quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Análise não-verbal: Faustão se explicando sobre ter usado o termo "imbecil". Ele se referia a Jair Bolsonaro?

Recentemente, o apresentador Faustão se envolveu em uma polêmica devido a um discurso feito em seu programa. Durante sua verbalização, o apresentador, em determinado momento, usa a palavra "imbecil" supostamente se referindo ao atual Presidente da República, Jair Bolsonaro.
Logo depois de ter sido duramente criticado, este veio à público se explicar de sua declaração.
Será que Faustão realmente se referia ao Presidente Jair Bolsonaro?

Vamos à análise:

Durante todo o vídeo podemos notar a mesma postura do apresentador: sua mão esquerda está dentro do bolso, com os polegares para fora; a gesticulação é realizada apenas com a mão direita. Estamos diante de dois grandes erros na comunicação não-verbal.
Ao gesticularmos devemos adotar, o que eu chamo de, Princípio da Bilateralidade, ou seja, devemos gesticular sempre com as duas mãos. Ao gesticular de forma unilateral deixamos a mensagem monótona podendo gerar um desinteresse do(s) interlocutor(es).
A mão no bolso denota uma falta de engajamento, falta de assertividade - podendo indicar desonestidade. Alguns especialistas como Alexandre Monteiro, defendem que se a mão estiver dentro do bolso com a exceção do polegar (como na foto), o significado muda para dominância e assertividade.
Nesse contexto, há uma maior probabilidade de indicar falta de comprometimento, engajamento e assertividade, pois esse gesto é mantido durante todo o vídeo.

Aos 0:02 o apresentado começa dizendo: "Uma explicação a quem possa interessar. O programa de domingo foi gravado..."
De acordo com técnicas de Statement Analysis, o uso de artigo indefinido ao invés de artigo definido tira a exatidão e não especifica a ação. Falar "uma explicação" não significa dizer que a explicação que ele dará seja a explicação real ou a correta. Simplesmente é uma explicação qualquer.
Ao final desse trecho ele aumenta a velocidade de sua fala. Esse recurso é usado pra que o agente não dê maiores explicações e já passe direto para a próxima frase.

A partir de 0:08, Faustão diz: "Em nenhum momento eu falei do atual Presidente..."
Durante a verbalização de "Em nenhum momento" o ritmo da sua voz é o mesmo de sua gesticulação. Ou seja, o ritmo dado a cada palavra é exatamente o mesmo dado ao gesticular. Tom Mucciolo chama esse fenômeno de "Conversacionalization" e tem a intenção de servir como uma distração ao interlocutor, desviando a atenção de suas palavras para a sua gesticulação.
Nesse trecho o apresentador realiza o gesto de projetar sua língua para fora, umedecendo os lábios. Teoricamente, esse gesto está ligado à ansiedade, e segundo Joe Navarro, pode significar auto-incriminação ("Eu errei", "Fiz besteira", etc.). O que é interessante e não podemos deixar de observar é que em seus programas, o apresentador tem realizado esse gesto com bastante frequência, podendo ter se tornado um "tic" nervoso.
O fato do apresentador ter falado "atual Presidente" ao invés do nome do atual Presidente, ou até mesmo não ter usado o pronome "ele", indica uma linguagem de distanciamento. Esse tipo de linguagem ocorre quando não gostamos, ou não concordamos com a pessoa de quem se fala, e por isso, evitamos sermos mais específicos.

Ao falar "atual Presidente" ele realiza uma contração no músculo do bucinador em seu lado esquerdo do canto da boca, representando a emoção de desprezo.

Em 0:13, ele complementa o que disse antes, falando: "... muito menos dos eleitores... nos termos imbecil"
Nesse momento ele realiza um gesto afirmativo com a cabeça. Faustão nega verbalmente e afirma não-verbalmente. Há uma incongruência.
Ele, aqui, está se referindo a ter usado o termo "imbecil". Ao negar que usou esse termo para se referir aos eleitores ele é incongruente. Ou seja, a sua opinião é que ele acha os eleitores do atual Presidente, imbecis

A partir de 0:17 - 0:18, Faustão diz: "... quando eu usei a palavra, eu usei... para... explicar..."
Existem pausas desnecessárias nesse trecho. Essas pausas representam um recurso usado quando o cérebro precisa ganhar tempo para pensar no que falar, lembrar do que vai falar, ou também quando precisa usar as palavras de forma mais cautelosa, para que nada sai do planejado.

Em 0:34, o apresentador diz: "... e como estamos em novos ares, ou pelo menos, com expectativa para novos ares..."
Nesse trecho podemos dizer que Faustão não acredita em "novos ares", ele vê isso como uma mera expectativa. Isso porque o uso da expressão "pelo menos" diminui a importância do que está sendo dito.

A partir de 1:01, Faustão diz: "... jamais... falando... especificamente de uma pessoa ou dos eleitores dessa pessoa"
Mais uma vez vemos pausas desnecessárias. Há um cuidado em usar as palavras corretas, tirando toda a naturalidade do discurso.
Ao final desse trecho (ao falar "dessa pessoa"), podemos ver uma assimetria em seu braço esquerdo. Existe uma movimentação dele para trás (podemos observar mesmo estando com a mão no bolso). Essa movimentação representa um desejo de distanciamento dele em relação às pessoas de quem ele está falando. Esse distanciamento pode se dar pelas disparidade de ideias, por desrespeito ou por não gostar das pessoas que está citando.

Em 1:12, Faustão emite uma expressão de medo devido a elevação das sobrancelhas nas porções internas e externas, elevação das pálpebras superiores e estiramento horizontal dos lábios.


SUMÁRIO: No vídeo Faustão demonstra ansiedade, nervosismo, e erros em sua forma não-verbal de se comunicar denotando falta de assertividade.
Estão presentes as emoções de medo e desprezo. Esse último ocorre ao se referir ao atual Presidente.
Notamos discordância de sua forma de pensar com a forma de pensar do atual Presidente Bolsonaro e de seus eleitores.
A explicação dada por ele nesse vídeo não é a real explicação, havendo, portando, uma omissão ligada à desonestidade ("Qual é a real explicação?").
Faustão não se referiu diretamente ao Presidente Jair Bolsonaro, mas por divergir de suas ideias e pela descrença em que vê o novo governo, indiretamente ele pode ter feito uma crítica tanto ao atual Presidente quanto a seus eleitores

* Para entender mais a oratória do apresentador Faustão, no polêmico vídeo, clique AQUI. A análise foi feita pelo especialista em oratória Yang Mendes

sábado, 5 de janeiro de 2019

Análise não-verbal: Azul para meninos X rosa para meninas. Como surgiu esse pensamento?

Recentemente a Ministra Damares Alves fez um vídeo falando que azul é cor de menino e rosa é cor de menina. Essa afirmação revoltou às redes sociais e levantou um questionamento interessante; Aonde surgiu essa ideia de que os meninos devem usar azul e as meninas devem usar rosa?

Primeiramente é importante dizer que, aqui, analisaremos cores. As cores constituem um meio de comunicação não-verbal, pois estamos falando aqui de uma forma de transmitir uma mensagem que não seja por meio de palavras, cuja a intenção igualmente difere da intenção verbal.

O estabelecimento da cor azul ser para meninos e rosa para meninas começou em meados de 1980. Antes disso, as crianças de qualquer gênero usavam apenas roupas brancas. Isso porque as tinturas eram muito caras e as roupas, por serem brancas, eram mais facilmente mantidas limpas já que podiam ser fervidas sem desbotar a cor.

Um pouco antes da Primeira Guerra Mundial, tons pasteis como o azul, rosa e outras cores começaram a ser associados às crianças, independentes do sexo. Socialmente era muito comum ver crianças de olhos azuis com roupas azuis; crianças com a pele mais rosada, usar roupas com tons rosados. Em algumas regiões mais católicas, meninas costumavam a usar azul para referenciar Virgem Maria, por exemplo.

Em 1918 foi escrito um famoso artigo na revista Earnshaw's Infants' Department dizendo que o azul era para meninas e o rosa para meninos. Isso porque o azul é uma cor mais "delicada e amável", enquanto o rosa é considerada uma cor mais "forte e decidida".

De acordo com Eva Heller, escritora do famoso livro: "A Psicologia das Cores", foi durante 1980, depois que uma loja de departamento dos Estados Unidos decidiu estabelecer que o rosa seria cor feminina e o azul, cor masculina. Apenas uma convenção de mercado.

Ao longo dos anos algumas pesquisas foram feitas a respeito desse tema.
Em 2007, a Universidade de Newcastle chegou a conclusão que mulheres têm preferências por tons mais rosados. Outras pesquisas demonstraram que não existe essa preferência, e que o azul é a cor favorita tanto de homens quanto de mulheres, isso porque é a cor do céu e do mar - Esse é o motivo, inclusive da preferência dessa cor pelo bebês. O céu, para eles, gera tranquilidade e calma, relacionando ao céu.

Em outra pesquisa realizada por Eva Heller, foi concluído que menos de 5% das mulheres tem o rosa como cor favorita.

Em 2011, a Sociedade de Psicologia Britânica analisou a preferência de cor de bebês e crianças com idades entre 5 meses e 7 anos. A pesquisa consistia no seguinte: as crianças e bebês recebiam um par de objetos. Um deles na cor rosa e outro com uma cor qualquer. O resultado foi o seguinte:
Até um ano, meninos e meninas escolhiam os objetos cor-de-rosa de forma semelhante. Sem preferência.
Já aos dois anos as meninas começavam a preferir objetos rosas com uma frequência maior que os menino. A partir de dois anos e meio, a preferência pelo rosa nas meninas aumentou muito em relação à preferência dos meninos.

Na psicologia das cores, o azul significa tranquilidade, harmonia, confiança, calma, lealdade. O rosa, por ser uma combinação entre o vermelho e o branco, trás a energia e o dinamismo do vermelho do vermelho e a pureza e transparência do branco. Podemos concluir que o rosa significa suavidade, maciez, cortesia. Há uma profundidade pela influência do vermelho.


SUMÁRIO: Não existem imposições de que meninos devem usar azul e meninas rosa.. Há algumas décadas atrás, inclusive, o rosa era associado aos meninos e o azul às meninas.
Vários estudos a respeito, dessa relação entre essas duas cores e os gêneros masculinos e femininos, já foram feitos e várias conclusões foram obtidas - algumas diferentes das outras.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Análise não-verbal: ex-assessor, Fabrício de Queiroz. Movimentações financeiras atípicas. Há honestidade?

Fabrício de Queiroz, ex-assessor do Deputado Federal e Senador eleito, Flávio Bolsonaro deu uma entrevista para a emissora SBT falando, pela primeira vez após seu nome ter aparecido em um relatório do COAF (Conselho de Controle de Atividade Financeira) sobre movimentações financeiras atípicas.
Fabrício nega qualquer atipicidade. O que sua comunicação não-verbal tem a nos dizer?

Vamos à análise:

Em 1:19, após Fabrício dizer que é um homem de negócios, podemos ver em sua face um sorriso suprimido. Nesse contexto, podemos interpretar esse sorriso como "Duping Delight".
Esse sorriso é um misto de satisfação com desprezo, e ocorre quando o agente tem a intenção de manipular e sente satisfação quando observa que sua mentira está sendo acreditada pelos interlocutores.
Uma das principais características desse sorriso é o fato deste ser unilateral
Junto com o sorriso do manipulador, podemos notar que há pressão nos lábios, indicando tensão e nervosismo.

Em 1:20, Fabrício diz: "Eu faço dinheiro... eu faço... assim... eu compro, revendo, compro, revendo. Compro carro, revendo carro..."
Nesse trecho existem vários momentos importantes:
Ao dizer "Eu faço dinheiro..." podemos ver um desalinhamento corporal. Sua cabeça se movimenta para sua esquerda e sua mão se movimenta para a direita. Juntamente podemos notar uma negação com a cabeça indicando incongruência entre o que está sendo falado e o que o corpo está expressando. 
Podemos notar ainda que existe a elevação de seu ombro direito ("Shoulder Shrug"). Esse movimento assimétrico indica dissonância entre o que está sendo falado e a verdade. Um dos sinais clássicos de desonestidade.
Ao final desse trecho, Fabrício nega novamente com a cabeça enquanto afirma verbalmente. Há, portanto, incongruência entre o verbal e o não-verbal.

Ao verbalizar a palavra "compro", novamente podemos ver uma elevação de seu ombro direito, de forma mais contundente.
Novamente há uma desonestidade devido a dissonância entre a verdade e o que está sendo falado.

Ao dizer "revendo", Fabrício realiza um gesto pacificador no nariz. Esse gesto é clássico de ansiedade e nervosismo. Ele acontece quando o agente está em um momento de tensão devido a liberação de hormônios como o cortisol e adrenalidade e há um desejo de pacificar, se acalmar diante desse evento estressante.
Nem sempre os gestos pacificadores são indicativos de desonestidade, mas, nesse contexto, devido aos outros sinais, podemos dizer que Fabrício está ansioso pela mentira que está contando, havendo receio de ser pego mentindo.

Em 1:25 ao dizer novamente "revendo carro", ele realiza mais uma vez o gesto de elevar o ombro direito indicando desonestidade.
As repetições das palavras "compro" e "revendo" indicam uma tentativa de convencer, tendo em vista que essas repetições são realizadas de forma desnecessária.

Em 1:28, Fabrício diz: "Eu sempre fui assim..."
Podemos notar que ele afasta a cabeça. Esse movimento é conhecido como gesto de distanciamento, e tem a função de se afastar do que está sendo falado, nesse contexto.
De acordo com Análise de Declaração e a PNL, a palavra "sempre" indica uma generalização. Esse tipo de palavra tem a função de convencimento.

Em 1:30, Fabrício diz: "Eu gosto muito de comprar carro em seguradora"
No começo desse trecho podemos notar que Fabrício direciona seu olhar pra cima e direita. Esse movimento, de acordo com a PNL está ligado a criação de imagens pois acessa uma área do cérebro ligado ao lúdico.
O ex-assessor não está lembrando e sim, criando.

Logo em seguida podemos notar que ele realiza mais uma vez um gesto pacificador de coçar o nariz juntamente com o movimento de fechar os olhos ("Eye Shielding"). Esses gestos conjugados indicam que ele está nervoso pela mentira que está contando e não deseja ter essa visualização.

Em 1:54, ao dizer: "Nosso presidente já esclareceu" podemos perceber que ele movimenta seus olhos horizontalmente para a esquerda. 
De acordo com a PNL esse movimento ocular está ligado a lembrança auditiva de algum som, alguma fala, alguma confirmação.
Nesse momento ele é honesto, pois está lembrando de um momento em que Jair Bolsonaro fez esse esclarecimento, de forma verbal, ao qual ele se refere.
Reparem que ele não esclarece e nem explica o que aconteceu, ele usa um ato do Bolsonaro para se justificar e gerar credibilidade. Em outras palavras ele usa o ato de Bolsonaro para validar sua afirmação. É como se ele quisesse falar: "Se o Presidente já esclareceu, então eu não preciso. Isso já gera credibilidade".

Em 2:02, o ex-assessor diz: "Eu nunca depositei R$ 24 mil"
Nesse exato momento ele eleva o ombro direito demonstrando uma dissonância entre a verdade e o que ele está falando
Podemos nos atentar também para a Análise de Declaração. De acordo com Mark McClish, a palavra "nunca" não indica negação pois ela não determina tempo e não específica um evento de forma temporal. Essa palavra, nesse contexto, aonde o tempo é específico, indica desonestidade.
O depósito de R$ 24 mil foi feito.

Em 2:26, Fabrício começa a sua declaração olhando para baixo e à esquerda. Esse movimento ocular está ligado ao acesso a seu diálogo interno. Indica uma intenção de avaliar o que falar, como falar, que palavras usar. Constitui um momento de introspecção, como se ele estivesse travando um diálogo consigo mesmo.

Em 2:31, ao dizer: "Toda hora bate alguém no gabinete pedindo R$ 10 reais", podemos notar que seus olhos se direcionam para cima e direita. Como dito anteriormente, esse movimento ocular está ligado à criação de eventos, imagens.

Em 2:32 há uma expressão de medo pela elevação das pálpebras superiores.

Em 2:35 podemos notar uma expressão facial semelhante ao nojo, devido a elevação do lábio superior e um leve enrugamento na lateral do nariz, porém existe um detalhe:
A expressão semelhante ao nojo, algumas vezes, é realizada com o intuito de convencimento. Elas são chamadas de Expressões Racionalizadoras (Jack Brown). Sua configuração é a mesma presente na expressão facial do nojo, porém a sua real função é gerar empatia para que os interlocutores possam concordar com o que está sendo verbalizado e assim apoiarem suas ideias.

A partir de 2:38, Fabrício diz: "É proibido falar de dinheiro no gabinete. Não, nunca, nunca"
Como já dito anteriormente, a palavra "nunca" não indica negação devido a inespecificidade temporal.
Além de usar essa palavra ele a repete de forma desnecessária. De acordo com estudos de Análise de Declaração, as repetições desnecessárias constituem um forte indicativo de tentativa de convencimento.

Em 2:48, Fabrício diz: "Eu não sou laranja. Sou homem trabalhador..."
Podemos ver mais uma vez o ex-assessor emitindo uma expressão racionalizadora com um intuito de convencimento do que está falando
Ao dizer que é homem trabalhador há uma arritmia corporal. Reparem que sua gesticulação e seu movimento corporal se dá em um ritmo diferente da fala. Isso acontece devido a liberação de hormônios ligados a adrenalina e ao estresse, nesse caso, de ser desonesto.

A partir de 3:02, ele diz: "Eu me abati muito... per... eu, eu, minha, minha calça tá caindo porque... de uma noite eu saio na... aí eu falei "caramba, cara; acabou a minha..." eu era amigo do do cara... passando o que ele tá passando na rua, entendeu?... achando que eu, eu ,eu... tenho negociata com ele. Pelo amor de Deus, isso não existe... eu vou provar junto ao MP"
No âmbito verbal, existem pausas desnecessárias, gagueiras (processo mental para pensar no que falar - cérebro ganhando tempo) e um discurso completamente sem condução lógica, chegando a ser até difícil entender o que ele está querendo dizer. Há desonestidade, evasividade e omissões nesse trecho
Ao dizer que está abatido e a calça está caindo, existe uma intenção de gerar empatia nas pessoas para que se solidarizem com o seu estado físico e de saúde.
No âmbito não-verbal também existem indícios importante de desonestidade. São eles:

3:02 - Expressão Racionalizadora semelhante ao nojo. Intenção de convencer do abatimento. Os olhos fechados, nesse caso, funcionam como um intensificador do desejo de convencer.

3:04 - Acesso ao diálogo interno ao olhar pra baixo e esquerda. Avaliando o que falar.

3:09 - Elevação unilateral do ombro direito. Dissonância entre o que está sendo falado e a verdade.

3:12 - Distanciamento. Movimento de cabeça para trás indicando desejo de se distanciar do que está falando, nesse contexto.











* Todos esses indícios verbais e não-verbais nos indicam que Fabrício está extremamente ansioso e que todos esse trecho é desonesto.


SUMÁRIO: Existem sinais de ansiedade e nervosismo, e nesse contexto, todos esses sinais estão ligados à desonestidade de Fabrício Queiroz ao dizer que: compra e revende carros; que gosta de comprar carros de seguradora; que nunca depositou os R$ 24 mil reais na conta da Primeira-Dama Michelle Bolsonaro; que toda hora entram no gabinete pedindo dinheiro e que é proibido de falar de dinheiro no gabinete; que não é laranja; e que está muito abatido e que não tem negociata com Flávio Bolsonaro.
A única verdade que Fabrício diz durante o vídeo acontece quando ele afirma que Jair Bolsonaro já esclareceu os fatos em relação ao depósito feito por ele à Primeira-Dama, Michele Bolsonaro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Análise não-verbal: Caso Tainá. Motivos que a levaram fugir de casa. Verdades ou mentiras?

A jovem de 18 anos, Tainá Queiroz deixou sua casa enquanto o marido Raul Kennedy da Silva viajava a trabalho.
Após perceber que a esposa não voltaria para casa, Raul foi até a delegacia fazer um Boletim de Ocorrência alegando o desaparecimento da jovem. Logo em seguida, o marido recebeu uma mensagem de Luis Fernando Lourenço, seu ex-patrão, dizendo que Tainá estava com ele por vontade própria e que, tanto ela quanto a filha bebê do casal, estavam bem e felizes.
Nos dias seguintes, Luis Fernando gravava vídeos mostrando que a jovem Tainá estava bem e sendo bem cuidada por ele. Esses vídeos eram mandados para a família e rapidamente ganhou às mídias, se tornando uma verdadeira novela.
Recentemente Tainá e sua filha foram achadas e Luis Fernando, preso. Em um dos último vídeos gravados pela jovem, ela explica os motivos que a fizeram sair de casa. Será que ela é verdadeira em seu discurso?

Vamos à análise:

Logo no começo do vídeo, ao dizer "Oi, Brasil", ela realiza um gesto pacificador de coçar o rosto. Esse gesto indica que existe um grau de ansiedade no tema em que vai falar, e por isso, ela precisa se pacificar, se acalmar. 
Juntamente podemos ver a expressão de medo devido ao estiramento horizontal dos lábios e tensão nas pálpebras inferiores.

Aos 0:03 Tainá diz: "Então... Eu tô bem... eu to feliz...". 
Tainá começa seu discurso com a palavra "então". De acordo com estudos de Análise da Declaração, essa palavra é usada para ganhar tempo no que vai falar. O que ela falará a seguir é racional e pensado.
Durante esse trecho podemos reparar também que suas piscadas estão descoordenadas. Isso mostra um algo grau de ansiedade.

A partir de 0:07 tainá diz: "E tudo que falaram do Fernando... tudo isso é mentira"
Nesse momento ela realiza um conjunto gestual de: fechar os olhos e ajeitar o cabelo atrás da orelha e, logo em seguida, aumenta o número das piscadas.
Fechar os olhos ("Eye Shielding") indica não visualização do que está falando
Ajeitar o cabelo atrás da orelha indica uma necessidade de mudar de estado. Sair de um estado beta para um estado alfa. Em outras palavras, esse gesto demonstra uma necessidade de ser mais assertiva e confiante no que está sendo falando.
O aumento das piscadas, de acordo com estudos de Aldert Vrij e Bella DePaulo, dentre outros, indica um estado de extrema ansiedade.
A palavra "tudo" é uma generalização. O fato de não especificar o que é mentira pode indicar uma omissão e desonestidade

Aos 0:13, Tainá diz "Ai (suspiro)... meio complicadinho falar mas... vamos lá... Tudo, tudo, tudo que falaram do Fernando, tudo é mentira..."
O suspiro inicial é um recurso usado pro cérebro para ganhar tempo no que vai falar. Isso mostra que o discurso é artificial e completamente racional.
Podemos notar também o uso da palavra "meio" e do diminutivo em "complicadinho". Essas duas palavras indicam evasividade. o uso do diminutivo tira a importância da palavra e gera uma certa empatia
O "mas" tem a função de excluir a importância da estrutura precedida por ela. Ou seja, Tainá não deseja expressar o porquê é "complicadinho" falar sobre o tema.
Logo após o "mas", podemos perceber que Tainá realiza do gesto de projetar a língua para a fora ("Tongue Jut"). Esse gesto tem uma forte relação com ansiedade e pode indicar manipulação dos fatos (foto acima).
Nesse momento ela assume que algo aconteceu, mas deseja não falar sobre isso.
A repetição da palavra "tudo" também é importante. De acordo com estudos de Análise de Declaração, a repetição consiste em um desejo de reafirmar, convencer do que está falando; e segundo Joe Navarro, a verdade não carece de convencimento, pois os próprios fatos já geram a crença dos interlocutores.
Podemos interpretar desse trecho que existem fatos importantes sobre Fernando que ela não deseja falar.
Há desonestidade.

A partir de 0:25, Tainá diz: "... mas... não tô aqui pra falar disso..."
Nesse momento ocorrem gestos que indicam ansiedade: aumentos das piscadas, elevação do ombro esquerdo e movimentos corporais descoordenados.
Juntamente, podemos notar um afastamento com a cabeça, indicando distanciamento do que está falando e uma contração no músculo do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas). Charles Darwin nomeou esse músculo como o "músculo da dificuldade", e sua contração acontece quando o agente está em um momento de tensão, perplexidade, concentração, confusão mental, etc.
Podemos concluir que Tainá deseja omitir um fato importante, e esse fato incrimina Fernando.

A partir de 0:27, Tainá diz: "Tô aqui pra falar de você Raul..."
Podemos notar aqui uma elevação no ombro esquerdo. Esse gesto, conhecido como "Shoulder Shrug" indica, segundo Joe Navarro, falta de comprometimento com o que está falando. Isso significa dizer que suas palavras a seguir (sobre Raul) são estritamente racionais e não tem comprometimento com a verdade.

Em 0:29, Tainá ajeita, desnecessariamente o cabelo atrás da orelha juntamente com um gesto de projeção dos lábios, de forma sutil, para frente ("Lip Purse")
Como já dito anteriormente, o gesto de ajeitar os cabelos atrás da orelha é uma intenção de se tornar
mais assertiva no que falará a seguir. 
O "Lip Purse" indica clandestinidade. Ou seja, o agente tem desejo de omitir informações. Tem um plano em mente que deseja executá-lo e sabe que existe uma grande chance de conseguir. Em alguns casos pode configurar desejo de vingança
Geralmente, depois desses gestos, o que será verbalizado poderá ter uma desonestidade.

A partir de 0:30, Tainá diz: "Primeiro: quem... abandonou eu em casa, com a Sofia? Foi tu"
No começo existe uma pausa desnecessária entre as palavras "quem" e "abandonou". Essa pausa indica um recurso usado pro cérebro ganhar tempo para pensar no que falará a seguir
Logo depois emite uma elevação com o ombro esquerdo, indicando uma falta de comprometimento com o que está dizendo (Joe Navarro). Esse gesto também está ligando com uma dissonância entre a verdade e o que está sendo dito.

A partir de 0:37, Tainá diz: "Quem que deixou faltar leite e frauda para a Sofia? Foi você"
Durante a frase "foi você", podemos notar que Tainá eleva a sobrancelha direita. Esse gesto é conhecido com "Skeptical Eyebrow" e indica ceticismo, dúvida, incredulidade no que está dizendo. 

Logo em seguida, ainda referente ao mesmo trecho, Tainá realiza a expressão de raiva devido a tensão nas pálpebras inferiores e nos lábios. Essa raiva se conjuga com uma expressão de nojo pela elevação do lábios superior.
Podemos concluir que realmente faltou algum produtos para a filha, mas essa falta ocorreu por fatores externos, como por exemplo, uma precária condição financeira, e não por maldade do pai.

Em 0:40, Tainá diz: "E quem me traiu?... foi você; que quando eu perguntava você jurava pela sua filha que não tinha me traído. Olha só pra você vê. Que pai, não?!. O pai que jura pela filha"
Logo no começo, durante a palavra "traiu", Tainá realiza um gesto com a cabeça como se fosse uma meia negação (movimento do centro para a esquerda) indicando exclusão de ideia. Logo depois, e mais uma vez o gesto de projetar os lábios para frente ("Lip Purse"), indicando clandestinidade, mas dessa vez é conjugado com um sorriso unilateral chamado, por Paul Ekman, de "Duping Delight". Esse sorriso é emitido quando o agente deseja manipular os interlocutores e percebe que sua manipulação está sendo bem sucedida.
O dizer que ele jurou pela filha ela fala a verdade. Em algum momento ele fez esse juramento. Jurar pelo filho é um forte indicador de veracidade no discurso por parte de Raul, pela importância que um filho tem para um pai zeloso, cuidadoso (Marcello de Souza)

Ao final do trecho, podemos notar que ela faz uma expressão facial semelhante ao nojo. Em alguns contextos, essa expressão é utilizada com o intuito de gerar empatia, racionalizar, convencer o interlocutor e/ou a sim mesmo do que está falando e/ou sentindo.
Podemos concluir desse trecho que em algum momento ela se mostrou desconfiada se Raul a estava traindo ou não e ele jurou pela filha que isso não aconteceu. E o coeficiente de sinceridade nessa negação de Raul é muito alto.

A partir de 0:55, Tainá declara: "E as vezes que você me bateu?... o por quê que você não falou isso?"
Nesse momento podemos ver uma contração forte no músculo do corrugador (responsável pelo abaixamento das sobrancelhas) . Como dito anteriormente, Charles Darwin chamava esse músculo de "Músculo da Dificuldade" e indica tensão, dificuldade, etc.
Juntamente podemos notar uma queda no canto dos lábios. Essa contração muscular indica a presença da emoção de tristeza.

No final desse trecho ela ajeita o cabeço atrás da orelha, indicando desejo de ser mais assertiva em sua declaração.
Podemos concluir que houveram brigas entre o casal e Raul poderia até ter querido se defender, mas nada comparado a uma agressão.

O especialista em Análise de Declaração, Marcello de Souza atenta para a regra da troca de pronome. Nesse contexto, percebemos a mudança do pronome "tu" para o "você". Não existem sinônimos na Análise de Declaração.
O "tu" tem uma intenção mais ameaçadora, mais severa. O "você" indica algo mais suave, menos agressivo
Ao usar o "tu", Tainá tinha uma intenção mais agressiva quanto a acusação de abandono de lar; mais acusatória. Quando transfere para o "você" a sua intenção passa a ser menos agressiva; talvez até mais manipulativa.


SUMÁRIO: Tainá se mostra ansiosa ao dizer que está feliz, o que nos leva a acreditar que desonestidade nessa afirmação. 
Tainá é evasiva e apresenta omissões em relação aos atos de Fernando. Essas omissões e evasividades constituem um fortíssimo indicativo de desonestidade quando ela afirma que tudo que falaram sobre ele é mentira. Fernando tem culpa.
Ao dizer que Raul abandonou a casa deixando para trás Tainá e a filha, ela é desonesta. Tainá sabe que isso não é verdade.
Ao falar que Raul deixou faltar mantimentos necessários para a filha, ela não tem certeza. 
Quando se refere a traição, mais uma vez podemos notar desonestidade. Em algum momento, Tainá realmente achou que ele a estava traindo. A traição não aconteceu. Tainá usa esse fato para influenciar negativamente a imagem do marido.
Ao falar da agressão, podemos afirmar que, de fato existiu ou existiram momentos em que a briga entre Raul e Tainá se deu de forma mais incisiva, mas nunca houve uma agressão direta intencional por parte de Raul; e Tainá sabe disso.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Análise não-verbal: Dalva Teixeira, filha do médium João de Deus. Acusação de assédio.

O médium espírita, João de Deus, que atende há mais de 40 anos em Abadiânia (Goiás), está sendo acusado de abusar sexualmente e violentar mais centenas de mulheres que iam até Abadiânia para procurar tratamento espiritual.
A filha de João de Deus, Dalva Teixeira, concedeu duas entrevistas em épocas diferentes: A primeira ocorreu em 2016 para um radialista, e nunca foi colocada no ar. A segunda entrevista ocorreu já em 2017, praticamente um anos depois da primeira entrevista; nela Dalva está ao lado de seu pai e desmente toda a história de que tenha sofrido abuso sexual por parte do médium.
O que a linguagem corporal de Dalva Teixeira pode nos dizer nessas duas entrevistas?

ENTREVISTA 1 (2016)

Vamos à análise:

Em 0:28, Dalva diz: "Ele é manipulador, ele é mau, ele é... ele é estranho, ele é diferente... a gente vê que ele é diferente..." 
Ao dizer que ele é manipulador, sua cabeça faz movimentos rápidos de um lado para outro enquanto a direciona para trás. Esse gesto é chamado de "Head Wiggle" e é projetado por indivíduos que demonstram confiança e assertividade no que estão falando. 
O movimento para trás adiciona ao significado uma repulsa ao que está verbalizando, funcionado como um desejo de se distanciar.
As pausas indicam uma intenção de buscar palavras que adjetivam a identidade do pai. Ela não sabe que palavras usar ou tem medo de usar outras palavras

Em 0:30, Dalva emite uma expressão de medo devido a um sutil levantamento das pálpebras superiores, e estiramento horizontal dos lábios.

Em seguida, ainda em 30 segundos, podemos notar uma assimetria facial devido a uma contração mais forte em seu lado esquerdo da face.
Esse gesto tem inúmeros significados dependendo do contexto e dos outros gestos que estão em conjunto. Nesse caso, ele significa racionalização e hesitação em falar.

Ao dizer que ele é mau, Dalva projeta os lábios para frente. Esse gesto é chamado de "Lip Purse" e indica clandestinidade. Há um desejo de Dalva de manter alguma informação (ou parte dela) em segredo.
O fato dela se referir a João de Deus como sendo manipulador, mau, estranho, diferente são palavras que empregam uma certa generalização pois não retratam com fidelidade o comportamento que ele teve com Dalva, de abusador.
Não podemos concluir com plena certeza o porquê Dalva se utiliza desses adjetivos para se referir ao pai, uma das hipóteses seria que ela não sabe como se referir ao pai.



Em 0:34, ela realiza um gesto chamado de "Mutismo" quando seus lábios são enrolados para dentro da boca e existe uma tensão no maxilar.
O "Mutismo" é um gesto clássico de supressão, que pode ser emocional, de algum evento ou de alguma informação. Dentro desse contexto há um desejo de não se pronunciar, de ficar muda em relação ao evento total ou parcialmente. Esse gesto carrega consigo uma alta carga de sentimentos negativos advindo do que está sendo verbalizado.

Em 0:35 ao falar que ele é estranho, ela exibe uma expressão facial de nojo devido a elevação do lábio superior - com incidência maior no lado esquerdo da face.

Ainda em 0:35, Dalva diz que ele é diferente, e nesse momento ela eleva os dois ombros. Esse gesto emblemático indica desconhecimento, dúvida.
Dalva, nesse momento, não sabe o que falar e/ou como falar.

A partir de 1:05, Dalva diz: "O que aconteceu que ele tirou minha roupa toda... ele tirou a dele... e ficou a noite inteira me "amolestando"".
Após dizer "... ele tirou minha roupa toda", Dalva emite mais uma vez o "Lip Purse" (projeção dos lábios) indicando clandestinidade de ideias ou retenção de informação.
Há omissões nesse discurso.
As pausas emitidas por Dalva comprovam essa omissão pois nesses momentos, o cérebro está buscando as palavras que serão usadas em sua declaração.
Devido a omissão, existe uma probabilidade do fato não ter acontecido da forma como Dalva está contando.

Ao falar "amolestando" ela fecha os olhos indicando uma não visualização do fato ou evento. Joe Navarro diz que esse gesto está ligado a emoções negativas e o consequente desejo de evitar que essa imagem ligada ao fato negativo venha à sua mente.
Apesar de omissões, um fato negativo aconteceu.

A partir de 1:13, Dalva diz: "Em viagens, ele colocava o motorista para dirigir, viagens longas, como fizemos uma para a Bahia, ele no banco de... de trás, ele ficava me... "amolestando""
No começo Dalva realiza novamente o gesto chamado de "Head Wiggle", que consiste em movimento com a cabeça de um lado para outro, realizados de forma muito rápida. Indica assertividade no que está falando. Esse gesto pode estar ligado às viagens ou relacionada a alguma viagem específica.
Ao dizer no "banco de trás" ela faz um gesto de distanciamento com a cabeça para trás, juntamente com o ato de fechar os olhos indicando não-visualização ("Eye Shielding"). Esse conjunto gestual pode estar a uma dissimulação ou ao desejo de se afastar da cena que lhe causa um estímulo negativo. 
Nesse trecho existem dois indicativos de incongruência. Ao falar que João de Deus colocava o motorista para dirigir, seus gestos estão em ritmo diferente da fala e ela gesticula para um lado (sua esquerda) e movimenta a cabeça para a direção oposta (para a sua direita)
Podemos notar que existe uma pausa antes de dizer "amolestando". Essa pausa é uma forma do cérebro ganhar tempo para pensar no que dizer ou em qual palavra usará.
A viagem a qual ela se refere realmente aconteceu, porém há uma alta probabilidade de Dalva não ter sido "amolestada" durante essa viagem.

Ainda nesse trecho após dizer "... no banco de trás..." ela emite uma expressão de tristeza devido a sutil contração da parte interna das sobrancelhas com tensão no corrugador e quem dos cantos dos lábios.
Aconteceu algum fato que a deixou triste, mas não necessariamente foi "amolestada"

Ao final desse trecho, novamente vemos a projeção dos lábios para frente ("Lip Purse"). Desejo de reter informações sobre o que acabou de narrar ou o fato não aconteceu exatamente como Dalva narra, havendo uma disparidade entre o que está dizendo e como aconteceu.

A partir de 1:28, Dalva diz: "Isso foi até os... 14 anos. Com 14 anos eu me casei para sair de casa."
Nesse momento, Dalva olha para cima e esquerda. Esse movimento ocular está ligado a lembrança de eventos, imagens.
Ao falar que se casou para sair de casa, ela sinaliza afirmativamente com a cabeça de forma congruente.

A partir de 1:39, Dalva diz: "(ele) Me bateu muito com... com coro de laçar boi que tinha um cimento na ponta e com a vara de ferrão. Inclusive eu tenho a cicatriz aqui e... me bateu muito, muito que eu fui para em esta... que eu fui... que eu fui parar... parar no hospital"
Ao dizer que ele bateu muito, ela afirma de forma congruente com a cabeça. Ao narrar os objetos usados para lhe bater, Dalva se utiliza de gestos ilustradores, que são aquele que ilustram, enfatizam o que está sendo falado.
A repetição do advérbio "muito" indica uma tentativa de convencimento da intensidade das agressões.
As pausas desnecessárias e a palavra cortada ("eu fui para em esta...") indicam omissão e racionalização do que falar.
Apesar desse convencimento, há congruência em pontos dessa declaração.

Após mostrar a cicatriz, Dalva exibe uma expressão de raiva devido ao afinamento dos lábios.

Imediatamente em seguida, ela coloca os lábios para dentro da boca ("Mutismo"). Esse gesto está relacionado a supressão de alguma emoção e/ou evento negativo. Há tensão nesse momento.

Antes de dizer que foi parar no hospital pelas agressões sofridas, ela olha para cima e esquerda. Esse movimento ocular está relacionado à lembrança.
O fato dela gaguejar nesse momento indica uma forte carga emocional de ansiedade e nervosismo.


ENTREVISTA 2 (2017)  - Começa em 3:28

Nesse segundo vídeo temos Dalva Teixeira ao lado de seu pai, João de Deus

Dalva começa dizendo: "Quero declarar a todos que essa pessoinha que tá aqui do lado nunca... nunca me a... abusou sexualmente..."
Podemos notar que apesar dela estar com a mão na cabeça de João de Deus, o que automaticamente cria uma conexão, seu corpo se mantém a uma certa distância. De acordo com estudos de Proxêmica, desenvolvidos por Edward Hall - com pessoas próximas, que amamos ou temos um carinho maior nossa tendência é se aproximar corporalmente destas diminuindo as distancias interpessoais. Quando mais próximo fisicamente da pessoa, maior é a proximidade emocional. 
A distância entre Dalva e o pai é maior do que se espera para familiares que se gostam. Não há inclinação corporal em direção a João de Deus. Esse afastamento denota também um afastamento emocional. O que nos leva a crer que a mão na cabeça é artificial.
Devemos nos atentar também para sua declaração. As palavras sendo proferidas no diminutivo como "pessoinha" diminuem a importância e indicam desprezo.
Além disso, de acordo com Mark McClish, a palavra "nunca" não indica uma negação, pois não especifica tempo. Aqui, Dalva não está negando que houve assédio.
A repetição da mesma palavra confirma a ocorrência de assédio. Isso porque a repetição de palavras indica um desejo de convencimento do que está sendo falado. Uma das máximas da comunicação é que a verdade não necessita de convencimento, pois, por si só, já gera crença positiva nos interlocutores.
Notem que antes de verbalizar a frase "abusou sexualmente" ela "engasga" com suas palavras. Isso demonstra um conflito (dissonância cognitiva e/ou emocional) entre a verdade e o que ela está pensando.


SUMÁRIO: Dalva mostra congruência e honestidade ao dizer que foi "amolestada" por joão de Deus.
Apesar dessa honestidade existem momentos em que ela tem o desejo de reter e omitir informações.
No início do vídeo, podemos notar algumas evasividades quanto a identidade do pai, não excluindo, portanto, o fato dele ter agredido e abusado.
Apesar da congruência, existem incongruências em momentos de sua declaração.
No segundo vídeo, Dalva não nega que houve abuso, nos fazendo acreditar que houve tal ato. Inconscientemente ela assume, por meio de sua declaração.