza o que aconteceu após o incidente.
Analisando esses três segmentos ("antes", "durante" e "depois") é possível identificar a intenção do agente ao contar a estória, podendo até ser possível determinar se a estória é honesta ou desonesta.
De acordo com esse método, os trechos descritivos do fato ("durante"), devem ser responsável 50% da totalidade da declaração; enquanto os trechos pré-fato ("antes") e pós-fato ("depois"), devem constar 25%, cada um, da estória.
Se essa porcentagem não for respeitada, a intenção é manipular, e provavelmente, estamos diante de uma declaração desonesta ou evasiva.

A partir de agora, usaremos cores para distinguir os segmentos.
Colocaremos em verde o segmento que se refere ao "antes", que nesse caso, funciona como uma introdução.
Estará em azul tudo o que se refere ao segmento "durante". Aqui é narrado o que aconteceu com Pugliesi. O pedido de desculpas, faz parte desse seguimento
A cor vermelha irá se referir a tudo o que aconteceu com Pugliesi "após" o evento.



Vamos à análise:

Declaração:
Oi Gente!
Nossa quanto tempo! Vou tentar começar, mas confesso que eu estou um pouco desconfortável, me sentindo egoísta de gravar um vídeo para falar de mim, diante de tudo isso que tá acontecendo com o mundo, mas faz muito tempo que eu não apareço aqui também não vi outra forma de compartilhar com vocês algumas coisas que eu acho que eu devo, que eu estou com vontade.
Primeiro eu queria dizer que eu vivi dias extremamente necessários fora da internet que foram muito importantes para mim, pro meu aprendizado. E no início foi duro, porque veio acompanhado de um erro né? imaturo, inconsequente. Para que não lembra naquele dia que eu fui a quarentena reunindo uns amigos aqui em casa, fiquei bêbada, falei besteira, aquele dia eu tava muito feliz e esqueci do mundo. Enfim, eu não quero apagar esse, nem esperei esse tempo para ele ser esquecido não. Até porque, por conta desse erro, naquele momento, eu perdi uma boa parte da minha paz, perdi alegria, perdi trabalho, como vocês sabem, perdi a confiança de vocês né? Porque aqui na internet a gente passa a ser definido por um erro e é cancelado também por causa dele, enfim, resumem a gente a isso, e dependendo da pessoa também é bem conveniente esse cancelamento, mas, tudo isso que eu mais perdi, naquele momento, naqueles dias, foi a mim mesma assim, eu comecei a questionar demais, é como se num momento de fragilidade você acreditasse em tudo de ruim que falam que você. E assim sobre, esse episódio então, eu queria mais uma vez pedir desculpa. Se eu te ofendi, nunca foi minha intenção ofender alguém. E me alivia saber que eu prejudiquei a mim mesma e não outra pessoa. E foi difícil tá, eu me perdoar, porque eu fui completamente incoerente com a pessoa que eu sou de verdade, porque eu sei que eu me preocupo com os outros. Eu sei que eu me preocupo com o mundo, com a vida, com a saúde, principalmente. Por isso a incoerência. Mas somos seres humanos né? Incoerentes, muitas vezes contraditórios, mas eu me perdoei, senão nem estaria aqui agora falando com vocês E eu só estou aqui hoje porque eu quero falar com vocês sobre a vida, sobre Deus, sobre como momentos de crise... de tristeza são muito importantes e transformam a gente. Naquele momento eu me vi completamente vulnerável, assim. Mas hoje eu vejo como é maravilhoso porque quanto mais rápido a gente entende nossas vulnerabilidade, esse nosso fracasso, mais rápido a gente cresce na vida. Quanto mais rápido a gente reconhece que não é 100%, a gente chega nesse 100%. É muito bom isso. E o que eu quero, na verdade, é que vocês acreditem que a vida é perfeita para cada um, porque no meu caso, se nada daquilo tivesse acontecido comigo, eu taria naquele mesmo lugar que eu tava. Ué que lugar que você estava? Não tava tudo, né? Tudo bem, Tudo mara? Tudo incrível? tava, tava tudo certo, tava tudo OK... Eu também achava, ééé.. porque não tava vendo o quanto eu tava estagnada, sabe? iludida, eu não tava enxergando, tipo... um palmo na frente assim. Por um momento eu estava tomada pelo ego, o que é normal às vezes né? Nossa maior missão aqui é saber lidar com o ego, e é difícil para caramba! ainda mais nesse meio aqui, com tanta sedução. Eu tava vivendo assim, nessa minha bolha e deixando de olhar para o mundo o tanto que eu deveria! Tava tudo muito confortável, e tal, e nesse lugar do conforto a gente não atende porque fica meio cego mesmo. Assim, por conta disso tudo o que aconteceu comigo, que não daria para resumir em um vídeo, que eu vi muita coisa internamente... Não tem nada que eu acredite mais nessa vida do que nos planos de Deus e na forma que Ele conduz nosso caminho aqui. E principalmente a presença de Deus quando as coisas não saem conforme nosso “planejamento”. O nosso planejamento, na nossa cabeça, ele é todo certinho né?! A gente nunca planeja viver uma crise, um desafio, uma fase ruim... Mas aí de repente chega e, [onomatopéia com a boca] tira a gente do nosso controle, as coisas fogem do nosso controle, e você pensa: por que comigo né? Porque tá acontecendo isso comigo? E essa fase que você considera uma fase ruim. Presta atenção porque nesse momento que você acha que tá tudo “desandando”, que você acha que tudo saia do controle, na verdade aí que Deus está agindo para colocar a gente de volta nesse eixo né? Não é porque tava tudo “perfeito”, que você tava no seu caminho... e eu gente, falo isso claramente porque eu entendi que eu precisava ter passado por isso, para ter a certeza de que eu tava completamente desconectada de mim, naquele período. E eu só enxergaria isso se alguma coisa me brecasse mesmo. Se esses meus planos perfeitos fossem interrompidos por uma força maior. Que eu chamo de Deus. Esses “problemas” - problemas não, vai - desafios, prefiro chamar de desafio, na verdade são a oportunidade da gente dar um passo para frente, da gente se transformar, da gente ser melhor! - se a gente enxerga dessa forma né? Ninguém evolui, ninguém muda e aprendi quando tá tudo confortável, ninguém.
Bom, vocês me acompanham aqui desde 2013, acho né? Vocês me conhecem muito, vocês minhas qualidades, meus defeitos, minha luz e minha sombra, né? Esses dois lados que todo mundo tem. Eu sempre fui muito aberta aqui com tudo. Essa minha espontaneidade, até um tanto quanto ingênua, ne? Que me fez cometer vários erros, acertos, e arcar com tudo isso, porque ser assim tem um preço muito alto mas que eu sempre paguei, porque, pelo menos, me faz viver de uma forma livre; sem medo de ser quem eu sou, sem medo de errar; porque a gente erra. Sem precisar tomar cuidado para falar, ou para fazer alguma coisa porque eu sou “pública”. Só que nesse tempo aqui, o que eu percebi, é que viver assim também é muito cômodo né? O que eu mais refleti todos esses dias é que a gente não pode ignorar a nossa responsabilidade, e cada um tem a sua. Eu não posso pensar só em viver a minha vida, sendo quem eu sou, sendo feliz, falando coisas legais que me ajudam a viver de uma forma mais leve e tal, mas também falando besteira ou coisas bobas né? Às vezes tem que pensar na quantidade de gente que eu, que eu influencio... Aqui. Porque eu sempre compartilhei alegria, felicidade, positividade. Sempre enxergando a vida e as pessoas pelo lado bom, porque isso me dá entusiasmo para viver. Eu acho que sempre tá tudo maravilhoso, ou se não tá agora, vai ficar daqui a pouco. Eu sou assim!. Eu sempre fui assim. Só que às vezes ser assim também fecha os meus olhos para uma parte do mundo que é cruel, para uma realidade triste mas que existe e faz parte da vida né?... Isso. E assim gente, eu realmente - aí vocês acreditem se vocês quiserem - mas eu realmente até hoje, não tinha noção da quantidade de pessoas que eu, que eu alcanço aqui. Eu sempre fui meio sem noção com esse negócio de número, do tanto de gente né, que tá aqui porque me vê como inspiração, porque gosta de mim ou simplesmente, tá aqui para pegar um deslizesinho meu com pessoa pra tripudiar. E que, inclusive, também foram vocês, a galera né, do linchamento e cancelamento de pessoas, foram vocês que mais me ajudaram esse tempo todo. Porque na vida, quando a gente não se coloca nunca como vítima, e sim, como responsáveis por tudo que acontece na nossa vida, a gente não só compreende a dor, como aprende com ela. E também com as pessoas que causaram essa dor. TUDO VIRA APRENDIZADO, tudo na nossa vida veio para ensinar. E hoje, eu vejo que eu precisei me recolher aqui, que eu precisei dar esses passinhos para trás, ser muito resiliente, repensar em MIL coisas, entender de uma vez por todas, que eu preciso ser mais responsável sim, que eu preciso saber que tudo que eu falo e faço TEM um peso muito grande. Eu sei também que eu preciso cada dia mais estudar, me informar, servir, escutar as pessoas que sabem mais do que eu, e tudo isso é um exercício diário. 
A gente tem que ter mais tato, mais sensibilidade sempre para falar do que quer que seja, a gente tem que sempre se colocar cada vez mais no lugar do outro, e dar o nosso lugar de fala, né? É nosso dever isso. Isso serve MUITO para mim mas eu acho que serve para todo mundo aqui, né? Porque todo mundo tem que aprender. 
Mas assim, foi foi tudo isso também que me ajudou a voltar para o meu caminho, que é o caminho que eu quero tá na minha vida, né? Que é um onde todos os dias eu acordo e alimento a minha humildade, a minha empatia, o meu amor pelas pessoas, a minha espiritualidade. É onde cada dia eu tenho que tirar uma dessas camadas que existem entre o corpo físico e a nossa alma, sabe? Essas camadas que é o que eu chamo de... que é o ego, né? O que impede a gente de evoluir como ser humano, que impede a gente de fazer o que a gente veio fazer aqui, porque a gente fica seduzido com essas necessidades imediatas; e depois de pouco tempo voltam a dar esse vazio na gente, né? 
A rede social - falando da rede social agora - que ela é maravilhosa, em vários sentidos; toda essa movimentação na luta contra o racismo, que tem ensinado muito a todo mundo; a união das pessoas, né?, para levantar tantas bandeiras importantes. A gente vê, de fato, como a rede social pode mudar o mundo, se ela é usada para o bem; e também é uma importantíssima fonte de renda para muita gente; mudou a vida de muita gente, inclusive a minha. Mas a gente tem que ter muito cuidado para não se perder aqui também, sabe? para não entrar nessa energia errada, que muita gente dissemina; que esse ódio, esse julgamento todo, tempo todo; essa necessidade e prazer de estragar a vida de uma pessoa. E por outro lado, também se esvaziar um pouco dessa, dessa vaidade que existe aqui, sabe? que torna os elogios, likes, engajamentos a coisa mais importante da nossa vida, deixando a gente cego pro que realmente precisa ser MAIS importante da nossa vida, que é o que? que é nossa família, nossos amigos que estão com a gente aqui quando a gente tá lá em cima, ou lá embaixo; nossa saúde, nossa paz de espírito, nossa espiritualidade, nossos valores, nossa consciência; a gente ser fiel a nossa verdade. Isso é o mais importante. Porque daí a vida tem sentido, sabe?. Até porque no final disso tudo o que a gente leva mesmo daqui é a nossa alma um pouco mais evoluída. São esses valores, né?,  que vão embora com a gente, o resto tudo fica aqui gente, entendeu?
Vou falar uma coisa. TODOS os dias eu agradeço a Deus por tudo, né?, por tudo... mas principalmente, eu agradeci por essa oportunidade que eu tava tendo de enxergar a vida como eu deveria, sabe?. Porque é desse lugar que a gente adquire sabedoria, conhecimento. É onde nossa positividade, poder do pensamento positivo e nossa resiliência é colocada mesmo em prática. Onde aquela fé inabalável, que tem que existir, passa a ter muito sentido. Isso afinou muito meu canal de comunicação com Deus, e fortaleceu muito a minha espiritualidade, porque é nesse lugar - quando a gente tá, né?, vulnerável -  que a gente evolui, aprende, amadurece, escuta as pessoas, cai na real de coisas que a gente não cairia se tivesse sempre tudo bem. 
Então, na verdade, essas fases mais difíceis, elas são as mais importantes da nossa vida. Elas nunca vem por acaso. Tudo que chega para gente é para fazer a gente se corrigir; ser melhor, né?. Todas as situações tem uma coisa muito boa para ser tirada disso, sabe?. E eu tô falando tudo isso aqui, porque eu sei que muita gente tá vivendo agora um momento mais difícil, tá triste, tá sofrendo. Se você tá numa fase ruim agora, aproveita porque ela veio para te ensinar, e ela vai passar porque tudo passa. E ter essa certeza dá um alívio, sabe?, e quando passar você vai ver que você vai ser uma pessoa melhor. Nunca questione nada. Isso tudo, para mim, foi, foi um divisor de águas em vários sentidos, porque eu tô muito feliz hoje de saber que eu sou uma pessoa melhor;  saber que eu posso ser muito melhor, que eu posso fazer mais, que eu tenho muito para aprender ainda, que todo mundo tem muito para aprender aqui… ééé... a gente vai errar ainda, mas que cada erro transforme a gente numa pessoa melhor, e... isso me deixa muito animada, assim, porque é isso que é a vida, né?; e assim eu espero mesmo que o mundo se cure de tudo isso, que as pessoas se curem. E eu  ainda acredito mesmo que tem mais gente boa do que ruim, que tem muito mais gente para ajudar do que para apontar o dedo. Tudo isso que a gente tá passando vai deixar grande lições. Lições pra cada um, e no coletivo. E mesmo eu precisando, né?, ser um pouco mais racional na vida, enxergar mas essa realidade, eu tenho certeza que o mundo vai ser um lugar muito melhor, daqui a pouquinho. Que as pessoas vão ser muito melhores, e eu me incluo nisso também. Que tudo isso vai passar, porque ter essa certeza absoluta que tudo isso vai passar, é o que me faz, apesar de tudo,  viver feliz quase todos os dias; é o que me dá sentido, é o que faz meu coração ficar em paz, é o que alimenta minha fé, enfim. Eu tô falando daqui de mim, né?, de uma experiência pessoal mas com o intuito mesmo de compartilhar com vocês a minha forma de pensar, de levar a vida, de sair de uma fase difícil, de se reerguer, de aprender, de acreditar que tudo tem seu lado bom. Eu vou falar para vocês uma coisa que eu repito para mim todos os dias, todos os dias,assim: cuidem da espiritualidade de vocês, enxerguem os erros como uma oportunidade de crescer como pessoa, cuidado com o ego, com julgamento, não deixa de acreditar nunca que tudo vai ficar bem, que Deus nunca abandona ninguém que logo, logo tudo isso que a gente tá vivendo vai fazer muito sentido. Não importa o que aconteça, tenta manter seus pensamentos firmes na positividade, no bem, no amor, porque isso salva. Enfim a gente vai conversando mais ao longo aí dos dias, da vida; mas o recado que eu queria passar para vocês hoje, na verdade é esse, tá bom? Beijo 

A declaração possui 162 linhas, das quais:
6 linhas são do segmento "antes";
5 linhas fazem parte do segmento "durante", correspondente ao fato em si;
151 linhas correspondem ao "depois"

Portanto,

3,5% correspondem ao "antes"
2,9% correspondem ao "durante"
93,6% correspondem ao "depois"

Podemos perceber que o "depois" constitui muito mais do que 50% de toda a declaração, quando o normal é constar 25%.
Isto significa que a intenção de Gabriela Pugliesi, ou de sua equipe, é focar mais em todo o desenvolvimento pessoal pelo qual ela passou após o incidente.
Focar no desenvolvimento pessoal gera uma âncora positiva nos interlocutores, pois é inconsciente o estímulo positivo gerado quando se ouve que determinada pessoa atingiu o desenvolvimento pessoal esperado. Podemos dizer que elicia até uma crença positiva. "Se ela conseguiu, eu também consigo". A intenção de concentrar os esforços do vídeo em narrar todo esse desenvolvimento é gerar empatia, e até relacionar figura de Gabriela Pugliesi à capacidade de evoluir.
Se essa declaração foi feita com a intenção de pedir desculpas, estamos diante de uma desonestidade, pois o seguimento responsável ("azul") constitui a minoria da declaração, apenas 2,9%.

***Como pode ser percebido, existe uma quebra de "Breakdown", ou seja, existem elementos de segmentos, dentro de outros. 
Para McClish, essa quebra pode indicar desonestidade, tentativa de convencimento. Ainda segundo o autor, os segmentos devem respeitar a cronologia dos acontecimentos.


Além da análise do "Breakdown" é possível fazermos mais algumas considerações, dentre outras:

  • O vídeo é legendado, isso significa que as palavras de Gabriela aparecem escritas na parte de baixo.
    Legendar vídeo causa maior engajamento, aumenta a credibilidade e facilita ainda mais o entendimento do que está sendo falando, isto porque além do estímulo auditivo, a legenda potencializa o estímulo visual, que tem o input sensorial de 90%.
  • Existem cortes no vídeo, o que significa que ele passou por uma pós-produção com a finalidade de deixá-lo melhorado, mais direto.
    Essa preocupação indica que o vídeo tem a intenção de ser mais racional do que emocional, ou seja, mais elaborada, mais preparada, do que natural.
  • Alguns trechos da legenda não estão exatamente escritos como a Gabriela Pugliesi fala, isso demonstra que existiu um cuidado grande de usar palavras e estruturas gramaticais mais bem elaboradas, que estejam mais de acordo com o intuito de gerar empatia, conexão.
  • Algumas palavras da legenda estão em "caixa alta". Elas são consideradas palavras-chaves, e geralmente são palavras que indicam positividade, força. Essa técnica muito usada no marketing, dispara âncoras positivas que possuímos, inconscientemente, com essas palavras, podendo deflagrar estados emocionais positivos. Gera empatia e rapport.
    "Deus" também é considerada uma palavra-chave. De acordo com McClish, o uso de divindade em declarações potencializa empatia e confiança, pois divindade gera, automaticamente, estímulos positivos.
  • Apesar dessas técnicas para gerar uma positividade para a imagem da Digital Influencer, existem alguns elementos de dúvida na fala de Gabriela.
    Ela se utiliza muito do advérbio "né?" no final de algumas frase. Esse advérbio demonstra dúvida. Esse advérbio acontece nos momentos em que ela está falando de seu desenvolvimento pessoal

De acordo com ensinamentos advindos do Statement Analysis, a tentativa excessiva de gerar empatia, pode ser um um comportamento compensatório que esconde uma intenção de manipulação, e desonestidades
Um discurso emocional e sincero não precisa de exageros, nele a verdade se sustenta por si só.


SUMÁRIO: Pela análise do "Breakdown", a declaração de Gabriela Pugliesi tem apenas a intenção de gerar empatia, conexão com os interlocutores. Essa configuração do "Breakdown", por si só, pode indicar convencimento
Existem elementos que demonstram dúvidas, e acontecem durante sua afirmação de desenvolvimento pessoal.
As técnicas utilizadas, como uso de palavras-chaves em caixa alta, uso de divindade, dentre outros, corroboram para gerar empatia, podendo indicar, também, tentativa de convencimento.
A inserção de segmentos dentro de outros pode indicar desonestidade em algum grau, pois não há respeito pela cronologia.
No geral, podemos classificar esse discurso como racional, ou seja, preparado, artificial, com intenções de racionalização do que está sendo falado.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Análise não-verbal: Entrevista do advogado Frederick Wassef à "Veja". Caso Queiroz. Escondeu Fabrício Queiroz?

O ex-advogado da Família do Presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, está no "olho do furacão"; isso porque ele é dono da casa em Atibaia aonde ex-assessor e motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz estava escondido.
O nome do advogado entrou em voga juntamente com a dúvida à respeito dos motivos que fizeram o advogado Wassef ter hospedado Fabrício Queiroz, que é investigado por participar de um esquema criminoso chamado de "rachadinha" na Assembléia legislativa do Rio de Janeiro.
Recentemente, Frederick Wassef deu ma entrevista para a revista "Veja" na qual ele responde a essa e a outras perguntas relacionadas com esse fato.
O que será que sua Linguagem Corporal pode nos mostrar durante essa entrevista? Qual será sua participação no caso Queiroz? Será que Jair Bolsonaro sabia de alguma coisa?

Vamos à análise:

Em 0:21, a "Veja" faz a seguinte pergunta: "Como Fabrício Queiroz foi para na propriedade do senhor, em Atibaia?"
A partir de 0:25, Wassef começa sua resposta com: "Nesse primeiro momento, o que eu posso dizer, me reservando por uma questão de sigilo, é simplesmente o seguinte..."
Aqui, Wassef assume que irá omitir alguns pontos. Ele não irá dizer o que realmente aconteceu, mas sim, o que ele PODE dizer.
Enquanto verbaliza "reservando" percebe-se que ele eleva unilateralmente seu ombro esquerdo
De acordo com a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a elevação unilateral do ombro é chamada de "Shoulder Shrug" [recorte acima, em câmera lenta] e indica insegurança no que está sendo dito. Existe internamente uma dissonância cognitiva entre o que está sendo verbalizado e o que realmente aconteceu.
Wassef usa o advérbio "simplesmente" para explicar o motivo. De acordo com Mark McClish, esse advérbio diminui a importância do que será falando sendo usado para mitigar.
Tendo em vista que, em sua resposta, Wassef diz que cedeu sua propriedade para Queiroz porque este estava precisando de ajuda e essa cessão foi algo humanitário de sua parte; por que Wassef tornou esse fato como algo de pouca importância?
A resposta é que existe algo mais importante que está sendo emitido. Houve uma intenção ainda maior do que um ato humanitário.

Inclusive, em 0:51, ao dizer que foi uma questão humanitária, Wassef eleva os dois ombros
Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal, a elevação bilateral dos ombros indica desconhecimento e/ou falta de comprometimento com o que está falando ("Eu não ligo").
incongruência entre o verbal (questão humanitária) e o não-verbal.
Esse gesto reforça que existe algum motivo mais importante. 

A partir de 1:03, Wassef diz: "Ele não é uma pessoa que podia estar em hotel..."
Logo no começo desse trecho, vemos novamente Wassef elevar unilateralmente o ombro direito.
Nesse contexto, estamos diante de um sinal de insegurança em suas palavras.

A partir de 1:28, Wassef diz: "... e eu deixei à disposição"
Nesse momento ele nega com a cabeça seguido da elevação bilateral dos ombros.
A negação de cabeça diante de uma afirmativa configura incongruência entre verbal e não-verbal.
A elevação dos ombros, segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal podem indicar trivialidade ("O que isso importa?"), falta de comprometimento ("Eu não ligo") e desconhecimento ("Eu não sei")

Ao final desse trecho, Wassef realiza o "Tongue Jut" (projetar a língua para fora da boca), indicando ansiedade, desejo de fuga da situação e até manipulação.

A partir de 1:46, Wassef diz: "Ao longo... do andar da carruagem... eu... passo a ter informações, e aí eu não vou poder detalhar muito [conjunto gestual] ééé, e eu tive absoluta certeza e convicção [olhar fixo + pausa dramática] que Fabrício Queiroz [pausa dramática] seria [pausa dramática] assassinado"
Nesse trecho vemos algumas pausas desnecessárias [representadas, no texto acima, pelas reticências]. Essas pausas, de acordo com estudos de Statement Analysis, indicam um recurso para se ganhar tempo para pensar no que será falado.
Após dizer que "passa a ter informações" ele continua dizendo que não poderá detalhar muito. Esse tipo de construção verbal indica manipulação. Ele trás uma afirmação importante e relevante e depois corta a expectativa com a frase "eu não vou poder detalhar muito". Popularmente, é como se ele "tomasse o doce da boca de uma criança".

No momento em que diz que não vai poder detalhar muito, ele realiza um conjunto gestual praticamente ao mesmo tempo: afastamento com o corpo + "Eye Shielding", seguido de "Turtle Effect", seguido de expressão de desprezo + olhar para baixo + "Tongue Jut" pressionando os lábios.

O afastamento do corpo é chamado de "movimento de distanciamento", podendo indicar intenção de fuga do que está sendo falado. O "Eye Shielding" (fechamento dos olhos por mais tempo que uma mera piscada) constitui uma potencialização da intenção de fuga.

"Turtle Effect" ocorre quando Wassef eleva ambos os ombros, tensionando-os. Esse sinal não-verbal indica medo diante de uma situação negativa e prejudicial. Desejo inconsciente de se proteger de determinada situação.

E por fim, ele exibe uma expressão de desprezo (contração do bucinador, principalmente no lado esquerdo do canto dos lábios) e projeta a língua para fora ("Tongue Jut"), enquanto olha para baixo.
"Tongue Jut" indica ansiedade, intenção de fuga, indicando também, nesse contexto, manipulação.

Enquanto diz que ele teve absoluta certeza e convicção de que Queiroz seria assassinado, ele faz o que chamamos de "pausas dramáticas". Essas pausas possuem um tempo menor do que as pausas desnecessárias e são usadas para criar expectativa, para dramatizar uma situação e eliciar falsamente uma emoção empática.
Juntando esses sinais podemos dizer que ele tem a intenção de gerar uma grande expectativa nos interlocutores e justificar uma mentira contada anteriormente (manipulação)

O olhar fixo que acontece em 2:00, após ele dizer a palavra "convicção" é chamado de "Deliberate Gaze". 
Esse tipo de olhar indica feedback. Wassef tem a intenção de observar se o que ele está falando, está sendo crível. Ou seja, se estão acreditando no que está sendo falado.
Levando em consideração os sinais presentes neste trecho, esse olhar pode mostrar também a intenção de manipulação e dramatização.

A partir de 2:05, ele diz: "Isto que eu estou falando aqui é... absolutamente real"
Novamente vemos uma pausa desnecessária, como um processo de ganhar tempo no que vai falar, e nesse caso, dar uma intenção mais dramática ao que está sendo falado.
De acordo com Mark McClish, o advérbio "absolutamente" é uma palavra desnecessária e serve pra potencializar o que está sendo falado. Qualquer tentativa desnecessária de potencialização, é sinal de manipulação.
Ao verbalizar a palavra "real" podemos ver um movimento de verbalização exagerado com a boca [foto acima]. Esse exagero é chamado, por Jack Brown, de EMM ("Exagerated Mouth Movement"). Segundo o autor, por esse movimento exagerado ser desnecessário, ele indica uma tentativa de dominância da situação. O que contribui para a manipulação antes citada.

A partir de 2:10, Wassef diz: "Eu tinha a minha mais absoluta convicção e o temor ["Tongue Jut" + movimento de desconforto com o corpo] que ele, além de todo o assédio, tudo que ele pudesse estar passando, ele fosse ser executado no Rio de Janeiro"
"Tongue Jut" ocorre quando o agente projeta a língua para fora. Esse gesto, segundo Joe Navarro indica ansiedade e, nesse contexto, intenção de fugir da situação.
A fuga, está associada, de acordo com esse contexto, a desonestidade em algum nível.
Conjuntamente, há movimento de desconforto com o corpo, confirmando a ansiedade.
Percebemos igualmente o uso da palavra desnecessária "absoluta". Que, como já foi falado anteriormente indica tentativa de manipulação.

A partir de 2:27, Wassef diz: "Eu também tive a certeza absoluta que quem estaria por detrás deste homicídio, desta execução, iriam colocar isso na conta da família Bolsonaro"
Nesse trecho vemos três sinais não-verbais acontecendo em um curtíssimo intervalo de tempo entre eles.
Ao dizer "certeza", ele realiza novamente o "Exaggerated Mouth Movement" (movimento de verbalização exagerado), indicando tentativa de dominância e manipulação.

Em seguida vemos um sorriso suprimido, devido a elevação bilateral dos cantos da boca. A supressão fica por conta da tensão nos lábios. Esse sorriso suprimido pode ser considerado um "Duping Delight", que consiste em uma satisfação do agente ao perceber que está tendo sucesso em convencer os interlocutores do que está falando (Paul Ekman). Essa emoção é incongruente com o contexto.

Ao final desse trecho, vemos novamente o "Tongue Jut" (projetar a língua para fora), indicando ansiedade e intenção de evasividade e fuga.
Esses três sinais conjugados, nesse contexto, constituem um forte coeficiente de manipulação.

Em 2:45, ainda se referindo ao fato de supostamente quererem culpar a família Bolsonaro pelo assassinato de Queiroz, em um determinado momento, ele novamente projeta sua língua para fora ("Tongue Jut"), significando, mais uma vez, desejo de fuga, evasividade. Nesse caso, manipulação.

Em 2:48, percebemos um movimento de elevação dos dois ombros.
Como já dito anteriormente, esse gesto de elevação bilateral dos ombros indica desconhecimento do que está sendo falado; nesse caso, indicativo de incerteza.
Pela dinâmica do movimento, podemos perceber que essa elevação é feita de forma inconsciente devido, dentre outras coisas, ao timing do movimento. Nesse caso, além da incerteza, podemos adicionar um desconforto grande ao fazer suas afirmações.

No trecho que se inicia em 2:56 e termina em 3:12, Wassef explica que pediu desculpas ao Presidente Bolsonaro por ter omitido que Queiroz estava em sua residência.
Note que durante esse trecho, existe uma quebra da "linha de base" comportamental de Wassef.
Nos momentos anteriores, sua linguagem corporal estava mais dinâmica, mais expressiva, suas movimentações aconteciam de uma forma mais extrovertida. Nesse trecho, vemos que sua linguagem corporal muda intensamente. Seus movimentos estão contidos com ausência de gesticulação, seu volume vocal diminui.
A diminuição do volume vocal conjugada com a ausência de movimentos constituem um alto indicativo de que ele deseja passar essa mensagem de uma forma mais tímida, sem transmitir muita importância a respeito desse acontecimento. De acordo com a doutrina, a ausência de movimentos mostram que o agente deseja controlar sua linguagem corporal para que nenhum sinal incongruente possa ser vazado pelo corpo. Em outras palavras, é uma forma do a gente manter o foco para que seu corpo não denuncie que existe algum ponto de desonestidade em sua fala.

Em 3:10, notamos um movimento muito sutil com seus braços enquanto diz que pediu desculpas ao Presidente Bolsonaro por ter omitido a localização de Queiroz
O autor Alexandre Monteiro chama de "abanar os braços". E demonstra desconforto no que está falando, podendo indicar até fuga. [observe o recorte em câmera lenta acima - observe principalmente o movimento no braço esquerdo]
Existe uma probabilidade de que haja desonestidade nesse momento.


Percebam que após 3:12, Wassef aumenta seu volume vocal, volta a se movimentar, gesticular e realizar movimentos de verbalização (EMM) com mais intensidade como fazia antes.
Como vimos antes, esse padrão não-verbal em Wassef, constitui indício de manipulação.
Isso se dá porque as afirmações que ele desejava manter de forma mais introvertida, mais tímida, já foram passadas
O trecho a partir de 3:12 se inicia com a conjunção "mas". De acordo com ensinamentos de Statement Analysis, essa conjunção tem a intenção de refutar ou minimizar o que é falado antes. Ou seja, Wassef está tentando refutar ou minimizar tudo o que ele falou entre 2:56 e 3:12.
Geralmente, o período antes do "mas" indica desonestidade em algum grau.

A partir de 3:28, Wassef diz: "Os senhores jornalistas sabem o que aconteceu no dia da prisão de Fabrício Queiroz, às 13:00? Alguém pesquisou?... Neste dia foi quando se deu início na Comissão do início do processo de impeachment do Governador do Rio de Janeiro. Não tô acusando ninguém de nada. Só estou dizendo de uma estranha coincidência..."
Assistindo ao vídeo, vocês vão perceber que aqui, Wassef quis afirmar que a Operação para prisão do Queiroz funcionou como uma "cortina de fumaça" para abafar o impeachment do Governador
Nesse trecho, ele usa algumas técnicas de manipulação;
Ele introduz perguntas em um discurso afirmativo, nesse caso essa técnica é usada como um pressuposição de que Wassef sabe dos acontecimentos.
Ao dizer que não tá acusando ninguém e que é uma estranha coincidência, ele mantém a intenção de manipulação, pois na verdade, ele quis dizer exatamente o oposto. Essa intenção é observada pelo uso do "não" no início da frase.
De acordo com a PNL e a Neurociência, o cérebro não reconhece a negação, processando aquilo que é dito posteriormente. Ou seja, ele está acusando.
Ao verbalizar "Governador do Rio de janeiro", podemos notar uma alteração em seu pitch vocal. Seu a voz se torna trêmula durante esse momento. De acordo com a Paralinguagem e Paulo Sérgio de Camargo, voz trêmula indica ansiedade e, de uma forma mais específica, pode demonstrar também incerteza em suas palavras.
Seus movimentos continuam sendo realizados de forma mais extrovertida, expressiva.

A partir de 4:12, Wassef diz: "Eu me garanto, que eu nunca contei ao Presidente Bolsonaro [movimento inesperado com o corpo] que [pausa desnecessária] eu permiti o acesso à minha residência, à minha casa, ao meu escritório, caso ele passasse por aqui para ficasse o tempo que bem entender..."
Do começo, até o "que", podemos notar que sua linguagem corporal volta a ficar sem movimentos de gesticulação, de uma forma mais contida, com o volume vocal diminuído em relação aos outros momentos do vídeo. Como já dissemos anteriormente, essa quebra da linha de base, indica que ele deseja transmitir essa mensagem de uma forma mais contida para evitar vazamentos corporais que possam denunciar uma possível desonestidade.
O uso da frase "eu me garanto", segundo McClish, constitui um elemento verbal desnecessário, uma auto-afirmação sem qualquer importância para o discurso. Segundo o autor, quem se garante não precisa verbalizar isto. A utilização de frases desnecessárias são um forte indício de manipulação.
Ele usa o advérbio "nunca" para negar que tenha contado ao Presidente. De acordo com Mark McClish, o "nunca" não constitui uma negação. Essa palavra indica indeterminação temporal, ou seja, é vago em relação ao tempo. Tendo em vista que o fato de Wassef ter permitido o acesso aconteceu em algum momento na linha do tempo, a inespecificidade temporal desse evento, indica incongruência verbal, logo desonestidade
A pausa desnecessária que acontece nesse trecho indica um processo mental para ganhar tempo afim de pensar o que será dito e/ou como será dito.
No campo não-verbal, após dizer "Presidente Bolsonaro" vemos um movimento inesperado e brusco com o corpo. Segundo a doutrina de Comunicação Não-Verbal esse tipo de movimento acontece quando o corpo está experimentando um momento de ansiedade e nervosismo. Equivale a um vazamento corporal, que acontece quando há uma dissonância entre o que é verdade e o que está sendo passado. Essa dissonância causa essa resposta inconsciente do corpo.
Existem fortes indícios de que Bolsonaro sabia da localização de Queiroz

Em 4:38, ao dizer que tem seus motivos, percebemos uma expressão de desprezo na face de Wassef.
Essa expressão acontece devido a contração do bucinador no canto direito da sua boca.


SUMÁRIO: Frederick Wassef demonstra emoções de desprezo e medo.
Ele apresenta inúmeros sinais não-verbais de fuga, que é também uma resposta ao medo.
Além da fuga notamos também vários sinais, tanto verbais, quanto não-verbais, de manipulação.
Seu discurso foi muito bem elaborado para gerar credibilidade em suas palavras, porém existem elementos verbais que constituem fortes sinais de desonestidade.
O alto coeficiente de desonestidade pode ser observado também em vários sinais não-verbais que são emitidos constantemente por Wassef, como por exemplo, elevação unilateral de um dos ombros (insegurança), projeção de língua para fora ("Tongue Jut"), dentre outros.